Tenho um amigo que assume frontalmente (e muito bem) o seu cristianismo e a sua homossexualidade. Ele está quase a fazer anos. Acho que vai gostar desta prenda.
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A moda das ameaças
Recentemente, fui ameaçado de morte na caixa de comentários deste blog. Agora, é a vez do meu parceiro do Diário Ateísta e autor do Liverdades, Bruno Miguel Resende, ser ameaçado da instauração de um “processo pela prática de crime contra sentimentos religiosos, nos termos e para os efeitos dos artigos 251º. e seguintes do Código Penal.â€
A ameaça surgiu, como pelos vistos é tradição, nas caixas de comentários do Diário Ateísta, num artigo em que o Bruno se limitou a divulgar a obra de JAM Montoya. Ora, como eu também já tinha feito a divulgação dessa mesma obra neste blog, sinto-me deveras magoado por não ter sido alvo da mesma atenção por parte de nenhum dos comentadores deste blog. Isso, claro está, não me impede de estar totalmente solidário com o Bruno. Acho, inclusivamente, que seria interessante se esta ameaça fosse para a frente. Sem dúvida que fariam um grande favor à causa ateísta em Portugal.
Afinal, são deuses
Depois de algumas trocas de impressões com o comentador António, fiquei com a ideia que isto de falarmos de deus de uma forma abstracta é simultâneamente perigoso e inconsequente. O António, por exemplo, define deus como sendo a “bondade humana”. Há quem defina como sendo o conjunto das forças da natureza. Outros, ainda, definem-no como o criador. As definições são variadas e, provavelmente, impossíveis de enumerar.
Esta característica da crença em deus é perigosa e pode funcionar como uma potencial armadilha na abordagem do ateísmo. Os multifacetados conceitos de deus dão cobertura a equívocos e a mal-entendidos.
De agora em diante, antes de iniciar qualquer discussão, prestarei mais atenção à definição de deus válida para o meu interlocutor. É como entrarmos num jogo em que cada vez que este se inicia as regras mudam consoante o adversário. Vá-se lá entender porquê.
Confrontações
O comentador António acusou-me nos comentários aos “Pressupostos” deste blog de, defendendo eu a racionalidade, recusar-me a confrontar com quem de mim diverge. Há um equívoco na apreciação do António. Eu não me recuso a confrontar as minhas ideias com ninguém desde que a confrontação pressuponha as mesmas regras e os mesmos princípios para ambas as partes.
Não considero importante argumentar com alguém que acredita “por que sim” que o Mundo tem seis mil anos, que a mulher nasceu da costela do homem ou que Lázaro ressuscitou graças a Jesus; seria a mesma coisa que argumentar com quem acredita que existem umas dezenas de virgens à espera dos mártires da Jihad!
Estou mais interessado em discutir o fenómeno religioso de uma forma abstracta, entender as suas causas e consequências, avaliar os seus custos e benefícios(!) para a sociedade e compará-lo com a alternativa oferecida pela racionalidade honesta da ciência.
O António que me desculpe a arrogância — não é só ter a fama, há que ter o proveito de vez em quando — mas essas discussões dos mundos fantásticos e imaginários deixo para outros. Não é esse o papel que pretendo desempenhar com este blog. Se quiser confrontar o seu teísmo com o meu ateísmo, vamos a isso. Tem é que me prometer que deixa os dragões na garagem…
Sóbria loucura?
Em todos os bairros existem cidadãos emblemáticos pelas melhores e pelas piores razões. Por aqui, na Penha de França, em Lisboa, existe uma senhora, provavelmente sexagenária, que leva o dia inteiro de um lado para o outro a resmungar e a gritar sozinha em protesto contra as injustiças da vida.
A senhora está neste momento sentada no jardim em frente a minha casa numa gritaria desenfreada, criticando e lamentando todos os que gastam demasiado dinheiro e depois se queixam que o ordenado não lhes chega a meio do mês. Pelo meio vai fazendo referências aparentemente despropositadas a outros assuntos, cantando umas músicas de algum folclore do país real irreconhecíveis por estes ouvidos metropolitanos e levantando as mãos aos céus provavelmente à espera de alguma resposta ou sinal.
Num dos seus apartes, perguntou: “E, agora, a Nossa Senhora… Construiram lá em Fátima mais uma igreja que custou milhões de contos… Para quê? Será que a Nossa Senhora precisa da igreja para alguma coisa? Aquele dinheirinho não fazia mais jeito aos pobres que não têm dinheiro para comer?”
Sempre achei que a definição de loucura era das mais difíceis de elaborar!
…e deus é amor!
[video]http://www.youtube.com/watch?v=C8qriIQZ6PI[/video]
Fé e Crença: descubra as diferenças
No Teologia (reparem que a url tem uma sequência de três setes quando seria muito mais engraçada a sequência de três seis!), o autor Tilleul escreveu um artigo intitulado “Fundamentalismo Ateu” acusando a grande maioria do ateísmo praticado em Portugal ser um ateísmo anti-clerical e, portanto, fundamentalista.
Já anteriormente referi neste blog o que penso sobre a etiquetagem de “fundamentalistas” aos ateus. Também já referi o que penso sobre esse tal ateísmo pouco construtivo, baseado no bota-abaixo.
O que o autor Tilleul parece querer ignorar — e não o deveria fazer — é que existe uma grande diferença entre a sua fé e a sua crença. Enquanto ateu, não me sinto com o mínimo direito de questionar a sua fé seja ela em deuses barbudos, em unicórnios brancos ou noutros chifrudos de língua bifurcada patrocinados pelo SLB. A fé do Tilleul é lá com ele e ninguém tem nada a ver com isso!
Já em relação à sua crença, acho-me no total direito de a questionar. Porque enquanto a fé individual nasce e morre dentro do indivíduo, os sistemas de crenças têm uma tendência perigosa de se transformarem em fenómenos epidémicos de transmissão de aldrabices infantis sobre as explicações do mundo que nos rodeia, o sentido da vida ou um suposto sentido da morte.
Muito do que aquilo que o Tilleul acusa de anti-clericalismo é, antes sim, anti-proselitismo. E se o Tilleul quer — e acho muito bem que o queira — continuar a ter o direito à sua fé individual, tem que, quanto antes, deixar de tentar impor essa mesma fé aos outros e compreender que há quem, de facto, não precise da fé para nada.
O calvário dos donativos
Receoso de um qualquer ataque de alergia, lá entrei na Igreja da Graça para ver o monumento por dentro. Azar o meu, decorria a missa, pelo que dei meia volta em direcção à porta e saí, mais ou menos aliviado.
Já do lado exterior da porta do templo, reparei num anúncio que me passara despercebido à entrada (clicar foto).
Uma série de perguntas me surgiram na minha cabeça herética:
- Quem controla o destino das dádivas e donativos à Igreja?
- Existe alguma espécie de Provedor do Crente?
- Com a dimensão do património histórico da igreja católica não faria mais sentido esta ter nos seus próprios quadros pessoal para executar este tipo de obras e, assim, reduzir substancialmente o seu custo sem ter que recorrer à mendiguice?
Bingo!
Grande Pancada
Alguém dá a esta família o contacto do Miguel Bombarda, por favor?