A lata de deus (ou deus enlatado)

God Can how to

Real­mente, para algu­mas coi­sas é pre­ciso ter lata. De iní­cio até pen­sei que se tra­tasse ape­nas de uma brin­ca­deira do Fri­en­dly Atheist. Mas não.

God Can é um pro­duto à venda online que faz… nada! Uma lata com uma ranhura — tipo mea­lheiro — para colo­car pre­ces, rezas e ora­ções, enfim, tudo aquilo que se queira dizer “para o boneco”. Por $2.75 ($3.75 na ver­são deluxe, pois claro), obtem-se uma lata de fei­jão sem fei­jões e com um rótulo de um pés­simo mau gosto.

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Mórmon Cartoon

Muito ao estilo de Sco­oby Doo, aqui fica uma pequena ani­ma­ção que resume a crença mór­mon. São tam­bém notó­rias algu­mas outras influên­cias como Asté­rix, Flash Gor­don ou Hulk.

[video]http://youtube.com/watch?v=D7v_V8qSIIo[/video]

The new wars of religion

Capa “The Economist” 3Nov2007A edi­ção de 3 de Novem­bro da revista “The Eco­no­mist” incluía um caderno de 18 pági­nas com o título “The new wars of reli­gion”. Os arti­gos inclu­sos  já estão dis­po­ní­veis online (ver arti­gos com data de 1 de Novem­bro). Trata-se de um exce­lente tra­ba­lho jor­na­lís­tico para nos aju­dar a enten­der o papel da reli­gião no mundo moderno.

A capa reflec­tia a qua­li­dade do artigo, pelo que se repro­duz aqui o essen­cial da mesma.

Quem é mais ateu?

Na The­os­fera do padre João Antó­nio pode-se ler o seguinte texto:

QUEM É MAIS ATEU?

A super­fí­cie dá um tipo de res­posta. A pro­fun­di­dade ofe­rece outro.

Quem é mais ateu? O des­crente que se assume? Ou o crente que se presume?

Não será que o ateísmo dos ateus, no fundo, é mais uma denún­cia de mui­tos cren­tes em Deus do que uma nega­ção do Deus dos crentes?

A lei­tura dos livros de Richard Daw­kins e Michel Onfray tem-me feito pen­sar deve­ras e inter­ro­gar bastante.

Quando se con­testa a pre­sença pública da fé será que há um incó­modo perante Deus ou um desen­canto diante do contra-testemunho dos crentes?

E, desse modo, não poderá ser o ateísmo uma busca de auten­ti­ci­dade? Não pode­rão estar, por­tanto, mui­tos ateus mais pró­xi­mos de Deus?

Não serão as suas per­gun­tas mais con­sis­ten­tes que as nos­sas respostas?

Acho todo o texto muito inte­res­sante, embora a ideia de poder estar mais pró­ximo de deus me deixe um bocado per­plexo! Em rela­ção à última ques­tão acho feno­me­nal; Sem­pre achei que a res­posta é um claro “Sim”.

Práticas de boa gente

Já por diver­sas vezes fui sur­pre­en­dido nas cai­xas de comen­tá­rios pela visita de velhos ami­gos e conhe­ci­dos com quem, devido às vol­tas da vida, havia per­dido o con­tacto. O epi­só­dio mais recente acon­te­ceu com o Nuno Aze­vedo que eu já não vejo há algum tempo. Gos­tei que ele apa­re­cesse e comen­tasse. Gos­tei, tam­bém, de saber que ele encon­trou o seu lugar e des­co­briu nele lugar para as suas convicções.

O Nuno ter­mina um dos seus comen­tá­rios com a seguinte ideia que penso resu­mi­rem, de alguma forma, a sua postura:

Mais impor­tante para mim do que acre­di­tar ou não acre­di­tar é fazer o Bem, ser Humilde e ser Sério…basta isso para, acre­di­tando ou não, viver em comu­nhão com a men­sa­gem que me é trans­mi­tida pelo “meu” Deus.

