Histórias de Embalar

Adão e Eva — Uma história de embalar
No meio de todas as discussões, de toda a contra-argumentação, de todas as provocações e, porque não, de todas as ofensas, às vezes somos levados a esquecer-nos, na nossa boa vontade, que, afinal, todas as religiões do “livro†não passam de imensas tentativas, levadas a cabo por gente séria e por gente duvidosa, de racionalizar o irracionável.
Por muitos textos eruditos que se escrevam, por muitos debates que se façam, por muito que se filosofe em torno do assunto, depois de espremido, resta-nos o sabor amargo da constatação de que andamos a perder o nosso tempo a tentar impedir que meras histórias de embalar milenárias não interfiram com o nosso dia a dia e, devo dizê-lo, com o nosso bom senso, com os nossos direitos e com a nossa liberdade.
Por mais que os crentes se retorçam na agonia de quererem ser levados a sério, apenas a apatia de uns ou a boa vontade de outros impede que as suas crenças sejam catalogadas junto dos contos de Grimm ou das sagas de Tolkien. Porque, verdade seja dita, o Antigo Testamento não passa disso mesmo: histórias simples, imaginativas, é certo, mas apenas banais; tentativas infantis de explicar o universo com a única ferramenta de que então se dispunha: a ignorância.
Por mais “pensadores†que tentem aprofundar a questão, os relatos ou os textos, a doutrina é sempre oca de sentido quando na sua base impera a fantasia e a falsidade. Ficção, ficção, ficção; ilusão, ilusão, ilusão…
A religião é apenas um processo, uma tentativa de racionalização, de levar a sério o absurdo, o declaradamente dúbio. Sem ponta por onde se peguem, as crenças religiosas enrolam-se sobre si próprias como um bicho-de-conta assustado, defendendo-se, tentando ludibriar quem o aborda com mais brusquidão.
Sem mais motivos para a subsistência que a própria subsistência em si, mascaram-se heróis fictícios de profetas, milagreiros e mártires; a narrativa do romance fácil e previsível impõe-se à lógica, ao humanismo e até — imagine-se — à decência! Chega de delírios, chega de lendas, chega de histórias de embalar…
Deus morreu. Não? Então, está moribundo. Sejamos misericordiosos…
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Assim até dá gosto ler o meu preclaro amigo, pois quem assim discursa certamente não é gago. Mas não esquecer nunca que é preciso chegar-lhes com força e sobretudo sem misericórdia!