Por diversas razões, este ano tem sido marcado pelo meu afastamento tanto deste blogue como do Portal Ateu. Razões de índole pessoal e profissional estiveram na origem desse processo mas, talvez como alternativas para preencher esse impulso de escrever inconscientemente criadas, os sites sociais — primeiro o Twitter e depois o Facebook — ocuparam a maior parte do meu tempo online. Lamentavelmente, diga-se…
Ao longo dos últimos anos tenho escrito sobre diversas matérias, com diversos graus de seriedade e interesse, quer neste blogue, quer no Portal Ateu. Qualquer desses textos estará sempre disponível ao alcance de uma pesquisa ou de uma consulta aos arquivos, desde que as bases de dados se mantenham online.
Com os sites sociais não é assim. Embora as entradas possam lá estar (confesso desconhecer durante quanto tempo são guardadas as informações nos sites sociais), a questão é que o tipo de participação que se tem nos sites sociais raramente merecerá uma pesquisa à posteriori, pois tratam-se, normalmente, de participações pouco profundas, indignas de grande atenção para além do imediato.
Não quero com isto dizer que os sites sociais sejam inúteis ou desinteressantes; o que quero dizer é que não devem substituir os blogues. Seria como tentar substituir uma tese de Física por uma fórmula grafitada numa parede de subúrbio! Ou como tentar resumir “Os Maias” a um SMS de 3 linhas em “portukês”. Não se pode dizer que sejam exactamente a mesma coisa…
Basicamente, pode-se colocar a situação desta forma: o Facebook é para os amigos, o blogue é para as ideias. É que, ao contrário do que aconteceria num mundo ideal, eles nem sempre se cruzam!