O Mercado das Almas
Enquanto ateu, não me passa pela cabeça que não exista liberdade religiosa. Cada individuo deve ter o direito de escolher se quer fazer parte de uma religião e de qual. Quis começar por aqui porque tenho noção que o que vou escrever vai soar a alguns como exactamente o contrário. Mas não é!
O maior favor que se pode fazer às religiões é permitir essa liberdade religiosa, deixá-las competir entre si, criando uma espécie de economia de “mercado das almasâ€; ao contrário da regra do “dividir para reinarâ€, neste caso pode-se mesmo dizer “dividir para proliferarâ€.
A predisposição para a crença tem um habitat ideal nesta sociedade onde se respeita a liberdade religiosa: quem já não se convence com o que uma tem para oferecer — ou vender, na maioria dos casos -, depressa encontrará alternativas de oferta e preço no vasto “mercado das almasâ€.
São óbvias as técnicas comerciais utilizadas por alguns agentes deste prolífico mercado: canais de televisão, programas de rádio ou mesmo emissoras próprias, cerimónias religiosas que mais lembram concertos rock de mau gosto e, finalmente, a promessa do bem mais apetecido: a vida eterna!
Realmente, quem no seu perfeito juízo pode resistir a tamanha oferta?
O que não deixa de ser curioso é que quem mais defende a liberdade religiosa (ateus, agnósticos, humanistas, laicos, etc) são exactamente aqueles que menos têm a ganhar com ela; mas, a razão é simples: sabemos que a democracia, a igualdade e a liberdade de escolha são muito mais importantes e indispensáveis do que a vida eterna, a moeda de troca do “mercado das almasâ€.
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