We band of brothers

Gos­tei tanto deste texto do Ricardo Sil­ves­tre no Por­tal Ateu que passo a colocá-lo aqui na ínte­gra com a devida vénia:

From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remem­be­red–
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne’er so vile,
(Sha­kes­pe­are, Henry V)

Este fim-de-semana esti­ve­rem jun­tas 5 pes­soas que acon­tece serem ateístas.

Se não fosse essa filo­so­fia de vida, muito pos­si­vel­mente nunca se teriam encon­trado: teriam se calhar se cru­zado nas ruas de Coim­bra, ou do Porto, ou de Lis­boa, mas a pro­ba­bi­li­dade de não iden­ti­fi­ca­rem naquela pes­soa a con­di­ção que agora as apro­xima é muito elevada.

Mas assim não foi neste caso.

E assim se encon­tra­ram, assim se conhe­ce­ram pes­so­al­mente, assim cru­za­ram ideias e con­vic­ções, assim pas­sa­ram momen­tos de dis­trac­ção, assim pas­sa­ram momen­tos de fraternidade.

Jan­ta­ram jun­tos à mesma mesa, sentaram-se no mesmo espaço do Bairro Alto, encontraram-se num largo com uma igreja como cená­rio, se sen­ta­ram em ciclo de ami­zade e par­ti­lha à frente de uma mesa bem posta, bem guar­ne­cida, bem ofe­re­cida: com dedi­ca­ção e num pri­mor de bem receber.

E estes ateís­tas se conhe­ce­ram melhor: com mais ou menos cabelo, com rou­pas mais ou menos colo­ri­das, com mais ou menos perí­me­tro da cin­tura, com lin­gua­gens mais ou menos com­pli­ca­das, com fra­ses mais ou menos estapafúrdias.

Foram tro­ca­dos argu­men­tos sérios, foram con­ta­das his­tó­rias ina­cre­di­tá­veis, foram ditas bana­li­da­des, foram par­ti­lha­das cren­ças e filo­so­fias de vida.

Falou-se em música, em geo­lo­gia, em cinema, em arte, em ciên­cia. Falou-se de soci­e­dade, em gas­tro­no­mia, em cevada, e pasme-se (o hor­ror, o hor­ror!!) em karaoke.

E assim se des­pe­di­ram. Mais con­vic­tos que não estão sós. Con­ven­ci­dos que o ateísmo pode ser uma fonte de ins­pi­ra­ção, de encanto, de pro­pó­sito. Con­ten­tes por par­ti­ci­pa­rem num objec­tivo comum, e de pode­rem ter tido a opor­tu­ni­dade de pas­sar para além de um écran ou de uma voz num telefone.

Carpe diem, “band of brothers”.

* por Ricardo Sil­ves­tre no Por­tal Ateu

Carpe diem, Ricardo! Obrigado.

Oh, Amor, não me mataste o desejo

Há quem com­pare a dedi­ca­ção, admi­ra­ção e mesmo pai­xão de algu­mas pes­soas a Deus com o amor cego de um ado­les­cente pela sua última pai­xão, quando as hor­mo­nas tur­vam a visão e o dis­cer­ni­mento. Da mesma forma que parece impos­sí­vel cha­mar à razão o ado­les­cente para os fal­sos atri­bu­tos da sua amada ou para o risco poten­cial de um futuro pouco pro­mis­sor junto desta, tam­bém parece ser tarefa ingló­ria ten­tar cla­rear a visão dos cren­tes rela­ti­va­mente ao seu objecto de paixão.

Que cen­tros de pra­zer serão esti­mu­la­dos pela dedi­ca­ção a um ser hipo­té­tico e invi­sí­vel? De onde virá a sen­sa­ção de con­forto trans­mi­tida por tal dedi­ca­ção? Não será, cer­ta­mente, pelos resul­ta­dos obti­dos. Não há regis­tos de que os cren­tes sejam mais feli­zes que os não cren­tes, que vivam mais ou melhor, enfim, que con­du­zam a vida com maior dig­ni­dade ou vir­tude, o que quer que isso possa significar.

Esta­re­mos, então, numa encru­zi­lhada inso­lú­vel em que nos resta ape­nas obser­var a entrega doen­tia, embora volun­tá­ria, a uma pai­xão sem futuro? Terá Deus o papel da jovem libi­di­nosa e o crente o papel de ado­les­cente por­ta­dor de hor­mo­nas em ebu­li­ção? Se assim for, ape­nas nos resta espe­rar pelo ama­du­re­ci­mento da per­so­na­li­dade colec­tiva da huma­ni­dade e aguar­dar que os impul­sos hor­mo­nais regri­dam, cedendo espaço à razo­a­bi­li­dade e à ponderação.

