Quem é mais ateu?

Na The­os­fera do padre João Antó­nio pode-se ler o seguinte texto:

QUEM É MAIS ATEU?

A super­fí­cie dá um tipo de res­posta. A pro­fun­di­dade ofe­rece outro.

Quem é mais ateu? O des­crente que se assume? Ou o crente que se presume?

Não será que o ateísmo dos ateus, no fundo, é mais uma denún­cia de mui­tos cren­tes em Deus do que uma nega­ção do Deus dos crentes?

A lei­tura dos livros de Richard Daw­kins e Michel Onfray tem-me feito pen­sar deve­ras e inter­ro­gar bastante.

Quando se con­testa a pre­sença pública da fé será que há um incó­modo perante Deus ou um desen­canto diante do contra-testemunho dos crentes?

E, desse modo, não poderá ser o ateísmo uma busca de auten­ti­ci­dade? Não pode­rão estar, por­tanto, mui­tos ateus mais pró­xi­mos de Deus?

Não serão as suas per­gun­tas mais con­sis­ten­tes que as nos­sas respostas?

Acho todo o texto muito inte­res­sante, embora a ideia de poder estar mais pró­ximo de deus me deixe um bocado per­plexo! Em rela­ção à última ques­tão acho feno­me­nal; Sem­pre achei que a res­posta é um claro “Sim”.

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08. Novembro 2007 by Helder Sanches
Categories: Ateísmo, Religião | 19 comments

Comments (19)

  1. «Não será que o ateísmo dos ateus, no fundo, é mais uma denún­cia de mui­tos cren­tes em Deus do que uma nega­ção do Deus dos cren­tes?»
    Quando foi a última vez que tra­va­mos dis­cus­sões com deís­tas, pan­teís­tas qual­quer um que sim­ples­mente acre­dita que existe um Deus?
    E quan­tas vezes cren­tes chatearam-nos no cami­nho só por­que não somos cren­tes? As Tes­te­mu­nhas de Jeová ficam espe­ca­das de manhã à entrada da esta­ção dos com­boios para per­gun­tar se “o jovem gosta de ler”.
    Haverá algum ateu a fazer pro­se­le­tismo? “O jovem gosta de ler? Então guarde este pan­fleto que fala do «não deus» e pode pedir um estudo do «não há livro sagrado»”

    Foi um pequeno desabafo…

  2. Desa­bafa à von­tade. :D

    Pre­firo que não surja essa moda. Já che­gam os outros para nos cha­te­a­rem ao domingo de manhã…

  3. A mim parece-me que o pro­blema da pre­sença pública da fé é quem a tem não se con­tenta com essa pertença.

    Teima em for­çar os outros subjugarem-se a essa, a única e ver­da­deira, fé. Eis o perigo des­sas fés, q pro­voca esse incó­modo, pois fazem-se atro­ci­da­des base­a­das na fé inte­rior, que como é óbvio, é pessoal.

    Quando se tenta dis­cu­tir logi­ca­mente fac­tos con­tra alguém que baseia o seu raci­o­ci­nio na fé, vai-se con­tra pare­des de betão repe­ti­da­mente. E é ver que em geral é acei­tá­vel que se subs­ti­tuam fac­tos por fé. Quando se ensi­nam fan­ta­sias base­a­das em fé de uns e não fac­tos. é o desen­canto de quem vê isso todos os dias, e o único pilar des­tas fés publi­ca­mente impos­tas é a fantasia.

    Falo por mim, mas não tenho nenhum grau de pro­xi­mi­dade com este ou aquele deus. Aliás, à medida que vou conhe­cendo a rea­li­dade, deixo para trás cada vez mais ilusões.

    Só não per­cebi a ultima per­gunta. As per­gun­tas e res­pos­tas de quêm?

