DsA 1 — A Religião como produto da Evolução (I)

Esta é a minha pri­meira res­posta a algu­mas das par­ti­ci­pa­ções deste pri­meiro debate a ocor­rer no grupo do Face­book deno­mi­nado Deba­tes sobre Ateísmo. Optei por dar as res­pos­tas aqui no blog por uma ques­tão de sal­va­guarda dos tex­tos que escrevo.

Ten­ta­rei res­pon­der às par­ti­ci­pa­ções do Jorge Capelo, Rui Rodri­gues e Paulo San­ches.

O Jorge Capelo remete-nos para as esta­tís­ti­cas de uma forma sim­pli­cista e numa pers­pe­tiva de futu­ro­lo­gia, como se as ine­vi­ta­bi­li­da­des que a esta­tís­tica, no seu enten­der, nos reserva para o futuro não fos­sem váli­das no pas­sado. Segundo o Jorge Capelo, “um dia os libe­rais com pou­cos filhos extinguir-se-ão como classe e os con­ser­va­do­res reli­gi­o­sos serão a mai­o­ria”. Ora, se assim fosse, já não exis­ti­rão exis­ti­riam ateus há mui­tas gera­ções; chego mesmo a equa­ci­o­nar se algu­mas vez teriam exis­tido! Por outro lado, o Jorge Capelo esqueceu-se das esta­tís­ti­cas no que diz res­peito à pro­por­ci­o­na­li­dade entre vários outros aspe­tos, nome­a­da­mente, número de filhos/qualidade de vida/esperança de vida/desenvolvimento eco­nó­mico. As esta­tís­ti­cas mais recen­tes, pelo menos nas soci­e­da­des oci­den­tais, não supor­tam a con­clu­são do Jorge Capelo. E ainda não tomá­mos em con­si­de­ra­ção o aspeto refe­rido pelo Rui Rodri­gues de que “have­rão sem­pre con­ser­va­do­res com filhos pro­gres­sis­tas”, nem um outro aspeto impor­tan­tís­simo da evo­lu­ção humana como é a pro­mis­cui­dade genética.

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DsA 1 — A Religião como produto da Evolução

Fica lan­çado o pri­meiro tema para os Deba­tes sobre Ateísmo (DsA): “A Reli­gião como pro­duto da Evolução”.

Até que ponto os sis­te­mas de cren­ças mais ou menos orga­ni­za­das trou­xe­ram van­ta­gens evo­lu­ti­vas aos indi­ví­duos e ao colec­tivo das soci­e­da­des que os adop­ta­ram? Estará esse pro­cesso esgo­tado? Ou tere­mos um “gene da reli­gião” que con­di­ci­ona as nos­sas opções? Onde ter­mina a pre­dis­po­si­ção gené­tica — se a hou­ver — e come­çam os pro­ces­sos de endo­cul­tu­ra­ção, no que diz res­peito às opções reli­gi­o­sas de cada um? Que van­ta­gens sócio-culturais são ainda pos­sí­veis de encon­trar nas soci­e­da­des devido às religiões?

Boa par­ti­ci­pa­ção e bom debate!