O que separa um ateu de um crente

De uma forma mini­ma­lista, pode­ria dizer-se que o que separa um ateu de um crente é ape­nas o facto de se acre­di­tar ou não em deus(es). Só que essa pequena (grande) dife­rença arrasta con­sigo um vari­a­dís­simo rol de pos­tu­ras diver­gen­tes rela­ti­va­mente à forma de enca­rar a vida.

Antes de mais, o “um ateu” do título sou eu e não outro qual­quer; por­tanto, o título tam­bém pode­ria ser “O que me separa dos cren­tes” mas, como have­rão mais ateus a par­ti­lhar pelo menos algu­mas das minhas razões, optei por este titulo. Por outro lado, o “um crente” do título não é nin­guém em par­ti­cu­lar, de nenhuma reli­gião ou crença espe­cí­fica; é pos­sí­vel — e até pro­vá­vel — que a mai­o­ria dos cren­tes não se reve­jam em todas as dife­ren­ças apon­ta­das. Mas, mesmo cor­rendo o risco de uma gene­ra­li­za­ção exa­ge­rada, parece-me inte­res­sante a aná­lise do que nos separa.

A ordem pela qual os pon­tos são apre­sen­ta­dos é total­mente irrelevante.

Noção do Sagrado — Esta noção é tão ou mais impor­tante para alguns cren­tes do que a(s) própria(s) entidade(s) divina(s). É o reco­nhe­ci­mento comum e colec­tivo do Sagrado que imprime nos gru­pos de cren­tes o sen­ti­mento de uni­dade social, a iden­ti­fi­ca­ção colec­tiva. Mui­tos cren­tes não pra­ti­can­tes, embora des­li­ga­dos no seu dia a dia das ceri­mó­nias e dos ritu­ais, man­têm a Noção do Sagrado intacta. O Sagrado pode ser um objecto, um local, uma pes­soa ou até uma data que pela sua sim­bo­lo­gia divina ou pela sua rela­ção com o divino se encon­tra acima de qual­quer sus­peita, mere­cendo pro­funda vene­ra­ção e res­peito inques­ti­o­ná­vel. Para um ateu esta con­di­ção é absurda; afas­tado o con­ceito de divino, nem nada nem nin­guém pode mere­cer tais atri­bu­tos. O ateu terá, quanto muito, um leque de ideias e valo­res que con­si­de­rará basi­la­res para a cons­tru­ção de uma soci­e­dade justa; mas mesmo essas ideias e valo­res deve­rão ser con­ti­nu­a­mente ques­ti­o­na­das de forma a pude­rem ser rec­ti­fi­ca­das e melho­ra­das num pro­cesso ininterrupto.

Raci­o­na­lismo e Modelo de Rea­li­dade — Para um ateu, a única forma de enten­der o mundo é atra­vés da razão. Não é atra­vés de sen­sa­ções, reve­la­ções ou visões de qual­quer espé­cie, mas sim atra­vés do inte­lecto e de uma forma dedu­tiva. Para um crente, a razão não é sufi­ci­ente para a obten­ção do conhe­ci­mento do mundo. Para este, exis­tem ver­da­des inson­dá­veis, de um domí­nio meta­fi­sico, ape­nas alcan­çá­veis pela via reli­gi­osa. Separa-nos, por­tanto, não ape­nas o método, mas tam­bém as expec­ta­ti­vas, uma vez que para o crente a rea­li­dade abso­luta estará sem­pre para além do que a razão pode alcan­çar. Não são pre­ci­sos mui­tos conhe­ci­men­tos de his­tó­ria para nos aper­ce­ber­mos que o avanço do conhe­ci­mento cien­tí­fico tem impli­cado um decrés­cimo nas áreas outrora inte­gran­tes da tal rea­li­dade ape­nas alcan­çá­vel pela expe­ri­ên­cia religiosa.

Tole­rân­cia — A grande dife­rença aqui con­siste na faci­li­dade com que se uti­li­zam meca­nis­mos fúteis para defesa daquilo em que se acre­dita. Nenhuma reli­gião é tole­rante enquanto se sen­tir ofen­dida pelo facto de alguns dos seus ícones sagra­dos serem uti­li­za­dos por car­to­o­nis­tas, artis­tas plás­ti­cos porno ou rea­li­za­do­res de cinema polé­mi­cos. Um ateu pouco se importa que um artista crente dese­nhe uma cari­ca­tura de Char­les Darwin com corpo de chim­panzé. Tole­rân­cia não sig­ni­fica achar que todas as ideias são váli­das; sig­ni­fica, isso sim, reco­nhe­cer aos outros o direito de ter ou defen­der quais­quer ideias, mesmo as incor­rec­tas ou fal­sas. Quando as reli­giões não se des­mar­cam das des­co­ber­tas cien­ti­fi­cas que põem em causa as suas dou­tri­nas mile­na­res não estão a ser tole­ran­tes; estão, sim, a ser dema­go­gas. Caso con­trá­rio, a cola­gem à ciên­cia teria como con­sequên­cia a des­co­la­gem da doutrina.

