Um novo visual

Antes de mais, gos­tava de saber a vossa opi­nião sobre o novo design do blog. Para não variar,  tem muito melhor aspecto no Fire­Fox que no IE mas, asseguro-vos, a culpa não é minha!

O soft­ware que uti­lizo para o blog é o Word­Press. Cada dia que passa fico mais fas­ci­nado com esta fer­ra­menta espec­ta­cu­lar e com a comu­ni­dade de uti­li­za­do­res que con­tri­buem acti­va­mente no seu melho­ra­mento. Não me ima­gino, sequer, a uti­li­zar qual­quer outra fer­ra­menta para “blogar”.

Após cerca de dois anos a uti­li­zar o Word­Press, sinto que che­gou a altura de con­tri­buir mini­ma­mente para a comu­ni­dade de uti­li­za­do­res Word­Press. Assim, resolvi tor­nar públi­cos os temas (tem­pla­tes) que desen­volvi recen­te­mente para o Palpita-me e este que “veste” agora este blog, a que cha­mei pom­po­sa­mente “Lis­bon News”. Não ten­ci­ono ficar por aqui e é minha von­tade criar mais temas regu­lar­mente. Pro­va­vel­mente, irei mesmo criar um outro blog só sobre temas para o WordPress.

O sucesso deste soft­ware gra­tuito está na visão que o seu fun­da­dor, Matthew Mul­lenweg, tem do que deve ser o sis­tema “open-source” e as van­ta­gens do soft­ware grá­tis. Nesta res­posta, Matt explica muito bem a sua pos­tura sobre estas maté­rias. Fica aqui um pequeno excerto:

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Ateísmo (e não só) na Net

No pas­sado sábado na colo­quei os habi­tu­ais links a arti­gos e notí­cias de inte­resse. Segue hoje, com as res­pec­ti­vas des­cul­pas pelo atraso:

GOP Debate: A Com­pe­ti­tion to See Who Could Be the Big­gest Nean­derthal, Ari­anna Huf­fing­ton — As elei­ções pre­si­den­ci­ais nos EUA são já no pró­ximo ano. A jul­gar pelo debate entre os 10 can­di­da­tos repu­bli­ca­nos, temos de ser cau­te­lo­sos antes de ini­ci­ar­mos os fes­te­jos pelo final do man­dato de George W. Bush. É que dos 10 can­di­da­tos, 3 assu­mi­ram publi­ca­mente não acre­di­ta­rem na evo­lu­ção! Fica aqui o vídeo com esse momento fan­tás­tico de paranóia.

Mente e fisi­o­lo­gia, parte 5: Deus é Amor?, Que Treta! — Ludwig Krip­pahl no seu melhor. Será deus amor ou ape­nas uma infi­nita indiferença?

Unli­kely Lines to Find in the Bible — Preparem-se para umas boas gar­ga­lha­das! Fazer humor de impro­viso é uma arte que fica aqui muito bem demons­trada. Se o alvo for a Bíblia… ainda melhor! Via Não há mal que não se cure.

Why rea­son isn’t just another form of thought-control, Stephen Law — Por­que é que a razão se dis­tin­gue de outras for­mas de influ­en­ciar o pen­sa­mento alheio.

Ateísmo (e não só) na Net

Por­que hoje é sábado:

Is mora­lity God-given or sim­ply human intui­tion?, no Tai­pei Times — Um exce­lente artigo de Marc Hau­ser e Peter Sin­ger sobre uma temá­tica recen­te­mente por mim abordada

Reli­gion & Mora­lity: A Con­tra­dic­tion Explai­ned, no The Anti Natu­rals — Ainda sobre a moral da religião

Sanc­to­rum, de J.A.M. Mon­toya — O fotó­grafo espa­nhol J.A.M. Mon­toya esteve recen­te­mente envol­vido numa grande polé­mica no país vizi­nho quando veio a lume que a sua colec­ção deno­mi­nada “Sanc­to­rum” havia sido sub­si­di­ado pelo governo regi­o­nal da Extre­ma­dura. Esta colec­ção retrata figu­ras bíbli­cas em poses de cariz sexual.

Tune­Core — Tal­vez o futuro da dis­tri­bui­ção de con­teú­dos musi­cais esteja aqui

Ateísmo na Net

Há duas regras que eu gos­ta­ria de con­se­guir cum­prir com este blog:

ª — Não abu­sar da colo­ca­ção de con­teú­dos que não sejam de minha auto­ria, como vídeos ou trans­cri­ções de tex­tos de outros auto­res
ª — Con­se­guir dar um pano­rama de arti­gos inte­res­san­tes sobre ateísmo na web e em par­ti­cu­lar na blogosfera

Assim, decidi fixar o domingo como o único dia em que me vou auto­ri­zar a colo­car vídeos aqui no “Penso, logo, sou ateu”. Os sába­dos fica­rão reser­va­dos para a colo­ca­ção de refe­rên­cias a arti­gos exte­ri­o­res que mere­çam des­ta­que, quer de auto­res naci­o­nais, quer de auto­res estrangeiros.

