A AAP e o futuro do ateísmo em Portugal

Na pas­sada ª feira, 30 de Maio, foi cri­ada a AAP — Asso­ci­a­ção Ateísta Por­tu­guesa, con­forme anun­ciá­mos aqui no Por­tal Ateu.

Esta será, cer­ta­mente, uma opor­tu­ni­dade de ouro para todos os ateus no nosso país. Mesmo com a impor­tân­cia que alguns blo­gues naci­o­nais pos­sam ter na divul­ga­ção da visão ateísta do mundo, nada como uma orga­ni­za­ção ofi­cial para que se possa dar voz aos anseios que acima expressei.

Esta asso­ci­a­ção tem, de acordo com os seus esta­tu­tos e o seu mani­festo, a res­pon­sa­bi­li­dade de atin­gir objec­ti­vos con­cre­tos. Objec­ti­vos esses com os quais eu não pode­ria estar mais de acordo. Por enquanto, ainda não são cla­ros os méto­dos e for­ma­tos que virão a ser uti­li­za­dos. Parece-me que o sucesso da AAP estará alta­mente depen­dente das opções que se virão a tomar na meto­do­lo­gia a uti­li­zar para atin­gir os objec­ti­vos propostos.

Neste aspecto, exis­tem algu­mas con­fu­sões fre­quen­tes que pode­rão dei­xar con­fu­sos os mais dis­traí­dos em rela­ção à posi­ção ateísta ou que pode­rão ser­vir de base sólida para a argu­men­ta­ção de quem se opõe a uma maior visi­bi­li­dade do ateísmo na nossa soci­e­dade. Mui­tas vezes — e aqui faço tam­bém mea culpa — confunde-se o mau carác­ter de um indi­vi­duo com a dou­trina reli­gi­osa que o mesmo pre­co­niza; confunde-se deso­nes­ti­dade inte­lec­tual com dogma reli­gi­oso; outras, confunde-se mesmo Fé com ignorância…

Espero que a nova asso­ci­a­ção não vá pelo cami­nho mais fácil e sim­plista. Para além da ine­vi­tá­vel perda de cre­di­bi­li­dade, seria tam­bém o cami­nho menos inte­res­sante do ponto de vista intelectual.

Par­ti­lhar este artigo:
  • Print
  • email
  • RSS
  • Facebook
  • Twitter
  • Digg
  • LinkedIn
  • Google Bookmarks
  • StumbleUpon
  • Tumblr

Outros arti­gos idênticos:

  1. Asso­ci­a­ção de Comer­ci­an­tes do Bairro Alto
  2. Uma nova PAMAP
  3. Que­rido Diário
  4. Oh p’ra mim na telefonia!
  5. Site da AAP já no ar

03. Junho 2008 by Helder Sanches
Categories: Ateísmo, Portugal | 6 comments

Comments (6)

  1. Caro Hel­der,
    Este seu texto é uma lufada de ar fresco neste por­tal. Mas nin­guém lhe pegou! Gos­ta­ria de saber porquê.

    Saudações,

    Alfredo Dinis

  2. Não faço ideia, caro Alfredo. Pode ser que ainda este­jam a reflec­tir sobre a matéria.

    Cum­pri­men­tos.

  3. Viva!

    Gos­tei muito das suas palavras.

    Não comun­ga­mos ideias em rela­ção ao uni­verso em ques­tão pois sou cató­lico mili­tante. No entanto gos­tei da sua abor­da­gem que me pare­ceu inte­lec­tu­al­mente honesta e esclarecida.

    Tenho via­jado pelos sítios de pen­dor assu­mi­da­mente ateu no tra­ba­lho de pre­pa­ra­ção das minhas aulas — neste momento lec­ci­ono os valo­res reli­gi­o­sos e a pers­pec­tiva ateísta da ques­tão parece-me essen­cial ser tam­bém ofe­re­cida aos alunos.

    No entanto tenho ficado sur­pre­en­dido pelo nível de dis­curso da asso­ci­a­ção ateísta que me parece muito pouco razoá­vel, pre­con­cei­tu­oso, muito emo­tivo e até pouco livre no pen­sa­mento pois fra­ca­mente dialogante.

    Sem­pre pen­sei que o ateísmo esta­ria para além do anti­cle­ri­ca­lismo e da sim­ples nega­ção da religião…

    Fiquei agra­da­vel­mente sur­pre­en­dido pelo seu dis­curso, pois não me pare­ceu que as con­vic­ções tol­das­sem a aber­tura de espí­rito para a cor­recta fundamentação.

    O dog­ma­tismo não é exclu­sivo dos cren­tes pois não? Eu conheço bas­tan­tes ateus muito dogmáticos.

    Parece-me que o dog­ma­tismo em ter­mos filo­só­fi­cos deva ser enten­dido como a acei­ta­ção de ver­da­des inques­ti­o­ná­veis sem recurso à crí­tica, à fun­da­men­ta­ção raci­o­nal, à aber­tura ao diá­logo. E isso não conhece posi­ção ide­o­ló­gica, pode estar muito uni­ver­sal­mente distribuído.

    Naquilo que me der opor­tu­ni­dade de me ques­ti­o­nar, e às minhas con­vic­ções, no que me pos­si­bil­tar em alar­gar hori­zon­tes, agra­deço desde já. As con­vic­ções con­trá­rias e diver­sas não me pare­cem nunca ame­a­ça­do­ras se o Homem ficar sal­va­guar­dado nos seus direitos.

    Acima de tudo não me parece que as pes­soas se possa dife­ren­ciar essen­ci­al­mente em vir­tude das suas con­vic­ções, mas é inque­brá­vel a teia que a todos nos une enquanto huma­ni­dade sem­pre em percurso.

  4. Caro Car­los Reis,

    Muito obri­gado pelo seu comen­tá­rio. Ao con­trá­rio do que o senso comum nos dita, todas as con­vic­ções só são váli­das se não forem sufi­ci­en­te­mente for­tes para nos cegar.

    Cum­pri­men­tos.

  5. Se Deus efec­ti­va­mente existe pro­que é que eu não acre­dito nele ???

  6. Cor­re­ção do meu URL acima indi­cado ler:

    http://aideialibertaria.blogspot.com

    A IDEIA LIBERTÁRIA

Leave a Reply

Required fields are marked *

*