  4. As per­gun­tas dos ateus e as res­pos­tas do cristãos.

  5. então con­cordo con­sigo: “sim”

  6. Pre­firo que não surja essa moda.“
    http://www.youtube.com/watch?v=sV-a1vmZ6y8

    Eu tam­bém pre­firo que não. LOL

  7. «Não serão as suas per­gun­tas mais con­sis­ten­tes que as nos­sas res­pos­tas?»
    Aqui estava-me a refe­rir não ao campo das pos­si­bi­li­da­des, mas ao campo dos recur­sos. Tenho para mim que a des­crença é, mui­tas vezes, «ali­men­ta­da» pelo contra-testemunho dos cren­tes, sobre­tudo por­que não há aten­ção às inqui­e­ta­ções que emi­tem. Isto foi reco­nhe­cido pelo Con­cí­lio Vati­cano II, na «Gau­dium et Spes» e por um artigo do teó­logo J. B. Metz, curi­o­sa­mente datado de 1965 (ano de encer­ra­mento do Con­cí­lio). Dizia tal texto que a fé acaba por estar impli­cada na des­crença e a des­crença acaba por estar impli­cada na fé.
    Eu res­peito, obvi­a­mente, todas as posi­ções. Aceito que um ateu diga não que­rer estar mais perto de Deus, mas não posso dei­xar de pen­sar que Deus queira estar perto do Homem, de todo o Homem.
    É neste sen­tido que faço minha a máxima que uns atri­buem a Cícero e outros a Séneca: «Res sacra Homo» (O Homem é uma coisa sagrada). Daí que escreva Homem com maiús­cula.
    Em pri­meira ins­tân­cia, o ateísmo é sobre­tudo nega­ção do teísmo, ou seja, de um deter­mi­nado dis­curso sobre a divin­dade. Sue­cede que nem sem­pre o dis­curso coin­cide com aquilo (com Aquele) em que incide.
    Por outro lado, o ateísmo acaba por ser ten­den­ci­al­mente reac­tivo. É uma reac­ção perante o reli­gi­oso, mas inter­vém naquilo que diz não exis­tir. Miguel Torga (que se dizia não crente) escre­veu no volume 14 do Diá­rio: «Deus. O pesa­delo dos meus dias. Tive sem­pre a cora­gem de O negar, mas nunca a força de O esque­cer».
    Este é um dos tópi­cos que nem livros como os de Sam Har­ris, Michel Onfray ou Richard Daw­kins con­se­guem esba­ter. Estão sem­pre a remeter-nos para Deus.
    Penso que qual­quer posi­ção neste campo tem de ser mar­cada pela aber­tura tanto mais que, como dizia Zubiri, o Homem é uma essên­cia aberta.
    E, para ter­mi­nar, gos­ta­ria de dei­xar uma pala­vra de Hans Kung (que, como sabe, está longe de ser um teó­logo ali­nhado com Roma): «Todas as objec­ções podem tor­nar ques­ti­o­ná­vel a exis­tên­cia de Deus, mas nenhuma torna inques­ti­o­ná­vel a sua ine­xis­tên­cia».
    Muita paz. Que Deus (em Quem acre­dito do fundo do meu ser) o aben­çoe. Até por­que Deus não existe só para mim, nem para os cren­tes. Existe para todos!

  8. Acho que está enga­nado. O que me impede de esque­cer dos deu­ses é a pre­sença da reli­gão nos que me rodeiam e fazem da sua fé inte­rior uma ques­tão publica. Á sem­pre alguem que teima em vir evangelizar-me. Enquanto hou­ver pregadores/missionários com a ideia que os outros são todos uns infiéis ao(s) seu(s) verdadeiro(s) deus(es), é com­pli­cado falar com alguém reli­gi­oso sem que este meta deus ao barulho.

    É como ten­tar expli­car o vega­nismo a um cató­lico. Vai sem­pre dar em deus. Mas não por meu raci­o­cí­nio. É sem­pre uma des­culpa pra fazer mal aos outros seres vivos.

    Em rela­ção a R.Dawkins, acho que tam­bém esco­lheu mal a pala­vra “remeter-nos”. O que ele faz é aler­tar para o perigo das reli­giões, exac­ta­mente o contrário.

    A Hel­der san­ches, peço des­culpa por tar a usar esta caixa de comen­tá­rios pra res­pon­der ao João Antó­nio. :D

  9. Não tens que pedir des­culpa. Os comen­tá­rios ser­vem mesmo para trocar-mos os nos­sos pon­tos de vista.

    Res­pon­dendo ao João Antó­nio, diria que existe um grande obs­tá­culo no escla­re­ci­mento da exis­tên­cia de deus. O pro­cesso pelo qual eu chego ao meu ateísmo não uti­liza as mes­mas pre­mis­sas que o crente utiliza.

