A União faz a Força

O vídeo deste domingo não tem a ver com as maté­rias habi­tu­ais apre­sen­ta­das neste blogue.

Já vi mui­tos docu­men­tá­rios sobre a vida  sel­va­gem em África, mas esta sequên­cia é impres­si­o­nante. Vejam até ao fim que merece bem a pena.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=8g5BoU8dKZ4[/video]

E por­que estou numa de soli­da­ri­e­dade ani­mal, que dizer deste acto de soli­da­ri­e­dade “inter-espécie”?

[video]http://www.youtube.com/watch?v=H65twliqex0&NR=1[/video]

Dia Nacional da Ilusão

Bush - a orar ou apenas de ressaca?O pre­si­dente dos Esta­dos Uni­dos e bea­tís­simo George W. Bush deci­diu criar o Dia Naci­o­nal da Ora­ção nos Esta­dos Uni­dos da Amé­rica. Será cele­brado a 3 de Maio e é um con­vite a todos os cida­dãos norte-americanos para agra­de­ce­rem a deus — seja ele quem for — pela sua pro­tec­ção, con­forto e gui­dance (que eu não me atrevo a traduzir)!

No apelo do beato — per­dão, do pre­si­dente — fica patente o con­vite a TODOS os norte-americanos, não ficando claro como deve­rão pro­ce­der ateus, agnós­ti­cos e outros não religiosos.

Não deixa de ser curi­osa a cri­a­ção de um dia dedi­cado à ora­ção, essa arte fan­tás­tica de pedir (e vene­rar) em vão a um ser ima­gi­ná­rio, na ten­ta­tiva de obter atra­vés do pai, do filho ou do espí­rito santo (outra!) — ou dos três em simul­tâ­neo, por­que parece que são um só — aquilo que se quer da vida, tanto da pró­pria como da dos outros!

Como diz o Ricardo Alves no Diá­rio Ateísta “Há gente mesmo muito estra­nha neste planeta”!

Famílias e outras palavras começadas por “F”

Ainda recen­te­mente abor­dei aqui a ques­tão da capi­ta­li­za­ção ou não da pala­vra “deus”. Pelos vis­tos, a ques­tão da capi­ta­li­za­ção de pala­vras assume uma rele­vân­cia maior quando se trata de man­dar areia para os olhos dos poten­ci­ais cli­en­tes sociais.

O exér­cito dos EUA deci­diu que, devido à impor­tân­cia que as famí­lias dos mili­ta­res têm nos esforço de guerra, a pala­vra “Famí­lias” pas­sará a ser escrita sem­pre com maiús­cula em toda a cor­res­pon­dên­cia do exér­cito! Já estou a ima­gi­nar que as fami­lias dos mili­ta­res fica­ram todas muito mais des­can­sa­das e tranquilas.

Pura pro­pa­ganda, claro, esta deci­são de que­rer dar impor­tân­cia às famí­lias atra­vés da capi­ta­li­za­ção da pala­vra que se lhes refere. Claro está que já há quem exija que outras pala­vras come­ça­das por “F” tam­bém sejam capi­ta­li­za­das, nome­a­da­mente algu­mas que con­tri­buem para a manu­ten­ção da espé­cie. Por outro lado, no sen­tido inverso há quem sugira que se deixe de capi­ta­li­zar nomes como “bush” ou “cheney”!

Em Por­tu­gal pode­ria optar-se por nunca mais capi­ta­li­zar a pala­vra “engenheiro”.

O massacre de Virginia Tech” ou “À falta de Alka-Seltzer”?

Ken HamAndo numa fase menos boa e quando isso acon­tece os meus níveis de tole­rân­cia para com a igno­rân­cia e a estu­pi­dez bai­xam drasticamente.

