Uma prenda para um amigo

Tenho um amigo que assume fron­tal­mente (e muito bem) o seu cris­ti­a­nismo e a sua homos­se­xu­a­li­dade. Ele está quase a fazer anos. Acho que vai gos­tar desta prenda.

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21. Outubro 2007 by Helder Sanches
Categories: Humor, Religião | 33 comments

Comments (33)

  1. Ofe­re­cer a um amigo e cristão,como prenda de aniversário,um dildo com a sim­bo­lo­gia do mar­tí­rio de Cristo é não ter a menor noção do sen­tido intrín­seco da Ami­zade e do res­peito que é devido às con­vic­ções ímti­mas de cada um…

  2. Esse é o con­solo que o Antônio usa a noite no quarto?

  3. Cris­ti­ano,

    Deixe lá as noi­tes do Antó­nio em paz, isso é lá com ele.

    Antó­nio,

    Aos ami­gos oferece-se aquilo que sabe­mos que eles irão gos­tar, não as coi­sas de que nós pró­prios gos­ta­mos. Pelo vis­tos, você está con­ven­cido que só existe uma forma de ser cris­tão. Eu, neste caso, acho que você está enga­nado. Depois conto-lhe as mani­fes­ta­ções de satis­fa­ção do meu amigo.

    Não deixa de ser curi­oso, no entanto, que você volte a fazer juízo de valor sobre a ami­zade e o res­peito entre ter­cei­ros. Começa a ser pre­o­cu­pante essa sua obses­são em jul­gar os outros pelos seus padrões morais.

  4. Ah…agora temos o Cris­ti­ano a tirar as dores pelo Helder.Quer con­versa é Cris­ti­ano ? Está-se mesmo a ver que você não enten­deu rigo­ro­sa­mente nada do meu pri­meiro comentário,senão não se punha a ter­gi­ver­sar para cami­nhos ínvios ao sen­tido da minha inter­ven­ção.
    Olhe,porte-se bem e deixe-me a deba­ter com o Hel­der aquilo que tem a ver com a nossa conversa,que já é sufi­ci­en­te­mente cres­cido para não pre­ci­sar de apoios de circunstância.

    Agora,entre nós Helder:

    Se você coloca tex­tos para serem comentados,não tem que se quei­xar que os comen­ta­do­res comen­tem os seus textos,em con­for­mi­dade com os jui­zos lógicos(e tam­bém morais,porque não ?) que deles se extraem.
    Ou você acha que pode debi­tar dis­cur­si­va­mente tudo o que lhe passa pela real gana sem que haja dicussão,contraditório e diver­gên­cia de posi­ções éticas e morais ?
    Como sabe,e você não é nenhum inocente,todos afe­ri­mos os com­por­ta­men­tos huma­nos e soci­ais pelos nos­sos padrões éticos e você não é excepção.Faz exac­ta­mente o mesmo.
    No caso a que me reporto,você faz-me lem­brar aque­les meni­nos da escola que lan­çam pedras para atin­gir des­ti­na­tá­rios ter­cei­ros e depois fin­gem que não é nada com eles,ficando o sacros­santo ou pro­fano tempo a asso­biar para o ar,com ati­tude muito cân­dida.
    Poupe-nos a isso ó Helder…

  5. Ai Antó­nio, António,

    Você comente os meus tex­tos à sua von­tade mas não se bara­lhe nem tente bara­lhar que não lhe fica bem.

    Você fala de juí­zos lógi­cos e morais como se de lega­li­da­des se tra­tas­sem. Pois fique a saber que não são. Nenhum valor é cen­su­rá­vel se não infrin­gir a lei. E, como deve cal­cu­lar, não é à lei de deus que me refiro.

