Fé e Inteligência
Nos comentários a este artigo, o Xiquinho defende a teoria de que é impossível alguém ser simultaneamente inteligente e religioso. Parece-me que é uma posição demasiado arriscada. Seria como dizer que é impossível alguém ser inteligente e gostar de futebol. Ou alguém ser inteligente e fumar.
Se é verdade que diversos estudos apontam para uma inversão proporcional entre o grau académico e a religiosidade (as percentagens de membros religiosos da National Academy of Sciences dos EUA ou da Royal Society da Common Wealth demonstram, claramente, esta evidência), esta análise parece-me, mesmo assim, demasiado simplista.
Em primeiro lugar, não é liquido que um maior grau académico corresponda necessariamente a uma maior inteligência. Pode ser reflexo de um considerável número de factores onde se incluirá também, certamente, a inteligência, mas esta estará muito longe de ser o único factor determinante para a obtenção de um grau académico superior. Outros factores a ter em conta serão, por exemplo, origem social, grau de literacia, disciplina, capacidade de organização e método, pressão social, disponibilidade e (porque não?) vontade.
Em segundo lugar, por mais incompreensível que possa parecer, a necessidade de um conforto espiritual pode ser uma necessidade não racional para muita gente e manifestar-se num plano estranho, extra-lógica, que será sempre absurdo para quem não partilhar essa característica. Ainda recentemente assisti na Gulbenkian a uma série de encontros em que se abordou a questão das vantagens evolutivas da religião.
Por último, existem muitas variedades de religiosos. Metê-los a todos no mesmo saco está para lá das minhas intenções. O tipo de fé que move um criacionista não será, seguramente, o mesmo tipo de fé que move um panteísta.
Em suma, embora qualquer pessoa que acredite numa qualquer entidade divina por pura convicção ou fé esteja, a meu ver, com alguns problemas de interpretação do mundo que nos rodeia, dou – a alguns – crédito para os continuar a considerar inteligentes. Por mais absurda que me possa parecer essa necessidade de procurar respostas no sobrenatural.
This entry was posted on Quinta-feira, Maio 17th, 2007 at 9:47 and is filed under Ateísmo, Religião . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.









Hélder,
Acho que confundiste algumas coisas.
Li na diagonal (sempre adorei esta expressão) os comentários do Xiquinho e tenho ideia que ele falou só de “inteligência vs religiosidade” e tu (sem querer) foste criar uma linha de ligação com o grau académico que não foi criada na altura, nem devia ter sido feita.
Não acredito que alguém possa (com racionalidade) fazer a ligação directa entre estudos e inteligência, pois não é assim tão fácil, tal como conseguiste explicar, e de forma bem feita como tu bem sabes fazer. (humm…”feita” e logo a seguir “fazer”…escrevo mesmo bem…e estes 3 “bem” seguidos caíram mesmo…bem).
Alguém com estudos, estando (em principio) mais dentro do assunto de como as coisas são realmente feitas, como acontecem, porque acontecem, têm a obrigação de pensar de forma diferente sobre certos assuntos, e não ir pelo caminho mais fácil tal como:
- Correu mal? A culpa é do homem.
- Correu bem? Foi graças a deus.
Etc. …
Mas dizer-se que se tem “a obrigação”, não quer dizer que se cumpra.
P.S.: Eu gosto de futebol e fumo, logo senti-me gravemente atingido por ti;)
Brinco.
Abraço.
O Xiquinho quando estabeleceu esse antagonismo referiu Richard Dawkins e os exemplos que ele cita no “The God Delusion”. Daí eu ter enveredado por esse caminho.
Aliás, quero ressalvar que o facto de eu muito admirar Richard Dawkins e concordar com ele em muitos aspectos nhão significa que concorde em todos.
religioso inteligente??? papa é.. os pastores são.. afinal…
veja o patrimonio deles!
Einstein agradece a benevolência desse crédito,Gandhi também,Rainer Maria Rilke igualmente,Martin Luther King idem aspas,Carl Jung,William Shakespeare e o nosso Agostinho da Silva…tudo gente de” escasso “gabarito intelectual.
Como se vê,provas provadas de que é “impossivel alguém ser simultâneamente inteligente e religioso”…
A mim também me parece ser uma “posição demasiado arriscada” e um nadinha ridícula convenhamos…;)
Caro António,
Na Bíblia, as intra-referências são complexas, as verdades diversificadas e a banha da cobra abundante, é certo. Neste blog, ao contrário, é tudo muito simples. Por isso, agradeço que quando fizer transcrições de algum texto o faça SEMPRE sem o tirar do contexto correcto.
Dito isto… você leu mesmo o texto do post? Fiquei com a sensação que não! De qualquer forma, de todas as personalidades que referiu, confesso que só conheço mais aprofundadamente Einstein. Você pelos vistos, não; caso contrário saberia perfeitamente que Einstein quando se referia a deus referia-se às forças da natureza, tinha uma visão panteísta, quanto muito, da sua pseudo religiosidade.
Como, aparentemente, você tem tempo disponível para navegar na net, recomendo-lhe este vídeo.
