Matemática e Português

Os resul­ta­dos dos exa­mes naci­o­nais do 9º ano de Por­tu­guês e Mate­má­tica regis­ta­ram uma des­cida nas médias e uma subida nas repro­va­ções. Um repre­sen­tante da CNIPE - Con­fe­de­ra­ção Naci­o­nal Inde­pen­dente de Pais e Encar­re­ga­dos de Edu­ca­ção — mostrou-se indig­nado com o grau de exi­gên­cia dos exa­mes! Mas que raio de repre­sen­tan­tes são estes que que­rem criar uma gera­ção de incul­tos e analfabetos?

O que estes “repre­sen­tan­tes” não per­ce­bem é que um sis­tema de ensino faci­li­tista que pro­teja os cábu­las e os irres­pon­sá­veis acaba por ape­nas favo­re­cer os filhos das clas­ses soci­ais mais ele­va­das e com capa­ci­dade para colo­car os seus filhos em esco­las em que o faci­li­tismo não seja a norma e os graus de exi­gên­cia obri­guem a nive­lar todos por cima.

Dito por outras pala­vras, a maior parte dos estu­dan­tes de ori­gem social mais humil­dade tem mais hipó­te­ses de poder melho­rar a sua con­di­ção em rela­ção aos seus pro­ge­ni­to­res atra­vés de um ensino mais exi­gente, menos faci­li­tista e que esti­mule e pro­mova o mérito indi­vi­dual e cole­tivo do que atra­vés de um sis­tema que impli­ci­ta­mente fil­tre os filhos dos mais ricos para as esco­las mais eficientes.

Testamento Vital

A pro­pó­sito desta afir­ma­ção do Rui Rodri­gues (Esta dis­cus­são [tes­ta­mento vital] só não se faz, por­que a Igreja Cató­lica não quer) no seu mural do Face­book, recordei-me de algo que eu disse uma vez acerca dos cren­tes, das cren­ças e das reli­giões. Já não me recordo exa­ta­mente do con­texto, mas a afir­ma­ção era mais ou menos a seguinte:

Há duas coi­sas que não se podem dar às reli­giões: nem dema­si­ada impor­tân­cia, nem dema­si­ada con­fi­ança! Se con­se­guir­mos um equi­lí­brio entre estas pre­mis­sas, sere­mos capa­zes de ter uma soci­e­dade ver­da­dei­ra­mente laica e secu­lar sem ser­mos per­se­cu­tó­rios em rela­ção às liber­da­des reli­gi­o­sas de todos os cidadãos.

Isto, claro, abor­dado no con­texto naci­o­nal, ou até mesmo ao nível da Europa oci­den­tal, grosso modo.

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Acordo Ortográfico — sigamos em frente

Embora não esteja de acordo, vou assu­mir a par­tir de hoje o novo Acordo Orto­grá­fico. Não vale a pena o esforço de bata­lhar por uma causa per­dida. A causa ficou per­dida a par­tir do momento em que os cor­re­to­res orto­grá­fi­cos para as prin­ci­pais apli­ca­ções pas­sa­ram a pre­ver a orto­gra­fia de acordo com as novas normas!

Por­tanto: um, dois, três… Ação!

O PAN promete

Mapa de resultados - Legislativas 2011, Distrito de Lisboa

No dis­trito de Lis­boa, o PAN ficou em 5º lugar e a escas­sos 5 mil votos de ele­ger um deputado

Apu­ra­dos os prin­ci­pais resul­ta­dos que deram a pre­vi­sí­vel vitó­ria ao PSD e a res­pec­tiva mai­o­ria aos par­ti­dos ditos de direita, importa, no que me diz res­peito, ana­li­sar os resul­ta­dos do par­tido em que votei, o PAN — Par­tido pelos Ani­mais e pela Natu­reza.
Antes de mais, deve salientar-se que o PAN ape­nas foi ofi­ci­a­li­zado em Janeiro deste ano e que, por­tanto, se trata ainda de uma estru­tura pra­ti­ca­mente expe­ri­men­tal e com­ple­ta­mente inex­pe­ri­ente neste tipo de acções poli­ti­cas, pelo menos enquanto orga­ni­za­ção autónoma.