Vida, Morte e Sen­tido de Exis­tên­cia — Tenho como razões pri­mor­di­ais para o sur­gi­mento do fenó­meno reli­gi­oso a ten­ta­tiva de expli­ca­ção da rea­li­dade e o recon­forto para a incóg­nita da morte. Para um crente, a expec­ta­tiva de que a sua exis­tên­cia não acaba com a morte, que se pro­longa para além desta, deverá ser uma ques­tão fun­da­men­tal. Seja pela pro­messa de uma outra rea­li­dade mais feliz, pelo receio de um cas­tigo supremo ou sim­ples­mente pela a azia pro­vo­cada pelo des­co­nhe­cido, não há dúvida que esta deverá ser uma maté­ria que cau­sará gran­des angús­tias a quem viver com tal credo. Para um ateu, nada disto faz sen­tido. Ima­gino o meu futuro após a minha morte da mesma forma que ima­gino o meu pas­sado antes do meu nas­ci­mento: nulo, isento de expe­ri­ên­cia ou de noção seja do que for. Resta-me ape­nas viver esta vida o melhor que puder. Para mim, a ques­tão filo­só­fica não é o “por­que vivo?” mas sim o “como vivo?”. É na res­posta a esta ques­tão que se pode encon­trar o sen­tido de existência.

O Meme Ateísta

Na blo­gos­fera ateísta em inglês come­çou a cir­cu­lar um “meme” com 10 per­gun­tas sobre ateísmo. Vou ten­tar espa­lhar o “meme” tam­bém em português.

Q1. Como defi­ni­rias “ateísmo”?
Na sua forma mais sim­ples, a ausên­cia de crença em deuses.

Q2. Tiveste uma edu­ca­ção reli­gi­osa? Se sim, de que tipo?
Não. Os meus pais fazem parte do grande clube dos “não pra­ti­can­tes” e tive a sorte, ainda muito novo, de conhe­cer algu­mas pes­soas que me esti­mu­la­ram a colo­car ques­tões em vez de encon­trar res­pos­tas fáceis.

Q3. Usando ape­nas uma pala­vra, como des­cre­ve­rias o “design inte­li­gente”?
Hilariante.

Q4. Que campo cien­tí­fico mais te inte­ressa?
Macro inte­resse: via­gens espaciais

Micro inte­resse: o estudo do genoma humano

Q5. Se pudes­ses mudar algo na “comu­ni­dade ateísta”, o que seria?

Quase tudo. Penso que a mai­o­ria dos ateus não sabem dis­tin­guir as pes­soas das suas cren­ças e se con­cen­tram dema­si­ado na cri­tica fácil em pre­juízo de um maior inves­ti­mento na divul­ga­ção do raci­o­na­lismo e humanismo.

Q6. Se um filho teu te dis­sesse que tinha optado pela vida cle­ri­cal, qual seria a tua pri­meira res­posta?
Deve ser 1 de Abril!

Q7. Qual o teu argu­mento teís­tico favo­rito e como é que o refu­tas?
Não tenho um argu­mento favo­rito, mas reco­nheço que há uns muito engraçados.

Q8. Qual o teu ponto de vista mais con­tro­verso (na pers­pec­tiva dos outros ateus)?
Que pas­sar a vida a dizer mal das reli­giões e dos cren­tes é abso­lu­ta­mente infru­tí­fero para o ateísmo.

Q9. Dos “qua­tro cava­lei­ros do ateísmo” (Daw­kins, Den­nett, Hit­chens and Har­ris) qual é o teu pre­fe­rido e porquê?
Não tenho um favo­rito, mas Hit­chens é segu­ra­mente alguém com quem não sim­pa­tizo.

Q10. Se pudes­ses con­ven­cer ape­nas um teísta a aban­do­nar as suas cren­ças, quem seria?

Nin­guém! Não me com­pete con­ven­cer nin­guém a mudar as suas cren­ças. Se, atra­vés do estí­mulo ao pen­sa­mento crí­tico, algu­mas pes­soas revi­rem as suas posi­ções, tanto melhor para elas.