    Você pode esco­lher o seu cami­nho, seja ele qual for, desde que seja um cami­nho legal, mas não o pode nem deve ten­tar impor aos outros.Isso é muito feio e pouco reco­men­dá­vel; cer­ta­mente não gos­ta­ria de se ver obri­gado a viver pelos meus padrões morais. E, repare, que tam­bém não valo­rizo a mora­li­dade, ape­nas a dife­ren­cio. A sua con­duta moral não é nem melhor nem pior que a minha e vice-versa. Serão dife­ren­tes apenas.

    Repare, essa é a essên­cia da minha forma de enca­rar o ateísmo; não defendo a ani­qui­la­ção das reli­giões, ape­nas luto para que elas sejam um acon­te­ci­mento pri­vado para quem as pro­fes­sar. Parece-me que você ainda não tinha enten­dido isso ou, sim­ples­mente, não quis entender.

  6. Você é mes­tre na arte de obnubilar,meu caro Helder.Tem pas­sado todo o tempo do seu blo­gue a arre­me­ter invec­ti­vas con­tra sen­ti­men­tos reli­gi­o­sos respeitáveis,desde,que me lembre,o momento em que se diri­giu a Maria de Belém como “vir­gem con­cum­bina” até agora,em que achou apropriado,fazer piada com a exi­bi­ção de um dildo,incorporando a ima­gem de Cristo.
    E depois acha estranho-espanto dos espantos-que alguém se insurja con­tra essa atitude,a meu ver,desrespeitosa e ofen­siva des­ses sen­ti­men­tos.
    Curi­osa a sua dia­léc­tica “demo­crá­tica”.
    Ima­gine que,por exemplo,o Hel­der observa alguém uri­nando sobre a campa de algum ente que­rido.
    (E,convenhamos,que uri­nar é um acto tão natu­ral quanto o sexo…)
    Que diria a tão insóita per­so­na­gem ?
    “Faça favor,esteja à vontade,que eu não tenho o direito de impor as minhas con­cep­ções morais ou os meus sen­ti­men­tos a quem se deter­mina por outros pres­su­pos­tos de vida ?“
    Ou ima­gine que alguém se lem­bra de cons­truir um dildo com a ima­gem da sua filha ?
    Vai dizer ao autor de tão estra­nho arte­facto que “faça favor de estar des­can­sado que eu não vou invectivá-lo com a sus­cep­ti­bi­li­dade dos meus sen­ti­men­tos ?“
    Pois é,não faças aos outros aquilo que não gos­ta­rias que te fizes­sem a ti é um bom cri­té­rio para afe­rir­mos o que é justo ou não é ?
    Ou você discorda ?…

  7. Diz o António:

    Pois é,não faças aos outros aquilo que não gos­ta­rias que te fizes­sem a ti é um bom cri­té­rio para afe­rir­mos o que é justo ou não é ?”

    Não, não é. Isso é ape­nas um cri­té­rio para você jus­ti­fi­car a impo­si­ção dos seus cri­té­rios morais aos outros.

    Não faças aos outros aquilo que eles não que­rem que lhes façam”, essa é que deve­ria ser a regra que você deve­ria apre­goar como justa e demo­crá­tica. Faça um exer­cí­cio e veri­fi­que se o mundo não seria mais feliz assim, sem as cons­tan­tes ten­ta­ti­vas de impo­si­ção de mora­li­da­des alheias.

    Claro que, uma vez mais, você pre­fe­riu esque­cer com­ple­ta­mente aquela parte em que eu falei de ser legal ou não. Pura e sim­ples­mente igno­rou essa minha obser­va­ção como se não tivesse impor­tân­cia nenhuma.

    Mas vamos a este caso con­creto; se eu me ori­en­tasse pela sua regra, nunca ofe­re­ce­ria este dildo — ou qual­quer outro, de facto — ao meu amigo. Mas, por­que sei que ele gos­tará, tem sen­tido de humor e pro­va­vel­mente lhe dará bom uso (como ele enten­der), acho, por­tanto, que é uma exce­lente lembrança.

