As Tardes da Júlia

Hoje fui con­vi­dado para par­ti­ci­par na emis­são de 24 de Abril do pro­grama da TVI “As Tar­des da Júlia”. Nessa data, o pro­grama inci­dirá sobre a temá­tica do ateísmo. Como acon­tece sem­pre nes­tas coi­sas, a data em causa é a única que está mar­cada no meu calen­dá­rio como tendo um com­pro­misso inadiável.

Uma vez que o Ricardo Sil­ves­tre tam­bém foi con­tac­tado para o mesmo efeito, fico mais des­can­sado pelo Por­tal Ateu ter um seu repre­sen­tante na refe­rida emissão.

Não se esque­çam: 24 de Abril, n’ “As Tar­des da Júlia”.

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6 pensamentos sobre “As Tardes da Júlia

  1. Tenho estado ocu­pado com tra­ba­lho envol­vendo uma cli­ente chata e pen­sei em dar uma vista de olhos aos blogs que infe­liz­mente não via há 2 meses. Mas antes repa­rei que n’”As Tar­des da Júlia” estava a dar um pro­grama sobre ateísmo e assisti a maior parte.

    Sem ofensa, mas fiquei um desa­pon­tado. Em pri­meiro lugar pare­cia que ia ver o teu nome, mas não o encon­trei ape­sar de pen­sar que o senhor com o cra­chá em forma de “A” fos­ses tu. E além disso acho que os dois ateus pode­riam fazer muito melhor. Deve-se ter logo em conta que Por­tu­gal não é os EUA e que aquele padre em conhe­cido pelo seu libe­ra­lismo . Acho que na Europa os ateus devem essen­ci­al­mente obras mais aca­dé­mi­cas sobre reli­gião, expor os abu­sos inclu­si­va­mente com apoios de cren­tes como civis e ser­vir de exem­plo para fora da Europa. Caso con­trá­rio sere­mos vis­tos como eco­lo­gis­tas radi­cais. O público poderá ter sen­tido que os ateus são arro­gan­tes que ten­tam encon­trar defeito nas reli­giões para atacarem-se.

    Além disso parece que houve um equí­voco semân­tico. A Júlia e a con­vi­dada (Filo­mena) tam­bém são ateias, pois não acre­di­tam na exis­tên­cia de um Deus. E vejo tex­tos como “As insu­fi­ci­ên­cias do agnos­ti­cismo”, mas repa­rei que pra­ti­ca­mente todos os ateus são mais ou menos agnós­ti­cos, inclu­si­va­mente Richard Daw­kins e Cris­topher Hit­chens. Aposto que qual­quer ateu no blog con­cor­dará com a filo­so­fia de Hux­ley, o fun­da­dor do agnos­ti­cismo, mas não deixa de ser ateu por isso mesmo. Tal­vez se hou­vesse essa noção ini­cial, se hou­vesse uma maior pre­o­cu­pa­ção em expli­car o que sig­ni­fica ateísmo ao invés de ten­tar refu­tar o padre, com uma pos­tura prag­má­tica, acho que o pro­grama seria melhor e os cren­tes até iriam simpatizar-se com os ateus (pelo menos até mesmo Tes­te­mu­nhas de Jeová pare­cem simpatizar-se comigo mesmo depois de ter dito que sou ateu e estão dis­pos­tas a ouvir).

    Acho que os ateus devem “edu­car” pri­meiro os outros ateus. Mui­tos ateus ame­ri­ca­nos pare­cem com­pre­en­der isso.

  2. Boas,

    Não te vi mas tam­bém não vi o pro­grama desde o prin­cí­pio. Estava à espera que fosse na SIC e era na TVI… Isto é o que eu ligo à TV

    Mas do que vi… não gostei!!!

