Compreender e a Pura Indiferença

Admito que há alturas em que me sinto mais incomodado com o agnosticismo que com alguns tipos de crenças. Já aqui escrevi sobre agnosticismo e penso que ficou bem patente a minha posição em relação à indiferença cúmplice dos agnósticos. Entendo mais facilmente, por exemplo, um panteísta que um agnóstico. Recordo-me ainda quando no antigo fórum do ateísmo.net (Diário Ateísta) se discutia a criação de uma associação e se questionava a inclusão ou não de agnósticos. Por mim, nunca fui favorável a essas misturas!

Quando me lembrei de promover este debate interblogues a distinção entre agnósticos e ateus pareceu-me um tema óbvio para dar o pontapé de saída. Esta é a minha participação no debate e gostaria de começar com uma fantasia.

Imaginem que, numa pequena cidade, um grupo considerável de pessoas estava crente que o Sol se extinguiria dentro de duas semanas, a uma quarta-feira, pelas 16h43.

Não existia nenhuma evidência para tal crença mas a convicção de alguns neste delírio era tão convincente que arrastava uma percentagem significativa dos habitantes dessa cidade.

Para além dos crentes, existiam outros dois grupos de pessoas: os que achavam que a ideia era um disparate, uma vez que não havia qualquer suporte cientifico para temer tal catástrofe, e os que achavam que quer fosse verdade ou não era irrelevante uma vez que, em qualquer dos casos, não tinham ao seu alcance qualquer forma de alterar o destino da nossa estrela.

Com a aproximação da data prevista para a extinção do Sol, o grupo crente começa a viver em função dessa fatalidade, tentando impor rituais para contrariar o destino anunciado. Outros, mais radicais, cientes de que qualquer ritual seria uma perda de tempo, tentam gozar os últimos dias isentos de quaisquer regras de convívio social, recorrendo a violações, roubos e homicídios.

Os que achavam que esta ideia do Sol se extinguir não passava de um disparate opunham-se e preveniam contra a loucura e insanidade dos crentes. O outro grupo, limitava-se a observar, expectante, o desenrolar dos acontecimentos.

Esta história demonstra bem a atitude diferente de crentes, agnósticos e ateus em relação à realidade. Enquanto que os ateus se manifestam por considerarem que não existem quaisquer evidências que justifique qualquer crença num qualquer deus ou divindade, os agnósticos procuram o refúgio na ignorância – por entenderem ser impossível uma resposta à questão divina – ou no desinteresse – por acharem que qualquer resposta é insignificante para as suas vidas.

Assim, o que aparentemente poderia parecer a atitude mais racional, não passa, isso sim, de uma forma envergonhada de desistir da procura da verdade ou de uma presunção de que essa mesma verdade seria inconsequente no entendimento do Homem e do mundo. Como é possível pensar que não seria determinante para a humanidade provar a existência ou inexistência de um ou mais deuses?

Ilusoriamente racional, o agnosticismo não passa de um entrave ao conhecimento. Tivesse a humanidade ao longo dos séculos confiado tão pouco na sua capacidade de descobrir e de saber e a roda nunca teria sido inventada. Tivesse a humanidade nos séculos mais recentes achado que determinadas questões não eram importantes e a esperança de vida não teria mais que duplicado nesse período.

Eu entendo que o agnosticismo pode ser muito mais apaziguador, conciliador ou democrático que o ateísmo. Só que a verdade não se define por maiorias! Racionalidade é procurar encontrar a Verdade. Racionalidade é procurar as explicações, justificações e a compreensão do mundo que nos rodeia. Tudo o resto ou é delírio ou pura indiferença.

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    24 comentários em “Compreender e a Pura Indiferença

    1. Recomendo-lhe vivamente o visionamento dos episódios (não sei se se pode chamar realmente de episódios) de Beauty and Consolation. Passava na Sic, a horas absurdas. Talvez venha a passar de novo.

    2. Caro Jam,

      Obrigado pela sugestão. Confesso a minha ignorância em matéria televisiva mas agora, com a curiosidade aguçada, tenho que ir ver de que se trata.

      Já agora, obrigado pela divulgação do debate. Tentei agradecer no seu post sobre o mesmo mas não estavam disponíveis comentários. Tenciona participar?

      Um abraço.