Fiquei inde­ciso quanto ao titulo a dar a este post. “O mas­sa­cre de Vir­gi­nia Tech” pode­ria ser apro­pri­ado uma vez que é sobre os comen­tá­rios que um ilu­mi­nado de nome Ken Ham faz aos recen­tes acon­te­ci­men­tos naquele cam­pus uni­ver­si­tá­rio. Por outro lado, “À falta de Alka-Seltzer” tam­bém me parece apro­pri­ado uma vez que em caso de indis­po­si­ção diges­tiva podem sem­pre recor­rer ao texto onde Ken Ham tece os seus absur­dos comen­tá­rios para expe­li­rem o ali­mento estra­gado que vos causa a indis­po­si­ção. Ler mais…

Comia-o todo!

Refiro-me, claro, ao Cristo de cho­co­late! Esta doce escul­tura de 1,80m esteve para ser apre­sen­tada ao público numa gale­ria de arte em Nova Ior­que mas, face à revolta e apelo ao boi­cote levado a cabo pela The Catho­lic Lea­gue for Reli­gi­ous and Civil Rights, foi reti­rada da exposição.

A escul­tura ima­gi­na­ti­va­mente inti­tu­lada “My Sweet Lord”, de Cosimo Caval­laro, pro­cura, assim, um novo local para ser apre­sen­tada ao público em geral. Matthew Sem­ler, direc­tor artís­tico da expo­si­ção, diz não terem ficado cla­ras a razões dos pro­tes­tos: o facto de ser de cho­co­late, o facto de estar nu ou o facto do cho­co­late ser preto.

Esta noti­cia fez-me recor­dar das cari­ca­tu­ras de Maomé e de toda a polé­mica gerada à pouco mais de um ano.Vá lá, os pro­tes­tos não envol­ve­ram o incen­diar de ban­dei­ras nem o van­da­li­za­ção de embaixadas.

Algu­mas per­gun­tas surgem-me, assim de repente:

O que é que a cera ou o barro têm de mais nobre que o cho­co­late e em que é que esta escul­tura difere das outras em rela­ção aquela máxima “não idolatrarás”?

Ficando a escul­tura à mercê de uma cató­lica per­versa (que as há, feliz­mente) onde daria ela a pri­meira den­tada?

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

Pete Stark quebra tabu

Pete StarkFinal­mente, um repre­sen­tante no Con­gresso dos Esta­dos Uni­dos assume não acre­di­tar em qual­quer deus!

Pete Stark, um dos repre­sen­tan­tes da Cali­fór­nia no Con­gresso, assu­miu esta semana publi­ca­mente o seu ateísmo. Espe­re­mos que a sua cora­gem sirva de exem­plo a outros que são reféns do sucesso elei­to­ral e não têm tido a mesma pos­tura. Recordo que assu­mir uma posi­ção con­trá­ria à crença em deus é con­si­de­rado sui­cí­dio poli­tico nos Esta­dos Unidos.

Vere­mos se Stark se trata de um caso iso­lado, fruto do seu elei­to­rado ser dos menos con­ser­va­do­res em todos os Esta­dos Uni­dos, ou se a cora­gem é con­ta­gi­ante. De qual­quer forma, por muito ténue que seja, é uma ponto de luz ao fundo do túnel.

Para saber mais, ler aqui.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

Vem aí a “Grande Matança”

Blame Canada

Anu­al­mente, o Canadá, por mui­tos con­si­de­rado um exem­plo de país, per­mite que mais de 300.000 focas bebés sejam lite­ral­mente cha­ci­na­das de forma a ali­men­tar (par­ci­al­mente) uma indús­tria maca­bra local. Os auto­res desta cha­cina, escan­da­lo­sa­mente sub­si­di­a­dos pelo governo Cana­di­ano, são pes­ca­do­res da costa leste cana­di­ana que vêem nesta opor­tu­ni­dade uma forma de aumen­ta­rem um pouco mais os seus rendimentos.

