O deus de Darwin

Capa New York Times MagazineUm recente artigo do New York Times sobre a razão ou razões por que os seres huma­nos são ten­den­ci­al­mente cré­du­los no sobre­na­tu­ral tem dado muito que falar na blo­gos­fera mais atenta a estes fenómenos.

Pes­so­al­mente, inde­pen­den­te­mente da minha posi­ção ateísta, este assunto fascina-me. Esta­re­mos con­de­na­dos, enquanto espé­cie, à supers­ti­ção e ao sobre­na­tu­ral? Que aspec­tos da nossa evo­lu­ção nos con­di­ci­o­na­ram e nos pre­dis­pu­se­ram a acre­di­tar em fantasias?

São refe­ri­das mui­tas expe­ri­ên­cias e são dadas mui­tas expli­ca­ções para o fenó­meno. É um artigo extenso mas vale bem a pena. Salvei-o em PDF para futu­ras refe­rên­cias. No New York Times está aqui.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

Fluxogramas da Fé e Ciência

Via Pharyn­gula

Esque­ma­ti­zar pro­ces­sos é um método vali­oso para a apre­ci­a­ção e vali­da­ção dos mes­mos. Para quem, como eu, tem alguma for­ma­ção em pro­gra­ma­ção (lembram-se do COBOL?), um flu­xo­grama é sem­pre uma fer­ra­menta vali­osa para des­co­brir os pon­tos fra­cos (ou for­tes) de qual­quer processo.

Ao ana­li­sar os flu­xo­gra­mas que se seguem não posso dei­xar de com­pre­en­der por­que é que tanta gente se deixa atrair pela Fé. Repa­rem na sua simplicidade!

Pena que seja a sua única virtude!

Flu­xo­grama da Ciência

Fluxograma da Ciência

Flu­xo­grama da Fé

Fluxograma da Fé

(Tam­bém no “Diá­rio Ateísta”)

Intelligent Design em Terras de Sua Majestade

The GuardianA his­tó­ria fez com que o Reino Unido e os EUA ficas­sem com mui­tas carac­te­rís­ti­cas comuns; o idi­oma e os sis­te­mas de medi­ção ou, mais recen­te­mente, o dis­pa­rate da inva­são do Ira­que, por exem­plo. Pois fiquem a saber que as seme­lhan­ças não se ficam por aqui.

Segundo a edi­ção online do Guar­dian, os estu­dan­tes ingle­ses pas­sa­rão a dis­cu­tir, incluído no seu pro­grama, o cri­a­ci­o­nismo e a já len­dá­ria teo­ria do Intel­li­gent Design (recuso-me a tra­du­zir a expres­são para não con­tri­buir para a pro­li­fe­ra­ção da ideia nos paí­ses lusófonos).

Jedi ChurchSegundo a mesma notí­cia, esta nova lei tem como objec­tivo que os alu­nos deba­tam o rela­ci­o­na­mento entre reli­gião e ciên­cia. Isto, à pri­ori, pode pare­cer muito inte­res­sante. Mas, pergunta-se: por­que não incluir, por exem­plo, a astro­lo­gia? Ou a car­to­man­cia? E, já agora — por­que não — a reli­gião Jedi?

Esta ânsia oci­den­tal em colo­car ciên­cia e reli­gião ao mesmo nível é um per­feito dis­pa­rate! Torna-se ainda mais peri­goso quando se con­fun­dem as coi­sas e se começa a dis­far­çar pre­ga­ção com debate. Sim, por­que ao nível do ensino secun­dá­rio falar em cri­a­ci­o­nismo ao mesmo tempo que se fala da cri­a­ção do uni­verso ou das ori­gens da Vida e do Homem não pode ter boas intenções.

Não há argu­mento, dis­cus­são, debate ou refle­xão que o justifique.

