Ou tudo isso?
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A morte de Jon Lord e um “a propósito” para os ateus
Faleceu hoje, em Londres, Jon Lord, fundador e teclista dos Deep Purple, responsável pela co-autoria de muitos dos hits da banda, nomeadamente “Smoke on the Water”.
Estava eu a ler uma das notícias sobre a sua morte num site inglês quando me cruzei com a previsível expressão R.I.P. (Rest in Peace) e me interroguei sobre a mais que provável origem da expressão. Numa pesquisa rápida, eis a resposta na Wikipedia:
The phrase or initialism is commonly found on the grave of Catholics,[1] as it is derived from the burial service of the Catholic Church, in which the following prayer is said at its commencement and conclusion:
“ Anima eius et animæ omnium fidelium defunctorum per Dei misericordiam requiescant in pace. ”
In English:[3]
“ May his soul and the souls of all the departed faithful by God’s mercy rest in peace. ”
Assim sendo, evitem lá de colocar o tão católico RIP quando pretendem homenagear distintos ateus. É deveras despropositado.
Portal Ateu Off
Desde meados da semana que o Portal Ateu se encontra offline devido à conta onde este se encontrava alojado ter sido suspensa por excesso de consumo de recursos do servidor, ao que percebi. Não sei que tipo de conta estava contratada, mas é extremamente desagradável a atitude de alguns service providers chegarem ao ridículo de cortarem o serviço sem pré-aviso, não dando sequer tempo aos responsáveis dos sites para pensarem em alternativas. Já tinha acontecido anteriormente, voltou a acontecer agora…
Espero que a situação seja ultrapassada com a maior brevidade possível.
O macho-alfa e o cardume
No folhetim que se está a tornar a reacção do Ricardo Silvestre às minhas criticas (1, 2, 3, 4) à forma como é praticado o ateísmo nos sítios Portal Ateu e Diário Ateísta, temos mais um capítulo, com honras de editorial e tudo, que dá pelo dramático título de “Em defesa dos colaboradores do Portal Ateu”. Baseia-se a necessidade desta “defesa” no facto de eu apontar o dedo à maioria dos artigos do actual Portal Ateu. E, insisto, a critica é feita à maioria dos artigos do Portal Ateu, não à sua totalidade.
Vejamos, então, qual é a definição de maioria de acordo com o Dicionário Priberam:
maioria
(maior + –ia)
s. f.
1. Número excedente a metade do todo.
2. Grupo preponderante; a maior parte.
3. Partido ou aliança de partidos que compreende o maior número de votos no parlamento e geralmente apoia o governo.
Posto isto, vejamos como estão distribuídos os 1748 artigos do Portal Ateu de acordo com os seus autores actuais:
- Ricardo Silvestre — 1231
- Lúcio Mateus — 15
- Tito Casquinha — 68
- Rui Janeiro — 380
- Rui Silva — 9
- Catarina Pereira — 45
Se tivermos em consideração os artigos de todos os autores que já passaram pelo Portal Ateu, o site tem um total de 2290 artigos publicados. Portanto, não há volta a dar-lhe. Para onde quer que olhemos, o Ricardo Silvestre tem sempre a maioria dos artigos do Portal Ateu. E, se tivermos em consideração apenas os actuais colaboradores, a percentagem de artigos do Ricardo Silvestre é superior a 70 por cento. Obrigado, Priberam!
Portanto, não vale a pena o Ricardo Silvestre tentar sacudir a água do capote e tentar diluir a sua responsabilidade pelos restantes colaboradores do Portal Ateu. Fica-lhe mal, é uma solidariedade apenas aparente e oportunista. O Ricardo Silvestre tem sido sempre o macho-alfa do processo e agora, na altura das criticas, quer transformar o processo num cardume.
