Carta aberta aos crentes

Eu não escolhi ser ateu. Apenas acontece que não creio em nada dessas coisas que, segundo vocês próprios, vos trazem tanta Paz e Alegria. Nem consigo – sequer – conceber que para se ser feliz e viver em paz se tenha que acreditar nessas coisas que vocês acreditam.

Sou, acreditem, um homem bastante feliz. Tenho momentos em que só de pensar que alguém possa ser mais feliz do que eu me parece impossível! Não me passa pela cabeça que alguém possa ser mais feliz apenas por ser bafejado por essa abstracção a que dão o nome de Fé. Fé em quê? No desconhecido? No incógnito? No misterioso? Não entendo…

E, afinal, que espécie de conforto é esse dado pela dúvida? Sim, pela dúvida… Afinal, até Jesus duvidou! Não se acham mais perfeito que Ele, pois não? Vá lá, admitam, vocês têm os vossos momentos de “fraqueza”; não há sistema religioso nem Fé alguma que se aguente face ao mais pequeno momento de lucidez crítica que vocês possam ter.

E essa história da vida eterna… Acreditam mesmo nisso ou apenas gostavam que isso fosse verdade? Deixem-se de ilusões, caramba! Vivam esta vida o melhor que puderem e não sejam reféns de promessas confortáveis para os nossos antepassados de há quatro ou cinco mil anos. Em quantas das histórias bíblicas, por exemplo, é que vocês acreditariam se tivessem sido inseridas noutra obra literária?

Finalmente, sejam felizes sendo vocês próprios. Deixem de avaliar os outros pelos padrões morais fossilizados prescritos nos vossos escritos sagrados. Ajam em conformidade com a vossa própria noção de justiça e liberdade, no respeito pela lei e pela liberdade dos outros.

A vida não será nem mais, nem menos bela. Será, apenas, mais real, mais vossa… Será a vossa vida, a única, e espero que consigam ser tão felizes nela quanto eu.

This entry was posted on Domingo, Maio 18th, 2008 at 7:49 and is filed under Ateísmo, Pessoais . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

13 Responses to “ Carta aberta aos crentes ”

  1. Mats diz:

    Obrigado pelo teu comentário.
    Só um comentário: já reparaste que, se tu tiveres razão, não há forma nenhuma de se criticar Hitler?

    Deus seja contigo.

  2. Beowulf diz:

    Mats,

    “…já reparaste que, se tu tiveres razão, não há forma nenhuma de se criticar Hitler?”

    Mas porque carga de água, explica lá?!

  3. Mats diz:

    Beowulf,
    Pus a resposta a este post no blog.

  4. Helder Sanches diz:

    Já agora, qual é o blog? É que eu também não percebi…

  5. Mats diz:

    Helder,
    O meu blog. Desculpa fazer publicidade.

  6. Pedro Silva diz:

    Porque é que diz que é feliz? Quais os seus requisitos de felicidade? E se os meus forem outros, posso dizer que é infeliz, à luz dos meus critérios?

  7. Helder Sanches diz:

    Respondendo às suas três perguntas:

    1 – Porque sinto que sou, logo, sei que sou
    2 – Não interessa, é completamente irrelevante para o raciocínio
    3 – Não, porque você não sente o que eu sinto. Você pode especular sobre o que eu sinto mas não pode ter a certeza.

    Essa é apenas parte do problema; tentar impor formatos de felicidade, típico de sistemas totalitaristas, como são a maior parte das religiões.

  8. Pedro Silva diz:

    1 – Então ser feliz resume-se a sentir, muito bem. Se eu sentir que Deus existe, então Deus existe. E se sentir que a astrologia faz sentido, então é verdadeira. Belo argumento, vindo de um ateu/agnóstico.

    2 – Se não quer impor formatos de felicidade, porque é que está a querer impor que toda a gente queira ser feliz? Está a tentar impor o totalitarismo da felicidade?

  9. Helder Sanches diz:

    Em relação ao seu primeiro ponto, estou completamente de acordo consigo, muito provavelmente por razões diferentes da que pensa. Eu sentir felicidade é algo que só eu e apenas eu posso validar, não tem nada a ver – o facto de sentir – com o mundo que me rodeia. A sua conclusão é falaciosa porque pelo facto de você sentir deus ele apenas passa a existir para si, não se transforma numa verdade para os outros. O mesmo para a astrologia. As verdades que você quiser criar para si próprio não são verdades absolutas, excepto se se limitarem ao seu ser. E por favor, não me volte a chamar de agnóstico. ;)

    Em relação ao ponto número dois, lanço-lhe aqui o desafio: apresente-me uma pessoa apenas que não queira ser feliz; tenho uma amiga psicóloga que, certamente, a gostaria de conhecer.

  10. Pedro Silva diz:

    Muito bem, vamos assumir que se eu sinto, Deus passa a existir para mim. Posso argumentar que só não acredita em Deus quem não O sente, tal como diz sentir a felicidade. Por isso Deus para mim é real, tal como é o facto de estar feliz. Como negar quer um quer outro?

    Quanto às pessoas quererem ser felizes, concordo. Então podemos dizer que o desejo de felicidade, de plenitude é um desejo inerente ao Homem. Que para os ateus (não agnosticos) aconteceu por acaso, e para quem acredita em Deus é um desejo imposto por Ele.

  11. Helder Sanches diz:

    Sendo Deus para si real porque o sente, não significa que ele seja uma realidade absoluta. Era como se pelo facto de você se sentir feliz a felicidade fosse uma realidade absoluta. Não faz sentido. Eu dizer que sou feliz não implica nem pressupõe que toda a gente considere esse estado como inevitável.

    Em relação ao segundo parágrafo, imagine a seguinte situação: eu hoje comi bife com batatas fritas ao jantar e o Pedro também. Eu comi porque foi o que escolhi o Pedro comeu porque lhe foi imposto por Ele. Isto, para mim, não faz sentido nenhum!

  12. Pedro Silva diz:

    Para si estar feliz não é uma realidade absoluta? Eu também posso acreditar que Deus é uma realidade absoluta, que interage com os que O sentem. Para os que não sentem, é como se não existisse, mas existe porque basta alguém sentir.

    Em relação ao segundo parágrafo, está-me a dizer que todos os homens, desde sempre, escolheram querer ser felizes. Nenhum em nenhuma época escolheu não ser feliz. Como acontece essa “escolha”?

  13. Xiquinho diz:

    Foste tu que fostes feliz em Tokyo no passado fim de semana?



Be the first to comment! Leave a Reply.

twitter facebook linkedin flickr lastfm tumblr technorati email

-->