Dawkins: “A execução de Saddam foi um acto de vandalismo”

Richard DawkinsNeste artigo, Richard Daw­kins invoca um novo argu­mento de opo­si­ção à exe­cu­ção de Sad­dam Hus­sein. Para além dos argu­men­tos gerais de cen­sura à pena de morte e, neste caso em par­ti­cu­lar, das con­sequên­cias drás­ti­cas que a exe­cu­ção de Sad­dam cer­ta­mente trará para o povo ira­qui­ano, Daw­kins sali­enta que se per­deu uma exce­lente opor­tu­ni­dade para estu­dar pro­fun­da­mente de que é feito, afi­nal, um dita­dor do cali­bre de Sad­dam do ponto de vista psicológico.

Excerto:

But perhaps the most impor­tant rese­arch in which a living Sad­dam Hus­sein could have hel­ped is psy­cho­lo­gi­cal. Most peo­ple can’t even come close to unders­tan­ding how any man could be so cruel as Hitler or Sad­dam Hus­sein, or how such trans­pa­ren­tly evil mons­ters could secure suf­fi­ci­ent sup­port to take over an entire coun­try. What were the for­ma­tive influ­en­ces on these men? Was it something in their childhood that tur­ned them bad? In their genes? In their tes­tos­te­rone levels? Could the dan­ger have been nip­ped in the bud by an alert psy­chi­a­trist before it was too late? How would Hitler, or Sad­dam Hus­sein have res­pon­ded to a dif­fe­rent style of edu­ca­tion? We don’t have a clear answer to these ques­ti­ons. We need to do the research.

Claro que as reac­ções não se fize­ram espe­rar. Daw­kins é muito habi­li­doso quando pre­tende pro­vo­car uma boa polé­mica. Feliz­mente, tem tam­bém o con­dão de por as pes­soas a pensar.

Noé, o Grand Canyon e um pouco de chinês

Grand Canyon

Ao longo da his­tó­ria, várias civi­li­za­ções con­tri­buí­ram para a evo­lu­ção do conhe­ci­mento e pro­gresso da ciên­cia. Dos Sumé­rios aos Árabes, pas­sando pelos Gre­gos, é cons­tante um para­le­lismo entre o inves­ti­mento feito na ciên­cia e a influên­cia civi­li­za­ci­o­nal de um deter­mi­nado povo. Já na his­tó­ria mais recente, con­forme a Europa medi­e­val se foi liber­tando das gui­lho­ti­nas da influên­cia do Clero, sucederam-se os êxitos de deter­mi­na­dos paí­ses nas mais diver­sas áreas: Por­tu­gal, Espa­nha, Itá­lia, França, Holanda ou Ingla­terra, entre outros, todos con­tri­buí­ram para o desen­vol­vi­mento nos últi­mos sécu­los do cha­mado Mundo Ocidental.

O século XX foi domi­nado pela influên­cia civi­li­za­ci­o­nal dos Esta­dos Uni­dos, influên­cia essa que che­gou a todos os can­tos do mundo nas mais diver­sas áreas. Tam­bém neste caso não será alheio o facto de os Esta­dos Uni­dos terem sido o país que mais inves­tiu em pes­quisa e desen­vol­vi­mento científico-tecnológico, pro­mo­ção das artes e, para­le­la­mente, pode­rio e domí­nio mili­tar. Sin­to­má­tico de todo esse pro­cesso foi a “impor­ta­ção” de cien­tis­tas das mais diver­sas áreas a par­tir da década de 30.

No entanto, os esta­dos Uni­dos nunca se liber­ta­ram do lema “One Nation Under God”! A cons­ti­tui­ção ame­ri­cana ofe­rece dema­si­ado o flanco ao mito cris­tão e, mais tarde ou mais cedo, have­ria de sur­gir uma opor­tu­ni­dade, quer sob um pre­texto eco­nó­mico, poli­tico ou mili­tar, de o mito se apo­de­rar das rédeas do progresso.

