Chateiam-me os crentes que alvitram uma superioridade moral induzida pelos ensinamentos religiosos que professam. Tenho algumas dúvidas que eles de facto acreditem em tal disparate.
A moral é mutável. Não é algo que seja estanque às influências de todos os aspectos que nos rodeiam socialmente. Acontecimentos históricos moldam a moral colectiva, acontecimentos privados moldam a moral individual. Tudo isto, cozinhado com a formação, educação e experiência acumulada, contribui para a aceitação e divulgação de novas regras morais.
A religião é apenas um dos factores que terá, historicamente, contribuído (e mal?) para a moralidade. No entanto, as premissas para a chamada moralidade religiosa são impostas pelo medo dos encargos do pecado e da factura a pagar ao cobrador-mor, o tal ser que espreita os adolescentes quando eles estão no duche. Assim, a moral de origem religiosa não é sincera. É fruto da repressão ideológica hipócrita imposta pela estrutura das organizações religiosas e baseia-se, na maior parte dos casos, em obras de ficção com centenas ou milhares de anos, essas sim, estanques ao evoluir das sociedades.
Sendo a moral o sistema de valores mais relativo que existe, alvitrar tal superioridade é pura demagogia.
(Publicação simultânea: Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

Viva Helder!
Matar, por exemplo., é errado para mim porque eu quero viver. É errado para você porque você também quer viver. Aí, como seres sociais, fazemos um pacto (pacto social); eu não mato você e você não me mata. Mas nos unimos para matar os habitantes da tribo do outro lado do rio. Isso passou muito tempo sem ser considerado crime, não é mesmo? Nem Josué se sentiu culpado ao exterminar crianças e mulheres de Canaã. Ele é tido como o herói protagonista da conquista da Terra Prometida e não como um assassino, mesmo com o divino “não matarás†bem claro dentro da Arca que os sacerdotes conduziam ao longo da muralha de Jericó.
Nações em conflito como Argos, Esparta e Atenas davam fim temporário às querelas para lutarem contra um inimigo comum, no caso os persas. Os pactos entre nações e armistícios são uma nítida extensão do pacto individual. As guerras em campos de batalha, do mesmo modo, eram a tentativa de afastar o conflito das cidades, das mulheres e crianças. Até hoje nunca vi ninguém dizendo que as leis de Guerra atuais vêm de um deus, ou de uma sociedade cristã. Foram criadas após as armas de destruição em massa, porque nenhuma nação queria perecer sob um vizinho sanguinário armado de gás mostarda.
E hoje a guerra é imoral, sendo que até o séc. XIX a coisa era bem diferente.
Um grande abrço
Catellius
Hoje em dia os valores morais estão definitvamente a decair.…ao mesmo tempo que a religião. Será coincidência?
Bom, se queres ir por aí podes acrescentar:
- O número de países a aplicar a pena de morte está definitivamente a decair… ao mesmo tempo que a religião. Será coincidência?
- O racismo está definitivamente a decair… ao mesmo tempo que a religião. Será coincidência?
Enfim, os exemplos são imensos… Cada um vê as coincidências que quer.
Não há nenhuma ligação entre os exemplos que deste e a mensagem religiosa. E diz-me quem é que foram as pessoas que lutaram contra o racismo? E contra a pena de morte? Quem é que faz a maior parte do trabalho voluntário? São os ateus?
E o consumo de drogas, crimes, abortos que não param de aumentar?
Mas tens razão há alguma relatividade e mutação na moral nisso concordo. Com os seus devidos limites. O Hitler provavelmente estava muito convicto que o que estava a fazer era o correcto…
O que não posso concordar é com a moral de origem religiosa ser hipócrita, ou se é não vejo porque a moral de um ateu (que tem em parte uma origem jurídica) também não o seja.
O que a religião faz é dispôr umas leis standard que devem ser seguidas, em que muitas se mantêm actuais nos dias de hoje. O que evitas problemas “como o que é moral para ti pode não ser para mim.”
É exactamente o mesmo com a justiça de hoje, se matas vais para a prisão, achas hipócrita haver uma lei que previne as pessoas de cometer crimes? Porque esta lei é também uma repressão ideológica.
Uma pessoa é genuinamente moral, com leis ou sem leis, ateia ou crente…Como há (muitas) pessoas que não o são ainda bem que há estas repressões/leis. No fim de contas e em termos práticos o que interessa são os actos e não os pensamentos.
O problema é que as leis da moral religiosa estão isentas de escrutínio. São assim e mais nada. Se gostas, comes. Se não gostas, tens de comer na mesma ou então estás condenado ao inferno.
A constituição e o direito laicos têm essa grande vantagem: são escrutináveis. Não gostas do caminho que as coisas estão a levar, nas próximas eleições votas para que mudem. Tenta lá ir sugerir isso ao padre.
O princípio é exactamente o mesmo, impor moral através da repressão e medo.