  8. Quer a minha opi­nião ? Pois aí a tem:Os tri­bu­nais é que estão em con­di­ções de dizer se a exi­bi­ção pública de um dildo con­tendo a cru­ci­fi­ca­ção de Cristo se enqua­dra ou não no crime de ofensa a sen­ti­men­tos religiosos,que a nossa Lei prevê.Mas,em minha opinião,ainda que se enquadre,estou con­victo que Cristo rejei­ta­ria em abso­luto que fosse apre­sen­tada qual­quer queixa por esse facto.É essa a supe­ri­o­ri­dade moral do Seu legado ético.
    Quanto ao mais,já esta­mos conversados.Você adora imiscuir-se,por vezes,de forma vem grosseira,na ati­tude religiosa,que só a cada um diz respeito,mas fica todo melin­drado quando alguém o põe em cheque…

  9. Pingback: O que fazer aos outros? : Helder Sanches

  10. O Antó­nio quer papi­nha… quer, quer!…

  11. Olha,mais um Malamen,em jeito de asses­sor de ser­viço do Helder…Só é pena limitar-se a uma vacui­dade de linguagem,que nada adi­anta para a controvérsia.

    Quanto a si Helder,fico na expec­ta­tiva de que você queira dizer qual a posi­ção que assu­mi­ria se,em rela­ção à prenda que se pro­pu­nha ofe­re­cer ao seu amigo,no dildo estivesse,em vez da cruz de Cristo,a figura de qual­quer dos seus entes que­ri­dos ou você próprio…

  12. Caro Antó­nio, faça um favor à comu­ni­dade cristã deste país e deixe de ser picui­nhas e mes­qui­nho. Sou cris­tão, cató­lico e pra­ti­cante, pois sinto que há mais na vida do que ser ape­nas um amon­to­ado de célu­las orgâ­ni­cas, mas isso não sig­ni­fica que tenho de andar armado em nariz empi­nado a ame­a­çar e a ten­tar con­tro­lar a vida dos outros.

    Como já disse, sou cató­lico pra­ti­cante, mas não aceito de mão bei­jada tudo o que sai do Vati­cano. Tenho as minhas pró­prias ideias, como por exem­plo uma real igual­dade entre os homens e as mulhe­res, coisa que a Igreja actual não pro­move. Sou cató­lico pra­ti­cante, mas tam­bém sei ver que há fal­sas ver­da­des que devem ser com­ba­ti­das no seio da Igreja.

    Que­re­mos ambos o melhor para os irmãos de Cristo, que são todos, quer o acei­tem ou não como irmão, não é verdade?

  13. Caro Hél­der, embora sem conhe­cer o seu amigo, “nem a ti pes­so­al­mente”, acho que é a prenda ideal que um ateu pode for­ne­cer a um amigo seu cris­tão e homo­se­xual. Para além da ori­gi­na­li­dade evi­dente, e reti­rando outros tra­ços de per­so­na­li­dade pes­so­ais, um dildo cris­tão é de facto uma ideia ori­gi­na­lís­sima perante duas pes­soas com par­ti­lha de vivên­cias dife­ren­tes. Rela­ti­va­mente aos comen­tá­rios aqui dei­xa­dos, tais como “Ima­gine que,por exemplo,o Hel­der observa alguém uri­nando sobre a campa de algum ente que­rido.”, ape­nas posso dizer… wtk?

    Existe uma liga­ção entre dil­dos com for­mas de ico­no­gra­fias reli­gi­o­sas e uri­na­ção em cam­pas? Deve ser con­se­guida a liga­ção por um cami­nho incri­vel­mente sinu­oso… Parece exis­tir algu­res uma cen­te­lha de ódio. À homo­se­xu­a­li­dade? À irre­li­gi­o­si­dade? Aos dil­dos? Ao sexo em geral? Escri­tas tor­tas em linhas direitas…

    Cum­pri­men­tos.