E por­que hoje é sábado, aqui ficam as refe­rên­cias da semana:

Santo Subito, Pug­na­ci­tas — Exce­lente texto iró­nico de Catel­lius sobre a cano­ni­za­ção de João Paulo II

Uma tacada forte em men­ti­ras con­ve­ni­en­tes, De Rerum Natura — Jorge Buescu con­testa alguns dos prin­ci­pais argu­men­tos de Al Gore sobre o aque­ci­mento global

Mode­rate Reli­gion: Cul­pa­bi­lity and Pos­si­bi­lity, Atheist Revo­lu­tion — VJack sobre a res­pon­sa­bi­li­dade da reli­gião mode­rado na esca­lada do fun­da­men­ta­lismo religioso

Dinesh D’Souza is a con­temp­ti­ble ghoul, Pharyn­gulaPZ Meyers res­ponde aos ridí­cu­los argu­men­tos de Dinesh D’Souza sobre a ausên­cia de ateus nos ser­vi­ços fúne­bres das víti­mas dos aten­ta­dos no cam­pus uni­ver­si­tá­rio de Vir­gi­nia Tech

YouTube censura Ateísmo

Ao que tudo indica, o You­Tube, empresa con­tro­lada pela Goo­gle, tal como a Gmail e o Blog­ger (pen­sa­vam que era só a Micro­soft a ten­tar mono­po­li­zar isto tudo?), come­çou a enve­re­dar por um cami­nho algo estra­nho de censura.

Nick Gis­burne é um ateu que tem uti­li­zado fre­quen­te­mente o You­Tube para divul­ga­ção dos seus vídeos em que pro­move o ateísmo e cri­tica o fenó­meno reli­gi­oso em geral. Nick pro­du­ziu um vídeo com pas­sa­gens do Corão que com­pi­lou a par­tir deste site. As pas­sa­gens em causa expu­nham a vio­lên­cia explí­cita do Corão.

Nick viu o vídeo em causa ser banido e, por último, após várias ten­ta­ti­vas de novo “uplo­ad” do vídeo, aca­bou por ser ele pró­prio sus­penso do You­Tube. Curi­o­sa­mente, durante o pro­cesso, Nick criou um vídeo seme­lhante mas com pas­sa­gens vio­len­tas da Bíblia que foi, tam­bém ele, apagado.

Será este mais um exem­plo de como na soci­e­dade norte-americana o ateísmo se encon­tra na base da cadeia ali­men­tar? Ou estará o You­Tube, agora que é con­tro­lado pela Goo­gle, a ter que se pre­o­cu­par com a pres­são de gru­pos eco­nó­mi­cos influentes?

O que é lamen­tá­vel é o bran­que­a­mento que, ao abrigo da defesa de algu­mas sen­si­bi­li­da­des, se tenta fazer aos aspec­tos mais obs­cu­ros das reli­giões. Será que para a You­Tube é assim tão poli­ti­ca­mente incor­recto ser-se ateu?

É impres­cin­dí­vel estar atento a este tipo de fenó­me­nos pois, se a moda pega, a liber­dade de expres­são será posta em causa não ape­nas nas cari­ca­tu­ras mas no humor em geral.

Está a ser cri­ada uma cam­pa­nha de soli­da­ri­e­dade em todos estes sites de forma a levar este assunto à pri­meira página do motor de busca da Goo­gle. Mais ou menos como guer­ri­lhar nas trin­chei­ras do ini­migo! O Nick explica tudo aqui.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, Sou Ateu)

Querido Diário

Diário Ateísta

Estreei-me hoje como cola­bo­ra­dor do Diá­rio Ateísta.

Embora nem sem­pre esti­vesse de acordo com o cami­nho seguido em alguns dos arti­gos ali escri­tos, nunca dei­xei de con­si­de­rar o DA como a refe­rên­cia essen­cial do ateísmo em lín­gua portuguesa.

Espero estar à altura de uma pres­ta­ção que con­tri­bua para um DA dinâ­mico, inci­sivo e plu­ra­lista, con­tri­buindo, assim, para a pro­mo­ção de um mundo menos cin­zento e obce­cado com o misticismo.