Assim, o mérito do PAN está nas ideias que pro­move, no con­ceito de ética e devo­lu­ção do real valor das coi­sas à soci­e­dade por­tu­guesa, bem como de rea­lís­ti­cas pre­o­cu­pa­ções ambi­en­tais e de uti­li­za­ção dos recur­sos natu­rais; não atinge, segu­ra­mente, os resul­ta­dos que atin­giu hoje por fide­li­za­ção do elei­to­rado, pelo bene­fi­cio do voto útil ou por se pres­tar a ser um voto con­tra o que quer que seja. Os resul­ta­dos são, sem dúvida, obti­dos gra­ças ao con­teúdo do pro­grama elei­to­ral e à forma como este foi che­gando à popu­la­ção em geral.

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Votar é civismo

Hoje, pela pri­meira vez em mui­tas elei­ções, assisti a filas para as mesas de voto e a engar­ra­fa­men­tos de trá­fego nas pro­xi­mi­da­des dos locais de voto por onde pas­sei. Não sei se no final do das con­ta­gens as taxas de abs­ten­ção serão muito meno­res do que tem sido habi­tual nos últi­mos actos elei­to­rais, mas que senti uma dinâ­mica maior à volta das mesas de voto, senti.

Como é cos­tume, saio do edi­fí­cio da escola onde cos­tumo votar com uma sen­sa­ção de dever cum­prido ape­nas com­pa­rá­vel à sen­sa­ção de bem-estar que sinto sem­pre que vou dar san­gue. Sinto-me bem comigo, com os outros e com o mundo… Tenho em ambas as

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Vota PAN — Partido pelos Animais e pela Natureza

Hoje é o último dia de cam­pa­nha elei­to­ral. Ama­nhã, como é hábito, é o tão famoso dia de refle­xão. A ques­tão que coloco é sobre o que deve­mos reflec­tir e qual o peso rela­tivo que cada maté­ria digna de refle­xão deverá ter no con­junto total desse pre­ci­oso exer­cí­cio para o qual a Lei Elei­to­ral nos con­cede um pre­ci­oso dia inteiro, imagine-se!

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A falta de espanto

Feliz­mente, está a che­gar ao fim uma das sema­nas mais tris­tes dos últi­mos anos para Por­tu­gal. Nesta semana, para quem ainda tinha dúvi­das, foi fácil cons­ta­tar que:

  • O fute­bol e a reli­gião são duas for­ças motri­zes da nossa sociedade
  • O governo é opor­tu­nista e men­ti­roso ao dei­xar para esta semana –  em que quase toda a gente anda dis­traída a tirar areia dos olhos — os anún­cios de aumen­tos de impos­tos e cor­tes sala­ri­ais, ao con­trá­rio do que havia prometido
  • Nós come­mos e cala­mos e até parece que já nem custa a engolir
  • Con­ti­nu­a­mos iguais a nós pró­prios em tudo aquilo em que somos mesmo maus e não há maneira de con­se­guir­mos pro­te­ger as pou­cas coi­sas boas que temos
  • Temos uma janela de cerca de 15 dias para fin­gir que refi­la­mos; entre­tanto, chega o Cam­pe­o­nato do Mundo de fute­bol e depois as férias, e depois o regresso às aulas e depois já é Natal outra vez e fica tudo em paz!

O mais espan­toso é que já nin­guém se espanta que assim seja… Viva Portugal!

O incómodo e a desilusão

Fin­gir que não me sinto inco­mo­dado com todo o ala­rido feito à volta da visita do Papa não faria sen­tido nenhum. É claro que me sinto inco­mo­dado! E muito…

Mas, o que me inco­moda não é nem a sua pre­sença, nem as reac­ções orgás­mi­cas daque­les que o ido­la­tram. Não, nada disso! Fico inco­mo­dado — isso, sim — com a faci­li­dade com que a classe polí­tica naci­o­nal manda à fava a Cons­ti­tui­ção da Repú­blica Por­tu­guesa, desde Pre­si­den­tes de Câmara, pas­sando por Pri­meiro Minis­tro até ao Pre­si­dente da Repú­blica, tudo em nome de um popu­lismo fácil, saloio e inconsequente.