  14. Caro Zeca,continue a pen­sar pelas suas pró­prias ideias e,se acha que o assunto que debatemos,não merece qual­quer cen­sura e indignação,como cató­lico e pra­ti­cante, assuma-se ‚mas faça-me você o favor de não se arvo­rar em juiz da minha cons­ci­ên­cia quando eu enten­der que devo assu­mir as posi­ções crí­ti­cas que muito bem entender.

  15. Parece exis­tir uma cen­te­lha de ódio”,mas só na sua cabe­ci­nha Bruno.Vê-se mesmo que não enten­deu nada de subs­tan­ci­al­mente relevante…Palavras ocas…

  16. Caro Antó­nio, se acha que eu não me devo arvo­rar em juiz da sua cons­ci­ên­cia, por que é que tenta tanto arvorar-se em juiz da cons­ci­ên­cia dos outros?

  17. Van­ta­gem do Zeca…

  18. Está muito enga­nado Zeca.Se você se der ao tra­ba­lho de ler aten­ta­mente os meus comentários,verá que me limi­tei a insurgir-me con­tra o facto de não ter apre­ci­ado que o Hel­der tivesse,de forma que achei gros­sei­ra­mente ofen­siva de res­pei­tá­veis sen­ti­men­tos de reli­gi­o­si­dade cristã,divulgado um dildo com a ima­gem de Cristo cru­ci­fi­cado.
    Até agora,o Hel­der não se dig­nou res­pon­der às ques­tões inter­pe­la­tó­rias que lhe colo­quei.
    O silên­cio dele é eloquente(limitando-se a este aparte de soli­da­ri­e­dade consigo,de “juiz” em causa própria,“independente”,da suposta “Van­ta­gem do Zeca”…)
    Você tem todo o direito de,enquanto cristão,católico e praticante,achar muuto bem a divul­ga­ção do dito dildo,nas con­di­ções de figu­ra­ção em que o mesmo se apre­senta.É a sua opinião.A minha é dife­rente.
    Você não se arvora em juiz de cons­ci­ên­cias alheias quando nada objecta a tal divul­ga­ção.
    Nem eu.Limito-me a manifestar,tal como o Zeca,a minha opi­nião de cida­dão livre.
    Pelos vistos,muito dis­tinta das que vie­ram agora à liça em apoio da ati­tude do Zeca.
    Os actos ficam com quem os assume.Eu fico de cons­ci­ên­cia tra­quila ao mani­fes­tar a minha indig­na­ção.
    Espero que você tam­bém fique tran­quilo com a sua ‚de cida­dão livre,cristão e cató­lico pra­ti­cante.
    Mas poupe-me à ati­tude cen­só­ria de con­di­ci­o­nar a minha auto­mo­nia de von­tade crí­tica.
    Que já sou sufi­ci­en­te­mente cres­ci­di­nho para pen­sar por mim,ainda que isso sig­ni­fi­que estar sozi­nho a defen­der os valo­res éticos em que acredito.

  19. Pelos vistos,muito dis­tinta das que vie­ram agora à liça em apoio da ati­tude do Helder”,quis eu dizer…

  20. Caro Antó­nio,

    “Parece exis­tir uma cen­te­lha de ódio”,mas só na sua cabe­ci­nha Bruno.Vê-se mesmo que não enten­deu nada de subs­tan­ci­al­mente relevante…Palavras ocas…”

    Tanto quanto as suas, con­fun­dir ico­no­gra­fias com pes­soas é exces­si­va­mente oco e deve­ras demons­trante de uma fraca cog­ni­ção da con­cre­tude das coi­sas. O meu comen­tá­rio supõe o conhe­ci­mento (cul­tura geral) das dife­ren­ças entre ico­no­gra­fias, ido­la­trias e Seres Huma­nos. Sim­ples, clarividente.

    Cum­pri­men­tos.

