Era uma vez o Limbo…

Mas já não é! De acordo com cen­te­nas de anos de dou­trina e dogma cató­li­cos, o limbo era o local medo­nho onde fica­vam todas as cri­an­ci­nhas que mor­res­sem sem ser bap­ti­za­das. E digo era por­que o Vati­cano decre­tou o seu fim! E, pronto.

Assim, por decreto, o mundo onde vive­mos pas­sou a ser com­ple­ta­mente dife­rente, a rea­li­dade foi alte­rada e as cri­an­ças pas­sa­ram a viver num mundo muito melhor e mais justo.

Eu des­con­fio que o Al Gore está metido nisto; o limbo não ia desa­pa­re­cer assim, sem mais nem menos! Nin­guém me con­vence que não se trata já de uma con­sequên­cia da subida das águas do mar devido ao aque­ci­mento glo­bal. Se for, impõe-se a per­gunta: o que virá a seguir? O Pur­ga­tó­rio?

Este caso demons­tra bem a levi­an­dade das deci­sões reli­gi­o­sas. No Vati­cano, a rea­li­dade decide-se, não se prova. Mais grave do que isso é que quem decide, fá-lo ape­nas com a auto­ri­dade do poder e nunca com a auto­ri­dade da prova ou do conhe­ci­mento. Que isto não seja óbvio para todos é um mis­té­rio, quiçá, maior que alguns milagres!

Lá se foi o limbo… Puf! Coitado…

(Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

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23. Abril 2007 by Helder Sanches
Categories: Religião | 3 comments

Comments (3)

  1. Estou espan­tado como deci­di­ram isso tão cedo…ainda esta­mos em 2007!

    Sem­pre avan­ca­dos no tempo…sempre MUITO avan­ca­dos no tempo…não me digam que daqui a uns 300 anos as mulhe­res vão ter os mes­mos direi­tos do que o homem na religião?

  2. Seguir-se-á, natu­ral­mente (embora não num futuro pró­ximo), a extin­ção do bap­tismo, do casa­mento, da cas­ti­dade para os sacer­do­tes — embora isso não seja um pro­blema — , do céu e do inferno.
    De uma forma natu­ral e evo­lu­ci­o­nista, tam­bém deus será decla­rado extinto (até por­que não se conhece espé­cie que dure mais do que 200 anos, salvo algu­mas tar­ta­ru­gas gigan­tes das Galá­pa­gos). No fim, vai sobrar o diabo, que, des­pro­vido de habi­ta­ção, se vai can­di­da­tar a uma habi­ta­ção social, até por­que uma reli­gião que não con­siga impôr con­du­tas de com­por­ta­mento sem alguém para nos cas­ti­gar não será terá reco­nhe­ci­mento.
    Com jei­ti­nho, vai haver suces­são no lugar de deus. Ainda não se sabe se o governo dos cris­tãos assen­tará numa Repú­blica Demo­crá­tica ou numa Monar­quia. As igre­jas darão lugar a sedes de par­ti­dos político-religiosos.
    A bíblia tam­bém vai aca­bar, para dar lugar a uma Cons­ti­tui­ção.
    Ora porra! E tanta gen­ti­nha que andou a fazer inves­ti­men­tos em pla­nos de pou­pança para regi­mes de segu­rança social pós-morte (vul­gas esmolas)…como é que vão ter o reembolso?

  3. As reli­giões que quei­ram sobre­vi­ver no mundo fazem mudan­ças. Sei que em algu­mas sei­tas isso é nor­mal, con­si­de­rando não como uma con­tra­di­ção, mas ajus­tes ou novas luzes. Mas acu­sam uns aos outros do mesmo erro:
    http://www.cacp.org.br/mudancas%20que%20perturbam%20as%20testemunhas.htm

    Em http://www.cacp.org.br/homoteologiacristagay.htm é dito:
    «A exe­gese dos teó­lo­gos John Anker­berg e John Wel­don con­firma a posi­ção de outros teó­lo­gos evan­gé­li­cos:
    “o que as Escri­tu­ras ensi­nam sobre moral no Antigo Tes­ta­mento, elas ensi­nam tam­bém no Novo Tes­ta­mento. Essa uni­for­mi­dade tam­bém prova que esses tre­chos bíbli­cos trans­cen­dem as supos­tas limi­ta­ções cul­tu­rais. Por­que o cará­ter santo de Deus nunca muda, Sua lei moral nunca muda. Deus é sobe­rano sobre a cul­tura e não sujeito a ela. Os valo­res mutá­veis da soci­e­dade não mudam a lei moral de Deus, que é válida para toda e qual­quer cul­tura, inde­pen­den­te­mente de suas crenças.”»

    Isso é falso. Por exem­plo, as afir­ma­ções n“O Sílabo dos Erros” (escrito pelo papa Pio IX) são agora má polí­tica. A Igreja já não afirma, pelo menos aber­ta­mente, que é con­tra ao direito de liber­dade reli­gi­osa, à demo­cra­cia e à razão. A Inqui­si­ção e a Terra plana no cen­tro do Uni­verso são pas­sado da Igreja.

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