Madeleine McCann em Fátima

A ignorância mascarada de fé saloiaComo pai e como alguém que adora cri­an­ças, lamento pro­fun­da­mente os acon­te­ci­men­tos à volta do desa­pa­re­ci­mento da pequena Made­leine McCann. Como lamento o desa­pa­re­ci­mento de todas as cri­an­ças por­tu­gue­sas que, todas jun­tas, nunca fize­ram gas­tar tanta tinta e tanta con­cen­tra­ção de meios para a reso­lu­ção dos seus casos. Sin­ce­ra­mente, ainda bem para a pequena Made­leine que esses meios este­jam dis­po­ní­veis para ela. Espe­re­mos que este seja um novo padrão a que a nossa poli­cia nos venha a habi­tuar. O ideal seria que tais meios nunca vol­tas­sem a ser neces­sá­rios; mas isso só acon­te­ce­ria se o mundo, de repente, pas­sasse a ser perfeito.

O que eu não suporto mesmo é a igno­rân­cia mas­ca­rada de fé saloia. Então, não é que em Fátima, nas cele­bra­ções dos 90 anos do embuste-mor naci­o­nal, pro­li­fe­ra­vam as ima­gens da pequena Mad­die com pre­ces para que a pequena fosse encon­trada sã e salva!?!

Mas, afi­nal, onde estava o deus desta gente quando a peque­nita desa­pa­re­ceu? Por­que é que não se viram car­ta­zes a per­gun­tar ao tal deus ou à sua vir­gem con­cu­bina por­que dei­xa­ram que a pequena e ino­cente Mad­die desa­pa­re­cesse, assim, sem mais nem menos? Não é suposto esse tal omni-tudo olhar pelas cri­an­ci­nhas e pelos ino­cen­tes? Afi­nal, ou esse ser que gosta de ser baju­lado não sabia o que estava a acon­te­cer e não é omnis­ci­ente ou sabia e não fez nada. Per­gunto eu: não fez por­que não quis ou por­que não pôde? Se foi por­que não pôde, não é omni­po­tente. Se foi por­que não quis, de facto, não me sur­pre­ende; é o que se pode espe­rar de quem con­dena um filho à morte por pura vai­dade e neces­si­dade de afir­ma­ção, num autên­tico fre­ne­sim de egocentrismo!

(Publi­ca­ção simul­tâ­nea: Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

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15. Maio 2007 by Helder Sanches
Categories: Religião, Sociedade | 9 comments

Comments (9)

  1. E vais ver que quando apa­re­cer, que eu desejo que seja o mais rápido pos­si­vel, ainda vão dizer que apa­re­ceu mas foi gra­ças à inter­ven­ção divina da vir­gem que o pariu. O que entre­tanto nin­guém explica é se ela é surda, ou se são as pre­ces que andam estragadas…

  2. Bra­vís­simo, caro Helder!

    O inte­res­sante é que após todas as recom­pen­sas ofe­re­ci­das, até pela mãe de Harry Pot­ter — que é órfão -, bus­cas, todo empe­nho para se encon­trar a menina, os cré­di­tos irão para a Senhora de Fátima. É o mesmo que se passa com qual­quer mila­greiro. Extirpa-se o tumor, faz-se qui­mi­o­te­ra­pia, passa-se meses sob cui­da­dos médi­cos. E, por via das dúvi­das, toma-se uma pílula do frei gal­va­ni­zado. E não é que o padreco leva abso­lu­ta­mente todos os cré­di­tos pela cura?

    O deus dos cató­li­cos é sádico. Ele não per­mite que a menina seja encon­trada a não ser que um milhão de pes­soas ore sem parar durante dois meses. Se a metade do con­tin­gente rezar pela metade do tempo ele a dei­xará per­dida, aos cui­da­dos dos lobos que a raptaram…

    Real­mente, como disse Baku­nin, se um deus como o bíblico exis­tisse, o melhor que faria pelos homens que tanto ama seria ces­sar de existir.

    Abraço

  3. Hel­der… cer­ta­mente esse sumiço da inglesa cau­sou mal-estar… afi­nal… os bri­ta­ni­cos ado­ram fazer escan­da­los quando seus patri­cios sofrem algo no exte­rior!!! Os mes­mos
    “lords”(oh my god!!!) fazem silen­cio hipo­crita quando seus patri­cios, “in name of god and the queen” , fazm algo grave, a menos q nao haja outra saida!!! Ima­gine se 1 menina lusa de 3 anos sofresse o mesmo q essa “sudita de Sua Majes­tade” em solo bri­ta­nico. Será q a BBC iria falar em tom de afli­ção?? Ou o Daily Mirror?

  4. Bom dia!
    Aqui em Ingla­terra há leis que con­de­nam quem deixa um cão sozi­nho, por exem­plo den­tro do carro enquanto vai a algum lado. Com as cri­an­ças parece que sao mais permissivos…

    Cptos

  5. estou muito pri­o­cu­pada com o desa­pa­re­ci­mento da Mede­leine. espero que encon­trem a pes­soa que a levou e que a cas­ti­guem bem, mas o mais impor­tante e te-la de volta.

  6. Para algu­mas pes­soas que aqui dei­xa­ram o seu comen­ta­rio aqui vai uma mensagem:Deixem de blasfemar!Nao vai ser que acon­teca o mesmo com voces e ai nem Deus vos ira secorrer.Sejam humil­des e compreensivos.A blas­fe­mia so tras des­gra­cas aque­les que sao inve­jo­sos e so pen­sam no bem para eles e na des­graca para os outros.Madeleine McCann e ape­nas uma cri­anca inocente,nada nem nin­guem deve humilhar,maldizer ou descriminar…Esta cri­anca nao e Por­tu­guesa mas e filha do mesmo Deus.E neste mundo,felizmente somos todos irmaos.Deixem de falar mal e come­cem a pen­sar e agir de cabeca.Apanhem um bocado de temor por­que Deus e omnipotente,e nao aceita ofen­cas con­tra a sua mae imaculada.

  7. Vim aqui parar por (não) acaso e,do que li ‚em maté­ria de abun­dante pro­fis­são de fé ateista,leva-me a con­cluir que o Ateísmo,mesmo sem ser levado a extremos,traduz-se numa crença,do mesmo pen­dor religioso,que tanto visa refutar…

  8. Com menos con­versa você já tinha dito onde é que está a tal jus­tiça divina no desa­pa­re­ci­mento da cri­ança. Isso, sim, é que eu gos­tava de entender.

    Estra­nhos desíg­nios estes…

  9. O comen­tado gosta de comen­tar os comen­tá­rios dos comentadores,sobretudo de quem não diz amen aos seus pres­su­pos­tos raci­o­nais fala­ci­o­sos…
    Con­ce­ber uma jus­tiça divina abso­lu­ta­mente inter­ven­tiva seria negar o curso da evo­lu­ção humana tal como ela é e tornar-nos a todos uma espé­cie de mari­o­ne­tas de um qual­quer demiurgo do Uni­verso.
    A jus­tiça divina está em todo o ser humano que,independetmente das suas pro­fis­sões de fé ateistas,teistas ou agnósticas,se coloca ao ser­viço dos nobres valo­res da causa humana.
    O resto é conversa…

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