DsA 3 — They should have sent a poet

Este é um dos momen­tos altos do filme “Con­tacto”, base­ado no best-seller de Carl Sagan e pro­ta­go­ni­zado por Jodie Foster.

Esta sim­ples cons­ta­ta­ção “They should have sent a poet!” (Deviam ter envi­ado um poeta!) é um exce­lente ponto de par­tida para vários pos­sí­veis deba­tes e levanta, desde logo, uma série de questões.

  • Por­que é que uma cien­tista cép­tica como a per­so­na­gem Ele­a­nor Arroway sugere que um poeta seria mais útil , dadas as circunstâncias?
  • Será que algu­mas pes­soas, por razões natu­rais ou soci­ais, pre­cisa de uma com­po­nente sobre­na­tu­ral para atin­gir este nível de deslumbramento?
  • Con­terá esta per­gunta a cons­ta­ta­ção de que a ciên­cia, devido à sua objec­ti­vi­dade intrín­seca, é inca­paz de trans­mi­tir (ou con­ter) fiel­mente qual­quer sen­ti­mento humano, intra ou extra gerado?

Nonsense

Às vezes somos obri­ga­dos a ouvir con­ver­sas  quer quei­ra­mos, quer não. Foi o que me acon­te­ceu hoje no café… A con­versa entre pai e filha foi a seguinte:

Filha: Então, pai, já tomou o com­pri­mido?
Pai: Tomei… Tomei com o pequeno almoço.
Filha: E, então, já se sente melhor?
Pai: Já… Já me sinto bem!
Filha: Ah, gra­ças a Deus!

Sem comen­tá­rios!

Cepticismo, milagres e ciência

Michael Sher­mer, durante as pales­tras “TED Talks”, em Feve­reiro de 2006, esclarece-nos, com uma sim­pli­ci­dade e cla­reza inve­já­veis, o que não é ciência.

Repleto de exem­plos mag­ní­fi­cos, este vídeo cer­ta­mente encan­tará todos aque­les que par­ti­lham uma pos­tura cép­tica em rela­ção às pseudo-ciências que tanto abun­dam nos meios de divul­ga­ção da actu­a­li­dade. Em 13 minu­tos ape­nas, Sher­mer con­se­gue des­truir alguns dos mais conhe­ci­dos “fenó­me­nos” que têm inva­dido as pági­nas dos jor­nais nas últi­mas décadas.

Uma cha­mada de aten­ção para um exce­lente car­toon que apa­rece logo nos pri­mei­ros minu­tos do vídeo. Para quem qui­ser apre­ciar com maior tran­qui­li­dade, é só fazer scroll até ao final da página.

Mais três exoplanetas

Astró­no­mos euro­peus anun­ci­a­ram a des­co­berta de mais 3 exo­pla­ne­tas, desta feita em redor da estrela HD 40307.

Ao ritmo a que estes exo­pla­ne­tas estão ser des­co­ber­tos, qual­quer dia temos uma indús­tria à volta da actu­a­li­za­ção da equa­ção de Drake. Como sem­pre fui muito opti­mista em rela­ção à vida extra­ter­res­tre, encaro estas des­co­ber­tas com muita natu­ra­li­dade e boa disposição.

Mas, uma per­gunta se coloca: e Deus, pá, onde é que se encaixa nisto tudo?

No Norte de Marte

O Pho­e­nix che­gou bem ao seu des­tino, tendo “amar­tado” por volta da uma da manhã desta ª feira, 26 de Maio de 2008, hora de Lisboa.

Os pró­xi­mos meses serão, cer­ta­mente, pre­en­chi­dos com novos dados sobre o pla­neta ver­me­lho que per­mi­ti­rão aos cien­tis­tas des­ven­dar os mui­tos mis­té­rios que se apre­sen­tam nesta fase ainda tão pre­coce do estudo de Marte.

Way to go, Phoenix!

Aritmética, População e Energia

Não é segredo nenhum que a forma como deter­mi­na­das afir­ma­ções são pro­fe­ri­das pode fazer toda a dife­rença no impacto que cau­sa­rão no recep­tor. Quando, em vez do sen­sa­ci­o­na­lismo gra­tuito, somos pre­sen­te­a­dos com uma apre­sen­ta­ção supor­tada pela força dos núme­ros, o impacto pode ser enorme.