O Desafio Small Brother

Small BrotherEu tinha dito que não iria insis­tir na ques­tão do aborto, mas as pres­sões são muitas…

O Small Brother ini­ciou há uns dias um desa­fio aos apoi­an­tes do “SIM” e do “ƒO”. Aqui ficam as minhas respostas.

1. Con­corda com a rea­li­za­ção do refe­rendo e a for­mu­la­ção da pergunta?

Enquanto defen­sor de um modelo de demo­cra­cia mais par­ti­ci­pa­tiva tenho de con­cor­dar com a rea­li­za­ção do refe­rendo. Tenho dúvi­das da sua hones­ti­dade, uma vez que se o resul­tado em 1998 tivesse sido favo­rá­vel ao “SIM”, pro­va­vel­mente, não tería­mos agora este referendo.

A for­mu­la­ção da per­gunta é uma aber­ra­ção de tal forma é aberta e obs­cura. Res­pon­der “SIM” é ficar sem saber uma série de aspec­tos impor­tan­tes da futura lei. Já referi esses pon­tos num post ante­rior (http://www.heldersanches.com/2006/11/14/aborto-parte-1/).

2. Con­si­dera que as mulhe­res que abor­tam antes das 10 sema­nas de ges­ta­ção deve­rão ser efec­ti­va­mente con­de­na­das a penas de pri­são? E depois das 10 semanas?

Para mim, não faz qual­quer tipo de dife­rença se o aborto é feito antes ou depois das 10 sema­nas uma vez que as con­sequên­cias do acto são sem­pre as mes­mas. Acho, no entanto, que a con­de­na­ção efec­tiva é per­fei­ta­mente des­ne­ces­sá­ria. Seria mais sen­sato a obri­ga­to­ri­e­dade de fre­quen­tar aulas de for­ma­ção em edu­ca­ção sexual e pla­ne­a­mento fami­liar. Já em rela­ção a quem exe­cuta (par­tei­ras, médi­cos, curi­o­sos) e é pago para isso, tirando par­tido mone­tá­rio do deses­pero alheio, con­cordo com a apli­ca­ção de penas efectivas.

3. Con­corda com as excep­ções da actual lei?

Sim, parecem-me equilibradas.

4. Con­si­dera a pílula do dia seguinte um método abor­tivo? Con­corda com a sua utilização?

A pílula do dia seguinte não é um método abor­tivo por­que, em último caso, impede o óvulo de se fixar nas pare­des do útero e, sem que tal acon­teça, a gra­vi­dez não o é. Con­cordo, por­tanto, com a sua utilização.

5. Caso o Não vença e o refe­rendo não seja vin­cu­la­tivo, acei­ta­ria a rea­li­za­ção de um novo refe­rendo nos pró­xi­mos 10 anos?

Sim, mas espero que se comece, entre­tanto, a ser mais ima­gi­na­tivo com as maté­rias que vão a refe­rendo. É evi­dente que o mesmo é válido caso vença o “SIM”. Ou não?

E pronto. Está res­pon­dido ao desa­fio. Fica aqui o link para outros arti­gos sobre o aborto:

Os Malefícios do Ateísmo Cor-de-Rosa

PinkNa cha­mada imprensa escrita pro­li­fe­ram as publi­ca­ções dedi­ca­das à escan­da­leira, à fofoca e à má-língua. De uma forma geral, essas publi­ca­ções são isen­tas de con­teúdo inte­res­sante e sobre­vi­vem gra­ças à mis­te­ri­osa curi­o­si­dade da popu­laça pelas vidas (des)interessantes das figu­ras mais ou menos públicas.

Quem esti­ver real­mente inte­res­sado em apren­der algo sobre deter­mi­nada maté­ria ou em ler um ensaio sobre qual­quer tema do seu inte­resse basta olhar para as capas das refe­ri­das publi­ca­ções para saber quais são aque­las a evitar.

Lamen­ta­vel­mente, muito do que é escrito em sites e blo­gues cujo tema cen­tral é o ateísmo uti­liza exac­ta­mente as mes­mas téc­ni­cas da imprensa cor-de-rosa: escan­da­leira, fofoca e má-língua! E isto — pasme-se — é ver­dade tanto a nível naci­o­nal como a nível inter­na­ci­o­nal. Os padres pedó­fi­los, os bis­pos gays, etc…

Con­si­dero que a men­sa­gem do ateísmo, a divul­ga­ção de um pen­sa­mento huma­nista, raci­o­nal e natu­ra­lista, para ser efi­ci­ente, não deve seguir o cami­nho fácil de expor cons­tan­te­mente as con­tra­di­ções das reli­giões ou a hipo­cri­sia dos seus repre­sen­tan­tes ao ridí­culo. Se bem que todas essas con­tra­di­ções e hipo­cri­sias sejam reais, utilizá-las como prin­ci­pal argu­mento parece-me incon­se­quente e resul­tam num esforço inglório.