  21. Caro Antó­nio, nin­guém é con­tra o seu direito de mani­fes­ta­ção de opi­nião. Peço-lhe é que não seja con­tra o direito de mani­fes­ta­ção de opi­nião dos outros. Acima de tudo, com­pre­enda o local em que está, a «casa» de um ateu que gosta, entre outras coi­sas, de pro­vo­car, de cha­mar a aten­ção atra­vés do cha­mado «shock-value». E você con­ti­nua a mor­der o isco.

    Não pense que estou a defen­der o autor deste blog, pois não estou. Sim­ples­mente acho que ele está no seu direito demo­crá­tico (e tam­bém cris­tão!) de divul­gar as suas ideias no seu espaço pes­soal. Perdoe-lhe, caro Antó­nio, pois decerto que o que ele faz não faz por mal. Tenha pena dele, tal como Cristo, e não cometa o pecado da soberba.

  22. Oh meu Deus,onde isto vai…Bem que ten­tei apelar-lhe para não pros­se­guir com a ten­ta­tiva de ser juiz cen­só­rio da minha consciência,como infiro da suges­tão de não come­ter “o pecado da soberba”.Em verdade,o que está aqui em causa,caro Zeca,é mesmo o facto de ter mani­fes­tado o meu sin­gu­lar direito de opi­nião con­tra a ten­dên­cia domi­nante de opi­niões do blo­gue do Hel­der.
    Se ele ape­lida a Mãe de Jesus de “vir­gem con­cu­bina” ficam todos calados.Se ele goza com o acto da comunhão,no texto sobre a ASAE,ficam todos calados.E se eu me insurjo con­tra o texto cho­car­reiro do dildo,contendo a ima­gem de Cristo crucificado,aqui d´El Rei que cometi uma grande heresia,porque,pá-ta-ti,pá-ta-ti,estou a ser “mora­lista” e não sei que mais.(Claro que agora não fica­ram todos cala­dos…)
    O Hel­der tem o direito de divul­gar as suas ideias no seu blogue,aberto aos comen­tá­rios da comu­ni­dade ciber­náu­tica, pre­fe­ren­ci­al­mente acom­pa­nhado por todos os seus ami­gos e “yes men”.Por isso,fiquem todos muito bem,divirtam-se a rodos com os pró­xi­mos epi­só­dios do “schok-value” e sejam imen­sa­mente felizes.

  23. E,quanto a você Bruno,bote lá aqui a sua cla­ri­vi­dên­cia que o que este blo­gue está mesmo a pre­ci­sar é da sua forte cog­ni­ção da con­cre­tude das coisas…

    P.S.Cheguei ao fim da linha Helder.E devo-lhe uma pala­vra sin­cera de apreço pela forma como,apesar da fron­ta­li­dade das nos­sas posições,me rece­beu no seu blogue.Sem ressentimentos,desejo-lhe as mai­o­res feli­ci­da­des pessoais.

  24. Caro Antó­nio,

    Feli­ci­da­des para si tam­bém. Será sem­pre bem vindo a este espaço. Ao con­trá­rio do que insi­nuou, alegra-me muito mais a con­fron­ta­ção franca e cor­dial com a opo­si­ção do que ficar ape­nas rode­a­dos de “yes-men”, uti­li­zando a sua terminologia.

