Estreou ontem no novo canal +TVI (exclusivo ZON, posição 12), o programa de stand-up “VOX — Em Busca da Comédia”, inteiramente gravado às sextas feiras no Vox Café, na Voz do Operário, em Lisboa. Deixo-vos com dois dos teasers do programa. Espero que gostem.
Arquivos da Categoria: Portugal
Quiçá ingénuo
Há mais de trinta anos que não ia a uma manifestação, o que significa que nunca tinha ido a uma enquanto adulto. À de ontem tinha que ir. Era obrigatório. Precisava de ir. E fui…
Ontem foi um dia que fará a diferença. Deixem-me ser optimista e, quiçá, ingénuo, mas espero que estejamos não só no início da queda deste governo, mas sim no início de um novo paradigma político em que o Estado sejamos todos e em que não seja passado um cheque em branco por quatro anos a qualquer governo, seja qual for a cor do mesmo.
Que este seja o início de uma época em que os governos sejam obrigados a cumprir as promessas eleitorais e que sejam constitucionalmente impedidos de agirem de outra forma;
Que este seja o início da democracia se tornar digna desse nome e as grandes decisões para o país sejam sempre tomadas em referendo pelo povo;
Que este seja o início de uma nova consciencialização política de um povo que tem optado pela abstenção, abdicando da força da sua união;
Que este seja o início da esperança e que a desculpa dos indicadores económicos não sirva para transformar os poderosos em carrascos de quem precisa de trabalhar arduamente para ter uma vida digna;
Que este seja o início da criação de um novo propósito nacional de dignificar o seu povo e não de o amordaçar no medo do descalabro dos banqueiros e das grandes empresas;
Que esteja seja o início de um processo incubador de novos políticos e dirigentes que respeitem os seus concidadãos e que actuem com espírito de missão, honestidade e sentido de Estado;
Que este seja o início de um novo “Nós”;
Que este seja o início de uma revolução de mentalidades, pois só essa é a verdadeira revolução;
Ingénuo, provavelmente, quiçá?
Email para a Junta de Freguesia da Penha de França
Exmos. Senhores,
Gostaria de vos alertar para a quantidade de lixo espalhado na Praça António Sardinha. Esta situação verifica-se há já vários dias e, para além do aspecto estético, representa um risco para a saúde pública dos habitantes desta praça, especialmente para o elevado número de crianças que utiliza o parque existente na mesma.
A propósito do parque infantil, recordo que a informação
disponibilizada no vosso site é falsa e as obras de melhoramento do mesmo não se encontram concluídas, uma vez que o lado norte do referido parque carece ainda de melhoramentos e, não estando devidamente isolado, apresenta sérios perigos para a integridade física das crianças utilizadoras deste parque.
Junto em anexo duas fotos demonstrativas destas minhas preocupações. Aguardando um esclarecimento de V. Exas., subscrevo-me,
Com os melhores cumprimentos,
Helder Sanches
O bispo, a esquerda e a falta de blue-jeans
Quando toca a “cascar” no governo encontram-se as alianças mais inesperadas. Assistir ao espectáculo de alguma esquerda a aplaudir a intervenção do bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, na passada terça-feira na TVI, parece demasiado deprimente para ser verdade. Para essa esquerda, é válido que qualquer cidadão se pronuncie sobre politica se for para “cascar” no governo. Contudo, chamo a atenção de dois pormenores:
- O entrevistado foi anunciado como bispo das Forças Armadas e com o seu título de membro da Igreja Católica, envergando o pomposo “Dom” antes do nome (ver aqui)
- O entrevistado não trajava à civil, envergando as tradicionais vestes do cargo que desempenha na hierarquia a que pertence
Pergunto-me se, em iguais circunstancias, essa mesma esquerda defenderia tão convictamente a liberdade de expressão do referido bispo em assuntos como o aborto ou o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ou se virão a defender o papel de agente social da Igreja quando acontecer um debate público e sério sobre a eutanásia. Não me parece.
Ao contrário do que muita gente pensa, a separação entre Estado e Igreja visa a protecção de ambos. Ao pronunciar-se sobre assuntos de Estado, o bispo abre um precedente muito perigoso, pois seria tão ou mais grave que, doravante, o Estado começasse a opinar sobre assuntos internos da Igreja.
Assim, mesmo que o cidadão Januário tenha todas as razões e mais alguma para dizer o que disse, não o pode fazer com o “Dom” antes do seu nome e tem que envergar uma t-shirt e blue-jeans quando o fizer, caso contrário comporta-se como mais um agente do tráfico de influências com que a imprensa e a Igreja Católica tantas vezes nos presenteiam. Que a esquerda oportunista não queira ver isto é que é de lamentar.
A indignação ilusória
Já não restam dúvidas que o acesso à internet e a consequente utilização de blogs, fóruns e outros sites sociais como o Facebook, democratizam a palavra e a opinião, permitindo virtualmente a qualquer cidadão expressar-se como muito bem entender. Claro que isso acarreta os malefícios inerentes a qualquer massificação, tornando-se mais frequente o desinteressante e o monótono do que o profundo e inovador.