Embora eu acho que as leis de moral religiosa em certa medida são mais coerentes, porque não mudam só porque é conveniente.
Se bem que são leis demasiado superficiais, e obviamente não prevêem muita coisa.
Pois a mim o que me parece é que as vítimas de pedofilia do catolicismo estão a aumentar, assim como a religião… que as vítimas do fanatismo do islão estão a aumentar, assim como a religião… e tb aqui os exemplos podem ser imensos.
Associar a religião à moral, sendo a religião a mais infame e vil actividade produzida pelo bicho homem, é de se lhe tirar o chapéu! Que moral existe na religião? A moral de exterminar os que pertencem a outras religiões?
“as leis de moral religiosa em certa medida são mais coerentes, porque não mudam só porque é conveniente”
Olhe que mudam… podem não mudar na nossa geração, mas mudam. Afirmar o que eu aqui afirmo há uns tempos atrás dava direito a estadia no Palácio dos Estáus em regime de pensão completa com vista para as pombinhas do Rossio… mas com certeza não se recorda disso, já faz bastante tempo…
Isto é marginal ao ponto central mas para começar não há nada que indique que os casos de pedofilia estejam a aumentar, simplesmente o reconhecimento de casos de pedofilia é maior. Depois as vítimas do Islão são vítimas de um grupo restrito de fanáticos, que hoje em dia têm mais meios para causar grandes danos.. A maior parte dos Muçulmanos não se explode o que indica que os problemas têm mais a haver com a “pancada” que esses fundamentalistas têm do que com a mensagem religiosa.
Essa sua visão da moral que existe na religião é um pouco retrocida. Para começar não se podem meter todas as religiões no mesmo saco. Há várias religiões que nunca tocaram numa espada, e tem o exemplo também de religiões que têm poucos anos também, que nem incentivam nem tiveram tempo de se meter em guerras
Eu as únicas religiões que estudei detalhadamente foram as cristãs, e são religiões de paz , ajuda ao próximo, esmola aos pobres etc.. Que têm o objectivo de ajudar as pessoas a viver melhor.
É preciso lembrar também que há hoje em dia a Religião não é como há anos atrás. No passado a Religião estava misturada com Política e Ciência, não havia uma divisão bem definida. Pelo que as guerras eram um misto de motivos políticos, ideologias científicas e claro está religiosas também.
Por último, os dez mandamentos que eu saiba continuam iguais, o que mudou não foram as leis religiosas, mas a forma como as pessoas as aplicam.
A moral não é o sistema de valores mais relativo que existe,bem pelo contrário.Toda a história civilizacional mostra que há uma linha de prumo condutora de uma axiologia de pendor tendencionalmente universalista.“Não matar”,“não fazer mal”“não torturar”,“não violar” são valores que uma enorme franja de humanos assume como absolutos(E ‚já agora que estamos em plena democracia dialéctica,a mim também me chateia a apregoada superioridade intelectual dos ateístas impenitentes…)
Esses valores que você refere são, de facto, assumidos como absolutos por uma enorme franja de humanos. Estou de acordo consigo. Não ignoro é o facto de durante séculos esses valores não terem sido assumidos como absolutos pelas diversas religiões. Nem ignoro o facto de esses valores terem vingado em algumas das civilizações graças ao esforço da luta pela secularização das sociedades em questão. Você parece ignorar essas grandes diferenças!
Se apenas lhe chateiam os ateístas impenitentes, então você é um homem cheio de sorte. É que você para ser chateado tem que, voluntariamente (presumo), visitar blogs ateus na internet. Eu, muito pelo contrário, tenho que levar com missas na televisão pública, com cerca de uma dezena de feriados religiosos por ano, ouvir pessoas supostamente responsáveis a desaconselharem a utilização do preservativo, etc, etc, etc… A lista seria longa e demasiado enfadonha. Assim sendo, não se queixe.
Você é o máximo …da incoerência…
Vejamos:
“Chateiam-me os crentes que alvitram uma superioridade moral induzida pelos ensinamentos religiosos que professam. Tenho algumas dúvidas que eles de facto acreditem em tal disparate.”
Como vê,você tem tanto o direito de se chater com o que lhe aprouver,como eu com a aventada superioridade intelectual dos ateístas impenitentes.
Ou você arroga-se,para si,o que já não reconhece como legítimo a quem pensa diversamente ?
E se tem um site aberto à comunidade dos cibernautas também não se queixe que os outros se chateiem com o que muito bem lhes apetecer,ainda que seja diferente do que lhe chateia a si…
Bolas, devo de estar com alguma dificuldade em me exprimir!
Você quando vai a qualquer lado, se encontrar uma porta aberta, acha-se no direito de entrar e chatear-se com o que lá estiver dentro? Olhe, eu não.
Por isso é que não vou para blogs cristãos dizer que eles andam todos a ser enganados. Consideraria isso de uma deselegância brutal. Agora, que eles se chateiem nos seus blogs com ateus, muçulmanos, judeus ou os guerreiros de Jedi isso é lá com eles. Estão no seu direito.
