Oh, Amor, não me mataste o desejo

Há quem com­pare a dedi­ca­ção, admi­ra­ção e mesmo pai­xão de algu­mas pes­soas a Deus com o amor cego de um ado­les­cente pela sua última pai­xão, quando as hor­mo­nas tur­vam a visão e o dis­cer­ni­mento. Da mesma forma que parece impos­sí­vel cha­mar à razão o ado­les­cente para os fal­sos atri­bu­tos da sua amada ou para o risco poten­cial de um futuro pouco pro­mis­sor junto desta, tam­bém parece ser tarefa ingló­ria ten­tar cla­rear a visão dos cren­tes rela­ti­va­mente ao seu objecto de paixão.

Que cen­tros de pra­zer serão esti­mu­la­dos pela dedi­ca­ção a um ser hipo­té­tico e invi­sí­vel? De onde virá a sen­sa­ção de con­forto trans­mi­tida por tal dedi­ca­ção? Não será, cer­ta­mente, pelos resul­ta­dos obti­dos. Não há regis­tos de que os cren­tes sejam mais feli­zes que os não cren­tes, que vivam mais ou melhor, enfim, que con­du­zam a vida com maior dig­ni­dade ou vir­tude, o que quer que isso possa significar.

Esta­re­mos, então, numa encru­zi­lhada inso­lú­vel em que nos resta ape­nas obser­var a entrega doen­tia, embora volun­tá­ria, a uma pai­xão sem futuro? Terá Deus o papel da jovem libi­di­nosa e o crente o papel de ado­les­cente por­ta­dor de hor­mo­nas em ebu­li­ção? Se assim for, ape­nas nos resta espe­rar pelo ama­du­re­ci­mento da per­so­na­li­dade colec­tiva da huma­ni­dade e aguar­dar que os impul­sos hor­mo­nais regri­dam, cedendo espaço à razo­a­bi­li­dade e à ponderação.

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21. Junho 2008 by Helder Sanches
Categories: Ateísmo | 1 comment

One Comment

  1. muito boa e inte­res­sante essa ana­lo­gia! mas tal­vez um pouco exa­ge­rada ou melhor, gene­ra­li­zada! nem todos q tem fé! vivem como num amor pla­to­nico!! ou aque­les q acre­di­tam em algo! alguns ja ama­du­re­ce­ram! outros ate ja cai­ram do pé! mais vale res­sal­tar q grande parte parece amar a deus como uma puta (ou amante, ou algo tao irre­sis­tí­vel q nao se pode ter q real­mente bei­ram ao ridi­culo!
    mas o ateu nao seria exa­ge­ra­da­mente o con­tra­rio?
    vol­tando pro lado mais humano da coisa! car­nal mesmo! 1 duvida sem­pre me vem! porq os homens (machos da espé­cie — homos sapi­ens) aca­bam sendo mais ape­ga­dos e sus­ce­tí­veis a isso??? como no enredo acima, fazendo alu­são ao ado­les­cente do sexo mas­cu­lino! alguem teria alguma res­posta plau­si­vel ou cien­ti­fica? afi­nal acho q estou no blog certo para pedir 1 res­posta des­sas, nao é?
    sei q isto esta 1 pouco fora da filo­so­fia do blog, mas.…… porq os homens se matam? por esse ser libi­di­noso e atra­ente, as vezes cha­mado deus, outras mulher? afi­nal o número de sui­cí­dios des­tes e de homens bomba sao gran­des! porq.…. Oh meu D.….…… sorry!
    ???????????????????????

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