Debate Interblogues: Resumo
Após uma semana da data final de participação no primeiro debate interblogues, cujo tema foi “Será o Agnosticismo mais Racional que o Ateísmo?â€, chegou a hora de fazer um balanço sobre o mesmo.
O debate teve 10 participantes (ver barra lateral direita) e suscitou intensas discussões em algumas das respectivas caixas de comentários, nomeadamente no Que Treta!, no Pugnacitas e no Diário Ateísta.
De um modo geral, a minha interpretação é que, à excepção do Tiny Aleph, a maioria dos participantes tende a considerar o ateísmo como sendo mais racional que o agnosticismo. Racional no sentido em que reflecte com maior precisão a confiança depositada nas evidências do mundo que nos rodeia. É comum à maioria das participações o questionar do agnosticismo quanto ao seu valor prático. Embora epistemologicamente correcto, o princípio da dúvida ou da inquestionabilidade pode-se aplicar a todo o conhecimento, horizontalmente, que envolva definições infalseáveis. E isso acaba por não ser correcto do ponto de vista prático ao abrir as portas a todos os conceitos que careçam de qualquer evidência.
Esta questão – de um certo exacerbamento céptico – é tão mais escandalosa quando, também na prática, aqueles que são agnósticos em relação a qualquer deus ou deuses, deixam de o ser em relação ao Pai Natal, aos deuses da antiguidade ou a unicórnios cor-de-rosa!
Agradeço a todos os participantes o tempo dedicado a este debate. Já tenho mais um tema na forja que anunciarei brevemente. Espero contar com todos vós para mais um debate.
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Helder,
encontrei no YouTube um vídeo chamado “Re: Theists and Atheists, answer me this” de websnarf : http://www.youtube.com/watch?v=O44Ibh_TUbM&NR=1 .
«Why should agnostics stop take a position? Its simple, if you wish to participate in a discussion, you have to have something add other than “I don’t know”.»
Acho que provei que deus não existe, he he
Escrevi isto para o C. Mouro, na caixa de comentários do post:
Obs. Aqui respondo ao Mouro, que diz saber que estava em Salvador em tal dia:
Eu: Não quis entrar no mérito do exemplo. Sei que era uma premissa e pronto: você SABE. Tudo bem, mas dentro deste rigor lógico não posso aplicar o exemplo, tão hermético quanto um “todas as casas pretas são pretas”, à nossa situação, pois pragmaticamente poderíamos ser enganados dos modos que escrevi, por Caixas de Skinner de trilionários ociosos ou por plugs na nuca. O que eu quero dizer, no fim das contas, é que um deus demiurgo (não falo apenas de um ser fantástico; acho que a discussão envolve um deus criador do universo) pode hoje fazer com que você nunca tenha existido, em uma subversão de absolutamente todas as regras que conhecemos. Considerar esta possibilidade, em última análise — a possibilidade de deus -, é considerar que absolutamente tudo é possível, por isso tentei subverter até a premissa, que me serve tanto quanto eu dizer “se eu SEI que você não existe, Mouro, você não existe”. Tudo bem, o exemplo, a premissa lógica, sei lá, funcionam. Mas é um exemplo hermético, lacrado, e não se aplica à nossa questão.
Mouro: “Um ateu afirma saber que deus algum existe, e assim afirma, com base nos conhecimentos que possui e na sua subjetividade para achar isso e aquilo. Em que se baseia para afirmar a inexistência de um ser fantástico do qual nada sabe, além de seu achismo? (ressalto que não falos dos deuses já criados).”
Eu: Ou eu SEI, na acepção absoluta e incontestável que você usou, que deus não existe ou não SEI mais nada, nos mesmos termos absolutos. Pela lógica, é infinitamente mais plausível que deus não exista e eu saiba com certeza absoluta e incontestável que não poderei jamais passar a nunca ter existido — coisa que um deus demiurgo e onipotente pode fazer -, do que o contrário.
Mouro: “É QUE NÃO SE PODE PROVAR OU SABER O QUE NÃO EXISTE.”
Provar tudo bem. Discordo quanto a Saber, pelos motivos descritos acima. Eu realmente não SEI, na acepção que estamos usando, que não existe um unicórnio rosa. Mas SEI que não existe um ser onipotente (pelos motivos acima) e onisciente (porque aí eu não teria livre-arbítrio). Onipresente tudo bem. Destarte, digamos que passei a ser agnóstico em relação a um unicórnio rosa onipresente.