Nomeia outros 3 blogs para espa­lha­rem o meme:

1. Que Treta!
2. Ran­dom Pre­ci­sion
3. Filo­so­fia Ateísta

O Mercado das Almas

Enquanto ateu, não me passa pela cabeça que não exista liber­dade reli­gi­osa. Cada indi­vi­duo deve ter o direito de esco­lher se quer fazer parte de uma reli­gião e de qual.  Quis come­çar por aqui por­que tenho noção que o que vou escre­ver vai soar a alguns como exac­ta­mente o con­trá­rio. Mas não é!

O maior favor que se pode fazer às reli­giões é per­mi­tir essa liber­dade reli­gi­osa, deixá-las com­pe­tir entre si, cri­ando uma espé­cie de eco­no­mia de “mer­cado das almas”; ao con­trá­rio da regra do “divi­dir para rei­nar”, neste caso pode-se mesmo dizer “divi­dir para proliferar”.

A pre­dis­po­si­ção para a crença tem um habi­tat ideal nesta soci­e­dade onde se res­peita a liber­dade reli­gi­osa: quem já não se con­vence com o que uma tem para ofe­re­cer — ou ven­der, na mai­o­ria dos casos -, depressa encon­trará alter­na­ti­vas de oferta e preço no vasto “mer­cado das almas”.

São óbvias as téc­ni­cas comer­ci­ais uti­li­za­das por alguns agen­tes deste pro­lí­fico mer­cado: canais de tele­vi­são, pro­gra­mas de rádio ou mesmo emis­so­ras pró­prias, ceri­mó­nias reli­gi­o­sas que mais lem­bram con­cer­tos rock de mau gosto e, final­mente, a pro­messa do bem mais ape­te­cido: a vida eterna!

Real­mente, quem no seu per­feito juízo pode resis­tir a tama­nha oferta?

O que não deixa de ser curi­oso é que quem mais defende a liber­dade reli­gi­osa (ateus, agnós­ti­cos, huma­nis­tas, lai­cos, etc) são exac­ta­mente aque­les que menos têm a ganhar com ela; mas, a razão é sim­ples: sabe­mos que a demo­cra­cia, a igual­dade e a liber­dade de esco­lha são muito mais impor­tan­tes e indis­pen­sá­veis do que a vida eterna, a moeda de troca do “mer­cado das almas”.

Reflectir o meu ateísmo — Parte 5

Sis­te­mas amorais

É ine­vi­tá­vel a cono­ta­ção mora­lista com que os sis­te­mas de cren­ças impreg­nam as suas dou­tri­nas. O “Bem” e o “Mal” transformam-se, pois, em capri­chos divi­nos onde a razão e a liber­dade indi­vi­dual não têm lugar, sujeitando-se a valo­res de outros, quase sem­pre ante­pas­sa­dos pouco cre­dí­veis e eles pró­prios tan­tas vezes exem­plos de uma con­duta questionável.

A ques­tão dos fal­sos mora­lis­mos é tal­vez a que mais me abor­rece nas reli­giões. Sem res­peito pela liber­dade pes­soal de cada um con­du­zir a sua vida como muito bem enten­der, criam-se bali­zas arti­fi­ci­ais para a con­duta indi­vi­dual em con­tra­di­ção com o argu­mento opor­tu­nista do livre arbí­trio. Note-se que eu sou um defen­sor do livre arbí­trio e não dou muita cre­di­bi­li­dade às teo­rias deter­mi­nis­tas, mas tudo na reli­gião aponta no sen­tido do deter­mi­nismo, excepto quando se tem que des­res­pon­sa­bi­li­zar deus e res­pon­sa­bi­li­zar a Huma­ni­dade. Por isso cri­tico o opor­tu­nismo da argu­men­ta­ção do livre arbí­trio na religião.

A ideia de que cada um de nós terá que se sujei­tar às opções de vida, à con­duta com­por­ta­men­tal ou às regras éticas de outros por “razões” meta­fí­si­cas trata-se do maior aten­tado à liber­dade pes­soal, incen­tiva ódios e a ostra­ci­za­ção social de quem não segue a norma.

Para um ateu, ao con­trá­rio do que nos que­rem fazer crer – no caso de Por­tu­gal, a ICAR e, lamen­ta­vel­mente, o Minis­té­rio da Edu­ca­ção -, reli­gião e moral não cabem no mesmo saco. A con­duta moral de cada um é total­mente inde­pen­dente do resto da soci­e­dade enquanto aquela não inter­fe­rir com a liber­dade dos outros. E por inter­fe­rên­cia não se podem enten­der os afron­ta­men­tos a con­cei­tos de decên­cia, ver­go­nha ou res­peito ideológico/religioso.