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  26. Muito sur­pre­en­dido fiquei com este clima de ten­são, dito sau­dá­vel, que aqui se pro­du­ziu. Fiquei tam­bém con­tente por ver que as pes­soas que visi­tam este blog se esfor­çam seri­a­mente por adu­zir a sua argu­men­ta­ção de forma lógica, coe­rente e sis­te­ma­ti­zada (e sem mui­tos erros orto­grá­fi­cos). Muito bem!
    Ape­sar de eu tam­bém ser amigo do Hel­der e de, tal como ele, me con­si­de­rar ateu, acho que esta dis­cus­são teve ori­gem, “ab ini­tio” num erro de jul­ga­mento do caro Antó­nio. Não pense o Antó­nio que vou aqui jul­gar os seus valo­res morais,axiológicos ou de cons­ci­ên­cia pes­soal. Isso seria reto­mar uma dis­cus­são que já deu o que tinha a dar.
    Mais uma vez con­gra­tulo o Hel­der por se ter empe­nhado da forma que o fez e de ter con­se­guido “atrair cli­en­tela” de muito valor e que enri­quece cer­ta­mente este espaço.
    Ao Antó­nio tenho somente um reparo a fazer: vi nas suas pau­la­ti­nas argu­men­ta­ções ter­mos que, pela sua natu­reza, estão liga­das ao campo do Direito. No entanto, não me parece que seja Jurista. O Antó­nio, antes de fazer refe­rên­cia ao crime de ofensa aos sen­ti­men­tos reli­gi­o­sos, pre­visto no art. 251º do Cód. Penal, deve­ria estu­dar um pouco a lição. E não estou aqui a que­rer ofendê-lo de qual­quer forma. Decerto que folheou o Cód. Penal e leu bem o nor­ma­tivo supra apon­tado. No entanto, o Direito Penal tem muito mais do que os lei­gos pen­sam, há uma série de ele­men­tos cons­tan­tes do que se chama de Dog­má­tica Penal (tam­bém conhe­cida como Teo­ria da Infrac­ção Cimi­nal) que são con­di­ção “sine qua non” para que a acção de um agente cri­mi­nal seja enqua­drada num tipo de crime, logo que ele possa ser punido por essa con­duta.
    Asseguro-lhe, caro Antó­nio, que a prenda do Hel­der para o amigo, muito menos a publi­ca­ção da ima­gem a que me refiro, nunca poderá cons­ti­tuir crime de ofensa aos sen­ti­men­tos reli­gi­o­sos.
    Sabe, Antó­nio, na Facul­dade de Direito, logo no pri­meiro ano, faz-se uma dis­tin­ção muito impor­tante entre três Ordens: a Ordem Jurí­dica, a Ordem Moral e a Ordem Reli­gi­osa. Obvi­a­mente não vou aqui expla­nar os ele­men­tos que as dis­tin­guem. Ape­nas quero com isto dizer que nem tudo o que parece é e que a rea­li­dade pode ser vista por dife­ren­tes e vari­a­dos pris­mas. Cabe somente às pes­soas serem asser­ti­vas e cla­ri­vi­den­tes o sufi­ci­ente para pode­rem ceder em alguns pon­tos de vista, obvi­a­mente sem pre­te­rir da essên­cia da sua posi­ção. E obvi­a­mente isso sig­ni­fica ter a capa­ci­dade de acei­tar o humor,bem como a iro­nia, ainda que como forma de mani­fes­ta­ção de opi­niões con­trá­rias.
    Acho que o Antó­nio não tem essa capa­ci­dade, mas isto é ape­nas um ponto de vista, não me leve a mal.
    Em jeito de con­clu­são, acho que o empate era justo. Mas parece que os Ateus ganha­ram em casa. :)

    Post Scrip­tum: caro Antó­nio, em caso de ser Jurista (não vá eu jul­gar erra­da­mente alguém) sugiro que pegue nos livros de Intro­du­ção ao Direito, bem como nos manu­ais de Direito Penal.

