Os Feriados Nacionais

Há quem pense que as únicas coi­sas boas que Por­tu­gal ainda retém da sua influên­cia cristã são os imen­sos feri­a­dos que con­so­lam o apu­rado espí­rito calão da alma lusa.
Caso não tenham repa­rado, aqui fica a lista com­pleta de feri­a­dos naci­o­nais para 2007:

Dia Mês Dia da semana Feri­ado
1 Janeiro Segunda-feira Ano Novo
20 Feve­reiro Terça-feira Car­na­val
6 Abril Sexta-feira Sexta-feira Santa
8 Abril Domingo Pás­coa
25 Abril Quarta-feira Dia da Liberdade
1 Maio Terça-feira Dia do Trabalhador
7 Junho Quinta-feira Corpo de Deus
10 Junho Domingo Dia de Portugal
15 Agosto Quarta-feira Assun­ção de Nossa Senhora
5 Outu­bro Sexta-feira Implan­ta­ção da República
1 Novem­bro Quinta-feira Todos os Santos
1 Dezem­bro Sábado Res­tau­ra­ção da Independência
8 Dezem­bro Sábado Ima­cu­lada Conceição
25 Dezem­bro Terça-feira Natal

A negrito estão os feri­a­dos reli­gi­o­sos. São 7! Se tiver­mos em conta que os feri­a­dos muni­ci­pais estão, geral­mente, asso­ci­a­dos ao um qual­quer santo padro­eiro, facil­mente cons­ta­ta­mos que qual­quer por­tu­guês goza de 8 feri­a­dos por ano por moti­vos religiosos!

Isto diz muito sobre diver­sas maté­rias: a efec­tiva lai­ci­dade do Estado, o res­peito por outras cren­ças, o res­peito pela ausên­cia de cren­ças, a hipo­cri­sia quando se fala de pro­du­ti­vi­dade e por aí fora.

Vamos fazer con­tas (para as nos­sas con­tas vamos menos­pre­zar o facto de alguns feri­a­dos pode­rem calhar ao fim-de-semana; em com­pen­sa­ção, vamos igno­rar as pon­tes ofe­re­ci­das pelo Estado):
Em núme­ros redon­dos, o ano tem 52 sema­nas. Cada semana tem 5 dias úteis. 5 vezes 52 são 260. Obte­mos, por­tanto, 3.08% de dias em que não se faz nada por moti­vos reli­gi­o­sos! Está des­ven­dada a ori­gem do défice.

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13. Janeiro 2007 by Helder Sanches
Categories: Portugal, Sociedade | 43 comments

Comments (43)

  1. Não con­cordo con­tigo, em mui­tos sec­to­res do estado, o facto de não tra­ba­lha­rem só acresce riqueza ao país. Infe­liz­mente, isso sim é que está mal, e já agora a pro­du­ti­vi­dade não tem que ver com o facto de fal­ta­res 10 ou 15 vezes ao tra­ba­lho por ano, podes até fal­tar mais e teres um índice de pro­du­ti­vi­dade alto.

  2. É ver­dade que parece estra­nho que num País que se diz “laico” ter tan­tos feri­a­dos reli­gi­o­sos. Mas uma coisa é certa, se algum poli­tico se atreve a tira-los até os cha­ma­dos “cató­li­cos não pra­ti­can­tes” (ainda estou para sabes o que é isso, tal­vez seja o mesmo que um ciclista que não pedala) se vão manifestar!

  3. Caro Kota,

    Con­cordo intei­ra­mente con­sigo, temos exem­plos de paí­ses onde as horas de tra­ba­lho são redu­zi­das (com­pa­ra­ti­va­mente com as nos­sas), não pre­ju­di­cando a pro­du­ti­vi­dade.
    O facto de se estar em casa a par­tir das 4h, ajuda ao bom ambi­ente fami­liar (a nivel de apoio), além de pro­por­ci­o­nar tempo para des­porto, lei­tura, e outras acti­vi­da­des extra…mais saude, mais esta­bi­li­dade, mais con­cen­tra­ção, mais produtividade.

  4. Ora aí está o espí­rito por­tu­guês a fun­ci­o­nar, pois claro.
    Não inte­ressa para as con­tas qual o meu índice de pro­du­ti­vi­dade; quer eu pro­duza muito, quer eu pro­duza pouco, terei sem­pre a minha pro­du­ti­vi­dade redu­zida em 3,08% gra­ças a feri­a­dos reli­gi­o­sos.
    Nin­guém se refere às razões soci­ais ou cul­tu­rais dos bai­xas índi­ces de pro­du­ti­vi­dade. 8 dias sem tra­ba­lhar são sem­pre 8 dias sem tra­ba­lhar, tanto para uns como para outros.

