(AP Photo/Narciso Contreras)

Portugal, a Europa e os refugiados

Reparem bem na foto que ilustra este artigo. É deste cenário que fogem os refugiados, maioritariamente sírios, que chegam à Europa depois de terem perdido família, bens, estilo de vida e dignidade. Muitos fogem das violações e de serem coagidos a juntarem-se a grupos armados. Só ainda não perderam a esperança, o que me deixa deveras impressionado.

Muitos são os que, por essa Europa fora e também em Portugal, se opõem ao acolhimento destes seres humanos nas respectivas regiões. Creio que muito desse receio tem origem em um ou mais dos seguintes factos:

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Sobre a Associação Humanista Secular

No próximo sábado irá ocorrer um encontro entre Humanistas que irá debater a necessidade e oportunidade de se avançar formalmente para a constituição de uma Associação Humanista Secular em Portugal. Após vários anos com reuniões informais mas regulares, chega a hora de arregaçar as mangas e tentar por em prática tudo o que se tem vindo a discutir ao longo desse período.

Como é sabido, nós portugueses temos um fraco índice de adesão aos movimentos associativistas. Não pretendo neste texto fazer as análises históricas ou culturais para esse fenómeno, pretendo, isso sim, apontar as razões pelas quais considero de maior importância lutar contra essa realidade quando se fala de uma Associação Humanista Secular.

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A homofobia de regresso ao parlamento

O assunto do dia é a proposta do PSD para um referendo sobre a adopção de crianças por casais homossexuais. Num país onde os políticos não pedem a permissão – e muito menos a opinião – dos portugueses para agirem em desacordo com os programas eleitorais que suportaram a sua eleição, não deixa de ser curioso este referendo sobre algo que tem a ver com a igualdade de direitos de todos os cidadãos.

Fica aqui a minha posição: completamente contra o referendo, totalmente a favor da adopção por casais homossexuais. A acontecer este referendo, receio ter que começar a olhar com desdém para mais de 50% das pessoas com que me cruzo na rua.

Cavaco Silva em modo “vivo”

Estou ainda em período de reflexão, mas devo dizer que fui surpreendido (positivamente) pela comunicação do PR. Para quem, como eu, achava que ele já estava embalsamado, foi um choque ver um animal político a encostar todos os outros à parede. Foi uma espécie de macho alfa a ensinar aos gatinhos que na política há alturas em que não se pode brincar e há alturas em que alguns valores (os partidários) devem ser simplesmente postos em perspectiva relativamente a outros valores mais elevados e eticamente mais justificáveis (os nacionais). Se não me engano, é a primeira vez em mandato e meio que considero positiva uma decisão deste presidente. Baralhou, partiu e deu de novo… Resta saber se o jogo foi parar a mãos competentes e responsáveis.

Será curioso ver as movimentações dentro do PS, pois é o partido que deverá ficar mais baralhado em todo este processo. Por um lado, aqueles que trabalharam ao longo dos últimos meses para um cenário de governabilidade do PS a um relativo curto-prazo e que, ao abrigo deste acordo tripartido entre PS, PSD e CDS, vêem a sua estratégia transformar-se numa grande desnecessidade e, por outro lado, a ala quiçá com maior sentido de Estado que poderá também ver a inclusão neste acordo tripartido como um passo importante para cimentar a posição do PS numas próximas eleições.

Uma coisa é certa, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas já têm bem carimbados na testa o certificado de incompetência. Cabe a Seguro escolher o carimbo que pretende.

O Solavanco dos Jerónimos ou “Pilatos, procuram-se”

A minha forma de ser optimista é acreditar que a evolução para melhor do mundo que construímos se faz não de uma forma linear mas aos solavancos, isto é, o progresso apenas parece linear e contínuo quando visto numa perspectiva histórica de longo alcance. Para quem vai vivendo os acontecimentos, parecerá sempre que às vezes se anda para trás, se regride na construção de um mundo melhor. Contudo, e embora essa sensação tenha o seu quê de verdadeira, ainda assim, será apenas um efeito de viver cada um dos solavancos inerentes à árdua construção de um mundo melhor.

O que se passou ontem no Mosteiro dos Jerónimos durante a “tomada de posse” do novo representante máximo da ICAR em Portugal, Manuel Clemente, deveria deixar envergonhados todos os portugueses que ainda tenham um pingo de dignidade no sangue. Ver o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro Ministro e diversos outros ministros prostrados em adoração e celebração a um líder religioso é um ultraje à Constituição deste país, documento, esse sim sagrado, que aqueles juraram defender.