O resto do artigo perde-se em confusões falaciosas entre ateísmo e humanismo e entre voluntarismo e obra feita. Ser ateu não implica ser-se humanista. Muitos cristãos consideram o cristianismo uma religião humanista e são muitos os exemplos de que nem sempre é assim. O mesmo é válido para o ateísmo. De igual forma, ser-se voluntário, ter dedicação a uma causa, não implica ter sucesso ou ser eficaz na defesa ou promoção da mesma. Por muito que isso possa ser difícil de encarar.
Para mim este assunto está encerrado. Não tenho mais nada a acrescentar nem tenho mais tempo para perder com Ricardo Silvestre ou com o Portal Ateu. Acho até que já lhes dei importância a mais. Mas em relação à PAMAP ainda há muita coisa a dizer.
Ateus há muitos…
Num artigo com o título “Os Meios e os Fins”, Ricardo Silvestre ironiza uma sugestão para todos os ateus que, como eu, não se revêm na forma como ele e outros têm vindo publicamente a expor o seu ateísmo, resumindo-o a uma panóplia de queixinhas teofóbicas e em nada contribuindo para a desmistificação do mesmo na sociedade em que vivemos, antes pelo contrário.
O que me espanta — ou, se calhar, nem por isso — é o facto de em todo o artigo ser usado apenas um argumento: Sam Harris! Ricardo Silvestre, após a ironia dos primeiros parágrafos (já lá irei), refugia-se num argumento de autoridade à volta da figura de Sam Harris, ainda por cima em contra-ponto a uma outra figura também utilizável como argumento de autoridade, Scott Atran, que, apenas pelo facto de não defender o ateísmo tipo dos neo-ateus, é abusivamente minorizado na comparação. Para quem não conhece, uma visita à página da Wikipedia dedicada a Scott Atran pode ajudar a perceber do que falo.
Nesse argumento de autoridade baseado no Sam Harris, Ricardo Silvestre recorre ainda às “centenas de milhares de cópias” vendidas dos livros de Sam Harris e eu pergunto-me se o Ricardo Silvestre se terá lembrado, enquanto redigia aquela frase, dos milhões de cópias que a Bíblia vende anualmente…
Finalmente — e para servir de ponte entre a secção Sam Harris e a secção “ironia” no texto em análise -, Ricardo Silvestre lembra que “ele próprio [Sam Harris] não acredita que todos devem pensar como ele”. Ainda bem que o Sam Harris pensa assim. É possível que o próprio Ricardo Silvestre até concorde com o Sam Harris. Mas, se concorda, lida muito mal com a crítica. De tal forma que a sugestão deixada pelo Ricardo Silvestre é a seguinte:
“Tenho uma sugestão a fazer.
Acho que há um grupo, bastante alargado diga-se, de ateus Portugueses que deviam criar a Associação Portuguesa do Ateísmo Positivo: a APAP portanto.”
Pronto! Desta forma ficaria tudo resolvido. O Ricardo Silvestre e os seus companheiros de luta neo-ateus poderiam continuar a praticar o ateísmo da forma mais previsível e inconsequente que sabem e gostam e já ninguém lhes chatearia o juízo. Voilá! No mesmo texto, Ricardo Silvestre atribui uma qualidade ao discurso de Sam Harris quando este afirma que aceita que nem todos pensem como ele quando, uns parágrafos acima, “mandou” os que não pensam como ele criar uma nova associação ateísta! Até parece que estou a ler a Bíblia onde numa página se defende A e umas páginas à frente se defende não-A. Aqui, contudo, basta saltar uns parágrafos.
O que o Ricardo Silvestre ainda não reparou é que a maior parte dos ateus que não se revêm no seu estilo já não fazem parte do Portal Ateu e nunca precisaram da sugestão dada no seu texto para saírem. Saíram porque, provavelmente, já tinham adivinhado este seu artigo há muito tempo.
Não deixa de ser irónico o facto de serem os neo-ateus aqueles que têm uma postura que cada vez mais se assemelha a uma seita religiosa, cheia de dogmas e adversa à crítica.
