Associação de Comerciantes do Bairro Alto

Tomou hoje posse a nova equipa dos cor­pos soci­ais da Asso­ci­a­ção de Comer­ci­an­tes do Bairro Alto. Após algum tempo (dema­si­ado) de ino­pe­ran­cia, espera-se que esta nova direc­ção con­siga atin­gir os objec­ti­vos a que se pro­põe, tra­zendo van­ta­gens a todos os níveis para todos os inte­res­sa­dos: comer­ci­an­tes, resi­den­tes e visi­tan­tes do Bairro.

O Bairro Alto, sendo um dos mai­o­res ícones da Lis­boa turís­tica, reclama com urgên­cia algu­mas medi­das que ape­nas pecam por tar­dias. O empe­nho de todos os supra­ci­ta­dos é indis­pen­sá­vel para fazer do Bairro Alto um modelo que, pelas suas carac­te­rís­ti­cas únicas, seja uma refe­rên­cia naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal do que deve ser ani­ma­ção turís­tica de qualidade.

Boa Sorte!

A Europa e o Criacionismo na Educação

Há dias feli­zes em que parece que, afi­nal, ainda exis­tem polí­ti­cos razoáveis.

Alguns mem­bros da Assem­bleia Par­la­men­tar do Con­ce­lho Euro­peu avan­ça­ram com uma moção para reco­men­da­ção inti­tu­lada “The dan­gers of cre­a­ti­o­nism in edu­ca­tion”. Fica aqui a sua transcrição:

1. The Assem­bly asserts the stan­dard set­ting role of the Coun­cil of Europe and is aware of its own res­pon­si­bi­lity in re-assessing the basis on which our soci­e­ties are to be built. It recog­ni­ses sci­ence as part of this basis.

2. The advance of sci­en­ti­fic kno­wledge through the pro­cess of rati­o­nal enquiry is thou­sands of years old. Anci­ent civi­li­sa­ti­ons around the World made valu­a­ble con­tri­bu­ti­ons. Modern sci­ence star­ted in Europe with the sci­en­ti­fic revo­lu­tion of the 15th and 16th cen­tu­ries. This was fol­lowed by the Age of Enligh­ten­ment in the 18th and has con­ti­nued to the pre­sent. New the­o­ries were sel­dom easily accep­ted by the esta­blish­ment, as was the case for ins­tance with Lamarck and Darwin’s work on evo­lu­tion in the 19th century.

3. Howe­ver, in recent years we have wit­nes­sed attempts to recon­cile the bibli­cal account of cre­a­tion with modern sci­ence and outlaw the the­ory of evo­lu­tion. “Cre­a­ti­o­nists” pre­tend that “intel­li­gent design” by a supreme entity is the sci­en­ti­fic expla­na­tion for the universe.

4. Such an appro­ach has no cre­di­bi­lity among the sci­en­ti­fic com­mu­nity but has suc­ce­e­ded in rai­sing doubts in less infor­med minds, inclu­ding per­sons with high poli­ti­cal res­pon­si­bi­li­ties, mainly in the USA but also in Europe. Some scho­ols are now for­ced to teach cre­a­ti­o­nism. The mid­dle path of pro­vi­ding equal time for both merely offers a mid­dle way between truth and falsehood.

5. Sup­port for the sci­en­ti­fic the­ory of evo­lu­tion is almost uni­ver­sal among those with reli­gi­ous beli­efs in Europe and nothing in this motion is inten­ded as dis­res­pect for any religion.

6. Howe­ver, the Assem­bly is con­cer­ned at the pos­si­ble nega­tive con­se­quen­ces of the pro­mo­tion of cre­a­ti­o­nism through edu­ca­tion and recom­mends that the Com­mit­tee of Minis­ters assess the situ­a­tion in the Coun­cil of Europe mem­ber coun­tries and pro­pose ade­quate counter-measures.

(Publi­ca­ção simul­tâ­nea: Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

Gráfico da Consideração Ética

Gráfico �tica

Neste artigo, eu e o João Vasco temos vindo a debruçar-nos sobre quem é mere­ce­dor de con­si­de­ra­ção ética. Este grá­fico serve para me aju­dar a visu­a­li­zar as dife­ren­ças e as con­sequên­cias das nos­sas opi­niões. Se o João não esti­ver de acordo com a minha inter­pre­ta­ção grá­fica alte­ra­rei o grá­fico em conformidade.

Basi­ca­mente, o João entende que mere­cem con­si­de­ra­ção ética todos aque­les que se insi­ram exclu­si­va­mente na man­cha ver­me­lha com a legenda “Seres Sen­ci­en­tes”, sejam seres vivos ou não. Eu defendo que mere­cem con­si­de­ra­ção ética todos os seres vivos, sen­ci­en­tes ou não.

A lei­tura da Decla­ra­ção Uni­ver­sal dos Direi­tos do Ani­mal pode con­fir­mar que as pre­o­cu­pa­ções éticas são trans­ver­sais a todo o reino ani­mal, não fazendo dis­tin­ção entre ani­mais sen­ci­en­tes ou não sen­ci­en­tes.
A argu­men­ta­ção segue den­tro de momentos.

Ética com estética

A pro­pó­sito das tou­ra­das, iniciou-se um inte­res­sante debate entre o Ludwig Krip­pahl e o Ricardo Alves sobre ética. No seu último post, o Ludwig defende dois prin­cí­pios com os quais eu dis­cordo (e não o faço por uma ques­tão de crença ;) ).

