A indignação ilusória

Já não res­tam dúvi­das que o acesso à inter­net e a con­se­quente uti­li­za­ção de blogs, fóruns e outros sites soci­ais como o Face­book, demo­cra­ti­zam a pala­vra e a opi­nião, per­mi­tindo vir­tu­al­mente a qual­quer cida­dão expressar-se como muito bem enten­der. Claro que isso acar­reta os male­fí­cios ine­ren­tes a qual­quer mas­si­fi­ca­ção, tornando-se mais fre­quente o desin­te­res­sante e o monó­tono do que o pro­fundo e inovador.

Con­tudo, não me parece que seja esse o ver­da­deiro pro­blema desta mas­si­fi­ca­ção. O ver­da­deiro pro­blema reside na ilu­são que se cria em quem expõe as suas opi­niões de que elas con­tam. E não con­tam! Toda essa indig­na­ção exposta em entra­das do Face­book, umas mais sérias, outras mais sar­cás­ti­cas, pode con­tri­buir para o retrato do “estado de alma” do país, mas em nada con­tri­bui para melho­rar a fotografia.

Pre­ci­sa­mos de uma maior cons­ci­ên­cia cívica e de nos men­ta­li­zar­mos que existe uma alter­na­tiva ao “fado” de não con­se­guir­mos um melhor Estado. Essa alter­na­tiva passa por con­se­guir­mos menos Estado e isso só é pos­sí­vel com mais tra­ba­lho do que escre­ver uns tex­tos ou par­ti­lhar umas ima­gens com fra­ses fei­tas. É pre­ciso por em prá­tica o que se apre­goa e não ficar­mos ape­nas por pala­vras vãs. E faço já mea culpa.

 

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