Bem, não sei onde é que o Nuno encon­tra esses atri­bu­tos no “seu” deus. Não será cer­ta­mente na Bíblia. O Antigo Tes­ta­mento é fér­til em prá­ti­cas do Mal, Arro­gân­cia e Injus­ti­ças, onde a falta de res­peito pela vida humana é levada a extre­mis­mos doentios…

Note-se que eu con­cordo com a afir­ma­ção do Nuno; fazer o Bem, ser Humilde (q.b.) e ser Sério são vir­tu­des reco­men­dá­veis. Agora, não é pre­ciso nenhum deus no pro­cesso para se alcan­ça­rem esses valo­res. Basta ser bem for­mado, res­pei­tar o pró­ximo e ter noção dos limi­tes. Enfim, prá­ti­cas de boa gente.

Chamem os bombeiros

Estão-se a pas­sar. O homem tem que ser rapi­da­mente dado como santo e, então, há que fabri­car uns mila­gres quanto antes!

Está a fazer furor em deter­mi­na­dos meios cató­li­cos que, apa­ren­te­mente, incluem a TV do Vati­cano, a foto de uma fogueira que, nas men­tes per­meá­veis e facil­mente suges­ti­o­ná­veis de alguns cató­li­cos, dizem tratar-se da ima­gem de João Paulo II!

Papa de fogo

Por­que é que o ante­rior Papa have­ria de apa­re­cer numa fogueira e não numa san­des de tor­res­mos é um assunto sobre o qual não me quero debru­çar. Mas, pergunto-me, o que terá visto um obser­va­dor da mesma fogueira des­vi­ado 45º para a esquerda?

Por outro lado, não seria esta uma men­sa­gem de deus a suge­rir um maior apoio à Pales­tina? Cada um vê o que lhe parece mais con­ve­ni­ente… mas, não passa de ilusão.

Intifada

 Bill Maher dá outras suges­tões neste vídeo:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=shKnZqh7eTU&eurl=http://www.ateismo.net/diario/[/video]

O que fazer aos outros?

Do unto othersNão faças aos outros aquilo que não gos­ta­rias que te fizes­sem a ti”.

Esta é uma máxima que parece ser basi­lar, pelos menos em teo­ria, para grande parte dos segui­do­res da dou­trina cristã. Parece-me que este prin­cí­pio, por mais justo e sau­dá­vel que pareça, encerra em si pró­prio todo o poten­cial para o desen­vol­vi­mento de uma cul­tura egoísta e into­le­rante. Não fazer­mos aos outros o que não gos­ta­ría­mos que nos fizes­sem é uma forma de que­rer­mos impor os nos­sos cri­té­rios morais a terceiros.

Parece-me muito mais justo, cor­recto, sau­dá­vel, tole­rante e demo­crá­tico o seguinte raci­o­cí­nio: “Não faças aos outros aquilo que eles não qui­se­rem que lhes façam”.

Tudo isto a pro­pó­sito deste artigo, onde o comen­ta­dor Antó­nio se acha no direito de ava­liar o que é ou deixa de ser moral­mente acei­tá­vel para ter­cei­ros. Por­que o Antó­nio se choca com deter­mi­nada maté­ria, não só entende que os outros tam­bém se devem cho­car como, indo mais longe, se ques­ti­ona, inclu­si­va­mente, sobre a lega­li­dade do pro­duto e da sua expo­si­ção (pelo menos entendi assim, o Antó­nio que me cor­rija se eu esti­ver equivocado).

Não vejo como pode­rei con­tri­buir para a feli­ci­dade alheia limi­tando ter­cei­ros aos meus valo­res morais. O limite será sem­pre a lei em vigor e, nos casos em que esta já não se ade­quar à rea­li­dade e ao evo­luir dos tem­pos, há que fazer tudo para a mudar. Claro está que não estou a falar da lei de qual­quer deus; quem se qui­ser limi­tar por essa é livre para o fazer sem a ten­tar impor aos outros.