Contudo, não me parece que seja esse o verdadeiro problema desta massificação. O verdadeiro problema reside na ilusão que se cria em quem expõe as suas opiniões de que elas contam. E não contam! Toda essa indignação exposta em entradas do Facebook, umas mais sérias, outras mais sarcásticas, pode contribuir para o retrato do “estado de alma” do país, mas em nada contribui para melhorar a fotografia.
Precisamos de uma maior consciência cívica e de nos mentalizarmos que existe uma alternativa ao “fado” de não conseguirmos um melhor Estado. Essa alternativa passa por conseguirmos menos Estado e isso só é possível com mais trabalho do que escrever uns textos ou partilhar umas imagens com frases feitas. É preciso por em prática o que se apregoa e não ficarmos apenas por palavras vãs. E faço já mea culpa.
Matemática e Português
Os resultados dos exames nacionais do 9º ano de Português e Matemática registaram uma descida nas médias e uma subida nas reprovações. Um representante da CNIPE - Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação — mostrou-se indignado com o grau de exigência dos exames! Mas que raio de representantes são estes que querem criar uma geração de incultos e analfabetos?
O que estes “representantes” não percebem é que um sistema de ensino facilitista que proteja os cábulas e os irresponsáveis acaba por apenas favorecer os filhos das classes sociais mais elevadas e com capacidade para colocar os seus filhos em escolas em que o facilitismo não seja a norma e os graus de exigência obriguem a nivelar todos por cima.
Dito por outras palavras, a maior parte dos estudantes de origem social mais humildade tem mais hipóteses de poder melhorar a sua condição em relação aos seus progenitores através de um ensino mais exigente, menos facilitista e que estimule e promova o mérito individual e coletivo do que através de um sistema que implicitamente filtre os filhos dos mais ricos para as escolas mais eficientes.
Testamento Vital
A propósito desta afirmação do Rui Rodrigues (Esta discussão [testamento vital] só não se faz, porque a Igreja Católica não quer) no seu mural do Facebook, recordei-me de algo que eu disse uma vez acerca dos crentes, das crenças e das religiões. Já não me recordo exatamente do contexto, mas a afirmação era mais ou menos a seguinte:
Há duas coisas que não se podem dar às religiões: nem demasiada importância, nem demasiada confiança! Se conseguirmos um equilíbrio entre estas premissas, seremos capazes de ter uma sociedade verdadeiramente laica e secular sem sermos persecutórios em relação às liberdades religiosas de todos os cidadãos.
Isto, claro, abordado no contexto nacional, ou até mesmo ao nível da Europa ocidental, grosso modo.
Acordo Ortográfico — sigamos em frente
Embora não esteja de acordo, vou assumir a partir de hoje o novo Acordo Ortográfico. Não vale a pena o esforço de batalhar por uma causa perdida. A causa ficou perdida a partir do momento em que os corretores ortográficos para as principais aplicações passaram a prever a ortografia de acordo com as novas normas!
Portanto: um, dois, três… Ação!
O PAN promete
Apurados os principais resultados que deram a previsível vitória ao PSD e a respectiva maioria aos partidos ditos de direita, importa, no que me diz respeito, analisar os resultados do partido em que votei, o PAN — Partido pelos Animais e pela Natureza.
Antes de mais, deve salientar-se que o PAN apenas foi oficializado em Janeiro deste ano e que, portanto, se trata ainda de uma estrutura praticamente experimental e completamente inexperiente neste tipo de acções politicas, pelo menos enquanto organização autónoma.
Assim, o mérito do PAN está nas ideias que promove, no conceito de ética e devolução do real valor das coisas à sociedade portuguesa, bem como de realísticas preocupações ambientais e de utilização dos recursos naturais; não atinge, seguramente, os resultados que atingiu hoje por fidelização do eleitorado, pelo beneficio do voto útil ou por se prestar a ser um voto contra o que quer que seja. Os resultados são, sem dúvida, obtidos graças ao conteúdo do programa eleitoral e à forma como este foi chegando à população em geral.
Votar é civismo
Hoje, pela primeira vez em muitas eleições, assisti a filas para as mesas de voto e a engarrafamentos de tráfego nas proximidades dos locais de voto por onde passei. Não sei se no final do das contagens as taxas de abstenção serão muito menores do que tem sido habitual nos últimos actos eleitorais, mas que senti uma dinâmica maior à volta das mesas de voto, senti.
Como é costume, saio do edifício da escola onde costumo votar com uma sensação de dever cumprido apenas comparável à sensação de bem-estar que sinto sempre que vou dar sangue. Sinto-me bem comigo, com os outros e com o mundo… Tenho em ambas as
![DSC_0433[1]](http://www.heldersanches.com/wp-content/uploads/2012/07/DSC_04331-150x150.jpg)
![DSC_0434[1]](http://www.heldersanches.com/wp-content/uploads/2012/07/DSC_04341-150x150.jpg)
