Noves fora… nada!

dogmatix.gifA fé per si não é o que mais me sur­pre­ende na crença reli­gi­osa. O que mais me custa a enten­der é como é que os cren­tes não se inter­ro­gam sobre a mul­ti­pli­ci­dade de cren­ças exis­ten­tes por esse mundo fora. Vou aqui con­ce­der — tal­vez dema­si­ado — o flanco e par­tir do prin­cí­pio que todos os cren­tes o são con­vic­ta­mente, com a melhor e mais honesta das intenções.

Como é que essa hones­ti­dade não os leva a interrogarem-se sobre a plau­si­bi­li­dade da sua crença face à exis­tên­cia de outras? Veja­mos, agar­re­mos em dois cren­tes de quais­quer duas reli­giões; um deles estará, neces­sa­ri­a­mente,  enga­nado! Como esta con­fron­ta­ção é válida para quais­quer duas reli­giões que se esco­lham, não é muito mais pro­vá­vel esta­rem todas erradas?

Ten­tei expli­car este raci­o­cí­nio à minha filha mais nova quando ela ainda tinha ape­nas 7 anos e ela per­ce­beu. Como é que gente cres­cida não entende?

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  5. E então, nada!

22. Outubro 2007 by Helder Sanches
Categories: Ateísmo | 4 comments

Comments (4)

  1. Mas como é que você se per­mite dar por adqui­rido que “os crentes”,assim gene­ri­ca­mente con­si­de­ra­dos como uma massa humana indiferenciada,“não se inter­ro­gam sobre a mul­ti­pli­ci­dade de cren­ças exis­ten­tes por esse mundo fora” ?
    E em que car­ti­lha aris­to­té­lica é que você leu isso ?
    E o que lhe permite-você que tanto se diz insur­gir con­tra cri­té­rios de ava­li­a­ção moral-duvidar das con­vic­ções alheias,em maté­ria de ade­sões religiosas,ao ponto de ter que con­ce­der mag­nâ­ni­ma­mente o flanco do bene­fí­cio da dúvida ?
    Você alguma vez fez no seu blo­gue pro­ces­sos de inten­ção sobre as con­vic­ções ateís­tas de todos os ateus que nelas se revêem ?
    Cada um acre­dita no que quer e no que acha mais logi­ca­mente con­vin­cente.
    A mim,por exemplo,o Isla­mismo não me convence,mas res­peito quem,sem fun­da­men­ta­lis­mos terroristas,aderiu a essa reli­gião.
    Do Budismo,religião intrin­se­ca­mente ateísta,respeito e admiro a ênfase na ver­tente da Bon­dade Humana,e acre­dito logi­ca­mente na teo­ria da reen­car­na­ção.
    Do Hinduismo,revejo-me na noção divina panteísta,contida no Bhagavad-Ghita.
    No Zen e no Taoismo,admiro a busca inces­sante do Conhecimento,por via da intros­pec­ção inte­rior.
    O seu raci­o­cí­nio é abso­lu­ta­mente fala­ci­oso, Helder,na parte em que pre­tende con­cluir a pro­ba­bi­li­dade de todas as reli­giões esta­rem erradas,quando não tem que exis­tir uma só ver­são religiosa,redutora da rea­li­dade.
    Você pro­va­vel­mente acha lógico que exista um Uni­verso sem uma causa primordial,a que eu chamo Deus.
    Eu não acho.Estou con­victo de que a forma mais raci­o­nal­mente lógica de con­ce­ber a Vida é admi­tir a coe­xis­tên­cia de um prin­cí­pio Abso­luto com um prin­cí­pio Rela­tivo.
    Cada um terá a sua Verdade.E já agora,se você quer colo­car as coi­sas tal como as equaciona,entre um teísta e um ateísta,um dos dois está certo e outro errado.
    Pois que existe Deus ou não existe.
    Eu estou con­victo de que estou certo.Você tam­bém.
    Mas um de nós está errado…