Que desi­lu­são! Assis­tir em 2010 a este fenó­meno de pro­pa­ganda hipó­crita no meu país, com feri­a­dos absur­dos rebap­ti­za­dos de tole­rân­cia de ponto, com cam­pa­nhas de evan­ge­li­za­ção nas prin­ci­pais arté­rias da cidade de Lis­boa, com uma imprensa bolo­renta que ali­nha no show e nada ques­ti­ona, com o enca­rar tudo isto com a maior das pas­si­vi­da­des… sinto, pela pri­meira vez em toda a minha vida, não ver­go­nha de ser por­tu­guês, mas ver­go­nha de que exis­tam tan­tos por­tu­gue­ses a per­mi­tir que tudo isto acon­teça, sem pes­ta­ne­ja­rem, como se tudo fosse nor­mal. Saloios e mari­cas, é o que vocês são…

Tenho um amargo sabor na boca… É o sabor de sen­tir que não adi­anta aca­bar com fas­cis­mos, con­ser­va­do­ris­mos, tota­li­ta­ris­mos, ili­te­ra­cia e igno­rân­cia no país sem que, pri­meiro, se tire tudo isso de den­tro das pessoas.

Pela minha parte, acabou-se. Con­si­dero que a Cons­ti­tui­ção tem sido des­res­pei­tada com todo este fol­clore e, como tal, sinto-me no direito de mudar de ati­tude em rela­ção à defesa da lai­ci­dade do Estado. Acabaram-se as gen­ti­le­zas, os diá­lo­gos pos­sí­veis e os ver­ni­zes poli­ti­ca­mente cor­rec­tos. Não é num país de idó­la­tras men­te­cap­tos que eu quero que as minhas filhas cresçam.

Grupo do Facebook dedica foto de perfil ao Papa

Pela pri­meira vez criei um grupo no Facebook:

Enquanto o Papa esti­ver em Por­tu­gal, a minha foto de per­fil é-lhe total­mente dedicada

Este é um grupo de pro­testo con­tra as mor­do­mias com que os órgãos de sobe­ra­nia naci­o­nais brin­dam aquele que, para além do chefe de estado do Vati­cano, também é:

- Chefe máximo de uma orga­ni­za­ção obs­cu­ran­tista
– Um dos prin­ci­pais res­pon­sá­veis nas últi­mas déca­das pelo enca­po­ta­mento de cri­mes de pedo­fi­lia na Igreja Cató­lica em todo o mundo
– Res­pon­sá­vel máximo pela con­ti­nu­a­ção de poli­ti­cas de desin­for­ma­ção con­tra o uso do pre­ser­va­tivo em África, con­tri­buindo para a dis­se­mi­na­ção da SIDA naquele con­ti­nente
– Repre­sen­tante de uma men­ta­li­dade anti-cientifica que tanto tem con­tri­buído para a estag­na­ção civi­li­za­ci­o­nal ao longo da história

Os nosso gover­nan­tes, lamen­ta­vel­mente, não con­se­guem resis­tir ao popu­lismo de não sepa­ra­rem a recep­ção ao chefe de estado do Vati­cano da sub­mis­são saloia e ter­ceiro mun­dista a um homem que repre­senta muito do pior da humanidade.

Como forma de pro­testo, até o Papa aban­do­nar o ter­ri­tó­rio por­tu­guês, a minha foto de per­fil é um preservativo.

Pedro Abrunhosa nos Ídolos

Pedro Abru­nhosa foi o artista con­vi­dado da penúl­tima gala da cor­rente edi­ção dos Ídolos. Deci­dido a arre­ba­tar todas as aten­ções para o novo disco a ser lan­çado bre­ve­mente, Pedro Abru­nhosa pro­ta­go­ni­zou uma apa­ra­tosa queda em pleno palco que, feliz­mente, não teve con­sequên­cias de maior.

Apre­cio o Pedro Abru­nhosa com­po­si­tor, não apre­cio o Pedro Abru­nhosa can­tor. Con­tudo, a capa­ci­dade de encaixe que ontem demons­trou fez subir a con­si­de­ra­ção que tinha por ele. Logo após a queda, quando ainda se recom­pu­nha, disse “com isto já vendi mais dez mil discos!” .

Como se não bas­tasse, pouco tempo depois do suce­dido, o pró­prio Pedro Abru­nhosa colo­cou o vídeo da sua queda na sua página do Face­book com o comen­tá­rio “PEDRO ABRUNHOSA CONFIRMA A SUA QUEDA PARA A MÚSICA!!!”.

Soberbo!

Para além de demons­trar uma enorme inte­li­gên­cia ao ser ele pró­prio a dar o bom­bom a todos aque­les que se riram com o ines­pe­rado da cena (eu tam­bém), deu pro­vas de que sabe rir de si pró­prio e que não havia mais nada a fazer senão ali­nhar na brin­ca­deira e ten­tar, assim, virar uma situ­a­ção algo cons­tran­ge­dora a seu favor. Muito bem, Pedro!