  5. Só neste país é que se pensa que o facto de estar muito tempo no local de tra­ba­lho e ganhar mal, é sinal de pro­du­ti­vi­dade, esque­cendo todos os outros fac­to­res inter­ve­ni­en­tes na fór­mula para achar a pro­du­ti­vi­dade, alguns dos quais muito impor­tan­tes tal como os cus­tos de ener­gia, dis­tri­bui­ção e arma­ze­na­mento. Pena que gos­tem tanto de imi­tar outros, ape­nas no que têm de menos bom, e incluo nisto tanto o governo como gover­na­dos. Enfim coi­sas de Tugas.

  6. Mas não é isso que eu coloco em causa!

    O que eu refiro é inde­pen­dente do nível de pro­du­ti­vi­dade do país ou dos tra­ba­lha­do­res. É evi­dente que se o nível de pro­du­ti­vi­dade for baixo por sis­tema o caso ainda é mais grave. Mas não dei­xa­ria de ser grave — e injus­ti­fi­cá­vel — mesmo que tivés­se­mos os mais altos níveis de pro­du­ti­vi­dade do mundo que bai­xás­se­mos a pro­du­ti­vi­dade anual em 3,08% gra­ças aos feri­a­dos religiosos.

  7. Há coi­sas pio­res do que um feri­ado num dia de sol, no par­que com a familia.

  8. Ó Xor Hel­der a sua mate­má­tica está a ficar poli­ti­zada, os 3.08% não estão cor­rec­tos uma vez que exis­tem feri­a­dos ao fim-de-semana, os 365 dias têm de con­tar, pas­sando o valor para 2.19%. O que tu não qui­seste dizer é que os outros feri­a­dos já quase nada dizem aos Por­tu­gue­ses, sejam eles cren­tes ou não.

  9. Tás mesmo cota, oh meu! Lê lá o texto outra vez. Mas, desta vez, não te esque­ças de por os óculos. ;-)

  10. Caro Hel­der,

    Real­mente só con­tou com os dias uteis nas con­tas a nivel de deno­mi­na­dor, mas ao mesmo tempo con­tou com 7 feri­a­dos, esquecendo-se do facto de alguns des­ses esta­rem ao fim de semana, seria isso que o Sr. Kota que­re­ria dizer?

  11. O cor­recto era usar-se como cons­tan­tes, os dias uteis num ano e os feri­a­dos que calha­ram em dias uteis nesse ano, o que daria o valor de…não me ape­tece fazer…

  12. Luis,

    Eu faço essa res­salva no texto. Com­penso ao igno­rar as pon­tes ofe­re­ci­das de bandeja.

  13. Não ofen­das a mai­o­ria que não pode gozar pontes.

  14. Gozar pon­tes, além dos que não podem “gozar” greves…

  15. Bolas!!! Esqueci-me de con­ta­bi­li­zar as greves!?!?

    Agora, a sério: vocês acham acei­tá­vel que um Estado laico tenha 7 ou 8 feri­a­dos religiosos?

  16. Da minha parte claro que con­cordo con­sigo, só estava a que­rer picar;)

  17. Há muita coisa na Cons­ti­tui­ção da Repú­blica que está desa­jus­tada, fruto dos des­va­rios revo­lu­ci­o­ná­rios de alguns. A ques­tão dos feri­a­dos é outra que está desa­jus­tada, uma vez que a mai­o­ria das pes­soas não se revê nes­sas come­mo­ra­ções. Salvo se ficasse pro­vado que uma grande mai­o­ria estava ligada ás ditas come­mo­ra­ções, aí tinha de se reti­rar o termo “laico” da Cons­ti­tui­ção visto que sig­ni­fica opo­si­ção a todas as reli­giões.
    Viva a siesta.

  18. Venho aqui dar-te uma notí­cia impor­tante.
    Segundo o “Con­fe­rence Board” a taxa de pro­du­ti­vi­dade em Por­tu­gal em 2006, foi supe­rior à taxa de Espanha,Islândia,N. Zelândia,Noruega e Itá­lia.
    Afi­nal não esta­mos tão em baixo.

  19. Isso, para mim, é uma tris­teza! ;)

    Será que, afi­nal, o tal défice é só por culpa da má ges­tão pública?

    De qual­quer forma, feri­a­dos des­ne­ces­sá­rios ainda cus­tam mais dinheiro se, de facto, a pro­du­ti­vi­dade for maior…

  20. Mas digam-me uma coisa…alguém tem duvi­das que somos o povo que mais pro­duz, mais insa­tis­feito anda, menos reclama e menos ganha??? e alguém tem duvi­das que perante tudo isto o resul­tado so podia mesmo ser a má ges­tão pública??? os pro­ble­mas nas prin­ci­pais estru­tu­ras que sus­ten­tam um País?? e essas estru­tu­ras são a Saúde e a Edu­ca­ção.… e disto meus caros nin­guém tem duvidas…e disso não duvido!

  21. Não é só má ges­tão pública! É má ges­tão em geral, pública e pri­vada, salvo raras excep­ções. O país não tem empre­sá­rios, tem patrões chico-espertos, e empre­ga­dos manho­sos! Os por­tu­gue­ses no estran­geiro, quando tra­ba­lham enqua­dra­dos em boas estru­tu­ras de ges­tão, são sem­pre con­si­de­ra­dos exce­len­tes tra­ba­lha­do­res. Por­que será? Excesso de “Eu tenho direito a…” e pouco “Eu devo fazer…”. Digo eu!

