Debate Interblogues: Resumo

Debate InterbloguesApós uma semana da data final de par­ti­ci­pa­ção no pri­meiro debate inter­blo­gues, cujo tema foi “Será o Agnos­ti­cismo mais Raci­o­nal que o Ateísmo?”, che­gou a hora de fazer um balanço sobre o mesmo.

O debate teve 10 par­ti­ci­pan­tes (ver barra late­ral direita) e sus­ci­tou inten­sas dis­cus­sões em algu­mas das res­pec­ti­vas cai­xas de comen­tá­rios, nome­a­da­mente no Que Treta!, no Pug­na­ci­tas e no Diá­rio Ateísta.

De um modo geral, a minha inter­pre­ta­ção é que, à excep­ção do Tiny Aleph, a mai­o­ria dos par­ti­ci­pan­tes tende a con­si­de­rar o ateísmo como sendo mais raci­o­nal que o agnos­ti­cismo. Raci­o­nal no sen­tido em que reflecte com maior pre­ci­são a con­fi­ança depo­si­tada nas evi­dên­cias do mundo que nos rodeia. É comum à mai­o­ria das par­ti­ci­pa­ções o ques­ti­o­nar do agnos­ti­cismo quanto ao seu valor prá­tico. Embora epis­te­mo­lo­gi­ca­mente cor­recto, o prin­cí­pio da dúvida ou da inques­ti­o­na­bi­li­dade pode-se apli­car a todo o conhe­ci­mento, hori­zon­tal­mente, que envolva defi­ni­ções infal­seá­veis. E isso acaba por não ser cor­recto do ponto de vista prá­tico ao abrir as por­tas a todos os con­cei­tos que care­çam de qual­quer evidência.

Esta ques­tão – de um certo exa­cer­ba­mento cép­tico – é tão mais escan­da­losa quando, tam­bém na prá­tica, aque­les que são agnós­ti­cos em rela­ção a qual­quer deus ou deu­ses, dei­xam de o ser em rela­ção ao Pai Natal, aos deu­ses da anti­gui­dade ou a uni­cór­nios cor-de-rosa!

Agra­deço a todos os par­ti­ci­pan­tes o tempo dedi­cado a este debate. Já tenho mais um tema na forja que anun­ci­a­rei bre­ve­mente. Espero con­tar com todos vós para mais um debate.

Par­ti­lhar este artigo:
  • Print
  • email
  • RSS
  • Facebook
  • Twitter
  • Digg
  • LinkedIn
  • Google Bookmarks
  • StumbleUpon
  • Tumblr

Outros arti­gos idênticos:

  1. Debate Inter­blo­gues (actualização)
  2. Debate Inter­blo­gues (actualização)
  3. Debate Inter­blo­gues
  4. Debate Inter­blo­gues (actualização)
  5. Debate Inter­blo­gues: Será o Agnos­ti­cismo mais Raci­o­nal que o Ateísmo?

30. Maio 2007 by Helder Sanches
Categories: Ateísmo, Debates | 10 comments

Comments (10)

  1. Hel­der,
    encon­trei no You­Tube um vídeo cha­mado “Re: Theists and Atheists, answer me this” de webs­narf : http://www.youtube.com/watch?v=O44Ibh_TUbM&NR=1 .

    «Why should agnos­tics stop take a posi­tion? Its sim­ple, if you wish to par­ti­ci­pate in a dis­cus­sion, you have to have something add other than “I don’t know”.»