Porque não posso passar à frente
Nos comentários a este artigo do Portal Ateu, o Lúcio Mateus, por quem tenho muita consideração e cujos textos não incluo no meu rol de preocupações expostas nos meus dois últimos artigos, sugere que ultrapassemos as diferenças e passemos imediatamente para a parte em que concordamos que somos todos humanos e ateístas. Embora entenda e respeite o conteúdo conciliador expresso no comentário do Lúcio Mateus, não posso concordar que se ignorem as diferenças e que não se discutam as posturas como publicamente se divulga e promove o ateísmo. Seria como se, de repente, deixasse de haver discussão política no parlamento porque um deputado se levantaria e diria “Não podemos passar já para a parte do fim e concordarmos que somos todos democratas e republicanos?”. Como é óbvio, não faria qualquer sentido.
As discussões devem existir, os métodos devem ser postos em causa e as divergências devem ser usadas para que todos os intervenientes possam fazer uma análise do que pretendem e do caminho que escolheram seguir no que diz respeito ao contributo que cada um dará ao ateísmo. E para que possamos todos, em consciência, não ser confundidos quanto às suas opções, aos seus argumentos e à sua postura enquanto ateus e enquanto pessoas livres. Ser ateu não pode ser o mesmo que pertencer a um partido onde a disciplina de voto é compulsiva e onde as vozes dissonantes são personas non gratas. Não! Parecem-me razões mais que suficientes para não poder passar à frente.
O Corporativismo Ateu
Ainda no rescaldo do meu artigo anterior, não deixa de me surpreender a tendência corporativista de alguns ateus que se mostram muito indignados pela minha posição pública (e de outros) de criticar algumas formas de exercer o ateísmo, reduzindo-o a um papaguear de reacções típicas de um comportamento anti-clerical e anti-religioso. Como se pelo facto de se ser ateu deixasse implícita a concordância com qualquer devaneio inconsequente, infantil ou simplista, desde que publicado por um outro ateu! Ou, quiçá mais grave ainda, existisse uma obrigatoriedade em não tornar pública a discordância com essas posições. Estamos, portanto, perante um caso de corporativismo ateu. Haverão, eventualmente, alguns ateus que confundem a existência de uma (ou mais) associações ateístas com o exercício de uma Ordem dos Ateus, à imagem de outras Ordens que por aí andam, em que o corporativismo, mesmo que não assumido, é claramente a sua principal preocupação.
Ora, se assim fosse, significaria que os interesses dos ateus teriam que ser sempre postos à frente de quaisquer outros interesses, desde que não violassem uma provável “conduta ateísta”, o que quer que isso seja. Mas uma associação ateísta não tem — nem deve ter — tal propósito. Uma associação ateísta deve servir os interesses dos ateus ajudando os seus membros a lutarem pelo seu direito de serem e se assumirem ateus livremente e promovendo uma visão naturalista e racional do mundo, enaltecendo, no processo, as virtudes dos princípios ateístas. Uma associação ateísta não se deve confundir com uma polícia religiosa ou com um órgão de informação anti-clerical. Os ateus são-no porque não acreditam em deuses e não porque há padres pedófilos, cardeais vestidos de ouro ou guerras santas. Isso são apenas (um apenas muito grande, é certo) casos de polícia, de ostentação imoral ou politicas externas deficientes, respectivamente. Há muito pouco de ateísmo na exposição obsessiva desses casos.
Há também quem defenda que a diversidade é óptima no que diz respeito à opinião, podendo assim ser dada maior abrangência à visão ateísta. Isto só é verdade se nessa diversidade não se incluir todo e qualquer disparate argumentativo que ponha em causa a fotogenia do ateísmo no retrato final. Quando o conteúdo é previsível, repetitivo, teofóbico, mesquinho e muitas vezes mal escrito, é certo que envenena o conjunto, deixando-o num marasmo de mediocridade. Se esse é o preço da diversidade, não contem comigo para assobiar para o lado e fingir que todo o ateísmo é útil para “a causa” e que não deve ser questionado, muito menos publicamente. É precisamente por esses disparates serem públicos e em nome do ateísmo que eu faço questão de me desmarcar de tais posições, assumindo publicamente o meu descontentamento e criticando-as sempre que me parecer pertinente fazê-lo.