    3. Sempre que se crê em alguma coisa, como o caso dos grupos e do sol…, é bom que haja uma base veriridica, e que tudo o que se desenrole seja também veridico, assim, tudo o que já aconteceu, acontece, e virá a acontecer, tal como as coisas que têm vindo a ser provadas pela ciência, estão escritas na Biblia Sagrada, logo, podemos concluir que esta é verdadeira onte, hoje e para sempre.
      Porque crêr por crêr, não é crêr mas sim querer. Logo não é verdade, pois a fé é baseada em factos veridicos e a esperança de coisas que se esperam, e a prova das que não se vêm.

    4. Viva Helder!
      Escrevi uma dezena de linhas por aqui e a página simplesmente caiu…
      Obrigado pelo convite. Era minha intenção apenas comentar, mas vou preparar um artigo e devo postá-lo em uns 4 ou 5 dias. Espero que a discussão não tenha encerrado até lá.
      Grande abraço,
      Catellius

    5. O Beauty and Consolition era uma série de longas entrevistas a filósofos, escritores, cientistas, músicos, etc. Nas entrevistas falavam deles próprios e o tema, era precisamente “Beauty and Consolation”, ou por outras palavras, uma espécie de procura da “verdade”, que é um pouco uma verdade de cada um, o encontro com a “beauty” e a “consolation”.

      Mas o mais interessante nisto é, provavelmente, o debate final onde participam a maioria dos entrevistados, numa emissão que dura 3 programas, todos sentados numa mesa enorme a debater este tema: a humanidade e a sua procura (e necessidade?) por “beauty and consolation” (termos que, possivelmente, podem ser substituídos por outros).

      http://home.tiscali.nl/sttdc/beauty.htm
      http://pontape-na-logica.blogspot.com/2006/11/182-pontap-beauty-and-consolation.html (um post num blog, na altura, a referir-se ao programa)

      Em relação aos comentários, tem razão, mas sinceramente não sei porque não dá, aconteceu também noutro post no mesmo dia. Mas não me sinto com grande preparação e conhecimentos sobre o assunto. 🙂

    6. Oi, Helder.
      Adorei sua iniciativa de discutir sobre esse assunto, li todos os blogs que participaram mas ainda fica uma dúvida minha.

      No Wikipedia fala o seguinte:

      “O agnóstico, à primeira vista, opõe-se não propriamente a Deus, mas sim à possibilidade de a razão humana conhecer tal entidade ”

      Foi um assunto que eu não vi propriamente ser tratado – ou talvez tenham e eu que não consegui interpretar, mas enfim – isso seria desculpa? afirmar que “seres sobrenaturais” estão longe da capacidade humana de poder compreender? sem levar em conta o fato de que quem “realmente” criou esses “seres” são os humanos. Ou essa seria a única forma de refutar essa afirmação?

      abraço.

    7. “Racionalidade é procurar a Verdade.Racionalidade é procurar as explicações e a compreensão do mundo que nos rodeia.Tudo o resto ou é delírio ou pura indiferença”. Pois é…mas não há formas sacramentais monolíticas de pensamento,teístas ou ateístas,que consigam arvorar-se em detentoras dos universais direitos de autoria.Porque,no limiar dos respectivos postulados,há sempre quem diga:”Só sei que não vou por aí…”

    8. Meu caro, cada um vai por onde quer. Você já viu algum ateu a dizer por onde se deve ir? É ao contrário que as coisas acontecem.

      Nem nenhum ateu lhe tenta impingir seja o que for. O que não estamos dispostos – eu, seguramente, não estou – é que sejam as religiões a impor as regras de funcionamento da nossa sociedade.

      Por isso, meu caro, você vá por onde quiser e como quiser: atire-se da ponte, vá à missa, ao futebol ou fique em casa. A escolha é sua. Não me obrigue é a ter que o seguir.

    9. Ai vou por onde quero vou…mas não há racionalidades monolíticas sabe ?…
      Desde os postulados da mundividência einsteiniana de que “Deus não joga aos dados” até aos do indeterminismo da física quântica tantas formas de racionalidade são possiveis,incluindo as que fundam ,nessa matriz racional,da compreensão da Vida e do Universo,a sua concepção religiosa da Vida…

    10. Como deve calcular, concordo com tudo o que acabou de dizer com excepção da última parte. Misturar religião com racionalidade é pior que misturar azeite com água.