Li sim.mas à luz da minha interpretação,não da sua e a conclusão que retirei,depois de reler o post,está perfeitamente ajustada ao comentário tecido.Einstein não era pseudo-religioso,como você tenta desmerecer,relativamente àquele que eu considero,no plano científico,o génio dos génios e insuspeito de poder ser diminuido na dimensão superior do seu intelecto.A visão dele era verdadeiramente teísta e,se panteísta ou não pouco importa.Na dimensão religiosa da Vida também há lugar para várias acepções de Deus.Eu estou com Einsten,Espinosa e Leibniz e não me julgo mal acompanhado…
P.S.Tenho tempo para navegar na Net sim,como facilmente se constata,numa lógica puramente aristotélica…
Parabéns Antônio!
De fato, Einsten acreditava em Deus, ainda que num Deus que não tenha, necessariamente, que intervir na vida das pessoas em todos os momentos.
Fé e inteligência são apenas caminhos diferentes para o homem e a mulher chegarem até (de-eu´s) DEUS. Também está escrito que, Deus os criou à sua própria semelhança e imagem. Enquanto que fé é uma boa característica dos homens se acompanhada de acção porque fé sem obras é o mesmo que um corpo sem vida. Já a inteligência a Deus pertence, e, diz a sabedoria popular que inteligente é o burro que descobriu a poda das arvores.
Esta alusão a tão prestável animal apenas serve para mostrar que no inicio era a palavra e que esta se fez homem.
Não importa se tens ou não fé em Deus, se és ou não ateu, vamos mas é todos acreditar no dia de amanhã e construirmos, hoje um futuro melhor para os nossos filhos (tal como Deus nos fez).
Acredito em ti.
Este termo FÉ, penso que foi criado por religiosos, para bloquear a capacidade das pessoas em pensar, em decidirem por si e acreditem em tudo o que eles querem.
Sem tirar nem por, todas as palavras só podem ter sido criadas pelo homem quando inspirado em DeEUS, a palavra só tem significado quando forem definidos os seus limites, certo?
Não, não é absurdo acordar que a fé pode estar em consonância com a inteligencia. A fé é mesmo o principado da intelegencia. Jesus ensinou-nos a usar a fé com inteligênia, o que é a fé ? – convicção plena que o facto pelo qual esperamos (e que seja bom para nós) vai se realizar. Ora FÉ=INTELIGENCIA. Fé = Deus = subconsciente.
errata = inteligência
Fé=Inteligência?
Por aqui, e acho que em qualquer lugar, fé é sinônimo de crença.
Já inteligência é a faculdade de aprender, é característica do intelecto.
Não consigo encontrar relação entre os dois termos.
Algum crente inteligente poderia me ajudar?
Onde está a inteligência dos “fiéis” que aceitam passivamente,sem questionar, as doutrinas de suas religiões impostas por seus líderes?
Jairo, poderíamos tranquilamente redirecionar essa pergunta a alguns ateus que aceitam passivamente, sem questionar, as doutrinas de Dennett, Dawkins, Harris, etc… (não questiono os autores, mas os leitores)
É quase impossível hoje conversar com um ateu sem ouvir os mesmos mantras tirados de tais autores.
Quanto ao artigo: gostaria de ressaltar o conceito das múltiplas inteligências. Inteligente não é apenas o acadêmico, o matemático, o cientista.
Temos inúmeros gênios fora das ciÊncias exatas, e a crença ou não em Deus não é determinante da genialidade ou estupidez.
Ismael, nós crescemos ouvindo os mantras dos religiosos-cristãos e é impossível continuar de mente sadia esperando as promessas que o cristianismo prega e não cumpre, chega de cegueira, vamos enxergar a conveniência dos que criaram todos estes dogmas que são seguidos,como gado ao matadouro,sem ao menos questionarem estes dogmas. É preciso coragem para duvidar e não aceitar passivamente qualquer tipo de imposição.” O homem está condenado a ser livre.” JPS.
Aos defensores que alegam que a inteligência tanto pode estar entre os crentes e os não crentes, eu discordo. E discordo e entendo que os que vêem mais longe são inteligentes e os que vêem mais perto eu catalogo de espertos.
Se pensarmos que um profissional da fé cujo rendimento do vil metal provém da religião e que é a única garantia de sobrevivência, ele é uma pessoa esperta. Tal como o vigarista de boa fala e poder de persuasão é um esperto e não um inteligente.
O esperto consegue o lucro imediato enquanto que o inteligente gasta mais tempo esperando o resultado da pesquisa para poder avançar na recolha do lucro.
Por outro lado, pessoalmente não acredito no homem que percorre o caminho para atingir o topo de uma carreira religiosa ou política, seja inteligente. Acho que ele é esperto. Não acredito que os cardeais ou o papa acreditem em deus. Fazem isso pela ganância do poder dentro e fora da organização. Ajeitam-se às situações e sabem mover as pedras para manterem as organizações. O político promete, não cumpre mas garante que vai fazer. O religioso não garante nada, tem melhor opção para a desculpa, foi a vontade de deus e as suas vontades são insondáveis e não questionáveis.
Inteligente é o cientista estudioso que trabalha quando e quanto pode. Trabalha e nem sabe que está trabalhando. Ele está envolvido na descoberta, no achar de uma solução. Não sobe em escala hierárquica por tempo de serviço, vai subindo na consideração dos outros e nem se sente superior ou inferior aos demais.
E além de tudo, ele sem pensar está colocando o conhecimento em favor da humanidade sem esperar retorno financeiro. Salvo as empresas onde muitos estão ligados para obtenção de meios para pesquisa.
O inteligente não promete, o esperto garante.
Sobre o agnosticismo eu diria o seguinte: Conheço a água e o vinho. A mistura dos dois não satisfaz nenhum dos bebedores.