Porque apoio a posição de Ricardo Pinho
No passado dia 31 de Maio, Ricardo Pinho escreveu um artigo no Diário Ateísta com o título “Ódio Ateísta” onde, sem rodeios, expôs a sua opinião sobre a qualidade dos conteúdos publicados naquele blog. Não irei aqui transcrever a opinião do Ricardo Pinho, pelo que sugiro a leitura do referido artigo para poderem entender convenientemente as linhas que se seguem.
O texto em causa recordou-me de imediato um já velho artigo que escrevi neste mesmo blog, há quase cinco anos, com o título “ Os Malefícios do Ateísmo Cor-de-Rosa”. Nele, repudiava o facilitismo do ateísmo fala-barato que cospe para o ar enquanto se põe em bico dos pés para se tentar fazer ouvir. Nele, advogava uma atitude ateísta positiva que privilegiasse os méritos do ateísmo e se despreocupasse com os deméritos das religiões, abandonando o esforço inconsequente da perseguição religiosa, como se todos os crentes devessem ser tratados como criminosos perigosos e gente de laia inferior. Passados cinco anos, vejo que tinha razão. Passados cinco anos em que foram constituídas duas associações ateístas em Portugal (PAMAP e AAP, cujo órgão de comunicação é o Diário Ateísta), tudo continua na mesma. Nada mudou no panorama religioso em Portugal e, caso tivesse mudado, não teria sido, certamente, graças à actividade de nenhuma dessas associações que se revelam inoperantes na promoção do ateísmo, limitando-se a policiar as actividades religiosas e procurando o escândalo beato, tal e qual paparazzis em fim de carreira.
Sobre o direito e a questão de oportunidade que tem sido posta em causa nos comentários ao artigo do Ricardo Pinho(1), bem como nos artigos de reacção ao mesmo(1,2,3), não deixa de ser curiosa a insinuação que a liberdade de expressão tem limites e que o corporativismo está acima de toda a verdade ou de qualquer outro valor. O que é um facto é que Ricardo Pinho acertou em cheio nas feridas e isso, normalmente, faz doer.
Os autores ateístas durões, musculados e irreverentes (e que se julgam eruditos), estão a conduzir a divulgação do ateísmo e dos valores humanistas para o abismo, afirmando-se, por um lado, defensores da Declaração Universal dos Direitos do Homem mas, por outro, adoptando um discurso teofóbico, ignorando o que vem previsto naquela declaração no que diz respeito à liberdade religiosa.
Fico, às vezes, com a sensação que os autores dessa ala dura do ateísmo nacional apenas pretendam alimentar um nicho de mercado onde se encaixaram e que lhes garante uma clientela fixa, embora reduzida. Fico, às vezes, com a sensação que os objectivos últimos terão pouco a ver com a promoção do ateísmo, mas antes com narcisismo intelectual de gosto muito duvidoso. E isto é verdade tanto em relação à maioria dos textos do Diário Ateísta como em relação à maioria dos artigos do actual Portal Ateu. Aliás, se repararmos bem na qualidade dos comentários que predominam actualmente nos artigos em questão, podemos facilmente chegar a uma conclusão sobre o tipo de comentadores que atraem. Sendo os artigos vazios de argumentos válidos e de ideias coerentes, é natural que atraiam comentadores pouco profundos.
Naturalmente, todos os ateus são livres de escreverem aquilo que muito bem entenderem; não pensem é que qualquer espécie de corporativismo ateu os deixará isentos de critica. É que o ateísmo não é, de facto, uma religião e, portanto, não há Papas infalíveis… apenas ateus arrogantes.