É nesse ponto que se encon­tra a soci­e­dade ame­ri­cana; sucedem-se os casos de cen­sura à infor­ma­ção cien­tí­fica, dá-se cré­dito aos desíg­nios cri­a­ci­o­nis­tas referendando-se o ensino do “Inte­li­gent Design” nas esco­las públi­cas de alguns Esta­dos (como se a ver­dade esti­vesse sujeita a refe­rendo), acaba-se com a liber­dade de expres­são de alguns cien­tis­tas das pró­prias agên­cias gover­na­men­tais que se dedi­cam ao estudo do aque­ci­mento glo­bal e, final­mente, no caso mais recente a che­gar a público, decide-se que, de modo a evi­tar ofen­der a opi­nião dos fun­da­men­ta­lis­tas reli­gi­o­sos, o Grand Canyon, afi­nal, tem ape­nas uns milha­res de anos e, de acordo com um livro à venda no pró­prio Par­que Natu­ral, terá sido cri­ado pelo dilú­vio bíblico de Noé!!!

Se a his­tó­ria nos ensina alguma coisa, então é hora de reco­men­dar as minhas filhas a estu­da­rem chinês.

Outras refe­rên­cias:

- Time, Faith-Based Parks?
PEER, PARK SERVICE STICKS WITH BIBLICAL EXPLANATION FOR GRAND CANYON

Água no estado liquido em Marte

Evidência de água em Marte? - Foto NASAA NASA reve­lou que é pos­sí­vel que exista água no estado liquido na super­fí­cie de Marte. De acordo com a Agên­cia Espa­cial Norte Ame­ri­cana, a com­pa­ra­ção de algu­mas fotos da super­fí­cie de Marte tira­das recen­te­mente pela sonda Mars Glo­bal Sur­veyor quando com­pa­ra­das com fotos da mesma região data­das de 1999 e 2001, reve­lam algu­mas alte­ra­ções no relevo mar­ci­ano em tudo seme­lhan­tes às alte­ra­ções pro­vo­ca­das por cur­sos rápi­dos de água.

Que Marte pos­sui água em estado sólido nos pólos e em estado gasoso na atmos­fera já não é novi­dade. O objec­tivo das mais recen­tes mis­sões a Marte tem sido des­co­brir água em estado liquido. Esta des­co­berta pode sig­ni­fi­car que exis­tem len­çóis de água em estado liquido no sub­solo de Marte e que são pro­jec­ta­dos para a super­fí­cie por algum fenó­meno seme­lhante aos gei­sers na Terra. A água, então, segui­ria por força da gra­vi­dade um deter­mi­nado curso antes de con­ge­lar devido às bai­xas tem­pe­ra­tu­ras ou de se eva­po­rar devido à baixa pres­são atmosférica.

Embora a exci­ta­ção seja evi­dente entre os cien­tis­tas que acom­pa­nham os estu­dos, é ainda muito cedo para che­gar a con­clu­sões abso­lu­tas. Afi­nal, con­forme apon­tam alguns dos cien­tis­tas liga­dos ao pro­jecto, as mar­cas que um alui­mento de terra e poei­ras dei­xa­riam no ter­reno seriam bas­tante seme­lhan­tes. No entanto, a colo­ra­ção dei­xada nos novos tri­lhos parece apon­tar com maior evi­dên­cia para a pos­si­bi­li­dade de se tra­tar mesmo de água.

Beyond Belief, 2006

Richard Dawkins e Ann Druyan, dois dos participantes nas conversas Realizaram-se no Salk Ins­ti­tute, La Jolla, Cali­fór­nia, entre 5 e 7 de Novem­bro as ª Con­ver­sasBeyond Belief, 2006″.

Pro­mo­vi­das pela The Sci­ence Network, as con­ver­sas con­ta­ram com a par­ti­ci­pa­ção de alguns dos mais pres­ti­gi­a­dos pen­sa­do­res da actu­a­li­dade sobre o debate ciência/religião como Sam Har­ris, Richard Daw­kins, Ste­ven Wein­berg, Ann Druyan, Lawrence Krauss, Neil deGrasse Tyson, entre outros.