Não há pinga de vergonha… Enquanto esta classe política não aprender a respeitar a própria Constituição é escusado esperarmos que respeito o povo. Talvez a solução seja colocá-los na mesma posição em que foi colocado aquele que eles adoram: de braços abertos, pregados na cruz. Pilatos, procuram-se!

Felizmente, estou certo que esta é apenas uma fase dolorosa do processo de solavanco em curso. Em breve a construção de um mundo melhor retomará o seu caminho.

O Desgaspacho do Governo

Para provar que as coincidências são mesmo uma pseudo-ciência engraçada, não é que a juntar ao melhor prato de Verão – o gaspacho alentejano, cheio de entulho e bem geladinho – se veio juntar a melhor notícia de Verão que é o “desgaspacho” do governo?

Contudo, recomendam-se os maiores cuidados. Pela alternativa encontrada para a sua substituição enquanto Ministro das Finanças, pode-se facilitar concluir que:

  • Ou Passos Coelho está mesmo decidido a acabar com o País
  • Ou todos os outros sérios candidatos ao cargo já concluíram que Passos Coelho já acabou com o país

Assim, dê por onde der, Gaspar já se pôs ao fresco e nós estamos cada vez mais lixados com “F” maiúsculo.

Quiçá ingénuo

Há mais de trinta anos que não ia a uma manifestação, o que significa que nunca tinha ido a uma enquanto adulto. À de ontem tinha que ir. Era obrigatório. Precisava de ir. E fui…

Ontem foi um dia que fará a diferença. Deixem-me ser optimista e, quiçá, ingénuo, mas espero que estejamos não só no início da queda deste governo, mas sim no início de um novo paradigma político em que o Estado sejamos todos e em que não seja passado um cheque em branco por quatro anos a qualquer governo, seja qual for a cor do mesmo.

Que este seja o início de uma época em que os governos sejam obrigados a cumprir as promessas eleitorais e que sejam constitucionalmente impedidos de agirem de outra forma;

Que este seja o início da democracia se tornar digna desse nome e as grandes decisões para o país sejam sempre tomadas em referendo pelo povo;

Que este seja o início de uma nova consciencialização política de um povo que tem optado pela abstenção, abdicando da força da sua união;

Que este seja o início da esperança e que a desculpa dos indicadores económicos não sirva para transformar os poderosos em carrascos de quem precisa de trabalhar arduamente para ter uma vida digna;

Que este seja o início da criação de um novo propósito nacional de dignificar o seu povo e não de o amordaçar no medo do descalabro dos banqueiros e das grandes empresas;

Que esteja seja o início de um processo incubador de novos políticos e dirigentes que respeitem os seus concidadãos e que actuem com espírito de missão, honestidade e sentido de Estado;

Que este seja o início de um novo “Nós”;

Que este seja o início de uma revolução de mentalidades, pois só essa é a verdadeira revolução;

Ingénuo, provavelmente, quiçá?

 

Email para a Junta de Freguesia da Penha de França

O lixo acumula-se nos passeios
Teve que ser… Raramente tenho pachorra para estas coisas, mas há limites que me deixam azul. Por isso, seguiu há momentos o seguinte email para a Junta de Freguesia da Penha de França. Se houver resposta, aviso.

Exmos. Senhores,

Gostaria de vos alertar para a quantidade de lixo espalhado na Praça António Sardinha. Esta situação verifica-se há já vários dias e, para além do aspecto estético, representa um risco para a saúde pública dos habitantes desta praça, especialmente para o elevado número de crianças que utiliza o parque existente na mesma.

A propósito do parque infantil, recordo que a informação

As obras de melhoramento da secção norte do parque infantil foram interrompidas

disponibilizada no vosso site é falsa e as obras de melhoramento do mesmo não se encontram concluídas, uma vez que o lado norte do referido parque carece ainda de melhoramentos e, não estando devidamente isolado, apresenta sérios perigos para a integridade física das crianças utilizadoras deste parque.

Junto em anexo duas fotos demonstrativas destas minhas preocupações. Aguardando um esclarecimento de V. Exas., subscrevo-me,

Com os melhores cumprimentos,
Helder Sanches