    Pareceu-me ten­den­ci­oso, o “tempo de antena” de cada um dos par­ti­ci­pan­tes não me pare­ceu de forma alguma equi­li­brado entre os con­vi­da­dos e as inter­rup­ções das res­pos­tas tam­bém me pare­ce­ram tendenciosas…

    É pena, um debate, uma dis­cus­são, uma troca de ideias e de pon­tos de vista não devia ser assim…

    Sou cató­lico, pra­ti­cante às vezes e tenho pena que as pes­soas da assis­tên­cia do pro­grama, que me pare­ce­ram cató­li­cas na sua mai­o­ria, pelo menos pelos aplau­sos, pare­ces­sem um bando de “maria-vai-com-as-outras” aplau­dindo quando o sr. padre que lá estava falava mas fazendo uma cara de “não-percebo-o-que-é-que-estás-a-dizer-mas-és-ateu-e-então-eu-não-gosto-de-ti” quando um dos outros con­vi­da­dos falava.

    De qual­quer maneira não me parece que um pro­grama como este seja o sitio ideal para um debate escla­re­ce­dor e edu­ca­tivo sobre o ateísmo…

    Um Abraço.

  3. Pedro Ama­ral Couto,

    As mes­mas razões que me leva­ram a não poder par­ti­ci­par no pro­grama tam­bém me impe­di­ram de o ver. Não quero opi­nar em rela­ção à “per­for­mance” do Ricardo ou do Luís sem ver o pro­grama, assim que arranje uma gravação.

    De qual­quer forma, con­cordo total­mente con­tigo quando temos que con­si­de­rar que não esta­mos nos EUA e que o tar­get de audi­ên­cias daquele pro­grama não é o mais favo­rá­vel para se par­tir para a hos­ti­li­za­ção. Reservo-me mais comen­tá­rios para quando vir o programa.

    Isto vai de encon­tro à opi­nião do Antó­nio. Não é o pro­grama — nem o for­mato, nem a hora, nem o tar­get — ideal para este tipo de discussões.

    Obri­gado a ambos.

  4. OS DESCRENTES EM DEUS

    Julia Pinheiro, no seu pro­grama “Tar­des de Júlia” do dia 24 de Abril 2008, con­vi­dou dois indi­ví­duos assu­mi­dos como ateus, daque­les que se sen­tem muito inco­mo­da­dos por haver milhões de pes­soas no Mundo que acre­di­tam em Deus ou numa Inte­li­gên­cia Suprema que criou todas as coi­sas no Uni­verso. Acha­vam eles, os dois ateus, que todos os cren­tes (como eu) são igno­ran­tes ou estão mal infor­ma­dos, pre­ci­sando tal­vez de umas lições ateis­tas para ficar­mos mais escla­re­ci­dos ou melhor ori­en­ta­dos, segundo os seus pró­prios pon­tos de vista, claro.

    E ali esta­vam ten­tando mos­trar sua pre­tensa ‘sabe­do­ria’ dis­cu­tindo com um padre cató­lico que tam­bém foi con­vi­dado para estar pre­sente e se esfor­çava por mos­trar aos dois ateus que não tinham razão para esta­rem colo­cando em causa todos os valo­res da Igreja ou da sua Reli­gião. Foi uma dis­cus­são esté­ril, no meu enten­der, em que a entre­vis­ta­dora foi tal­vez a única pes­soa mais sen­sata e coe­rente que man­ti­nha a calma e um bom dis­cer­ni­mento quando dava por vezes sua pró­pria opi­nião sobre esta questão.

    Por fim, um dos entre­vis­ta­dos che­gou mesmo a citar uma frase de Albert Eins­tein (“Deus não joga dados com o Mun­do”) como se pre­ten­desse dizer que o grande físico e mate­má­tico tam­bém era ateu como eles, mas na ver­dade o grande cien­tista e huma­nista acei­tava a ideía de um “Deus” supra humano ou uma Mente Suprema que tudo orga­ni­zou e man­tem em per­feito equi­li­brio no Uni­verso. Um cien­tista não tem de ver as coi­sas do mesmo modo como as vêm as pes­soas limi­ta­das às suas cren­ças e con­vic­ções liga­das às Religiões.