Entendo o ateísmo como uma ausên­cia total de fé ou crença em qual­quer tipo de pode­res sobre­na­tu­rais; não o encaro como uma neces­si­dade de explo­rar as con­tra­di­ções ou hipo­cri­sias de qual­quer tipo de orga­ni­za­ção base­ada na fé ou na crença de qual­quer tipo de pode­res sobre­na­tu­rais. A meu ver, qual­quer reli­gião orga­ni­zada tem sem­pre a sua estru­tura base­ada nal­gum tipo de fé ou crença. Des­mis­ti­fi­car essas bases será muito mais efi­ci­ente do que a expo­si­ção ao ridí­culo de par­tes da estru­tura que eco­ará sem­pre como um slo­gan pro­pa­gan­dista aos ouvi­dos de qual­quer crente que se digne.

Essa des­mis­ti­fi­ca­ção só poderá ser con­se­guida atra­vés do estí­mulo ao raci­o­cí­nio, da divul­ga­ção da ciên­cia e da pro­mo­ção de uma visão natu­ra­lista do mundo. Tudo o resto é infru­tí­fero e poderá ter, pre­ci­sa­mente, o resul­tado con­trá­rio ao desejado.

A Bíblia, O Corão e o Consultório Sentimental da Revista Maria

Ao enviar um con­vite aos meus con­tac­tos de email intro­du­zi­dos no Thun­der­Bird para visi­ta­rem este meu blog incluí, tam­bém, os des­ti­na­tá­rios de uma mai­ling list de que sou o administrador.

Eis o con­teúdo do convite:

“Penso, logo sou Ateu.Para que a reli­gião deixe de ser tra­tada como se não fosse uma alu­ci­na­ção colec­tiva, blo­que­a­dora da lógica, do raci­o­cí­nio, da evo­lu­ção do pen­sa­mento humano e estran­gu­la­dora das liber­da­des indi­vi­du­ais.“

Estás convidado/a a apa­re­cer e a dis­cor­dar. Apa­rece.
Até breve,
Hel­der Sanches

Pas­sa­das pou­cas horas, a pri­meira reac­ção na forma de email:

Com uma afir­ma­ção básica des­tas assim deixo esta lista.

OK, meu, ‘tás à von­tade! Mas, uma reac­ção ela­bo­rada como essa tinha que ter resposta:

Revista MariaTem, obvi­a­mente, todo o direito de o fazer! Tem, ainda, todo o direito de qua­li­fi­car o con­teúdo da minha men­sa­gem con­forme lhe ape­te­cer. Como vê, sou muito mais tole­rante em rela­ção a si do que o inverso.

Tem, tam­bém, no entanto, a obri­ga­ção de saber inter­pre­tar o texto que lhe foi envi­ado antes de rea­gir — uti­li­zando a sua expres­são — tão basi­ca­mente; o con­vite foi feito para quem dis­corda, de forma a tro­car ideias, expe­ri­ên­cias, visões e inter­pre­ta­ções do mundo de que todos faze­mos parte. Se houve quem dis­sesse “faça-se Luz”, eu digo antes “Discuta-se, para que se faça Luz”! Só apa­rece quem quer, claro está.

No entanto, se me per­mite, deixo-lhe um con­se­lho: se, efec­ti­va­mente, não gosta de “afir­ma­ções bási­cas” evite, a todo o custo, titu­los como “A Bíblia”, “O Corão” e o con­sul­tó­rio sen­ti­men­tal da “Revista Maria”!

O con­vite, esse, claro está, fica de pé! Apareça!

Um abraço ateu,

Hel­der Sanches

Isto não tem, obvi­a­mente, impor­tân­cia nenhuma! Excepto, claro, se tiver­mos em conta que demons­tra bem o tipo de hos­ti­li­dade que existe em rela­ção ao ateísmo. Uma vez que eu no meu con­vite não me referi a nenhuma reli­gião em par­ti­cu­lar, qual­quer cara­puça serve para o efeito. E nem vamos falar na aber­tura de espí­rito que esta gente tem para o debate.

Con­tudo, há um lado posi­tivo neste epi­só­dio! Pro­vo­cou em mim uma neces­si­dade de escla­re­cer os menos arro­ja­dos visi­tan­tes do raci­o­cí­nio que suporta o cha­vão cri­ado para este blog — “Penso, logo sou ateu”. Bre­ve­mente, num blog pró­ximo de si.