      Essa é uma armadilha na qual você não me vai ver cair. Se quiser falar de razões sociais que explicam a propagação das religiões, motivações culturais, etc, tudo bem. Ou seja, se quiser tentar racionalizar o fenómeno religioso, esteja à vontade; debater concepções religiosas da vida, desculpe, mas não posso discutir essa matéria uma vez que não tenho sequer qualquer percepção do que isso possa ser ou significar.

    11. As percepções humanas são diferentes e eu não tenho por hábito dialogar com base no armadilhamento intencional de pressupostos falaciosos.Para mim,cheguei à origem divina da Vida por via da lógica racional de um princípio absoluto da Origem do Universo,por considerar ilógica a concepção ateísta que a visa explicar,a meu ver inconsequentemente.

    12. Caro Hélder,

      Steven Pinker, em seu livro “Como a mente funciona”, sugere que a seleção natural moldou nossas mentes para lidar com as questões da sobrevivência e da propagação dos genes, não para solucionar os mistérios da vida. Democracia, casamento e outros assuntos espinhosos, assim como Deus e religião são demasiado “novos” na história da nossa espécie e a evolução tem uma inércia enorme. Daí acho merecedor de crédito o argumento agnóstico: o aparato mental não foi moldado para responder essas questões, pelo menos ainda, ao que me parece. O que achas?

      Abraço do Brasil.

    13. «Os que achavam que esta ideia do Sol se extinguir não passava de um disparate opunham-se e preveniam contra a loucura e insanidade dos crentes. O outro grupo, limitava-se a observar, expectante, o desenrolar dos acontecimentos.»

      Sei que já chego um pouco atrasado a este debate, mas não queria deixar de por aqui a minha colherada agnóstica. É óbvio que não aceito esta caricatura, por muitas razões que poderia explicar melhor, mas adiante. Não sei como são “os agnósticos”, não faço ideia, só conheço bem um, que sou eu, não respondo pelos restantes.
      E nestas circunstâncias da parábola da extinção do sol, posso assegurar ao Helder que não me limitava a observar expectante o delírio dos meus vizinhos.
      De uma vez por todas, caro Helder, os agnósticos não são imbecis apáticos e indiferentes. São apenas gente que assume as suas dúvidas em relação às grandes e realmente relevantes questões da vida e da condição humana. Não em relação a profecias ou crendices que são tão disparatadas para sim como para mim. A razão também cá mora e um agnóstico consciente nunca desiste da procura da verdade (já agora, o que é isso da “verdade”?). Essa é outra falácia. Um agnóstico consciente é por definição uma pessoa inquieta. Não é indiferente às tais questões importantes da vida nem ao que o rodeia. E você confunde agnosticismo com indiferença.
      É por isso, e pelo facto da história da ciência e da filosofia estar repleta de agnósticos, que considero no mínimo desbocada a asserção de que os agnósticos são um entrave ao conhecimento… Só faltava mais essa…

    14. Caro JPC,

      Compreendo perfeitamente que não se reveja nesta minha descrição de agnosticismo. Pelo que conheço de si através dos comentários e do seu blog – que aproveito para recomendar a todos – também não o revejo nesta descrição.

      Nestas coisas das definições temos sempre que nos permitir alguma margem, mesmo que para isso tenhamos que assumir algumas injustiças.

      Por definição, o agnóstico não acredita na possibilidade de se vir a descobrir se deus existe ou não; outra definição é que para o agnóstico a questão de deus é irrelevante. Em relação à segunda, imagino que não seja o seu exemplo, caso contrário não teria um blog a debater esta temática. Quanto à possibilidade de se virem a descobrir provas da existência ou inexistência de deus, não tenho tanta certeza da sua posição. Esclareça-me neste ponto, por favor.

    15. O que eu acho é que qualquer que seja a resposta para a existência do Universo, será completamente contra intuitiva. Se for realmente um Deus que criou o Universo, é dificil de digerir, mas se é o Universo que é eterno também
      é igualmente estranho.