De qualquer forma, você pode sempre visitar este blog para discutir ideias. As trocas de ideias são sempre mais interessantes quando os interlocutores não estão de acordo, não acha? Isto, claro, partindo do princípio que você concorda em discordar, caso contrário, não vale a pena.
Você não está com dificuldade em se exprimir.Está é a ser interpelado por quem não alinha ideologicamente consigo e não apareceu aqui para lhe dar palmadinhas nas costas e lhe dizer amen .Vim ter aqui por não acaso e reconheci-me no texto inicial do seu perfil,na parte em que diz que está no seu blogue para se divertir,esperando que os seus interlocutores façam o mesmo.
Vá não se irrite que a vida são dois dias.…;)
“As trocas de ideias são sempre mais interessantes quando os interlocutores não estão de acordo,não acha ?“
Acho…
Gostamos do texto. Aguardamos sua visita ao nosso blog.
Saudações
Caro Helder e demais companheiros de tertulia, parece-me que existem aqui algumas ideias que não estão totalmente consonantes com a realidade actual (isto sem qualquer tipo de espirito negativo de critica). A teoria que quem peca vai para o Inferno e não ha volta a dar-lhe ja não existe, o que, analisando os Evangelhos podemos dizer é que DEVEMOS condenar o Pecado e NUNCA o pecador, até porque não somos mais do que ninguem e como seres humanos TODOS nós pecamos, desde o Papa aos crentes, dos Agnosticos aos Ateus todos nós cometemos actos passiveis de ser considerados como pecado pela Igreja.
A Igreja é sujeita a mudanças…não os Dogmas da Igreja mas a forma como os analisamos sim, ha que ter isso em conta, a consciencia de 1200DC não é a mesma da de agora e a de agora não será certamente igual à do ano 3000 tudo evolui e a Igreja sendo composta por homens nao é diferente.
A minha Igreja e particularmente a Ordem a que pertenço nao como religioso mas como leigo, defende exactamente o contrario da superioridade moral, defende a humildade fisica e moral, “Meu Deus ajuda-me a ser o menos dos homens para os poder servir como é Tua vontade”, esta frase que nao sei se a estou a reproduzir com fidelidade porque nao tenho comigo nada com que possa comprovar, marcou e marca a minha vida, é esta mentalidade que tem vindo a reinar de algum tempo para ca na Igreja…espero que continue e que se espalhe.
Paz e Bem
Abraço
Moralidade para ti é só não fazer o mal (não matar, por ex)?
A moralidade cristã (só para usar um ex. de religião) enfatiza o fazer o bem, a caridade e o altruísmo.
Alguém aí citou o “pacto social” com relação ao “não matar” (todos queremos viver). Mas isso não me explica o cuidar de velhinhos, de doentes terminais, de pessoas inválidas, o gastar dinheiro com quem vai morrer de qq forma, etc. Essas atitudes parecem ir contra a lógica, o materialismo, o existencialismo (e, pq não, a seleção natural)..
Nesse ponto, vejo que a religião tem algo mais a dizer do que o ateísmo.
Será que existe um elo de ligação entre “Religião” e “Moral”, eu penso que não.
Aprendi muito com os ensinamentos de Jesus, expostos de uma forma racional que me desfizeram anos de dúvidas acumuladas na religião tradicional católica, compreendo-O melhor e procuro seguir a sua filosofia doutrinária porque a considero “divina” no sentido de nos apontar caminhos e comportamentos que nos levaram a um tão desejado por todos — Mundo Melhor.
Como Ele dizia “Convido-vos a seguir-me, e então TEREIS VIDA e VIDA em ABUNDÂNCIA”, espero que possam entender o significado de abundância, pois não se refere apenas aos bens materiais…até porque nunca teremos abundância material se não tivermos atitudes morais de senso de rectidão, equidade e justiça, valores tão bem preconizados por Jesus. Enfim elevemo-nos acima das religiões e ideias preconcebidas e tentemos de facto conhecer a mensagem deste Homem sublime que adentrou à dois mil anos a esfera terrestre e nos deu tamanha fonte de sabedoria que vale a pena conhecer, interiorizar e praticar, afinal Ele aceitou a morte que os poderes institucionalizados na época Lhe sentenciaram só para nos deixar a Sua mensagem e exemplo, começamos a contar os séculos A.C e D.C. talvez valha a pena conhecer com uma mente mais aberta e racional o que Ele tanto nos quis transmitir.
E nós o que estaríamos dispostos a fazer para defender uma causa???
Sobretudo lembremo-nos — Nada neste mundo é 100% certo certo mas também nada é 100% errado…não acham??
Procurem separar Religião/Fanatismo de Moral pois embora pareça uma coisa não tem nada a ver com a outra e muito boa gente as confunde com muita pena minha, pois contribuem mais para o atraso do que para a evolução humana.
Continuação de Bom Aprendizado nesta vida. Muita Paz.