    Como já referi várias vezes, o direito à fé reli­gi­osa está incluída nos direi­tos indi­vi­du­ais; quando alguém assume uma con­vic­ção deve de estar pre­pa­rado, antes de mais, para que outros assu­mam tam­bém — em igual liber­dade — con­vic­ções diferentes.

    O Jõao Antó­nio diz que sente deus todos os dias em todos os luga­res. E depois? O que é que isso prova? Que o João Antó­nio tem a capa­ci­dade de sen­tir? Sim. Que deus existe? Não!

    Mas, con­forme já disse várias vezes, e embora ache que o ónus da prova está do lado dos cren­tes, não espero encon­trar nenhuma prova em nenhum lado da exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de deus. Enquanto a pri­meira encon­tra as suas jus­ti­fi­ca­ções na fé, a segunda baseia-se na lógica, no raci­o­cí­nio. São incompatíveis.

    Obri­gado ao João Antó­nio pela visita.

  10. Caro Hel­der,

    aca­bei por vol­tar agora à ques­tão do ultimo debate inter­blo­gues. O livro do Den­nett dá uma res­posta Salo­mó­nica àsua questão.

  11. É curi­oso que eu farto-me de visi­tar este blog e nunca me agra­de­ce­ram a visita…
    ou peca­dos já são tan­tos que andas à pro­cura de confessor?

  12. És um invejoso…

  13. João Antó­nio,
    «Aceito que um ateu diga não que­rer estar mais perto de Deus, mas não posso dei­xar de pen­sar que Deus queira estar perto do Homem, de todo o Homem.»
    Há uma coisa que desejo escla­re­cer: os ateus não acre­di­tam que existe um deus, tal como acre­di­tam que não existe um Pai Natal, fadas ou papões. Não é ques­tão de que­rer ou não que­rer. Dizer a um ateu que Deus quer estar perto do homem, é o equi­va­lente a dizer que o Pai Natal quer dar presentes.

    «Em pri­meira ins­tân­cia, o ateísmo é sobre­tudo nega­ção do teísmo, ou seja, de um deter­mi­nado dis­curso sobre a divin­dade.»
    O teísmo não é ape­nas a crença na exis­tên­cia de deu­ses. Os deís­tas e pan­teís­tas não são teís­tas, e, con­si­de­rando a defi­ni­ção lata de ateísmo, são ateus.

    «Por outro lado, o ateísmo acaba por ser ten­den­ci­al­mente reac­tivo. É uma reac­ção perante o reli­gi­oso, mas inter­vém naquilo que diz não exis­tir.»
    A mai­o­ria dos ateus são pas­si­vos, sem se inte­res­sa­rem por reli­gião ou polí­tica. Além disso nas crí­ti­cas que os ateus em geral fazem, a ques­tão não está na crença de um deus em si.

    Já me dis­se­ram várias vezes algo como: “tenho a cer­teza abso­luta, mas não pen­sam pro­vas”. Se ape­nas a fé leva a crer num deus, então essa crença tem fun­da­ções muito frágeis.

  14. O Pedro disse: “… É com­pli­cado falar com alguém reli­gi­oso sem que este meta deus ao barulho.…”

    Acho par­ti­cu­lar­mente inte­res­sante quando dizes isto… Prin­ci­pal­mente quando estás num Blog de alguém que é Ateu, mas que por livre von­tade cria um blog para falar(mal ou bem) de Deus e cri­ti­car a sua existência.

  15. … Até por acho nor­mal que um reli­gi­oso fala de reli­gião… O que já não acho muito nor­mal é um ateu falar de Deus.

  16. O que eu não acho nor­mal mesmo são duas coisas:

    - Pri­meiro, que alguém acre­dite, DE FACTO, em qual­quer deus

    - Segundo, que alguém que diz acre­di­tar em deus per­der tempo num blog ateu sem dizer nada de interessante

    Estas coi­sas é que eu não acho nada normal.

  17. …Há muito que anseio por “falar” deste assunto, sem nunca ter encon­trado o local conveniente.

    Parece-me que o encon­trei. No entanto, por ser um TEMA tão vasto e pro­fundo, pelas limi­ta­çõs pes­so­ais e por achar que o pro­cesso de apre­en­ção de conhe­ci­men­tos é mais efi­caz quando lento, vou optar por dei­xar umas ideias para que os inte­res­sa­dos pos­sam, com tempo dige­rir e discutir.

