Porque não posso passar à frente

Nos comen­tá­rios a este artigo do Por­tal Ateu, o Lúcio Mateus, por quem tenho muita con­si­de­ra­ção e cujos tex­tos não incluo no meu rol de pre­o­cu­pa­ções expos­tas nos meus dois últi­mos arti­gos, sugere que ultra­pas­se­mos as dife­ren­ças e pas­se­mos ime­di­a­ta­mente para a parte em que con­cor­da­mos que somos todos huma­nos e ateís­tas. Embora entenda e res­peite o con­teúdo con­ci­li­a­dor expresso no comen­tá­rio do Lúcio Mateus, não posso con­cor­dar que se igno­rem as dife­ren­ças e que não se dis­cu­tam as pos­tu­ras como publi­ca­mente se divulga e pro­move o ateísmo. Seria como se, de repente, dei­xasse de haver dis­cus­são polí­tica no par­la­mento por­que um depu­tado se levan­ta­ria e diria “Não pode­mos pas­sar já para a parte do fim e con­cor­dar­mos que somos todos demo­cra­tas e repu­bli­ca­nos?”. Como é óbvio, não faria qual­quer sentido.

As dis­cus­sões devem exis­tir, os méto­dos devem ser pos­tos em causa e as diver­gên­cias devem ser usa­das para que todos os inter­ve­ni­en­tes pos­sam fazer uma aná­lise do que pre­ten­dem e do cami­nho que esco­lhe­ram seguir no que diz res­peito ao con­tri­buto que cada um dará ao ateísmo. E para que pos­sa­mos todos, em cons­ci­ên­cia, não ser con­fun­di­dos quanto às suas opções, aos seus argu­men­tos e à sua pos­tura enquanto ateus e enquanto pes­soas livres. Ser ateu não pode ser o mesmo que per­ten­cer a um par­tido onde a dis­ci­plina de voto é com­pul­siva e onde as vozes dis­so­nan­tes são per­so­nas non gra­tas. Não! Parecem-me razões mais que sufi­ci­en­tes para não poder pas­sar à frente.

Seja Social e Partilhe!

7 pensamentos sobre “Porque não posso passar à frente

  1. Na mesma esteira, a “dis­ci­plina de voto” não impli­ca­ria que quando “um burro falasse”, para além de os outros “bai­xa­rem as ore­lhas”, ainda teriam que mani­fes­tar con­cor­dân­cia? “- Amigo, eu sou Ateu, e vou-me ati­rar para den­tro de um poço sem fundo por­que sim. Vens comigo e calas-te, ok?”

  2. O artigo de Lúcio Mateus preza pela inte­li­gên­cia e pela sen­si­bi­li­dade de expo­si­ção. Enquanto crente, é um sin­cero pra­zer poder ver e apren­der com todas as for­mas ele­va­das de raci­o­cí­nio, em qual­quer área filo­só­fica em que o pen­sa­mento humano se mani­festa e natu­ral­mente se diver­si­fica. Lúcio Mateus, Hel­der San­ches e Ricardo Pinho são ateus que admiro.

  3. Livra… se eu um dia fosse objecto de um lau­da­tó­rio des­tes exa­lado por um enquanto crente, só me res­tava era enfiar-me no pri­meiro buraco que encon­trasse e não sair de lá mais para não ter que supor­tar o constrangimento …

  4. Um gajo que rapa as sobran­ce­lhas perde o direito a sentir-se cons­tran­gido. Já os ami­gos dele, por terem que o acom­pa­nhar na rua naquela figura, estão con­de­na­dos ao paraíso.

  5. As dis­cus­sões devem exis­tir, os méto­dos devem ser pos­tos em causa e as diver­gên­cias devem ser usa­das para que todos os inter­ve­ni­en­tes pos­sam fazer uma aná­lise do que pre­ten­dem e do cami­nho que esco­lhe­ram seguir no que diz res­peito ao con­tri­buto que cada um dará ao ateísmo. E para que pos­sa­mos todos, em cons­ci­ên­cia, não ser con­fun­di­dos quanto às suas opções, aos seus argu­men­tos e à sua pos­tura enquanto ateus e enquanto pes­soas livres. Ser ateu não pode ser o mesmo que per­ten­cer a um par­tido onde a dis­ci­plina de voto é com­pul­siva e onde as vozes dis­so­nan­tes são per­so­nas non gra­tas. Não! Parecem-me razões mais que sufi­ci­en­tes para não poder pas­sar à frente.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>