  2. Carís­simo Hel­der e demais par­ti­ci­pan­tes neste tão intelc­tu­al­mente esti­mu­lante blog, devo dizer que estou deve­ras inte­res­sado nele.
    Cá estou eu de novo, bom pas­sando ao tema.
    Hel­der eu até con­cordo con­sigo quando diz que os “cren­tes” não se inter­ro­gam sobre as dife­ren­tes reli­giões, o pro­blema é exac­ta­mente esse, nao gene­ra­li­zando há mto boa gente que acaba por dizer que sim sem saber ao que vai nem como vem…isso para mim é uma lacuna que, par­ti­cu­lar­mente a minha Igreja (enquanto pedras vivas) deve­ria com­ba­ter viva­mente. Reli­giões como as vejo há 4…3 delas acre­di­tam e pro­fes­sam o mesmo Deus, tanto o Judeismo como o Cato­li­cismo como o Isla­mismo pro­fes­sam o mesmo Deus e em todos os livros sagra­dos esse mesmo Deus apa­rece da mesma forma. A Biblia e o Corao par­ti­lham senao uma trans­cri­çao pelo menos uma adap­ta­çao fide­digna do Antigo Tes­ta­mento com a Tora, a dife­rença da-se quando o Cris­ti­a­nismo surge, Todos os Cris­tão pri­mor­di­ais eram Judeus…o pro­prio Jesus era Judeu. Ele pro­prio disse que não vinha para mudar a lei mas para a tor­nar per­feita, no sen­tido de jun­tar a men­sa­gem de amor para com o pro­ximo à ideia de jus­tiça (por vezes cega) que domi­nava o Judeismo de entao. No Corão fala-se de Jesus, como sendo um dos mais impor­tan­tes pro­fe­tas, a linha que nos (Cato­li­cos) separa dos Muçul­ma­nos não é mais espessa que um fio de pesca. Budismo para mim é uma Ide­o­lo­gia mais do que uma reli­giao (com o maior res­peito e admi­ra­çao) o Hin­duismo esse sim é noto­ri­a­mente dife­rente ate pelo facto de ser a unica reli­giao poli­teista.
    Por­tanto as dife­ren­ças nao sao assim tan­tas, os que as torna mai­o­res é a igno­ran­cia e pior do que a igno­ran­cia é o como­dismo das pessoas…nao ha nada que diga que nao pode­mos ques­ti­o­nar, pelo con­tra­rio ques­ti­o­nar é fun­da­men­tal para se com­pre­en­der ou pelo menos ten­tar com­pre­en­der em que acre­di­ta­mos e prin­ci­pal­mente por­que é que acreditamos.

    Isto e perdoem-me a com­pa­ra­çao é como nos par­ti­dos poli­ti­cos, à par­tida e ino­cen­te­mente falando :) , todos eles que­rem o melhor para o povo, mas cada um tem a sua maneira de ver as coi­sas. Claro que na reli­giao acaba por ser um assunto mais deli­cado por­que envolve outras coi­sas que nao sao tao line­a­res quanto isso.

    Paz e Bem

    Abraço

  3. Pingback: Os crentes interrogam-se? Pois, também me parece que sim: têm dúvidas e enganam-se. Pelo menos alguns. « Naturalmente, não sei…

  4. Caro Antó­nio,

    Você con­funde vari­a­dís­si­mas coi­sas no seu comen­tá­rio.
    Mas, vamos por partes:

    Mas como é que você se per­mite dar por adqui­rido que “os crentes”,assim gene­ri­ca­mente con­si­de­ra­dos como uma massa humana indiferenciada,”não se inter­ro­gam sobre a mul­ti­pli­ci­dade de cren­ças exis­ten­tes por esse mundo fora” ?”

    Como deve cal­cu­lar, não tenho nem tempo nem conhe­ci­mento de causa para me refe­rir a cada um dos biliões de cren­tes exis­ten­tes no mundo. Por isso, tenho mesmo que me refe­rir a eles como “uma massa humana indi­fe­ren­ci­ada”! Se o Antó­nio não se revê nas cri­ti­cas ainda bem para si.

    Cada um acre­dita no que quer e no que acha mais logi­ca­mente convincente.”

    Esta frase tem duas afir­ma­ções ver­da­dei­ras mas que se con­tra­di­zem se uti­li­za­das em con­junto. “Acre­di­tar” não pres­su­põe um pro­cesso de lógica. Fosse reti­rada a pala­vra “logi­ca­mente” e eu con­cor­da­ria con­sigo. Assim, não posso.

    Você pro­va­vel­mente acha lógico que exista um Uni­verso sem uma causa primordial,a que eu chamo Deus.
    Eu não acho.Estou con­victo de que a forma mais raci­o­nal­mente lógica de con­ce­ber a Vida é admi­tir a coe­xis­tên­cia de um prin­cí­pio Abso­luto com um prin­cí­pio Relativo.”

    A ques­tão não é tão somente o que cada um de nós acha mas sim por­que acha… Você acha por­que acre­dita, por­que tem fé. Eu não acho por­que não encon­tro nenhuns indí­cios. Nem eu nem ninguém!

    Cada um terá a sua Verdade.E já agora,se você quer colo­car as coi­sas tal como as equaciona,entre um teísta e um ateísta,um dos dois está certo e outro errado.
    Pois que existe Deus ou não existe.
    Eu estou con­victo de que estou certo.Você tam­bém.
    Mas um de nós está errado…”

    Isso eu já sabia.

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