DsA 3 — They should have sent a poet

Este é um dos momen­tos altos do filme “Con­tacto”, base­ado no best-seller de Carl Sagan e pro­ta­go­ni­zado por Jodie Foster.

Esta sim­ples cons­ta­ta­ção “They should have sent a poet!” (Deviam ter envi­ado um poeta!) é um exce­lente ponto de par­tida para vários pos­sí­veis deba­tes e levanta, desde logo, uma série de questões.

  • Por­que é que uma cien­tista cép­tica como a per­so­na­gem Ele­a­nor Arroway sugere que um poeta seria mais útil , dadas as circunstâncias?
  • Será que algu­mas pes­soas, por razões natu­rais ou soci­ais, pre­cisa de uma com­po­nente sobre­na­tu­ral para atin­gir este nível de deslumbramento?
  • Con­terá esta per­gunta a cons­ta­ta­ção de que a ciên­cia, devido à sua objec­ti­vi­dade intrín­seca, é inca­paz de trans­mi­tir (ou con­ter) fiel­mente qual­quer sen­ti­mento humano, intra ou extra gerado?

DsA 2 — Serão todas as religiões igualmente “loucas”

Lanço aqui o meu segundo tema para dis­cus­são no grupo “Deba­tes sobre Ateísmo” do Face­book. Desta vez o tema é

Serão todas as reli­giões igual­mente” loucas”?

Have­rão reli­giões mais peri­go­sas para as soci­e­da­des em que estão inse­ri­das do que outras? Ou depen­derá sem­pre de um ponto de vista pes­soal? Será a que esti­ver mais pró­xima de nós sem­pre a mais “vene­nosa”, para­fra­se­ando o sub­tí­tulo do best-seller de Chris­topher Hit­chens (God is not great — How reli­gion poi­sons everything)? Ou serão todas igual­mente per­ver­sas e perigosas?

Deixo-vos dois tex­tos com posi­ções dife­ren­tes sobre o tema. No pri­meiro caso, trata-se de um texto de uma visão budista sobre a maté­ria: Are All Reli­gi­ons the Same?
No segundo caso, temos um texto do Huf­fing­ton Post, da auto­ria de Phi­lip Gold­berg, um deno­mi­nado minis­tro inter-fé(!), inti­tu­lado “Who Says All Reli­gi­ons Are the Same?”.

Bom debate!

DsA 1 — A Religião como produto da Evolução (I)

Esta é a minha pri­meira res­posta a algu­mas das par­ti­ci­pa­ções deste pri­meiro debate a ocor­rer no grupo do Face­book deno­mi­nado Deba­tes sobre Ateísmo. Optei por dar as res­pos­tas aqui no blog por uma ques­tão de sal­va­guarda dos tex­tos que escrevo.

Ten­ta­rei res­pon­der às par­ti­ci­pa­ções do Jorge Capelo, Rui Rodri­gues e Paulo San­ches.

O Jorge Capelo remete-nos para as esta­tís­ti­cas de uma forma sim­pli­cista e numa pers­pe­tiva de futu­ro­lo­gia, como se as ine­vi­ta­bi­li­da­des que a esta­tís­tica, no seu enten­der, nos reserva para o futuro não fos­sem váli­das no pas­sado. Segundo o Jorge Capelo, “um dia os libe­rais com pou­cos filhos extinguir-se-ão como classe e os con­ser­va­do­res reli­gi­o­sos serão a mai­o­ria”. Ora, se assim fosse, já não exis­ti­rão exis­ti­riam ateus há mui­tas gera­ções; chego mesmo a equa­ci­o­nar se algu­mas vez teriam exis­tido! Por outro lado, o Jorge Capelo esqueceu-se das esta­tís­ti­cas no que diz res­peito à pro­por­ci­o­na­li­dade entre vários outros aspe­tos, nome­a­da­mente, número de filhos/qualidade de vida/esperança de vida/desenvolvimento eco­nó­mico. As esta­tís­ti­cas mais recen­tes, pelo menos nas soci­e­da­des oci­den­tais, não supor­tam a con­clu­são do Jorge Capelo. E ainda não tomá­mos em con­si­de­ra­ção o aspeto refe­rido pelo Rui Rodri­gues de que “have­rão sem­pre con­ser­va­do­res com filhos pro­gres­sis­tas”, nem um outro aspeto impor­tan­tís­simo da evo­lu­ção humana como é a pro­mis­cui­dade genética.

