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	<title>Helder Sanches &#187; Deus</title>
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	<description>Penso, logo, sou ateu</description>
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		<title>Racionalizar deus</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 11:42:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Helder Sanches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[racionalismo]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Se é muito interessante do ponto de vista intelectual questionarmos sempre aquilo que sabemos, já me parece muito pouco razoável que coloquemos em dúvida tudo o que sabemos, independentemente da matéria em causa. Por outras palavras, o nosso grau de conhecimento (tanto individual como colectivo) não é uniforme, fazendo sentido que se apliquem diversos graus de dúvida consoante os assuntos em causa.</p>
<p>Sabemos, com um grau de certeza muito grande, que a Terra gira à volta do Sol; esse grau de certeza é tão grande que nem sequer perdemos tempo a verificar os dados necessários para chegarmos a essa conclusão. Entendemos, simplesmente, as explicações que nos são dadas por que se tratam de explicações racionais.</p>
<p>Temos uma certeza considerável sobre os processos biológicos que conduzem à evolução das espécies. Podemos não saber em pormenor todos os passos evolutivos de todas as espécies, devido a falhas nos registos fósseis, mas compreendemos o processo na sua generalidade por que podemos racionalmente extrapolar alguns casos bem documentados para os outros e toda a evolução é racionalmente sustentada.</p>
<p>Sabemos que devido aos movimentos da crosta terrestre e à agitação das placas tectónicas os continentes vão-se transformando eternamente enquanto a Terra for â€œvivaâ€ em termos geológicos. Racionalizamos os registos geológicos e chegamos a essa conclusão.</p>
<p>Todas estas coisas que sabemos foram temas de estudo no passado para pessoas que, muitas delas, dedicaram a sua vida à pesquisa, à exploração, à busca de provas e à refutação de outrasâ€¦ Esses exercícios de busca do conhecimento permitem-nos hoje falar desses temas como se tratassem de verdades que nem sequer questionamos no nosso dia a dia.</p>
<p>Porquê, então, não racionalizar deus? Porquê, então, tanta dificuldade em retirar deus da equação do conhecimento? Porquê jogar na lotaria de um prémio imaginário? Porque é que os crentes conseguem racionalizar tudo e não conseguem racionalizar deus? Racionalizar deus, note-se, é diferente de racionalizar as religiões. Essas, todos sabemos, são uma evolução da mitologia, em que se cria a noção do profano e do sagrado e em que se separam os deuses dos mortais humanos.</p>
<p>Mas deus, tome ele a forma e o nome que tomar, tem que ser racionalizado, como todo o conhecimento humano. A impossibilidade de o fazer, ao contrário do que tentam demonstrar os crentes, não demonstra aÂ  sua irracionabilidade. Demonstra, muito pelo contrário, a irracionalidade do seu conceito.</p>
<p>Que sentido faz, então, viver em função de algo que não se consegue sequer racionalizar? Que sentido faz, então, viver em função de algo que apenas as convicções mais dúbias e menos sustentáveis racionalmente conseguem suportar? Se as pessoas mentalmente saudáveis não regulam o seu conhecimento &#8211; e a sua vida! &#8211; em outras matérias em permissas tão frágeis, então, por que fazê-lo em relação à hipótese de deus? Não me parece coerente, não me parece lógico, não me parece racional. Enfim, crendicesâ€¦</p>
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		<title>Verdades, Popper e propaganda</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 12:06:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Helder Sanches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[falseabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Karl Popper]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem dúvida que está a ser muito interessante a discussão entre o Daniel Silvestre e o comentador Bernardo no artigo â€œO diálogo que deve ser promovidoâ€œ. Concordo plenamente que os diálogos devem ser sempre promovidos. No entanto, quero chamar aqui &#8230; <a href="http://www.heldersanches.com/2008/02/19/verdades-popper-e-propaganda/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.heldersanches.com/wp-content/uploads/2008/02/truth.jpg" alt="truth.jpg" align="right" />Sem dúvida que está a ser muito interessante a discussão entre o Daniel Silvestre e o comentador Bernardo no artigo â€œ<a href="http://www.portalateu.com/2008/02/15/o-dialogo-que-deve-ser-promovido/" target="_blank">O diálogo que deve ser promovido</a>â€œ.</p>
<p>Concordo plenamente que os diálogos devem ser sempre promovidos. No entanto, quero chamar aqui a atenção para a urgência que existe de , em circunstâncias deste tipo, se definirem os pressupostos antes de se desenvolverem teorias e se defenderem posições. Refiro-me, claro está, à definição de deus; de que adianta um diálogo se se debaterem conceitos diferentes ou se se utilizarem diferentes graus de especificidade sobre o objecto da discussão? Dessa forma, corre-se o risco de mantermos um diálogo sobre abstracções conceituais inválidas para o nosso interlocutor.</p>
<p>Por outro lado, gostaria de afirmar peremptoriamente que discordo do Bernardo na questão da falseabilidade de deus. Não discuto, obviamente, a sua infalseabilidade à data; discuto a presunção de que será sempre assim. Ou seja, afirmar que deus será sempre uma hipótese não falseável é, em si mesmo, uma afirmação não falseável! Em que ficamos, então?</p>
<p><span id="more-524"></span><br />
O Bernardo recorre ainda ao racionalismo crítico de Karl Popper e às suas teses na área da filosofia da ciência. Muito resumidamente, o que Karl Popper propõe é que todas as teorias para serem consideradas científicas terão que ser refutáveis. Pergunto-me: onde está a refutabilidade desta afirmação? Uma vez mais, em que ficamos?</p>
<p>Finalmente,  não resisto a comentar uma afirmação do Bernardo num dos comentários. Passo a citar:</p>
<blockquote><p>Sabe o que sucede quando falamos sobre assuntos que não conhecemos em primeira mão? Sabe o que fazem todas as pessoas, como o Daniel (ou como eu mesmo, quando em tempos falei também assim sobre o caso Galileu), que falam sobre Galileu sem conhecerem os processos e os argumentos? Fazem PROPAGANDA.</p>
<p>É verdade: sempre que falamos sobre temas que não conhecemos em primeira mão (ou às vezes nem em segunda), estamos a veicular opiniões de outras pessoas. Isso é propaganda.</p></blockquote>
<p>Aqui concordo inteiramente com o Bernardo! É exactamente pelos motivos que ele indica que considero as histórias do Novo Testamento um elaborado panfleto propagandista. O Bernardo, sem se dar conta, utilizou os argumentos que muitos usam para <a href="http://www.portalateu.com/2008/01/22/jesus-e-a-frequencia-do-dialogo/" target="_blank">questionar a veracidade histórica de Jesus</a>. Mas o Bernardo, nesse caso, já descarta a possibilidade da propaganda. A este estranho contra-senso chama-se fé.</p>
<p>Publicado a 19 de Fevereiro no <a href="http://www.portalateu.com/2008/02/19/verdades-popper-e-propaganda/" target="_blank">Portal Ateu </a></p>
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