Nesta apre­sen­ta­ção de apro­xi­ma­da­mente 80 minu­tos, Albert Bar­tlett, Pro­fes­sor Eme­ri­tus do Depar­ta­mento de Física da Uni­ver­si­dade do Colo­rado, explica-nos — e prova-nos — atra­vés de sim­ples arit­mé­tica que a prin­ci­pal fonte de pro­ble­mas com que a Huma­ni­dade se defronta actu­al­mente é o seu cres­ci­mento expo­nen­cial e as con­se­quen­cias do mesmo nos recur­sos limi­ta­dos do planeta.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=F-QA2rkpBSY[/video]

Verdades, Popper e propaganda

truth.jpgSem dúvida que está a ser muito inte­res­sante a dis­cus­são entre o Daniel Sil­ves­tre e o comen­ta­dor Ber­nardo no artigo “O diá­logo que deve ser pro­mo­vido“.

Con­cordo ple­na­mente que os diá­lo­gos devem ser sem­pre pro­mo­vi­dos. No entanto, quero cha­mar aqui a aten­ção para a urgên­cia que existe de , em cir­cuns­tân­cias deste tipo, se defi­ni­rem os pres­su­pos­tos antes de se desen­vol­ve­rem teo­rias e se defen­de­rem posi­ções. Refiro-me, claro está, à defi­ni­ção de deus; de que adi­anta um diá­logo se se deba­te­rem con­cei­tos dife­ren­tes ou se se uti­li­za­rem dife­ren­tes graus de espe­ci­fi­ci­dade sobre o objecto da dis­cus­são? Dessa forma, corre-se o risco de man­ter­mos um diá­logo sobre abs­trac­ções con­cei­tu­ais invá­li­das para o nosso interlocutor.

Por outro lado, gos­ta­ria de afir­mar peremp­to­ri­a­mente que dis­cordo do Ber­nardo na ques­tão da fal­se­a­bi­li­dade de deus. Não dis­cuto, obvi­a­mente, a sua infal­se­a­bi­li­dade à data; dis­cuto a pre­sun­ção de que será sem­pre assim. Ou seja, afir­mar que deus será sem­pre uma hipó­tese não fal­seá­vel é, em si mesmo, uma afir­ma­ção não fal­seá­vel! Em que fica­mos, então?

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Ovnilogia e (pa)ciência

De tem­pos a tem­pos, o Ludwig

No entanto, mais grave do que as para­nóias sobre chupa-cabras em via­tu­ras pro­vi­das de sis­te­mas anti-gravidade ou cabe­çu­dos ver­des vio­la­do­res é o facto de a ovni­lo­gia des­viar a aten­ção — e até mesmo dene­grir — os esfor­ços sérios de alguns cien­tis­tas em res­pon­de­rem à ques­tão da pro­ba­bi­li­dade da exis­tên­cia de vida inte­li­gente extra-terrestre. A pro­ba­bi­li­dade de exis­tên­cia de vida extra-terrestre é mui­tís­simo maior do que a de andar­mos a ser visi­ta­dos por pri­mos muito afas­ta­dos oriun­dos sabe-se lá de onde!

SETI logoPro­jec­tos sérios, como o caso do SETI, não se devem con­fun­dir com as teo­rias da cons­pi­ra­ção leva­das a cabo pelos defen­so­res da ovni­lo­gia. Apro­veito para reco­men­dar a ins­ta­la­ção do BOINC logoSETI@home; con­tri­buiem para o pro­jecto e ainda ficam com um scre­en­sa­ver “bué de cool”! Com o mesmo soft­ware — BOINC — podem ainda cola­bo­rar em diver­sos outros pro­jec­tos na área da astro­no­mia, bio­lo­gia mole­cu­lar ou mate­má­tica.
Já agora, informo todos os defen­so­res da ovni­lo­gia que era muito mais inte­res­sante que esses tais objec­tos que vos apo­quen­tam vies­sem do futuro na Terra do que de “from far, far away, from a dis­tant galaxy”. Isso, sim, tam­bém era “bué de cool”.