O Mercado das Almas

Enquanto ateu, não me passa pela cabeça que não exista liber­dade reli­gi­osa. Cada indi­vi­duo deve ter o direito de esco­lher se quer fazer parte de uma reli­gião e de qual.  Quis come­çar por aqui por­que tenho noção que o que vou escre­ver vai soar a alguns como exac­ta­mente o con­trá­rio. Mas não é!

O maior favor que se pode fazer às reli­giões é per­mi­tir essa liber­dade reli­gi­osa, deixá-las com­pe­tir entre si, cri­ando uma espé­cie de eco­no­mia de “mer­cado das almas”; ao con­trá­rio da regra do “divi­dir para rei­nar”, neste caso pode-se mesmo dizer “divi­dir para proliferar”.

A pre­dis­po­si­ção para a crença tem um habi­tat ideal nesta soci­e­dade onde se res­peita a liber­dade reli­gi­osa: quem já não se con­vence com o que uma tem para ofe­re­cer — ou ven­der, na mai­o­ria dos casos -, depressa encon­trará alter­na­ti­vas de oferta e preço no vasto “mer­cado das almas”.

São óbvias as téc­ni­cas comer­ci­ais uti­li­za­das por alguns agen­tes deste pro­lí­fico mer­cado: canais de tele­vi­são, pro­gra­mas de rádio ou mesmo emis­so­ras pró­prias, ceri­mó­nias reli­gi­o­sas que mais lem­bram con­cer­tos rock de mau gosto e, final­mente, a pro­messa do bem mais ape­te­cido: a vida eterna!

Real­mente, quem no seu per­feito juízo pode resis­tir a tama­nha oferta?

O que não deixa de ser curi­oso é que quem mais defende a liber­dade reli­gi­osa (ateus, agnós­ti­cos, huma­nis­tas, lai­cos, etc) são exac­ta­mente aque­les que menos têm a ganhar com ela; mas, a razão é sim­ples: sabe­mos que a demo­cra­cia, a igual­dade e a liber­dade de esco­lha são muito mais impor­tan­tes e indis­pen­sá­veis do que a vida eterna, a moeda de troca do “mer­cado das almas”.

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14. Junho 2008 by Helder Sanches
Categories: Ateísmo, Religião | Leave a comment

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