A con­fu­são surge mui­tas vezes por se con­fun­di­rem valo­res como moral e civismo. São coi­sas dife­ren­tes. Viver com padrões de ética dife­ren­tes da norma ou dife­ren­tes dos nos­sos não sig­ni­fica que se vive sem padrões de ética.

Assim, a moral imposta pela reli­gião não só é cas­tra­dora da liber­dade indi­vi­dual, como tam­bém con­tri­bui para a into­le­rân­cia e o des­res­peito por outras opções de con­duta pes­soal, fac­to­res que tan­tas vezes con­du­zem à homo­fo­bia, ao sexismo, ao racismo e à xeno­fo­bia, etc. Por outro lado, adqui­rir um deter­mi­nado padrão ético atra­vés de um pro­cesso de chan­ta­gem face a um sis­tema de puni­ção ver­sus recom­pensa, parece-me, em si, pouco abo­na­tó­rio para a capa­ci­dade intrín­seca de saber dis­tin­guir o “Bem” do “Mal”.

Final­mente, ser-se ateu – como ser-se reli­gi­oso – é, por si só, uma defi­ni­ção com­ple­ta­mente amo­ral. Não é no não acre­di­tar ou no acre­di­tar que resi­dem os fac­to­res que nos trans­for­mam em agen­tes morais ou imorais.

Reflec­tir o meu ateísmo:

  1. O que o meu ateísmo não implica
  2. As insu­fi­ci­ên­cias do agnosticismo
  3. Pro­mo­ver uma lai­ci­dade pró-activa
  4. A des­ne­ces­si­dade de crer

A AAP e o futuro do ateísmo em Portugal

Na pas­sada ª feira, 30 de Maio, foi cri­ada a AAP — Asso­ci­a­ção Ateísta Por­tu­guesa, con­forme anun­ciá­mos aqui no Por­tal Ateu.

Esta será, cer­ta­mente, uma opor­tu­ni­dade de ouro para todos os ateus no nosso país. Mesmo com a impor­tân­cia que alguns blo­gues naci­o­nais pos­sam ter na divul­ga­ção da visão ateísta do mundo, nada como uma orga­ni­za­ção ofi­cial para que se possa dar voz aos anseios que acima expressei.

Esta asso­ci­a­ção tem, de acordo com os seus esta­tu­tos e o seu mani­festo, a res­pon­sa­bi­li­dade de atin­gir objec­ti­vos con­cre­tos. Objec­ti­vos esses com os quais eu não pode­ria estar mais de acordo. Por enquanto, ainda não são cla­ros os méto­dos e for­ma­tos que virão a ser uti­li­za­dos. Parece-me que o sucesso da AAP estará alta­mente depen­dente das opções que se virão a tomar na meto­do­lo­gia a uti­li­zar para atin­gir os objec­ti­vos propostos.

Neste aspecto, exis­tem algu­mas con­fu­sões fre­quen­tes que pode­rão dei­xar con­fu­sos os mais dis­traí­dos em rela­ção à posi­ção ateísta ou que pode­rão ser­vir de base sólida para a argu­men­ta­ção de quem se opõe a uma maior visi­bi­li­dade do ateísmo na nossa soci­e­dade. Mui­tas vezes — e aqui faço tam­bém mea culpa — confunde-se o mau carác­ter de um indi­vi­duo com a dou­trina reli­gi­osa que o mesmo pre­co­niza; confunde-se deso­nes­ti­dade inte­lec­tual com dogma reli­gi­oso; outras, confunde-se mesmo Fé com ignorância…

Espero que a nova asso­ci­a­ção não vá pelo cami­nho mais fácil e sim­plista. Para além da ine­vi­tá­vel perda de cre­di­bi­li­dade, seria tam­bém o cami­nho menos inte­res­sante do ponto de vista intelectual.

As responsabilidades

Gosto em espe­cial do último parágrafo.
clip­ped from www.iamanatheist.com
As a moral atheist you have a num­ber of rights and res­pon­si­bi­li­ties. These include (but are not limi­ted to):

  1. Have no gods.
  2. Don’t worship stuff.
  3. Be polite.
  4. Take a day off once in a while.
  5. Be nice to folks.
  6. Don’t kill people.
  7. Don’t cheat on your sig­ni­fi­cant other.
  8. Don’t steal stuff.
  9. Don’t lie about stuff.
  10. Don’t be greedy.

Remem­ber, theists may con­demn you for living by this code because you are doing it of your own free will ins­tead of because you’re afraid that if you don’t a supreme being will set you on fire.

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