Novo site do Palpita-me

Palpita-me - novo siteJá há muito tempo que não acon­te­cia uma ausên­cia tão pro­lon­gada de novos tex­tos! Na última semana limitei-me a res­pon­der a alguns (pou­cos) comen­tá­rios, mas foi por uma boa razão.

Estive a “cons­truir” o novo site do Palpita-me e estou bas­tante satis­feito com o resul­tado, espe­ci­al­mente a inte­gra­ção do fórum com o resto do site. Dêem lá um salto e digam se gostam.

(Nota: Devido a um pro­blema de pro­pa­ga­ção de DNS alguns ser­vice pro­vi­ders ainda estão a apon­tar para o ser­vi­dor ante­rior onde o site já não se encon­tra dis­po­ní­vel, apre­sen­tando a men­sa­gem “site tem­po­ra­ri­a­mente suspenso”).

Ética com estética

A pro­pó­sito das tou­ra­das, iniciou-se um inte­res­sante debate entre o Ludwig Krip­pahl e o Ricardo Alves sobre ética. No seu último post, o Ludwig defende dois prin­cí­pios com os quais eu dis­cordo (e não o faço por uma ques­tão de crença ;) ).

Pri­meiro, o Ludwig defende que merece con­si­de­ra­ção ética todo aquele que sente, tendo como pre­missa um sis­tema ner­voso base­ado no cór­tex cere­bral dos ver­te­bra­dos. Ora, esse prin­cí­pio parece-me tão válido como qual­quer outro. Por­que não basear-nos num prin­cí­pio que exclui, por exem­plo, as espé­cies não soci­ais, uma vez que as con­sequên­cias da morte de um indi­ví­duo se reper­cu­ti­riam menos na vida dos outros da mesma espé­cie? Nesse caso, a for­miga teria direito a muito mais con­si­de­ra­ção ética que um urso polar, por exemplo.

Este prin­cí­pio do sen­tir torna-se cla­ra­mente mais duvi­doso quando o Ludwig res­ponde que o doente coma­toso irre­ver­sí­vel não merece qual­quer con­si­de­ra­ção ética! Quero acre­di­tar que o Ludwig após uma mais pon­de­rada aná­lise irá mudar de opi­nião. A huma­ni­dade é com­posta por um ele­vado número de fac­to­res, não ape­nas pela efi­ci­ên­cia do seu sis­tema ner­voso. Pelos prin­cí­pios éticos do Ludwig, um rato de esgoto mere­ce­ria mais con­si­de­ra­ção ética que o tal doente coma­toso irre­ver­sí­vel. Defi­ni­ti­va­mente, pouco sustentável.

O Ludwig cai ainda na sua pró­pria argu­men­ta­ção quando aponta as falhas aos méto­dos que per­mi­tem ir “res­trin­gindo arbi­tra­ri­a­mente «os outros» até dar o resul­tado cer­to” quando cita o caso do polvo. Ora, no caso do polvo, o Ludwig está a inclui-lo, ainda que ape­nas atra­vés do bene­fi­cio da dúvida, para obter o tal resul­tado certo que lhe parece mais correcto!

Em segundo lugar, o Ludwig defende que o erro é usar a tal regra de ouro de não fazer aos outros o que não que­re­mos que nos façam e que, em vez dessa regra, o cor­recto é não lhes fazer aquilo que eles não gos­tam. Estou com­ple­ta­mente de acordo até aqui. O pro­blema é quando o Ludwig se acha no direito de saber o que os outros gos­tam ou dei­xam de gos­tar. Com ou sem um cór­tex cere­bral evo­luído, qual­quer ser vivo lutará até à última ins­tân­cia pela sua sobre­vi­vên­cia, enquanto indi­vi­duo ou enquanto espécie.

A vida tem toda o mesmo valor intrín­seco. Parece-me uma grande falta de ética valo­ri­zar a vida con­so­ante as suas carac­te­rís­ti­cas evolutivas.

Basi­ca­mente, diria que é ético poder matar qual­quer espé­cie (com o mínimo sofri­mento pos­sí­vel) nas seguin­tes situações:

  • Sub­sis­tên­cia (alimentação)
  • Sobre­vi­vên­cia (auto-defesa)
  • Saúde e Higi­ene (pública ou pessoal)

Estas situ­a­ções são váli­das para qual­quer espé­cie em causa e a morte deverá ser o menos dolo­rosa pos­sí­vel quer se trate de for­mi­gas, vacas ou ratos de esgoto. Obvi­a­mente, impli­cam a repulsa por qual­quer tipo de tor­tura tanto de ursos, de mos­cas da fruta ou tou­ros de lide. Pla­gi­ando alguém conhe­cido, o resto é treta! ;)

Pandora: a caixa fechou-se

A inter­net já não é o que era! Pan­dora era a minha rádio pre­fe­rida online… até ontem! Há 2 ou 3 dias recebi um email da Pan­dora a informar-me que pela lei dos EUA não esta­vam auto­ri­za­dos a trans­mi­tir os seus con­teú­dos online para IP’s que não fos­sem dos EUA, logo, eu dei­xa­ria de ter acesso à Pan­dora. Agora, sem­pre que tento ace­der à Pan­dora vou auto­ma­ti­ca­mente para esta página.