    16. Desde logo, o agnosticismo, tal como ateísmo, não é uma doutrina. Não faço parte de nenhuma seita ou associação de agnósticos. Considero-me, acima de tudo um livre-pensador com muitas dúvidas e no capítulo do agnosticismo revejo-me mais no chamado agnosticismo empírico. Há várias formas de viver uma condição existencial agnóstica, como há várias formas de viver o ateísmo ou a própria religiosidade. «Por definição, o agnóstico…»: esta frase pura a simplesmente não faz grande sentido para mim, já que não sou do tipo de agnóstico «que não acredita na possibilidade de se ir a descobrir se deus existe ou não». Para responder à sua questão, sim, a questão de deus não é irrelevante para mim e sim sou do tipo que admite «que a compreensão e conhecimento do Divino não é até ao momento possível mas que se aparecerem novas evidências e provas sobre o assunto tal é uma possibilidade». É mais ou menos isto. Mas também considero essenciais outro tipo de questões, desde logo a definição de Deus. De que falamos afinal quando falamos de Deus? Também isso não sei.

    17. Pois é, caro JPC, a expressão “por definição” não faz muito sentido para si mas, ao conseguir rever-se mais no chamado agnosticismo empírico, está-se a rever no que este se define!

      Quanto à definição de deus… Deus, afinal, não é o que cada um quiser (se quiser)? A tal multiplicidade de que eu falava inicialmente prova que a inteligibilidade de deus tem tantas possibilidades quantas as pessoas que coloquem a questão sobre a definição de deus. Aliás, essa é a grande armadilha em que a ciência tem caído ao longo dos tempos; tentar encontrar uma resposta para algo em que nem os próprios crentes são coerentes na sua definição.

      Mas, apesar de tudo, o JPC acaba por dar a mesma credibilidade à possibilidade ou à impossibilidade de deus. Pelo que eu entendo, você dispensa o folclore religioso mas não abdica da justificação da crença. Para mim, a distância entre uma coisa e outra é praticamente nula.

    18. Não Helder, não faz sentido simplesmente porque não há uma definição específica e estrita de agnosticismo, há várias e mesmo entre essas, as coisas não são assim tão lineares. Como lhe disse, não estamos aqui a falar de nenhuma doutrina. E mesmo o meu agnosticismo empírico não é linear. O que eu disse foi que me revia mais. Não que me revia absolutamente. Em absoluto não me revejo em coisa nenhuma. Por outro lado relativamente à questão da definição de deus, não é pelo facto de haverem muitas definições que devemos desistir das respostas e das perguntas. Provavelmente tem razão, darei a mesma credibilidade à possibilidade e à impossibilidade de deus. Em relação às duas hipóteses, não sei, é o máximo que consigo com honestidade. O mundo da crença e da religiosidade simplesmente me merecem respeito. Por um lado porque, apesar do meu cepticismo intrínseco, não encaro todos os crentes como imbecis irracionais. Acho que devemos ouvi-los com a mesma abertura mental com que ouvimos um ateu, perceber o que os move e o que os faz viver a religiosidade dessa forma tão intensa. A experiência espiritual é um mistério que me fascina, tão só. Não tenho crenças, mas é um fenómeno histórico e humano que tenho procurado estudar e aprofundar, no sentido, por exemplo, de perceber o que justifica a crença. Do que eu não abdico é da dúvida.

    19. “O mundo da crença e da religiosidade simplesmente me merecem respeito.”

      Aqui existe uma diferença fundamental entre nós; para mim, quem merece respeito são os crentes e não as crenças. Merecem respeito porque entendo que cada um tem o direito de acreditar naquilo que muito bem entender. Quanto ao respeito por aquilo em que têm direito de acreditar não sou tão condescendente.

      “A experiência espiritual é um mistério que me fascina, tão só.”

      Pois, a mim também. Agora, não a confundo com experiência racional. Seria a mesma coisa que procurar a fórmula matemática para o Amor. Nem dou à espiritualidade o crédito que dou à racionalidade. Procurar respostas na espiritualidade para questões concretas não tem sido bom exemplo ao longo da história da humanidade.

      “Não tenho crenças, mas é um fenómeno histórico e humano que tenho procurado estudar e aprofundar, no sentido, por exemplo, de perceber o que justifica a crença. Do que eu não abdico é da dúvida.”

