26 de Abril, Dia do Óleo de Fritar Peixe

Ontem comemorou-se o Dia da Liber­dade. Hoje comemora-se o Dia do Óleo de Fri­tar Peixe.

Ainda não me tinha pro­nun­ci­ado sobre a ele­va­ção de D. Nuno Álva­res Pereira a santo cató­lico. Pri­meiro, por­que a hie­rar­quia cató­lica pode muito bem esco­lher quem muito bem enten­der para ser isso de “santo”, o que quer que isso seja. Os actos, já diz o ditado, ficam com quem os pra­tica e ao con­si­de­rar D. Nuno deci­sivo no pro­cesso da cura da lesão pro­vo­cada pelo óleo de fri­tar peixe, a Igreja ape­nas me faz o favor de cair num “aben­ço­ado” ridí­culo. Como sabem, não é a pri­meira nem será a última vez. Não nos esque­ça­mos, con­tudo, que fosse qual fosse o “argu­mento” invo­cado o ridí­culo seria sem­pre o mesmo, sem­pre “abençoado”.

Em segundo lugar, tenho uma certa ten­dên­cia para não sim­pa­ti­zar com heróis de guerra, inde­pen­den­te­mente dos “fei­tos” pro­cla­ma­dos na defesa da inde­pen­dên­cia naci­o­nal. Cer­ta­mente que D. Nuno não ganhou nenhuma bata­lha sozi­nho — nem nenhum outro herói. Que a ima­gem dum ilus­tre por­tu­guês seja desta forma ridi­cu­la­ri­zada, sin­ce­ra­mente, pouco me apoquenta.

Estas duas razões são para mim sufi­ci­en­tes para não me mani­fes­tar em rela­ção ao pro­cesso, ao herói e ao novo san­ti­nho. Con­tudo, quero dei­xar aqui bem claro o meu total repú­dio pelo envol­vi­mento ofi­cial de supos­tos gran­des esta­dis­tas por­tu­gue­ses nas ceri­mó­nias ofi­ci­ais que irão hoje decor­rer no Vati­cano. A sua pre­sença em repre­sen­ta­ção de um Estado cons­ti­tu­ci­o­nal­mente laico é um com­pleto sinal de falta de res­peito pela pró­pria Cons­ti­tui­ção, pelos por­tu­gue­ses e pelos valo­res secu­la­res a que uma demo­cra­cia moderna deve­ria de estar incon­tes­tá­vel­mente asso­ci­ada. E não me venham com a con­versa de que que a mai­o­ria dos por­tu­gue­ses são cató­li­cos e se revêm nesta cele­bra­ção. A mai­o­ria dos por­tu­gue­ses esta­rão, quanto muito, a borrifarem-se para o novo santo e para as come­mo­ra­ções. Infe­liz­mente, terei que reco­nhe­cer que a mai­o­ria dos por­tu­gue­ses, a exem­plo dos seus líde­res poli­ti­cos, esta­rão tam­bém a borrifarem-se para a Constituição!

A mai­o­ria dos por­tu­gue­ses tam­bém são bran­cos e mui­tos serão ainda racis­tas; alguém ima­gina o senhor Pre­si­dente da Repú­blica em repre­sen­ta­ção do país numa ceri­mó­nia do Ku Klux Klan?

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26. Abril 2009 by Helder Sanches
Categories: Portugal, Religião | Leave a comment

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