Alguém me pode suge­rir outras alter­na­ti­vas ou, em último caso, um daque­les uti­li­tá­rios que “mas­cara” o ende­reço IP?

Entre­tanto, vou reti­rar os links para as minhas rádios Pan­dora da barra lateral.

A Semana em Revista

Esta semana tem sido bas­tante inte­res­sante. Segunda e Terça foram dedi­ca­dos aos encon­tros sob a temá­tica “Aná­lise Evo­lu­tiva da Reli­gião”, na Gul­ben­kian. Assisti às apre­sen­ta­ções de David Sloan Wil­son (Estudo da Reli­gião atra­vés da Bio­lo­gia Evo­lu­tiva) e de Lewis Wol­pert (Cren­ças Cau­sais em Tec­no­lo­gia e Evo­lu­ção). Embora não ficasse desa­pon­tado, con­fesso que espe­rava mais des­tes dois pro­fes­so­res de bio­lo­gia. Apre­sen­ta­ram con­clu­sões dife­ren­tes mas que me pare­cem com­ple­men­ta­res. Esforçaram-se – em excesso – para serem poli­ti­ca­mente cor­rec­tos, o que reti­rou algum bri­lho ao poten­cial das suas teo­rias. Tal­vez eu esti­vesse à espera de um pouco mais de exu­be­rân­cia, à lá Richard Dawkins…

Entretive-me, tam­bém, com a lei­tura des­tas duas entre­vis­tas que sal­vei em PDF:

God vs. Sci­ence – Uma entre­vista da Time a Richard Daw­kins e Fran­cis Col­lins, con­du­zida por David Van Biema

The Flying Spaghetti Mons­ter – Entre­vista da Salon a Richard Daw­kins, con­du­zida por Steve Paulson

Final­mente, para aca­bar a semana em beleza, fui à FNAC (onde mais?) com­prar “The God Delu­si­on”, de Richard Daw­kins e “The End of Faith”, de Sam Har­ris. Já tenho com que me entreter!

Bairro Alto Blues

Bairro Alto Blues(Este post é uma home­na­gem a todos os ele­men­tos poli­ci­ais que aju­dam a man­ter o Bairro Alto seguro.)

Esta madru­gada, pelas 5 da manhã, a Rua do Ale­crim foi palco de uma acção poli­cial em grande.

Ao fim de semana, esta arté­ria que liga a Praça do Camões ao Cais do Sodré, tem bas­tante movi­mento até altas horas da madru­gada uma vez que é um dos prin­ci­pais aces­sos ao Bairro Alto.
O trân­sito ascen­dente foi cor­tado e o des­cen­dente des­vi­ado para a direita para a Cal­çada do Ataíde, em sen­tido con­trá­rio, para ace­der à Rua das Flo­res e, final­mente, à Rua de São Paulo.

Não sei o que terá estado na ori­gem de tal acção poli­cial mas não con­sigo evi­tar a sen­sa­ção de que este tipo de acções deve­riam ser mais fre­quen­tes. Sair à noite deve­ria ser seguro. Quem tra­ba­lha à noite deve­ria sentir-se seguro. Há noi­tes em que no Bairro Alto tal sen­sa­ção de segu­rança é pura fic­ção, quer para quem lá se des­loca em lazer, quer para quem lá trabalha.

Já assisti a diver­sas acções do género den­tro do Bairro Alto e, garanto-vos, nas sema­nas que se seguem o ambi­ente melhora subs­tan­ci­al­mente e, por con­sequên­cia, o negó­cio tam­bém. É por demais evi­dente o cui­dado que os agen­tes da poli­cia têm para agir em con­for­mi­dade com a lei, sem cair em exces­sos e sem abu­sa­rem do poder que lhes é ine­rente pelo uso do uni­forme. Há altu­ras em que me espanta o san­gue frio com que lidam com deter­mi­na­das situações.

Lis­boa merece um Bairro Alto seguro.

A ICAR e os Referendos

Com­pre­endo por que é que algu­mas das cam­pa­nhas que reflec­tem a posi­ção da ICAR — e que por ela são influ­en­ci­a­das — em rela­ção ao refe­rendo do pró­ximo dia 11 de Feve­reiro pare­cem tão desesperadas.

Afi­nal, no único refe­rendo regis­tado há 2000 anos o ven­ce­dor foi Barrabás!