    Post Scrip­tum II: E, nobi­lís­simo Antó­nio, não pense que por eu ter uma ami­zade com o Hel­der vou por isso dei­xar de ter opi­nião pró­pria. Sabe ele muito bem que quando não con­cordo com algo da parte dele digo logo muito fron­tal­mente e de forma bas­tante coe­rente, excepto a par­tir das duas da manhã :D

  27. O Manel cer­ta­mente não igno­rará que em maté­ria de Direito Penal,as visões inter­pre­ta­ti­vas sobre o que é crime ou não é variam con­so­ante as ava­li­a­ções de her­me­nêu­tica jurí­dica que os tri­bu­nais vão produzindo,caso a caso.Por isso,se você se entre­gar à medi­ana aten­ção de ler o meu comen­tá­rio de 22 de Outubro,não lhe será difi­cil verificar,sem neces­si­tar de se socor­rer de qual­quer ele­men­tar manual de inter­pre­ta­ção tex­tual, que,em nenhum momento,enunciei o meu entendimento,que,contudo o tenho,sobre a con­duta do Helder,que moti­vou esta longa dialéctica.Não me venha agora você arvorar-se em tutor em maté­ria de Direito Penal,pois sei o sufi­cente para afe­rir que o Direito não é uma ciên­cia exacta e das suas lições alta­nei­ras e de pro­sá­pia autoconvencida,não careço.
    E,já agora,em jeito de remate final,o Hel­der já é sufi­ci­en­te­mente cres­cido para não neces­si­tar de tan­tos ami­gos a acudi-lo…

  28. Caro Antó­nio,

    Já não é a pri­meira vez que você se insurge com o facto de outros comen­ta­do­res acha­rem que eu tenho todo o direito de ofe­re­cer aos meus ami­gos aquilo que eu muito bem enten­der. Se alguns são ape­nas comen­ta­do­res do blog — aos quais eu agra­deço a visita, tal como a si — outros são, de facto, ami­gos meus no mundo real. Espanta-lhe que eu os tenha? Por­que sou ateu ou então porquê? Deixe-se de dema­go­gias… Ou estava à espera que isto fosse ape­nas um diá­logo entre nós dois? Até parece que acre­dita em mila­gres, Antó­nio! ;)

  29. Não me espanto que você tenha amigos.Nem me espanto que,no caso ver­tente do Manel,ele tenha sen­tido neces­si­dade de o defen­der de um crime,de que não o acusei,fazendo-o de uma forma alta­neira e de pro­sá­pia autocovencida,procurando absolvê-lo de algo de que o Hel­der nem sequer é arguido.Tenho a minha opi­nião pró­pria sobre o que pode repre­sen­tar crime con­tra sen­ti­men­tos reli­gi­o­sos mas é assunto que não me ape­tece expla­nar aqui.Você,apesar das nos­sas divergências,merece-me sim­pa­tia sincera,vá lá o Diabo saber porquê.Se eu acre­dito em mila­gres ? Isso não é per­gunta que se faça logi­ca­mente a um teísta.É o mesmo que per­gun­tar a um ateu se acre­dita em Deus…

  30. Obvi­a­mente, o Antó­nio não me conhece. Logo, tam­bém não deve­ria pre­su­mir que o faz, por­quanto tais pre­sun­ções são facil­mente ili­dí­veis.
    Quanto à maté­ria de Direito, mais uma vez o Antó­nio pre­su­miu (mal, mais uma vez) que eu esta­ria a defen­der o Hel­der. Se o Antó­nio se der ao tra­ba­lho de ver alguns posts mais anti­gos verá que cos­tumo elu­ci­dar os lei­to­res deste blog sem­pre que existe uma ou outra maté­ria jurí­dica. Não para defen­der ou dei­xar de defen­der quem q

