Out 31

Através do seu porta-voz, o BCP anunciou ontem a recusa à proposta de fusão apresentada pelo BPI. Para mim, que não percebo nada destas grandes negociatas, o comunicado pareceu-me equilibrado e cauteloso, precavendo possíveis especulações sem, no entanto, fechar a porta a novas negociações.
Fiquei deveras espantado, contudo, quando o porta-voz do BCP, ao ser interrogado sobre o futuro, respondeu que “o futuro a deus pertence”! Imagino que outra frase possível fosse “o futuro está nas mãos de deus”. Para o efeito também funcionaria… Se fosse investidor do BCP estaria muito preocupado.
Out 30
Chegou ontem ao fim o 2º Concurso de Karaoke do Palpita-me. O nível desta final foi impressionante, surpreendendo mesmo os mais optimistas. O vencedor foi o jovem Carlos Costa que, se tiver juízo e o q.b. de sorte indispensável, tem todas as condições para vir a ser um caso sério na música portuguesa.
A noite da final é como que o sumo de uma parte do meu trabalho durante o ano anterior. Face à qualidade desta final, em todos os aspectos, só me resta ficar muito feliz. Obrigado a todos os participantes, júris, patrocinadores, clientes, colegas e amigos que, de uma forma ou de outra, contribuiram para o sucesso deste evento. E um agradecimento muito especial à minha mulher e às minhas filhas pela compreensão e pachorra demonstradas ao longo das últimas semanas.
Out 29
Já por diversas vezes fui surpreendido nas caixas de comentários pela visita de velhos amigos e conhecidos com quem, devido às voltas da vida, havia perdido o contacto. O episódio mais recente aconteceu com o Nuno Azevedo que eu já não vejo há algum tempo. Gostei que ele aparecesse e comentasse. Gostei, também, de saber que ele encontrou o seu lugar e descobriu nele lugar para as suas convicções.
O Nuno termina um dos seus comentários com a seguinte ideia que penso resumirem, de alguma forma, a sua postura:
Mais importante para mim do que acreditar ou não acreditar é fazer o Bem, ser Humilde e ser Sério…basta isso para, acreditando ou não, viver em comunhão com a mensagem que me é transmitida pelo “meu” Deus.
Bem, não sei onde é que o Nuno encontra esses atributos no “seu” deus. Não será certamente na Bíblia. O Antigo Testamento é fértil em práticas do Mal, Arrogância e Injustiças, onde a falta de respeito pela vida humana é levada a extremismos doentios…
Note-se que eu concordo com a afirmação do Nuno; fazer o Bem, ser Humilde (q.b.) e ser Sério são virtudes recomendáveis. Agora, não é preciso nenhum deus no processo para se alcançarem esses valores. Basta ser bem formado, respeitar o próximo e ter noção dos limites. Enfim, práticas de boa gente.
Out 28
“Here there comes a practical question which has often troubled me. Whenever I go into a foreign country or a prison or any similar place they always ask me what is my religion.
I never know whether I should say “Agnostic” or whether I should say “Atheist”. It is a very difficult question and I daresay that some of you have been troubled by it. As a philosopher, if I were speaking to a purely philosophic audience I should say that I ought to describe myself as an Agnostic, because I do not think that there is a conclusive argument by which one prove that there is not a God.
On the other hand, if I am to convey the right impression to the ordinary man in the street I think I ought to say that I am an Atheist, because when I say that I cannot prove that there is not a God, I ought to add equally that I cannot prove that there are not the Homeric gods.
None of us would seriously consider the possibility that all the gods of homer really exist, and yet if you were to set to work to give a logical demonstration that Zeus, Hera, Poseidon, and the rest of them did not exist you would find it an awful job. You could not get such proof.
Therefore, in regard to the Olympic gods, speaking to a purely philosophical audience, I would say that I am an Agnostic. But speaking popularly, I think that all of us would say in regard to those gods that we were Atheists. In regard to the Christian God, I should, I think, take exactly the same line.”
Bertrand Russel, retirado daqui.
Out 24
Estão-se a passar. O homem tem que ser rapidamente dado como santo e, então, há que fabricar uns milagres quanto antes!
Está a fazer furor em determinados meios católicos que, aparentemente, incluem a TV do Vaticano, a foto de uma fogueira que, nas mentes permeáveis e facilmente sugestionáveis de alguns católicos, dizem tratar-se da imagem de João Paulo II!

Porque é que o anterior Papa haveria de aparecer numa fogueira e não numa sandes de torresmos é um assunto sobre o qual não me quero debruçar. Mas, pergunto-me, o que terá visto um observador da mesma fogueira desviado 45º para a esquerda?
Por outro lado, não seria esta uma mensagem de deus a sugerir um maior apoio à Palestina? Cada um vê o que lhe parece mais conveniente… mas, não passa de ilusão.

Bill Maher dá outras sugestões neste vídeo:
Out 22
A fé per si não é o que mais me surpreende na crença religiosa. O que mais me custa a entender é como é que os crentes não se interrogam sobre a multiplicidade de crenças existentes por esse mundo fora. Vou aqui conceder - talvez demasiado - o flanco e partir do princípio que todos os crentes o são convictamente, com a melhor e mais honesta das intenções.
Como é que essa honestidade não os leva a interrogarem-se sobre a plausibilidade da sua crença face à existência de outras? Vejamos, agarremos em dois crentes de quaisquer duas religiões; um deles estará, necessariamente, enganado! Como esta confrontação é válida para quaisquer duas religiões que se escolham, não é muito mais provável estarem todas erradas?
Tentei explicar este raciocínio à minha filha mais nova quando ela ainda tinha apenas 7 anos e ela percebeu. Como é que gente crescida não entende?
Out 22
“Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti”.
Esta é uma máxima que parece ser basilar, pelos menos em teoria, para grande parte dos seguidores da doutrina cristã. Parece-me que este princípio, por mais justo e saudável que pareça, encerra em si próprio todo o potencial para o desenvolvimento de uma cultura egoísta e intolerante. Não fazermos aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem é uma forma de querermos impor os nossos critérios morais a terceiros.
Parece-me muito mais justo, correcto, saudável, tolerante e democrático o seguinte raciocínio: “Não faças aos outros aquilo que eles não quiserem que lhes façam”.
Tudo isto a propósito deste artigo, onde o comentador António se acha no direito de avaliar o que é ou deixa de ser moralmente aceitável para terceiros. Porque o António se choca com determinada matéria, não só entende que os outros também se devem chocar como, indo mais longe, se questiona, inclusivamente, sobre a legalidade do produto e da sua exposição (pelo menos entendi assim, o António que me corrija se eu estiver equivocado).
Não vejo como poderei contribuir para a felicidade alheia limitando terceiros aos meus valores morais. O limite será sempre a lei em vigor e, nos casos em que esta já não se adequar à realidade e ao evoluir dos tempos, há que fazer tudo para a mudar. Claro está que não estou a falar da lei de qualquer deus; quem se quiser limitar por essa é livre para o fazer sem a tentar impor aos outros.