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DsA 1 — A Religião como produto da Evolução

Fica lan­çado o pri­meiro tema para os Deba­tes sobre Ateísmo (DsA): “A Reli­gião como pro­duto da Evolução”.

Até que ponto os sis­te­mas de cren­ças mais ou menos orga­ni­za­das trou­xe­ram van­ta­gens evo­lu­ti­vas aos indi­ví­duos e ao colec­tivo das soci­e­da­des que os adop­ta­ram? Estará esse pro­cesso esgo­tado? Ou tere­mos um “gene da reli­gião” que con­di­ci­ona as nos­sas opções? Onde ter­mina a pre­dis­po­si­ção gené­tica — se a hou­ver — e come­çam os pro­ces­sos de endo­cul­tu­ra­ção, no que diz res­peito às opções reli­gi­o­sas de cada um? Que van­ta­gens sócio-culturais são ainda pos­sí­veis de encon­trar nas soci­e­da­des devido às religiões?

Boa par­ti­ci­pa­ção e bom debate!

Debates sobre ateísmo

Em mea­dos de 2007 tive opor­tu­ni­dade de pro­mo­ver alguns deba­tes online sobre alguns aspe­tos do ateísmo. Na altura, a par­ti­ci­pa­ção era esti­mu­lada essen­ci­al­mente por alguns blogs que se dedi­ca­vam ao tema e cujos auto­res comen­ta­vam entre si nas res­pe­ti­vas cai­xas de comen­tá­rios. Mesmo assim, acon­te­ce­ram deba­tes muito inte­res­san­tes e, curi­o­sa­mente, um dos deba­tes con­tri­buiu de alguma forma para um aban­dono do cris­ti­a­nismo em rela­ção ao ateísmo. Registo esse facto ape­nas como mera curiosidade.

Ulti­ma­mente, com o domí­nio avas­sa­la­dor das redes soci­ais, muita da ação está a pas­sar para aque­les meios. Con­tudo, os con­teú­dos ganham uma ten­dên­cia para a super­fi­ci­a­li­dade, tal­vez adqui­rindo ener­gia nos aspe­tos mais fúteis das redes soci­ais. Não tem que ser assim!

A ideia base por detrás des­tes deba­tes sobre ateísmo é con­se­guir criar uma rede de pes­soas que, quer atra­vés do Face­book, quer atra­vés dos seus blogs pes­so­ais, deba­tam temas que são lan­ça­dos para a dis­cus­são regu­lar­mente. As par­ti­ci­pa­ções pode­rão depois ser debatidas/comentadas por todos os uti­li­za­do­res da página no Face­book ou pelos visi­tan­tes de cada um dos res­pe­ti­vos blogs.

Fica lan­çado o isco… O grupo onde tudo irá estar cen­tra­li­zado denomina-se “Deba­tes sobre Ateísmo” e é um grupo aberto, o que sig­ni­fica que qual­quer pes­soa pode aderir.

O Definhar da Religião

O debate inter­blo­gues em curso coloca a seguinte ques­tão: “Será a Reli­gião Eterna e Ine­vi­tá­vel?”. Fica aqui a minha resposta.

