Práticas de boa gente

Já por diver­sas vezes fui sur­pre­en­dido nas cai­xas de comen­tá­rios pela visita de velhos ami­gos e conhe­ci­dos com quem, devido às vol­tas da vida, havia per­dido o con­tacto. O epi­só­dio mais recente acon­te­ceu com o Nuno Aze­vedo que eu já não vejo há algum tempo. Gos­tei que ele apa­re­cesse e comen­tasse. Gos­tei, tam­bém, de saber que ele encon­trou o seu lugar e des­co­briu nele lugar para as suas convicções.

O Nuno ter­mina um dos seus comen­tá­rios com a seguinte ideia que penso resu­mi­rem, de alguma forma, a sua postura:

Mais impor­tante para mim do que acre­di­tar ou não acre­di­tar é fazer o Bem, ser Humilde e ser Sério…basta isso para, acre­di­tando ou não, viver em comu­nhão com a men­sa­gem que me é trans­mi­tida pelo “meu” Deus.

Bem, não sei onde é que o Nuno encon­tra esses atri­bu­tos no “seu” deus. Não será cer­ta­mente na Bíblia. O Antigo Tes­ta­mento é fér­til em prá­ti­cas do Mal, Arro­gân­cia e Injus­ti­ças, onde a falta de res­peito pela vida humana é levada a extre­mis­mos doentios…

Note-se que eu con­cordo com a afir­ma­ção do Nuno; fazer o Bem, ser Humilde (q.b.) e ser Sério são vir­tu­des reco­men­dá­veis. Agora, não é pre­ciso nenhum deus no pro­cesso para se alcan­ça­rem esses valo­res. Basta ser bem for­mado, res­pei­tar o pró­ximo e ter noção dos limi­tes. Enfim, prá­ti­cas de boa gente.

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29. Outubro 2007 by Helder Sanches
Categories: Familia & Amigos, Religião | 3 comments

Comments (3)

  1. Sau­da­ções

    Caro Hel­der é ver­dade que há uma dife­rença bas­tante grande entre o Antigo e o Novo tes­ta­men­tos, é ver­dade tam­bem que nin­guem no seu per­feito juizo (e perdoem-me se estou a ser dema­si­ado arro­gante) acre­dita que Deus criou o Homem do barro e os ani­mai­zi­tos todos do barro, ha coi­sas na Biblia que se forem lidas lite­ral­mente podem e dão ori­gem a gran­des con­fu­sões. Eu não sou um Teo­logo, longe disso, por isso somente posso dar a minha opi­nao mto pes­soal, eu vejo essa dico­to­mia entre o AT e o NT como um evo­luir cog­ni­tivo, ha uma dife­rença de cerca de 1000 a 1500 anos (perdoe.me se errar) entre o ini­cio das escri­tu­ras e o ini­cio do Novo Testamento…em 1000 anos mta coisa muda…por exem­plo Por­tu­gal com a sua his­to­ria riquis­sima “somente” tem 800 anos mais coisa menos coisa.
    No ini­cio das escri­tu­ras tudo era resol­vido com guer­ras e violencia…depois com o Novo Tes­ta­mento ha uma evo­lu­çao (perdoem-me os Judeus) a Lei e Auto­ri­ta­rismo por vezes bar­baro do Antigo Tes­ta­mento é subs­ti­tuido pelo Amor incon­di­ci­o­nal que Jesus pregou…bom eu bem sei que ja depois disso exis­ti­ram as Cruzadas…a Inquisiçao…a Caça às Bruxas…enfim coi­sas que nada dig­ni­fi­ca­ram a Igreja mas a Igreja é feita de Homens e os Homens nao sao perfeitos…erram e mto, o impor­tante é apren­der com os erros…pedir.se per­dao e melho­rar e sin­ce­ra­mente gos­ta­ria de saber a sua inter­pre­ta­çao da posi­çao da Igreja ao longo dos tem­pos sobre estas coisas…porque mesmo visto de fora, e cren­ças de parte, parece.me que é inques­ti­o­na­vel que a Igreja tem vindo a redimir-se de alguns erros que foram come­ti­dos no pas­sado, mtos erros ainda sao cometidos…e outros esta­rao ainda por come­ter…
    Isto leva.nos à frase que foi trans­crita pelo Hel­der (sinto.me lison­je­ado) para mim, o que é ver­da­dei­ra­mente impor­tante é pra­ti­car o Bem, por edu­ca­çao isso foi.me trans­mi­tido e na Pala­vra de Deus vulgo Bíblia encon­trei o motor para o pra­ti­car mesmo quando me sinto “agre­dido” nao caindo em vin­gan­ças bara­tas etc. Sin­ce­ra­mente pouco ou nada me per­turba que as pes­soas o façam por terem sido assim edu­ca­das por agnos­ti­cos ateus cren­tes assim-assim…o que importa é que o pra­ti­quem.
    A unica coisa que afirmo é que na Igreja e na Biblia encon­tra­mos esse ensi­na­mento e é ai que vou beber ins­pi­ra­çao para pra­ti­car o Bem em toda e qual­quer situaçao…com uma res­salva importante…eu sou humano como qual­quer outro, logo erro…e as vezes bas­tante eheh.

    Um grande Abraço

    Paz e Bem!

  2. Nuno,

    Se do Antigo Tes­ta­mento para o Novo Tes­ta­mento existe um “gap” de 1500 anos que jus­ti­fica a evo­lu­ção do pen­sa­mento reli­gi­oso expresso na Bíblia, o que pode­rão jus­ti­fi­car os 2000 anos que nos sepa­ram do Novo Tes­ta­mento, tendo em conta que nos últi­mos 500 anos a velo­ci­dade do conhe­ci­mento humano atin­giu valo­res colos­sais se com­pa­ra­dos com o ritmo a que este era adqui­rido entre os dois Testamentos?

    Será que 1500 anos é tempo sufi­ci­ente para “sal­tar­mos do AT para o NT mas 2000 anos não são sufi­ci­en­tes para esque­cer­mos o NT e par­tir­mos para outra?

    Dizes que a Igreja se tem redi­mido dos erros come­ti­dos ao longo da His­tó­ria… Estás mesmo con­ven­cido que o faz volun­ta­ri­a­mente? Ou será pela pres­são do ridí­culo, cau­sado pelo evo­luir do pen­sar nas soci­e­da­des secu­la­res ocidentais?

  3. Sau­da­ções

    Pois nesse ponto onde ques­ti­ona se o terá feito volun­ta­ri­a­mente ou por neces­si­dade, tam­bem tenho as minhas duvi­das, sin­ce­ra­mente espero e de alguma forma estou con­ven­cido que será volun­ta­ri­a­mente pelo menos na maioria…se bem que por exem­plo no caso do pre­ser­va­tivo a mudança de posi­çao da Igreja para além de tar­dia foi noto­ri­a­mene insu­fi­ci­ente.
    Quanto ao par­tir­mos para outra esque­cendo o NT, ai ja nao par­ti­lho da sua opi­niao, no meu enten­der mais do que nunca o NT está actual na sua men­sa­gem, tal­vez nao na forma mas no con­teudo, sem duvida (no meu enten­der. Numa epoca em que o Amor ao pro­ximo e tal­vez mais triste…o Amor (no sen­tido mais abran­gente e universal)a nós pro­prios e à nossa huma­ni­dade está em des­cida abrupta, penso que uma lei­tura atenta e des­pro­vida de pre­con­ceito do NT mos­tra­ria uma porta (entre mui­tas outras que acre­dito exis­ti­rem) para uma re-humanizaçao da Humanidade.

    Grande Abraço

    Paz e Bem!

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