      É uma excelente questão: o que justifica a crença? As possibilidades levantadas têm sido muitas: genética, endoculturação, fenómeno social, protecção paternal, espírito de grupo, fé…
      Como fenómeno da humanidade, também acho deveras fascinante; procuro é explicações recorrendo aos mesmos métodos que recorro para encontrar explicações noutras matérias.
      Quanto ao facto de não abdicar da dúvida, acho que só faz bem até certo ponto. Pelo menos, suponho que será esse o seu procedimento em todos os outros aspectos da sua vida. Repare, ninguém – crentes ou ateus – lhe pode provar em absoluto a existência ou inexistência de deus. De facto, ninguém lhe pode provar em absoluto nenhuma Verdade, por mais trivial ou fundamental que ela seja.
      A questão é que todos nós temos que viver com os pressupostos que melhor reflectem a realidade. Fazemos isso constantemente no nosso dia a dia, em todas as nossas acções. Porque não, então, fazê-lo também em relação à questão de deus? É que para mim a probabilidade da existência de deus é tão pequena que apenas me resta a alternativa de ignorá-la. É como quando saio de casa: não deixo de o fazer porque posso levar com um meteorito na cabeça.

    20. Pois, em relação ao respeito, também concordo consigo, não acho que haja assim uma diferença tão grande entre nós nesse aspecto. Referia-me mais a um tipo de respeito científico, ou intelectual, vamos lá, relativamente a um fenómeno (a religiosidade) que tem estado sempre presente na história da humanidade e é transversal a todas as culturas.
      Outra coisa em que concordamos é na separação entre o plano racional e o espiritual. Também eu não as confundo, também acho que são dois planos muito distintos da experiência humana e também dou mais crédito à racionalidade e à evidência concreta.
      Também eu prefiro procurar “explicações recorrendo aos mesmos métodos que recorro para encontrar explicações noutras matérias”.
      Em relação à dúvida, há uns tempos expliquei-lhe algures neste blog o que pensava acerca disso e acabei por lhe dar precisamente o exemplo do meteorito na cabeça. Sendo muito certo que ninguém me «pode provar em absoluto a existência ou inexistência de deus» ou de seja o que for, também não é menos certo que essa dúvida existencial não conduz todos os aspectos da minha vida, se assim fosse, realmente não sairia de casa. Ou melhor, dúvida há sempre, em relação a tudo, sempre céptico, mas para não imobilizar tenho de fazer escolhas no quotidiano, escolhas no sentido das maiores ou menores probabilidades. Porque também é certo que «todos nós temos que viver com os pressupostos que melhor reflectem a realidade». Claro. Simplesmente, ao contrário do Helder, não consigo ignorar a questão de deus (aliás, o Helder se ignorasse realmente essa questão não escreveria tanto sobre ela). Não ando obcecado pelo tema, mas quando me reclamo agnóstico, faço-o apenas relativamente às grandes questões metafísicas, questões como a de deus (seja lá o que isso for) ou a da morte, por exemplo. No resto prefiro reclamar-me enquanto céptico ou livre-pensador ou outro qualquer rótulo similar. Nesse aspecto seremos todos agnósticos de certa forma, porque simplesmente (ainda) não sabemos. Como já lhe referi também aqui há uns tempos, o meu agnosticismo não é militante, não ando em campanha em prol de qualquer movimento agnóstico. E de certa forma concordo com Bertrand Russel no excerto que o Hélder reproduz mais à frente no seu blog. Em termos relativos também serei mais ateu do que crente. Naturalmente. Até porque perante a multidão de deuses que a humanidade já pariu, acho extremamente improvável que algum deles seja real, porque nunca se viu qualquer evidência de nenhum. Quando me refiro a deus, refiro-me a um símbolo, vamos lá, a um eventual poder unificador e criador, a uma metáfora da criação, do eventual sentido da vida, da natureza do cosmos e do átomo, etc., de tudo o que a ciência ainda não conseguiu esclarecer, de tudo o que permanece um mistério ou até, porque não?, das alegadas experiências espirituais dos outros.

    21. eu sou agnostica …e digo que é a melhor escolha …pois como pode afirmar que deus ou outros seres paranormais existem sem os ter visto? e como pode afirmar que nao existem? sem os ter visto?

      agnosticismo é simplesmente nao negar ou afirmar aquilo do que não temos provas

      email se quiserem falar:
      lady_xxr@hotmail.com

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