  31. Obvi­a­mente, o Antó­nio não me conhece. Logo, tam­bém não deve­ria pre­su­mir que o faz, por­quanto tais pre­sun­ções são facil­mente ili­dí­veis.
    Quanto à maté­ria de Direito, mais uma vez o Antó­nio pre­su­miu (mal, mais uma vez) que eu esta­ria a defen­der o Hel­der. Se o Antó­nio se der ao tra­ba­lho de ver alguns posts mais anti­gos verá que cos­tumo elu­ci­dar os lei­to­res deste blog sem­pre que existe uma ou outra maté­ria jurí­dica. Não para defen­der ou dei­xar de defen­der quem que seja, antes por­que posso fazê-lo e sem­pre numa pers­pec­tiva didác­tica.
    Não venha tam­bém o Antó­nio ensi­nar a “missa ao padre” no que toca a aspec­tos de Direito Penal ou dos prin­cí­pios que nor­teiam a inter­pre­ta­ção e her­me­nêu­tica jurí­dica ou sobre juris­pru­dên­cia que os tri­bu­nais pro­du­zem. Não venho a este blog para falar do meu pró­prio tra­ba­lho.
    Acho que o Antó­nio, ao levar dema­si­ado a sério deter­mi­na­das situ­a­ções acaba por se con­tra­riar ao ponto de agir de forma pior do que a que o pró­prio cri­tica. Aliás, ofende ver­da­dei­ra­mente as pes­soas. Passo a exem­pli­fi­car: “e das suas lições alta­nei­ras e de pro­sá­pia auto­con­ven­cida”.
    Só por esta pequena pseudo mani­fes­ta­ção de eru­di­ção exa­cer­bada, o Antó­nio merece um pré­mio: é que a minha pes­soa nunca mais res­ponda a um qual­quer comen­tá­rio seu. É que tenho uma ten­dên­cia natu­ral para rejei­tar pes­soas sem (bom) senso.
    Passe bem.

  32. Você é um vidri­nho Manel e,não obstante,entendeu que a con­duta do Helder,de divul­gar a ima­gem de Cristo crucificado,como oferta de dildo a um amigo,não cons­ti­tui nenhuma ofensa a sen­ti­men­tos religiosos.E agora vem rotular-se ofen­dido por um banal comentário,incidindo sobre “lições alta­nei­ras e de pro­sá­pia auto­co­ven­cida”.
    Quer que eu exem­pli­fi­que Manel ?

    O Antó­nio, antes de fazer refe­rên­cia ao crime de ofensa aos sen­ti­men­tos reli­gi­o­sos, pre­visto no art. 251º do Cód. Penal, deve­ria estu­dar um pouco a lição”

    Asseguro-lhe, caro Antó­nio, que a prenda do Hel­der para o amigo, muito menos a publi­ca­ção da ima­gem a que me refiro, nunca poderá cons­ti­tuir crime de ofensa aos sen­ti­men­tos religiosos.”

    Post Scrip­tum: caro Antó­nio, em caso de ser Jurista (não vá eu jul­gar erra­da­mente alguém) sugiro que pegue nos livros de Intro­du­ção ao Direito, bem como nos manu­ais de Direito Penal”

    Onde está então o seu “fair play ” ?…

    Você arremeteu-me o tipo de comentários,que acima enunciei,mas,pelos vis­tos já não gosta que os carac­te­rize em con­for­mi­dade com o seu sen­tido desprimoroso.

    Cri­té­rios manu­e­li­nos não é ?

    P.S.Se você ler as pri­mei­ras pági­nas do seu manual de intro­du­ção ao estudo do direito,e que muito bom pro­veito lhe faça,vai ver que uma ele­men­tar noção jurí­dica impõe a adop­ção do cri­té­rio exi­gé­tico da sub­jec­ti­vi­dade da apli­ca­ção do Direito às res­pec­ti­vas situ­a­ções factuais.E que,nessa medida,você só pode asse­gu­rar a si pró­prio que uma deter­mi­nada situ­a­ção humana cons­ti­tui ou não crime. A última pala­vra cabe sem­pre aos tribunais.A essên­cia do Direito é a sub­jec­ti­vi­dade e a controvérsia.Não é uma ciên­cia e muito menos exacta.E cada cabeça cada sentença.Você con­ti­nue a pen­sar pela sua que eu con­ti­nuo a pen­sar pela minha.

  33. Se não se impor­ta­rem, eu tam­bém con­ti­nuo a pen­sar pela minha.

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