Fé e Crença: descubra as diferenças

No Teologia (reparem que a url tem uma sequência de três setes quando seria muito mais engraçada a sequência de três seis!), o autor Tilleul escreveu um artigo intitulado “Fundamentalismo Ateu” acusando a grande maioria do ateísmo praticado em Portugal ser um ateísmo anti-clerical e, portanto, fundamentalista.

Já anteriormente referi neste blog o que penso sobre a etiquetagem de “fundamentalistas” aos ateus. Também já referi o que penso sobre esse tal ateísmo pouco construtivo, baseado no bota-abaixo.

O que o autor Tilleul parece querer ignorar – e não o deveria fazer – é que existe uma grande diferença entre a sua fé e a sua crença. Enquanto ateu, não me sinto com o mínimo direito de questionar a sua fé seja ela em deuses barbudos, em unicórnios brancos ou noutros chifrudos de língua bifurcada patrocinados pelo SLB. A fé do Tilleul é lá com ele e ninguém tem nada a ver com isso!

Já em relação à sua crença, acho-me no total direito de a questionar. Porque enquanto a fé individual nasce e morre dentro do indivíduo, os sistemas de crenças têm uma tendência perigosa de se transformarem em fenómenos epidémicos de transmissão de aldrabices infantis sobre as explicações do mundo que nos rodeia, o sentido da vida ou um suposto sentido da morte.

Muito do que aquilo que o Tilleul acusa de anti-clericalismo é, antes sim, anti-proselitismo. E se o Tilleul quer – e acho muito bem que o queira – continuar a ter o direito à sua fé individual, tem que, quanto antes, deixar de tentar impor essa mesma fé aos outros e compreender que há quem, de facto, não precise da fé para nada.

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    8 comentários em “Fé e Crença: descubra as diferenças

    1. Subscrevo inteiramente e parabéns pelo blog, que só agora descobri. Embora reconheça que a afirmação crescente da vivência não-religiosa nas sociedades contemporâneas, que tira o sono às igrejas, também se manifesta de formas “anti” um pouco primárias. Penso que é preferível uma postura positiva, se não de respeito pelo menos de tolerância. É óbvio que não se pode nem deve evitar o confronto de ideias com o mundo da crença e esse confronto pode ser vigoroso, mas como dizia Darwin “It appears to me (whether rightly or wrongly) that direct arguments against Christianity & theism produce hardly any effect on the public; & freedom of thought is best promoted by the gradual illumination of men’s minds which follow[s] from the advance of science. It has, therefore, been always my object to avoid writing on religion, & I have confined myself to science.”
      Este excerto foi retirado de um artigo interessante, que também aborda esta questão: http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=423C1809-E7F2-99DF-384721C9252B924A&chanID=sa006&colID=13

    2. Querendo aparvalhar, só digo:

      SLB= Sem Língua Bifurcada ???

      Hélder, cada vez há + hipótese de ir para Lisboa…mais um bêbado para gastar dinheiro ai…

      Abr

    3. Caro JPC,

      Obrigado pelo comentário. Concordo totalmente com as palavras de Darwin, achando que é muito mais útil uma postura positiva pela ciência do que uma postura negativa pela religião.

      Caro Luís,

      Espero que estejas preparado para as noites de karaoke. Fico à espera.

      Abraços a ambos.

    4. E qual é o problema de ser anti-clerical? se os senhores teólogos lerem as escrituras com atenção rapidamente descobrem qual é o único sitio onde o senhor jesus se zangou verdadeiramente…

    5. Quando se fala em fundamentalismo e fanatismo está-se a falar das seitas religiosas que por aí de profilam?
      É como disse e muito bem o nosso amigo Helder, que ainda não tinha visto um ateu matar ou torturar ninguém por causa de descordar com ele, mas com seitas religiosas já não se passa o mesmo.
      Se formos ver a história da seita católica, temos 500 anos de inquisição onde se matava de torturava pessoas por delito de opinião, ou por não se ir com cara dessa pessoa.
      A seita judaica que tão perseguida foi durante os tempos em especial período durante da II Guerra Mundial, hoje são eles que perseguem os outros povos em redor de Israel e por esse Mundo fora.
      E se cantinuarmos é rever a histórias das outras seitas, vamos descobrir também casos muito interessantes.
      Isto tudo é só para dizer que o ateismo respeita tudo e todos, não entrando em pressões para mudar ninguém.
      Outra coisa desculpem-me de eu chamar às religiões seitas, mas é meu ver são o que elas são.

    6. Voce acredita que Mozart uma composição tão impressionante aos 5 anos? As vezes não precisa ensinar o aluno para que sejas inteligente…
      “Deus ama até o filho que faz a escolha de não crer na Sua salvação”.
      Abraço

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