  2. Acho que pro­vei que deus não existe, he he
    Escrevi isto para o C. Mouro, na caixa de comen­tá­rios do post:

    Obs. Aqui res­pondo ao Mouro, que diz saber que estava em Sal­va­dor em tal dia:
    Eu: Não quis entrar no mérito do exem­plo. Sei que era uma pre­missa e pronto: você SABE. Tudo bem, mas den­tro deste rigor lógico não posso apli­car o exem­plo, tão her­mé­tico quanto um “todas as casas pre­tas são pre­tas”, à nossa situ­a­ção, pois prag­ma­ti­ca­mente pode­ría­mos ser enga­na­dos dos modos que escrevi, por Cai­xas de Skin­ner de tri­li­o­ná­rios oci­o­sos ou por plugs na nuca. O que eu quero dizer, no fim das con­tas, é que um deus demiurgo (não falo ape­nas de um ser fan­tás­tico; acho que a dis­cus­são envolve um deus cri­a­dor do uni­verso) pode hoje fazer com que você nunca tenha exis­tido, em uma sub­ver­são de abso­lu­ta­mente todas as regras que conhe­ce­mos. Con­si­de­rar esta pos­si­bi­li­dade, em última aná­lise — a pos­si­bi­li­dade de deus -, é con­si­de­rar que abso­lu­ta­mente tudo é pos­sí­vel, por isso ten­tei sub­ver­ter até a pre­missa, que me serve tanto quanto eu dizer “se eu SEI que você não existe, Mouro, você não existe”. Tudo bem, o exem­plo, a pre­missa lógica, sei lá, fun­ci­o­nam. Mas é um exem­plo her­mé­tico, lacrado, e não se aplica à nossa questão.

    Mouro: “Um ateu afirma saber que deus algum existe, e assim afirma, com base nos conhe­ci­men­tos que pos­sui e na sua sub­je­ti­vi­dade para achar isso e aquilo. Em que se baseia para afir­mar a ine­xis­tên­cia de um ser fan­tás­tico do qual nada sabe, além de seu achismo? (res­salto que não falos dos deu­ses já criados).”

    Eu: Ou eu SEI, na acep­ção abso­luta e incon­tes­tá­vel que você usou, que deus não existe ou não SEI mais nada, nos mes­mos ter­mos abso­lu­tos. Pela lógica, é infi­ni­ta­mente mais plau­sí­vel que deus não exista e eu saiba com cer­teza abso­luta e incon­tes­tá­vel que não pode­rei jamais pas­sar a nunca ter exis­tido — coisa que um deus demiurgo e oni­po­tente pode fazer -, do que o contrário.

    Mouro: “É QUE ƒO SE PODE PROVAR OU SABER O QUE ƒO EXISTE.”

    Pro­var tudo bem. Dis­cordo quanto a Saber, pelos moti­vos des­cri­tos acima. Eu real­mente não SEI, na acep­ção que esta­mos usando, que não existe um uni­cór­nio rosa. Mas SEI que não existe um ser oni­po­tente (pelos moti­vos acima) e onis­ci­ente (por­que aí eu não teria livre-arbítrio). Oni­pre­sente tudo bem. Des­tarte, diga­mos que pas­sei a ser agnós­tico em rela­ção a um uni­cór­nio rosa onipresente.

    Abra­ços

  3. Li com muita aten­ção as cola­bo­ra­ções (e comen­tá­rios) no debate. Posso dizer que está de para­béns, por­que com excep­ção da minha modesta par­ti­ci­pa­ção, todos tive­ram um nível muito ele­vado e con­tri­bui­ram para que o meu espí­rito se escla­re­cesse sobre este assunto.

  4. Caro P Amorim,

    Noto uma ele­vada dose de modés­tia nesse comen­tá­rio. Deixe-se disso… Está entre ami­gos. ;)

    Obri­gado pela par­ti­ci­pa­ção. Conto con­sigo para os pró­xi­mos deba­tes já na forja.

    Um abraço.

  5. p.s. entenda o “pro­vei que deus não existe” como uma brincadeira.