Os videos das con­ver­sas já estão dis­po­ni­veis online. Têm sido o meu pas­sa­tempo dos últi­mos dias. Reco­mendo viva­mente a sua visu­a­li­za­ção a todos os que se inte­res­sam por estes assuntos.

Numa altura em que, ao olhar à nossa volta, tudo parece dizer “fé” ou “reli­gião”, é con­for­tante aperceber-mo-nos que alguns dos mai­o­res “crâ­nios” da actu­a­li­dade têm, sobre esta maté­ria, uma visão muito seme­lhante à nossa.

Richard Dawkins, Ted Haggard e o fundamentalismo evangélico

Ted Hag­gard era, à altura desta entre­vista, pre­si­dente da Nati­o­nal Asso­ci­a­tion of Evan­ge­li­cals dos Esta­dos Uni­dos e pas­tor da Igreja New Life. Nesta peça, Richard Daw­kins faz-nos uma apre­sen­ta­ção da “nova Jeru­sá­lem” dos fun­da­men­ta­lis­tas evan­gé­li­cos ame­ri­ca­nos e con­fronta o pró­prio Ted Hag­gard. É tudo em grande… até o ver­niz come­çar a estalar!

[video]http://www.youtube.com/watch?v=WiDXiJmUnVE[/video]

Recen­te­mente, a 3 de Novem­bro, Ted Hag­gard renun­ciou a todos os seus car­gos devido a um escân­dalo de “con­duta sexual imo­ral”. Parece que o Pas­tor tro­cou alguns favo­res sexu­ais com um mas­sa­gista de nome Mike Jones. Enfim, nada de mais… se não exis­tisse a pala­vra hipo­cri­sia! Nem Deus, nem os ami­gos ter­re­nos lhe valeram.

The God Delusion”, de Richard Dawkins

“Se este livro fun­ci­o­nar como eu pre­tendo, qual­quer reli­gi­oso que o leia será ateu quando ter­mi­nar a sua leitura.”

Richard Daw­kins é um dos meus auto­res favo­ri­tos desde que li “O Gene Egoís­ta” (The Sel­fish Gene, no original).

Um evo­lu­ci­o­nista con­victo, Daw­kins edi­tou recen­te­mente “The God Delu­si­on”, obra em que expõe os seus argu­men­tos anti-religiosos, con­si­de­rando a reli­gião um perigo para a soci­e­dade actual. Daw­kins vai mesmo mais longe e con­si­dera que quem acre­dita no cri­a­dor sobre­na­tu­ral, para além de ser estú­pido e igno­rante, repre­senta um perigo para si pró­prio e para os outros.

Embora se mos­tre satis­feito com o facto de a teo­ria da evo­lu­ção de Darwin tenha ao longo dos últi­mos 150 anos con­tri­buído para “enter­rar” a ideia de Deus, não deixa de sali­en­tar que a crença em livros como a Bíblia tem que dei­xar de ser tra­tada em pé de igual­dade com o conhe­ci­mento cientifico.

Daw­kins tam­bém se refere à recente moda do “poli­ti­ca­mente cor­rec­to”, em que parece ser inde­li­cado ques­ti­o­nar a reli­gi­o­si­dade de cada um. È como se um muro poli­tico exis­tisse entre a ciên­cia e a reli­gião em que a pri­meira esti­vesse, por uma ques­tão de prin­cí­pios ape­nas, impos­si­bi­li­tada de ques­ti­o­nar a segunda!

Vou vol­tar, cer­ta­mente, a abor­dar este livro. Exis­tem mui­tos outros aspec­tos que mere­cem ser refe­ri­dos e apro­fun­da­dos. De qual­quer forma, fica aqui a sugestão.