Pri­meiro, o Ludwig defende que merece con­si­de­ra­ção ética todo aquele que sente, tendo como pre­missa um sis­tema ner­voso base­ado no cór­tex cere­bral dos ver­te­bra­dos. Ora, esse prin­cí­pio parece-me tão válido como qual­quer outro. Por­que não basear-nos num prin­cí­pio que exclui, por exem­plo, as espé­cies não soci­ais, uma vez que as con­sequên­cias da morte de um indi­ví­duo se reper­cu­ti­riam menos na vida dos outros da mesma espé­cie? Nesse caso, a for­miga teria direito a muito mais con­si­de­ra­ção ética que um urso polar, por exemplo.

Este prin­cí­pio do sen­tir torna-se cla­ra­mente mais duvi­doso quando o Ludwig res­ponde que o doente coma­toso irre­ver­sí­vel não merece qual­quer con­si­de­ra­ção ética! Quero acre­di­tar que o Ludwig após uma mais pon­de­rada aná­lise irá mudar de opi­nião. A huma­ni­dade é com­posta por um ele­vado número de fac­to­res, não ape­nas pela efi­ci­ên­cia do seu sis­tema ner­voso. Pelos prin­cí­pios éticos do Ludwig, um rato de esgoto mere­ce­ria mais con­si­de­ra­ção ética que o tal doente coma­toso irre­ver­sí­vel. Defi­ni­ti­va­mente, pouco sustentável.

O Ludwig cai ainda na sua pró­pria argu­men­ta­ção quando aponta as falhas aos méto­dos que per­mi­tem ir “res­trin­gindo arbi­tra­ri­a­mente «os outros» até dar o resul­tado cer­to” quando cita o caso do polvo. Ora, no caso do polvo, o Ludwig está a inclui-lo, ainda que ape­nas atra­vés do bene­fi­cio da dúvida, para obter o tal resul­tado certo que lhe parece mais correcto!

Em segundo lugar, o Ludwig defende que o erro é usar a tal regra de ouro de não fazer aos outros o que não que­re­mos que nos façam e que, em vez dessa regra, o cor­recto é não lhes fazer aquilo que eles não gos­tam. Estou com­ple­ta­mente de acordo até aqui. O pro­blema é quando o Ludwig se acha no direito de saber o que os outros gos­tam ou dei­xam de gos­tar. Com ou sem um cór­tex cere­bral evo­luído, qual­quer ser vivo lutará até à última ins­tân­cia pela sua sobre­vi­vên­cia, enquanto indi­vi­duo ou enquanto espécie.

A vida tem toda o mesmo valor intrín­seco. Parece-me uma grande falta de ética valo­ri­zar a vida con­so­ante as suas carac­te­rís­ti­cas evolutivas.

Basi­ca­mente, diria que é ético poder matar qual­quer espé­cie (com o mínimo sofri­mento pos­sí­vel) nas seguin­tes situações:

  • Sub­sis­tên­cia (alimentação)
  • Sobre­vi­vên­cia (auto-defesa)
  • Saúde e Higi­ene (pública ou pessoal)

Estas situ­a­ções são váli­das para qual­quer espé­cie em causa e a morte deverá ser o menos dolo­rosa pos­sí­vel quer se trate de for­mi­gas, vacas ou ratos de esgoto. Obvi­a­mente, impli­cam a repulsa por qual­quer tipo de tor­tura tanto de ursos, de mos­cas da fruta ou tou­ros de lide. Pla­gi­ando alguém conhe­cido, o resto é treta! ;)

Madeleine McCann em Fátima

A ignorância mascarada de fé saloiaComo pai e como alguém que adora cri­an­ças, lamento pro­fun­da­mente os acon­te­ci­men­tos à volta do desa­pa­re­ci­mento da pequena Made­leine McCann. Como lamento o desa­pa­re­ci­mento de todas as cri­an­ças por­tu­gue­sas que, todas jun­tas, nunca fize­ram gas­tar tanta tinta e tanta con­cen­tra­ção de meios para a reso­lu­ção dos seus casos. Sin­ce­ra­mente, ainda bem para a pequena Made­leine que esses meios este­jam dis­po­ní­veis para ela. Espe­re­mos que este seja um novo padrão a que a nossa poli­cia nos venha a habi­tuar. O ideal seria que tais meios nunca vol­tas­sem a ser neces­sá­rios; mas isso só acon­te­ce­ria se o mundo, de repente, pas­sasse a ser perfeito.

O que eu não suporto mesmo é a igno­rân­cia mas­ca­rada de fé saloia. Então, não é que em Fátima, nas cele­bra­ções dos 90 anos do embuste-mor naci­o­nal, pro­li­fe­ra­vam as ima­gens da pequena Mad­die com pre­ces para que a pequena fosse encon­trada sã e salva!?!

Mas, afi­nal, onde estava o deus desta gente quando a peque­nita desa­pa­re­ceu? Por­que é que não se viram car­ta­zes a per­gun­tar ao tal deus ou à sua vir­gem con­cu­bina por­que dei­xa­ram que a pequena e ino­cente Mad­die desa­pa­re­cesse, assim, sem mais nem menos? Não é suposto esse tal omni-tudo olhar pelas cri­an­ci­nhas e pelos ino­cen­tes? Afi­nal, ou esse ser que gosta de ser baju­lado não sabia o que estava a acon­te­cer e não é omnis­ci­ente ou sabia e não fez nada. Per­gunto eu: não fez por­que não quis ou por­que não pôde? Se foi por­que não pôde, não é omni­po­tente. Se foi por­que não quis, de facto, não me sur­pre­ende; é o que se pode espe­rar de quem con­dena um filho à morte por pura vai­dade e neces­si­dade de afir­ma­ção, num autên­tico fre­ne­sim de egocentrismo!

(Publi­ca­ção simul­tâ­nea: Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)