As diver­sas reli­giões, ou melhor, as diver­sas for­mas de reli­gião (mitos, len­das, cren­ças, reli­giões moder­nas, etc…) têm cum­prido diver­sos papéis nas soci­e­da­des onde se desen­vol­vem. Desde as ten­ta­ti­vas tos­cas e com­pre­en­si­vel­mente limi­ta­das de expli­car o mundo que nos rodeia até à cimen­ta­ção e orga­ni­za­ção de gru­pos soci­ais, são mui­tos os que só encon­tram van­ta­gens nes­tes pro­ces­sos reli­gi­o­sos para o desen­vol­vi­mento social. Ler mais…

Debate Interblogues: Actualização

Já temos par­ti­ci­pan­tes no Debate Inter­blo­gues em curso “Será a Reli­gião Eterna e Ine­vi­tá­vel?”.

Assim que exis­tam mais par­ti­ci­pa­ções será feita a actu­a­li­za­ção. Obri­gado a todos.

Debate Interblogues: Será a Religião Eterna e Inevitável?

Dá-se aqui iní­cio a mais um debate inter­blo­gues, desta vez sujeito ao tema “Será a Reli­gião Eterna e Ine­vi­tá­vel?”.

As regras são as mes­mas uti­li­za­das no pri­meiro debate e podem ser con­sul­ta­das aqui.

Neste debate podem ser abor­da­dos diver­sos aspec­tos da reli­gi­o­si­dade, tais como as con­di­ci­o­nan­tes bio­ló­gi­cas para a reli­gião, a reli­gião como fac­tor de huma­ni­dade, as vantagens/desvantagens da reli­gião na evo­lu­ção das soci­e­da­des, a divul­ga­ção cien­tí­fica como fac­tor de des­mis­ti­fi­ca­ção, etc.

Data limite de par­ti­ci­pa­ção: 22 de Junho de 2007.

Mãos à obra e bons artigos.

Debate Interblogues: Resumo

Debate InterbloguesApós uma semana da data final de par­ti­ci­pa­ção no pri­meiro debate inter­blo­gues, cujo tema foi “Será o Agnos­ti­cismo mais Raci­o­nal que o Ateísmo?”, che­gou a hora de fazer um balanço sobre o mesmo.

O debate teve 10 par­ti­ci­pan­tes (ver barra late­ral direita) e sus­ci­tou inten­sas dis­cus­sões em algu­mas das res­pec­ti­vas cai­xas de comen­tá­rios, nome­a­da­mente no Que Treta!, no Pug­na­ci­tas e no Diá­rio Ateísta.

De um modo geral, a minha inter­pre­ta­ção é que, à excep­ção do Tiny Aleph, a mai­o­ria dos par­ti­ci­pan­tes tende a con­si­de­rar o ateísmo como sendo mais raci­o­nal que o agnos­ti­cismo. Raci­o­nal no sen­tido em que reflecte com maior pre­ci­são a con­fi­ança depo­si­tada nas evi­dên­cias do mundo que nos rodeia. É comum à mai­o­ria das par­ti­ci­pa­ções o ques­ti­o­nar do agnos­ti­cismo quanto ao seu valor prá­tico. Embora epis­te­mo­lo­gi­ca­mente cor­recto, o prin­cí­pio da dúvida ou da inques­ti­o­na­bi­li­dade pode-se apli­car a todo o conhe­ci­mento, hori­zon­tal­mente, que envolva defi­ni­ções infal­seá­veis. E isso acaba por não ser cor­recto do ponto de vista prá­tico ao abrir as por­tas a todos os con­cei­tos que care­çam de qual­quer evidência.

Esta ques­tão – de um certo exa­cer­ba­mento cép­tico – é tão mais escan­da­losa quando, tam­bém na prá­tica, aque­les que são agnós­ti­cos em rela­ção a qual­quer deus ou deu­ses, dei­xam de o ser em rela­ção ao Pai Natal, aos deu­ses da anti­gui­dade ou a uni­cór­nios cor-de-rosa!

Agra­deço a todos os par­ti­ci­pan­tes o tempo dedi­cado a este debate. Já tenho mais um tema na forja que anun­ci­a­rei bre­ve­mente. Espero con­tar com todos vós para mais um debate.