Abraços
Li com muita atenção as colaborações (e comentários) no debate. Posso dizer que está de parabéns, porque com excepção da minha modesta participação, todos tiveram um nível muito elevado e contribuiram para que o meu espírito se esclarecesse sobre este assunto.
Caro P Amorim,
Noto uma elevada dose de modéstia nesse comentário. Deixe-se disso… Está entre amigos.
Obrigado pela participação. Conto consigo para os próximos debates já na forja.
Um abraço.
p.s. entenda o “provei que deus não existe” como uma brincadeira.
Por lá jogamos as toalhas…
Em resumo: agnosticismo será uma espécie de ateísmo envergonhado e/ou preconceituoso.
A constatação mais antiga do termo Deus se dá nas antigas moedas do imperador Póstumo (264 A.D.) e tem relações com Hércules (HERC DEVSONIENSI) provando a derivação de Deus em relação a Zeus. Estas moedas foram encontradas em Trier que é atualmente um cidade alemã, porém antes de 870 A.D. era uma cidade gaulesa (francesa), fato que compromete ainda mais o vocábulo Deus. Não existem textos bíblicos em latim nesta época com o nome Deus e nem com o nome Dius. A Vetus Latina hispânica e do norte da África, datadas no tempo de Marco Aurélio (170 A.D.), resolveriam este mistério, mas os principais líderes cristãos do Vaticano afirmam que não foram divulgadas por conter muitos hebraísmos e grecismos. Se estão escritas em latim antigo deveriam ser liberadas para exibição. Isto indica que não possuem a palavra Deus ou Dius, pois sendo assim já teriam divulgado. Neste tempo de Marco Aurélio vários são os papiros que contêm Dius e Dion como nomes próprios, trata-se de grandes proprietários de terras e seus negócios, principalmente numa cidade chama Karanis (pronuncia-se Karranis). Uma grande quantidade desses papiros foi encontrada em Oxyrhynchus a muitas decadas passadas. Esses papiros vieram a comprovar os escritos de Plutarco principalmente na sua obra Dion, O Salvador de Siracusa. Este Dion também tem seu nome flexionado para Dios (grego) e Dius (latim), pertencendo a um tempo anterior à tradução da Septuaginta (409–354 A.E.C.). Utilizo A.E.C. (Antes da Era Comum) pois o vocábulo Cristo só aparece nos escritos clericais durante o século VII, imposto por ordem dos GODOS. No tempo de Flavius Petrus Sabatius (Justiniano), ano 529, vigora a datação feita por Dionísio, o chamado Ano Domini cujo o uso ultrapassa a imposição goda (Cristo). Voltando ao assunto anterior, só depois de Diocleciano que os textos clericais em latim recebem uma abreviatura DI com um traço superior. O problema é que até os bispos católicos possuíam o nome Dius antes da introdução de ‘DI’ nas Bíblias latinas. Em 615 é nomeado uma papa chamado Deusdediti (que significa Dado por Deus), mas nesta época não existe nenhum texto bíblico com o nome Deus, pois quando os manuscritos bíblicos são analisados só se encontra ‘DI’. A raíz do vocábulo Deus está nas moedas do tempo de Póstumo. Muito depois da morte de Deusdediti ocorre a beatificação do mesmo e por volta do século XIII o vocábulo Deus começa a aparecer nas Bíblias francesas. Estranho, não é? Atualmente na Bíblia fracesa temos Dieu e não Deus. Hoje Deus é um título na Bíblia portuguesa, mas conforme as provas era um NOME PRÓPRIO que pertencia ao homem.
Dentro das leis do Altíssimo Criador foi violado Atos 4:12.
De facto, a iniciativa é excelente. Só tenho pena de ter chegado tarde ao “barco”, porque também gostaria de ter metido a minha colherada agnóstica, quanto mais não fosse, para equilibrar um bocadinho mais o debate. Há questões que foram em meu entender incorrectamente argumentadas, nomeadamente pelo anfitrião. Desde logo em relação às “evidências” do mundo que nos rodeia, que não são assim tão evidentes, mas enfim, ficará para uma próxima, já que conto ser “cliente” habitual deste blog. Parabéns, mais uma vez, pela iniciativa.
Ah, e já agora, só a propósito da deixa do leitor F Torres, estas coisas das catalogações dão um pouco para tudo. Também nos poderia dar para afirmar que o ateismo é um agnostiscismo fundamentalista, sei lá…
Mas preconceituoso porquê?
Para mim, os agnósticos são simplesmente os mais equilibrados, pois na sua grande maioria têm a capacidade de entender ambos os lados.