Violência no Bairro Alto

Na madru­gada de ontem, quinta-feira, acon­te­ceu mais um epi­só­dio de extrema vio­lên­cia no Bairro Alto que pro­vo­cou uma vitima mortal.

Estes epi­só­dios têm acon­te­cido com uma regu­la­ri­dade assus­ta­dora e, embora acon­te­çam mais fre­quen­te­mente numa zona do Bairro Alto espe­ci­fica e não por todo o Bairro, não deixa de ser pre­o­cu­pante a ino­pe­rân­cia das auto­ri­da­des — e aqui não me refiro aos agen­tes que patru­lham o Bairro — em que­rer con­tri­buir para a solu­ção do problema.

Em pri­meiro lugar, há anos que se tenta sen­si­bi­li­zar a CML para a neces­si­dade de ins­ta­la­ção de vídeo-vigilância nas arté­rias do Bairro Alto, nem que seja por uma ques­tão dis­su­a­sora. Em cinco anos, esse alerta bateu sem­pre em por­tas que nunca se abriram.

Em segundo lugar, a venda de droga nas ruas cria cená­rios de ten­são que fre­quen­te­mente dão para o torto e têm como con­sequên­cia epi­só­dios de vio­lên­cia entre grupos.

Por último — e tal­vez o fac­tor mais per­tur­bante — a exis­tên­cia de gan­gues nume­ro­sos que pro­vo­cam as con­fu­sões, espi­ca­çando e pro­mo­vendo as agres­sões, para no meio da con­fu­são rou­ba­rem malas, car­tei­ras, tele­mó­veis, etc. Ainda na pas­sada semana tive opor­tu­ni­dade de assis­tir a uma situ­a­ção des­tas e facil­mente me aper­cebi que o esquema já está muito bem mon­tado e fun­ci­ona na per­fei­ção. Um grupo de cerca de 15 ele­men­tos, aguar­dou numa esquina pelo desen­ro­lar de um atrito “nor­mal” entre pes­soal novo e, no momento opor­tuno, inves­ti­ram em con­junto sobre os outros dois gru­pos, subs­tan­ci­al­mente mais peque­nos, e enquanto uns agre­diam, os outros, apro­vei­tando a con­fu­são, rou­ba­vam os per­ten­ces referidos.

Parece-me indis­pen­sá­vel que o Bairro Alto, onde afluem milha­res de pes­soas, prin­ci­pal­mente aos fins de semana, venha a ser alvo rapi­da­mente de uma revi­são no sis­tema de segu­rança pública e deixe de ser tra­tado como qual­quer outra zona da cidade de Lis­boa. Trata-se de uma situ­a­ção de excep­ção que merece medi­das excepcionais.

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23. Maio 2008 by Helder Sanches
Categories: Portugal, Sociedade | 1 comment

One Comment

  1. CONCORDO!

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