As focas são mor­tas essen­ci­al­mente por causa da sua pele. Isto faz com que as focas sejam mui­tas vezes dei­xa­das a ago­niar até à morte, caso não mor­ram do pri­meiro golpe. Isto por­que quanto menos per­feita for a sua pele menos valor comer­cial terá. De sali­en­tar que os ren­di­men­tos obti­dos pelos pes­ca­do­res locais com esta matança são ape­nas resi­du­ais, não ultra­pas­sando os 5% do seu ren­di­mento anual.

Para além da pele, existe um mer­cado muito redu­zido para o óleo de foca. Já foram tam­bém detec­ta­dos pénis de foca a serem comer­ci­a­li­za­dos em alguns paí­ses da Ásia como afro­di­sía­cos! A carne, sem nenhum valor comer­cial, é dei­xada a apo­dre­cer no gelo.

Lamen­ta­vel­mente, a União Euro­peia ainda anda com as habi­tu­ais buro­cra­cias para estu­dar um boi­cote ao pro­du­tos deri­va­dos das focas!

Para saber mais:

Stop Canada’s Cruel Seal Hunt

Stop the Seal Hunt

Canada seal hunt gets under way

Harp Seals

Uma (di)Visão para a Europa — Declaração de Bruxelas

A nova EuropaJá assi­nei a Decla­ra­ção de Bru­xe­las. Trata-se de um docu­mento cheio de boas inten­ções que pre­tende recor­dar os prin­cí­pios e os valo­res que fun­da­ram a Europa como hoje a conhe­ce­mos e que nunca são demais relem­brar face às cons­tan­tes novas ame­a­ças de diver­sos quadrantes.

No entanto, quero aqui refe­rir alguns pon­tos que, sem con­tra­ri­a­rem o essen­cial da Decla­ra­ção, me pare­cem serem dig­nos de uma cha­mada de atenção:

1 — A Decla­ra­ção é um esforço comum de três enti­da­des em asso­ci­a­ção: Inter­na­ti­o­nal Huma­nist and Ethi­cal Union (IHEU), Euro­pean Huma­nist Fede­ra­tion (EHF) e Catho­lics for a Free Choice (CFFC). Que esta última orga­ni­za­ção faça parte do trio deixa-me estu­pe­facto! Então, na tal Europa que defende “que o Estado deve per­ma­ne­cer neu­tro em ques­tões de reli­gião e crença, sem favo­re­cer nem pre­ju­di­car nin­guém” temos uma asso­ci­a­ção cató­lica como pro­mo­tora do docu­mento!? Pode­mos ser ingé­nuos e acre­di­tar nos mais que pro­vá­veis argu­men­tos que outras asso­ci­a­ções reli­gi­o­sas se escu­sa­ram de par­ti­ci­par mas, fran­ca­mente, a inclu­são desta asso­ci­a­ção transmite-me uma ideia de Europa cris­ti­a­ni­zada que me parece ser con­tra­di­tó­ria ao espí­rito da Declaração.

2 — No texto defende-se o direito a uma edu­ca­ção aberta e com­pleta, mas não se faz qual­quer refe­rên­cia ao direito à assis­tên­cia médica e, ainda mais grave, o direito à vida, ficando, assim, omissa qual­quer repulsa à prá­tica da pena de morte.

3 — Defende-se, ainda, a cri­a­ção de uma “soci­e­dade justa base­ada na razão e na com­pai­xão”. Com­pai­xão? Veja­mos o que nos diz o dici­o­ná­rio online Priberam:

com­pai­xão

do Lat. com­pas­si­one
s. f.,
dor perante o mal alheio;

pena;

pie­dade;

comi­se­ra­ção;

lás­tima.