    No entanto, Eins­tein che­gou mesmo a dizer que: “A ciên­cia sem reli­gião, é manca. A reli­gião sem ciên­cia, é cega”… Nisto estou com­ple­ta­mente de acordo com ele, pois creio que um dia a Ciên­cia e a Reli­gião se uni­rão uma à outra e darão à luz um filho de Sabedoria.

    Dou­tro modo, con­cordo tam­bém com as pala­vras de Issac New­ton, o grande físico e mate­má­tico inglês (autor da obra Phi­lo­sophiae Natu­ra­lis Prin­ci­pia Mathe­ma­tica — publi­cada em 1687) que tem uma pequena refle­xão muito inte­res­sante sobre a vida do Uni­verso. E então se exprime assim:

    “Esta noite dei­xei me absor­ver pela medi­ta­ção sobre a natu­reza celeste.
    Eu admi­rava o número, a dis­po­si­ção, o curso daque­les glo­bos infi­ni­tos.
    Entre­tanto, eu admi­rava ainda mais a Inte­li­gên­cia Infi­nita que pre­side este
    vasto meca­nismo e dizia a mim mesmo: É pre­ciso que seja­mos bem cegos
    para não ficar­mos exta­si­a­dos com tal espec­tá­culo, tolos e ingê­nuos para
    não reco­nhe­cer­mos seu Autor e lou­cos para não adorá-Lo.“

    Issac New­ton

    Não sei o que é que pen­sa­riam aque­les dois ‘ateus’ no pro­grama “Tar­des da Júlia”, a res­peito deste pen­sa­mento de New­ton ou de outros cien­tis­tas que diver­gem dos seus pon­tos de vista, mas pobres foram seus argu­men­tos para ten­tar expli­car o Inex­pli­cá­vel, limitando-se ape­nas a jus­ti­fi­car sua grande des­crença em Deus pelo facto de haver na Bíblia inú­me­ras con­tra­di­ções e tan­tos males neste Mundo onde o homem é o único e ver­da­deiro cul­pado por viver de cos­tas vol­ta­das para o Céu criar seu pró­prio inferno aqui na Terra.

    Acham então os ateus que a solu­ção tal­vez é dei­xar­mos todos de ter fé ou de acre­di­tar em Deus e pedir-Lhe con­tas por tudo o que está errado, acusando-o de ser o grande culpado…

    Enfim, “cada cabeça, cada sen­ten­ça” e creio que mui­tos seres huma­nos como aque­les dois ‘ateus’ ainda se encon­tram num estado de ‘hiber­na­ção’ do qual só des­per­tam um dia quando a luz do Sol lhes ilu­mi­nar a mente e aque­cer a alma ou o pró­prio cora­ção. Aí não mais ques­ti­o­na­rão Deus decerto a até agra­de­ce­rão a vida em cada des­per­tar da cons­ci­ên­cia de cada novo dia, vivendo em paz e har­mo­nia, bus­cando Amor e Sabedoria.

    Tal­vez fosse este tipo de diá­logo que o padre Fer­reira das Neves devesse ter naquela dis­cus­são em vez con­tra­di­tar de um modo que não melho­rou a situ­a­ção. De resto, foi mesmo Jesus quem acon­se­lhou a não plei­tear com os que nada que­rem ouvir a não ser suas pró­prias pala­vras quando estão a falar.

    Penso, por fim, que tudo tem um tempo para acon­te­cer, até para o dor­mir e para o acordar…

    Fica aqui esta dissertação,

    Pausa para reflexão

    Rui Pal­mela

  5. Olá! Eu con­cordo ple­na­mente com o pen­sa­mento de Isaac New­ton. Porém gos­ta­ria de saber em que livro está escrito este pen­sa­mento acima exsa­rado para ter segu­rança de que alguém me diga que não é dele eu pre­ciso estar bem estri­bado quanto a isso. Se pude­res me for­ne­cer a bibli­o­gra­fia eu lhe fica­ria muito grato. Para­bens pelo seu tra­ba­lho esta muito bom. Abraço

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