Como melhor divulgar o ateísmo
Para qualquer ateísta, o mundo ideal seria aquele em que a sociedade e o espaço público estariam isentos de simbologia, influências, pressões e actividades religiosas. Para qualquer ateísta, o mundo ideal seria aquele em que uma visão naturalista e humanista do mundo fosse norma, o estado laico e as instituições seculares respeitadas e valorizadas. Contudo, estamos ainda muito longe desse mundo ideal. Sem o contributo de todos, essa distância entre o estado das coisas e o estado ideal das coisas irá manter-se durante muito tempo.
Esse contributo, no entanto, pode ser feito por todos nós, diariamente, sem esforço; basta boa vontade e um pouco de gratitude. Senão, vejamos: todos nós temos acesso gratuito a uma quantidade de conteúdos online sobre ateísmo. Felizmente, muito desse conteúdo disponibilizado para todos nós tem uma qualidade considerável e faz-nos pensar, rir, aprofundar e discutir o nosso ateísmo e o ateísmo dos outros. Ora, se há tanta matéria online da qual nós gostamos, por que não contribuir para a causa ateísta com o simples acto de ajudar a divulgar esses conteúdos? Através do simples acto de divulgação dos conteúdos ateístas a que diariamente acedemos estaremos a contribuir de uma forma decisiva para a divulgação do ateísmo.
A internet hoje em dia funciona muito à base de estatísticas e de referências. Se artigos sobre ateísmo começarem a ser mais divulgados através das diversas redes sociais disponíveis, os motores de busca não ficarão alheios a esse facto e esses artigos passarão a ter maior exposição. Assim, da próxima vez que se cruzarem com um artigo sobre ateísmo não se esqueçam de o partilhar em redes sociais como o Facebook, Twitter, Reddit e por aí fora.
Este blog permite há já bastante tempo a referência automática dos artigos em diversos sites sociais (ver ícones no final de cada artigo, antes dos comentários), portanto se essa vontade de colaborar para a causa ateísta for genuína não há desculpas para que não sejam adquiridas estas boas práticas.
(adaptado de artigo originalmente publicado no Portal Ateu: Promover o ateísmo sem fazer nenhum)
Espiritualidade ateísta

Paulo Borges
Ontem estive presente em mais uma sessão da Academia Popular de Filosofia que tem vindo a decorrer na Voz do Operário em Lisboa. O tema da sessão de ontem era aquele que mais me interessava, tendo como mote a questão “O que é a Espiritualidade?”, sendo o orador convidado Paulo Borges que tem um vasto curriculum nas áreas da filosofia, religião e política. Uma das razões do meu interesse particular por esta sessão prendia-se com a abordagem que seria feita à espiritualidade enquanto processo religioso e metafísico ou ao alcance de qualquer um, independentemente das suas crenças ou não crenças.
Paulo Borges muito cedo assumiu a sua convicção de que a espiritualidade não é uma experiência de cariz exclusivo dos fenómenos religiosos e está — ou deveria estar — ao alcance de todos os seres humanos que, através da observação, meditação e consciencialização do mundo que nos rodeia (os outros e as coisas), lhes permita atingir um plano de respeito e interligação com o Universo que conduza a uma conduta ética exemplar (palavras minhas, que poderão estar demasiado influenciadas pela minha própria interpretação). Estes princípios não estarão muito longe do que os princípios do Humanismo preconizam e, tal como estes, poderão ser um passo essencial para a construção de um mundo melhor, mais solidário, justo e feliz.
Contudo, é muito pouco habitual que os próprios ateus reconheçam neles próprios uma espiritualidade que vá muito além da contemplação do universo, da natureza, da vida… Talvez porque o que se entende normalmente por “espiritualidade” estar demasiado estigmatizado à utilização religiosa do termo. E, ao pensar nisto, imagino as vantagens que teria para a divulgação do ateísmo se, em vez de se concentrar apenas nos aspectos técnicos da ciência e mesmo da filosofia, este conseguisse também transmitir uma interpretação mais sensitiva do mundo, o que em nada contrariaria os princípios de rigor cientifico ou filosófico e que iria ao encontro dos mais nobres objectivos do Humanismo.