Não soa dema­si­ado beato? Dema­si­ado “rato de sacris­tia”? Mas, qual era o pro­blema em que­rer criar uma soci­e­dade base­ada na razão e na segu­rança social? Ou soli­da­ri­e­dade social? Enfim…

4 — “Reco­nhe­ce­mos o nosso dever de cui­dar de toda a Huma­ni­dade”. Oops! Que grande con­fu­são! Isto é uma Decla­ra­ção euro­peia ou do Uncle Sam? Mas, afi­nal, o que é que isto quer dizer? Que os Euro­peus se con­si­de­ram mais capa­zes que os outros? Diz-nos a His­tó­ria que os Euro­peus têm tido alguma difi­cul­dade em cui­dar deles pró­prios… Afi­nal, con­si­de­ram que serão capa­zes de cui­dar de toda a Huma­ni­dade! A Huma­ni­dade que se cuide! E quem disse a estes euro­peus que o resto da Huma­ni­dade quer que os euro­peus cui­dem deles?

Enfim, um texto cheio de boas inten­ções mas que me parece pre­ci­pi­tado na medida em que não terá sido sufi­ci­en­te­mente reflec­tido. Ou, então, terá… e aí o caso é bem mais grave.

One Nation Under God (1)

A soci­e­dade ame­ri­cana, mer­gu­lhada na sua mul­ti­pli­ci­dade cul­tu­ral, não se con­se­gue livrar do fas­cí­nio pelas mito­lo­gias moder­nas. Recen­te­mente, uma son­da­gem efec­tu­ada pela Gal­lup, uma das mais con­cei­tu­a­das orga­ni­za­ções em ter­mos de estudo da opi­nião pública norte-americana, revela que, em igual­dade de cir­cuns­tân­cias dos can­di­da­tos, o elei­to­rado ame­ri­cano teria como última opção um can­di­dato assu­mi­da­mente ateu!

Devo dizer que con­si­dero este tipo de son­da­gens, por si só, degra­dan­tes. Uma soci­e­dade em que ainda fazem sen­tido este tipo de son­da­gens está, com cer­teza, ainda muito longe de atin­gir o pleno está­gio de soci­e­dade justa e demons­tra uma fixa­ção em valo­res fic­tí­cios de mora­li­dade, no mínimo, doentios.

Não vejo na son­da­gem uma única hipó­tese onde encai­xa­ria uma posi­ção pes­soal. Não me con­sigo ima­gi­nar a limi­tar o meu voto por qual­quer das carac­te­rís­ti­cas a vota­ção. Valo­res como inte­gri­dade, seri­e­dade, capa­ci­dade de lide­rança ou sen­tido de jus­tiça são, assim, arre­mes­sa­dos para fora da dis­cus­são como se de fac­to­res supér­fluos se tratassem!

Já no ano pas­sado, um estudo da Uni­ver­si­dade do Min­ne­sota reve­lava que os ateus seriam o grupo que menos con­fi­ança trans­mi­tia aos norte-americanos, isto ape­sar de repre­sen­ta­rem menos de 3% da população.

Neste estudo, uma vez mais, o fac­tor da mora­li­dade é apon­tado como deci­sivo para estes resul­ta­dos. A ilu­são de que numa soci­e­dade ateísta se assis­ti­ria ao declí­nio da mora­li­dade é vista pelos norte-americanos como um argu­mento válido! Isto só tem jus­ti­fi­ca­ção numa soci­e­dade into­xi­cada cul­tu­ral­mente pela religião.

Podem-se encon­trar razões recen­tes na soci­e­dade norte-americana para esta forte influên­cia reli­gi­osa – os aten­ta­dos do 11 de Setem­bro, o recurso escan­da­loso a Deus nos dis­cur­sos de George W. Bush – mas, na ver­dade, enquanto a tole­rân­cia parece aumen­tar em rela­ção a outras mino­rias, os ateus per­ma­ne­cem lá bem no fundo da lista de preferências.

Natu­ral­mente, as reac­ções come­çam a sur­gir; Sam Har­ris, Richard Daw­kins e Daniel C. Den­nett são ape­nas as faces mais visí­veis do que, espero, virá a ser um forte movi­mento cívico con­tra a fan­ta­sia, a mito­lo­gia, o mis­ti­cismo e a ficção.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, Sou Ateu)