    Por lá joga­mos as toalhas…

  6. Em resumo: agnos­ti­cismo será uma espé­cie de ateísmo enver­go­nhado e/ou preconceituoso.

  7. A cons­ta­ta­ção mais antiga do termo Deus se dá nas anti­gas moe­das do impe­ra­dor Pós­tumo (264 A.D.) e tem rela­ções com Hér­cu­les (HERC DEVSONIENSI) pro­vando a deri­va­ção de Deus em rela­ção a Zeus. Estas moe­das foram encon­tra­das em Trier que é atu­al­mente um cidade alemã, porém antes de 870 A.D. era uma cidade gau­lesa (fran­cesa), fato que com­pro­mete ainda mais o vocá­bulo Deus. Não exis­tem tex­tos bíbli­cos em latim nesta época com o nome Deus e nem com o nome Dius. A Vetus Latina his­pâ­nica e do norte da África, data­das no tempo de Marco Auré­lio (170 A.D.), resol­ve­riam este mis­té­rio, mas os prin­ci­pais líde­res cris­tãos do Vati­cano afir­mam que não foram divul­ga­das por con­ter mui­tos hebraís­mos e gre­cis­mos. Se estão escri­tas em latim antigo deve­riam ser libe­ra­das para exi­bi­ção. Isto indica que não pos­suem a pala­vra Deus ou Dius, pois sendo assim já teriam divul­gado. Neste tempo de Marco Auré­lio vários são os papi­ros que con­têm Dius e Dion como nomes pró­prios, trata-se de gran­des pro­pri­e­tá­rios de ter­ras e seus negó­cios, prin­ci­pal­mente numa cidade chama Kara­nis (pronuncia-se Kar­ra­nis). Uma grande quan­ti­dade des­ses papi­ros foi encon­trada em Oxyrhyn­chus a mui­tas deca­das pas­sa­das. Esses papi­ros vie­ram a com­pro­var os escri­tos de Plu­tarco prin­ci­pal­mente na sua obra Dion, O Sal­va­dor de Sira­cusa. Este Dion tam­bém tem seu nome fle­xi­o­nado para Dios (grego) e Dius (latim), per­ten­cendo a um tempo ante­rior à tra­du­ção da Sep­tu­a­ginta (409–354 A.E.C.). Uti­lizo A.E.C. (Antes da Era Comum) pois o vocá­bulo Cristo só apa­rece nos escri­tos cle­ri­cais durante o século VII, imposto por ordem dos GODOS. No tempo de Fla­vius Petrus Saba­tius (Jus­ti­ni­ano), ano 529, vigora a data­ção feita por Dio­ní­sio, o cha­mado Ano Domini cujo o uso ultra­passa a impo­si­ção goda (Cristo). Vol­tando ao assunto ante­rior, só depois de Dio­cle­ci­ano que os tex­tos cle­ri­cais em latim rece­bem uma abre­vi­a­tura DI com um traço supe­rior. O pro­blema é que até os bis­pos cató­li­cos pos­suíam o nome Dius antes da intro­du­ção de ‘DI’ nas Bíblias lati­nas. Em 615 é nome­ado uma papa cha­mado Deus­de­diti (que sig­ni­fica Dado por Deus), mas nesta época não existe nenhum texto bíblico com o nome Deus, pois quando os manus­cri­tos bíbli­cos são ana­li­sa­dos só se encon­tra ‘DI’. A raíz do vocá­bulo Deus está nas moe­das do tempo de Pós­tumo. Muito depois da morte de Deus­de­diti ocorre a bea­ti­fi­ca­ção do mesmo e por volta do século XIII o vocá­bulo Deus começa a apa­re­cer nas Bíblias fran­ce­sas. Estra­nho, não é? Atu­al­mente na Bíblia fra­cesa temos Dieu e não Deus. Hoje Deus é um título na Bíblia por­tu­guesa, mas con­forme as pro­vas era um NOME PRÃPRIO que per­ten­cia ao homem.
    Den­tro das leis do Altís­simo Cri­a­dor foi vio­lado Atos 4:12.

  8. De facto, a ini­ci­a­tiva é exce­lente. Só tenho pena de ter che­gado tarde ao “barco”, por­que tam­bém gos­ta­ria de ter metido a minha colhe­rada agnós­tica, quanto mais não fosse, para equi­li­brar um boca­di­nho mais o debate. Há ques­tões que foram em meu enten­der incor­rec­ta­mente argu­men­ta­das, nome­a­da­mente pelo anfi­trião. Desde logo em rela­ção às “evi­dên­cias” do mundo que nos rodeia, que não são assim tão evi­den­tes, mas enfim, ficará para uma pró­xima, já que conto ser “cli­ente” habi­tual deste blog. Para­béns, mais uma vez, pela iniciativa.

  9. Ah, e já agora, só a pro­pó­sito da deixa do lei­tor F Tor­res, estas coi­sas das cata­lo­ga­ções dão um pouco para tudo. Tam­bém nos pode­ria dar para afir­mar que o ateismo é um agnos­tis­cismo fun­da­men­ta­lista, sei lá…
    Mas pre­con­cei­tu­oso porquê?

  10. Para mim, os agnós­ti­cos são sim­ples­mente os mais equi­li­bra­dos, pois na sua grande mai­o­ria têm a capa­ci­dade de enten­der ambos os lados.

Leave a Reply

Required fields are marked *

*