Nos comentários a este artigo do Portal Ateu, o Lúcio Mateus, por quem tenho muita consideração e cujos textos não incluo no meu rol de preocupações expostas nos meus dois últimos artigos, sugere que ultrapassemos as diferenças e passemos imediatamente para a parte em que concordamos que somos todos humanos e ateístas. Embora entenda e respeite o conteúdo conciliador expresso no comentário do Lúcio Mateus, não posso concordar que se ignorem as diferenças e que não se discutam as posturas como publicamente se divulga e promove o ateísmo. Seria como se, de repente, deixasse de haver discussão política no parlamento porque um deputado se levantaria e diria “Não podemos passar já para a parte do fim e concordarmos que somos todos democratas e republicanos?”. Como é óbvio, não faria qualquer sentido.
As discussões devem existir, os métodos devem ser postos em causa e as divergências devem ser usadas para que todos os intervenientes possam fazer uma análise do que pretendem e do caminho que escolheram seguir no que diz respeito ao contributo que cada um dará ao ateísmo. E para que possamos todos, em consciência, não ser confundidos quanto às suas opções, aos seus argumentos e à sua postura enquanto ateus e enquanto pessoas livres. Ser ateu não pode ser o mesmo que pertencer a um partido onde a disciplina de voto é compulsiva e onde as vozes dissonantes são personas non gratas. Não! Parecem-me razões mais que suficientes para não poder passar à frente.

Na mesma esteira, a “disciplina de voto” não implicaria que quando “um burro falasse”, para além de os outros “baixarem as orelhas”, ainda teriam que manifestar concordância? “- Amigo, eu sou Ateu, e vou-me atirar para dentro de um poço sem fundo porque sim. Vens comigo e calas-te, ok?”
O artigo de Lúcio Mateus preza pela inteligência e pela sensibilidade de exposição. Enquanto crente, é um sincero prazer poder ver e aprender com todas as formas elevadas de raciocínio, em qualquer área filosófica em que o pensamento humano se manifesta e naturalmente se diversifica. Lúcio Mateus, Helder Sanches e Ricardo Pinho são ateus que admiro.
só eu é que não tenho um enquanto crente que me admire… mas que sorte marreca, a minha…
Ciumento!
Livra… se eu um dia fosse objecto de um laudatório destes exalado por um enquanto crente, só me restava era enfiar-me no primeiro buraco que encontrasse e não sair de lá mais para não ter que suportar o constrangimento …
Um gajo que rapa as sobrancelhas perde o direito a sentir-se constrangido. Já os amigos dele, por terem que o acompanhar na rua naquela figura, estão condenados ao paraíso.
As discussões devem existir, os métodos devem ser postos em causa e as divergências devem ser usadas para que todos os intervenientes possam fazer uma análise do que pretendem e do caminho que escolheram seguir no que diz respeito ao contributo que cada um dará ao ateísmo. E para que possamos todos, em consciência, não ser confundidos quanto às suas opções, aos seus argumentos e à sua postura enquanto ateus e enquanto pessoas livres. Ser ateu não pode ser o mesmo que pertencer a um partido onde a disciplina de voto é compulsiva e onde as vozes dissonantes são personas non gratas. Não! Parecem-me razões mais que suficientes para não poder passar à frente.