    À luz das religiôes sou ateu mas sei que deus existe.

    Mas deus não é Aquele Senhor, branco, velhote, com ar pie­doso que mui­tos vêem por força das ima­gens que desde peque­nos nos impin­gem. Não é “físico”, para que pos­sa­mos ir para perto, ou estar longe dele; deus não é exte­rior às pessoas,deus é o estado de espí­rito de cada um de nós. Ou melhor, é o con­junto de con­cei­tos e vir­tu­des que cada um de nós con­se­guiu apre­en­der e jun­tar den­tro de si, que nos enri­quece e faz com que sai­ba­mos distn­guir o que é bom do que é mau e nos per­mite actuar, ao longo da nossa vida, de acordo com esses pricípios.

    À medida que cada vez mais pes­soas, esti­ve­rem imbuí­das dessa von­tade, pode­mos dizer que todas elas estão de acordo com deus; e isto não tem nada a ver com as reli­giões que pre­ten­dem ter a exclu­si­vi­dade dos bons prin­cí­pios, da bon­dade, da pie­dade, etc.

    Por hoje fico por aqui.

  18. Bom, apro­vei­tando as pala­vras do amigo ateu aí em cima a.branco, depende de que Deus temos falado aqui neste tópico, Deus nesse sen­tido pode ser enten­dido sob vários aspec­tos, eu entendo como aquilo que domina, que pre­en­che a maior parte de nossa breve exis­tên­cia aqui na Terra, ou será que aqui todos vivem equi­li­bra­da­mente a vida, sem alguma pre­fe­rên­cia que lhes faça dedi­car mais tempo, esfor­ços e outros sacri­fí­cios de sua vida para ter aquilo que acre­di­tam ser o melhor?

    Assim, um Deus pode ser o dinheiro, que mui­tos vivem para.

    Para outros, o vício, cigarro, dro­gas, sexo.

    Alguns, o pró­prio ego, viver para si, satisfazer-se a si mesmo.

    Exal­tar aquilo que dá mais valor.

    Para os Cris­tãos, acre­di­tam que devem pre­en­cher sua vida de Deus. E na Bíblia, está escrito que Deus é Amor, por­tanto, em tese, bus­cam viver cheios de Amor, exem­pli­fi­cado em Jesus, que deu sua vida para os amigos.

    Mas a per­gunta que se faz é, quan­tos cren­tes em cristo você viu por aí dando o san­gue por amor? Ou fazendo o mais sim­ples, dando a outra face para o ini­migo bater?

    Eu já ouvi rela­tos de alguns, prin­ci­pal­mente nos pri­mei­ros sécu­los da era cris­tão, bem como no coti­di­ano aqui da minha cidade, Belém, Pará, Amazônia, Brasil.

    Mas isso por si mesmo não é nada.

    O que seria então? A busca, cons­tante, pois pela fé, e espe­rança em Cristo, alcan­ça­re­mos o pleno e ver­da­deiro Amor.

    Desde já me peni­ten­cio perante Vos­sas Dou­tas Exce­lên­cias que estão a ler isso aqui, pela minhas sim­pló­rias pala­vras e tam­bém pela impos­si­bi­li­dade de poder demonstrar-lhes aqui pela fria tela do com­pu­ta­dor uma prova desse Amor, mas se que­rem saber de fato quem é Deus e como ele se mani­festa, sai­bam, que é o AMOR!

    Que o Amor, sem­pre esteja convosco!

    Amém!

  19. Li aten­ta­mente os diver­sos comen­tá­rios sobre ateísmo, e as diver­sas
    opiniôes, o que já se era de espe­rar por se tra­tar de um assunto tão
    polê­mico. Se as pes­soas estu­das­sem mais sobre as diver­sas religi–
    ôes, não have­ria tanta dis­cre­pân­cia, mas infe­liz­mente quan­tas se pres
    tam a ler um livro como “Deus, um delé­rio”, de Richard Daw­kins? Com
    cer­teza, pou­cas. Lutero, por exem­plo, dizia que para se ser um bom
    crente, teria que se arran­car os olhos da razão, ou seja, ser um mapin
    guari. Eu pre­firo ter o olho ZEN, que me afasta de reli­giões, o atraso da
    humanidade.

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