  22. Desulpe mas tinha que fazer aqui umas cer­tas resal­vas… Para já enganou-se nos feri­a­dos… O Entrudo, por exem­plo, não é feri­ado. É um pre­su­posto feri­ado (já que, em geral, todos fol­gam nesse dia) mas se con­ta­cat o EDICT fica a saber que é um dia facul­ta­tivo (i é, se os patrões qui­ze­rem ser bon­zi­nhos vamos fol­gar, se não qui­ze­rem, o máxino que pode­mos fazer é ir tra­ba­lhar de más­cara). Além disso, que his­tó­ria é essa que são os feri­a­dos que nos bai­xam a pro­du­ti­vi­dade? A Fin­lân­dia tem o mesmo nº de feri­a­dos que Por­tu­gal… Acha que é um país pouco pro­du­tivo???
    Real­mente acho que a pro­du­ti­vi­dade (tal como se via na escola) é melhor quando as con­di­ções de tra­ba­lho (incluíndo car­gas horá­rias) e os incen­ti­vos ao tra­ba­lho são bons, por isso, em vez de nos focar­mos se vamos ou não ter mui­tos feri­a­dos por ano, seria bom pre­si­o­nar­mos o governo a mudar algu­mas coi­sas nes­ses cam­pos.
    Quanto às gre­ves… Alguma vez assis­tiu (ou vive­ram) uma greve dos trans­por­tes em França (e, de pre­fe­rên­cia, em Paris?)?
    Eu já… e deixe que lhe diga que lá não é pre­ciso aviso pré­vio para fazer greve… Basta dize­rem: “Hoje não tra­ba­lha­mos” e já está! E não é como cá, em que nós bufa­mos pq, de repente, dei­xa­mos de ter o nosso auto­carro, mesmo sabendo que daí a umas hori­tas já estão outra vez a tra­ba­lhar… Não! Lá é mais do gênero: “Não nos dão o que que­re­mos? Então ama­nhã tam­bém cá não pomos os butes” e isto até o governo ou a empresa final­mente ceder… E que quer apa­nhar trans­por­tes, olhe, apa­nhe o taxi!
    Por isso não cri­ti­que tanto (cer­tas coi­sas d)o nosso País. Pode ter mui­tos defei­tos mas tem mui­tas qua­li­da­des. O Zé Povi­nho é que tem o mau hábito de achar que a erva é sem­pre mais verde do outro lado e se esquece de regar a do lado dele (e isto não é uma ver­de­deira crí­tica, é ape­nas a cons­ta­ta­ção da natu­reza humana pois até eu, que já vol­tei para cá à 2 anos, por vezes, antes de come­çar tam­bém a cri­ti­car, tenho de me recor­dar que lá fora tam­bém não é tão cor-de-rosa quanto o pintam!!!)

  23. tanta coisa e escrevi o nome do ins­ti­tuto mal :S não é EDICT mas SIM IDICT (quando repa­rei já foi tarde!!!), de Ins­ti­tuto de Desen­vol­vi­mento e Ins­pe­ção das Con­di­ções de Trabalho

  24. Cara Diana,

    Obri­gado pelo seu comen­tá­rio. Foi só o Entrudo ou des­co­briu mais algum erro?
    Caso não tenha repa­rado, este post dedica-se a ques­ti­o­nar a efec­tiva lai­ci­dade de um Estado com 7 ou 8 feri­a­dos exclu­si­va­mente cató­li­cos.
    Mas, por­que é que eu tenho que com­pa­rar Por­tu­gal com a França, a Fin­lân­dia ou o Bur­kina Faso? As con­jec­tu­ras são espe­ci­fi­cas de cada país e, no nosso caso, a baixa pro­du­ti­vi­dade é o argu­mento usado pelos gover­nan­tes para nos caí­rem em cima… Por­que é que não com­pa­rou tam­bém as taxas de IVA, por exem­plo? Ou o orde­nado mínimo?

    Só por curi­o­si­dade, já estive em Paris durante uma greve do Metro. Lá, respeitam-se os ser­vi­ços mínimos!

  25. O que? Há mais feri­a­dos em Por­tu­gal do que no Brasil!

    Aqui nós não des­can­sa­mos no dia da Ima­cu­lada Con­cei­ção, e nem no dia da Assun­ção de Nossa Senhora.

    No entanto, por aqui, os feri­a­dos ser­vem para todos, por­que tanto cató­li­cos quanto reli­giões afro-brasileiras e espí­ri­tas seguem estes feri­a­dos com come­mo­ra­ções e ritu­ais.
    Só os pro­tes­tan­tes que não os seguem.

    O dia da Ima­cu­lada Con­cei­ção é come­mo­rado na Bahia pelos cató­li­cos e umbandistas.

    O dia de todos os san­tos (cha­mado de “dia de fina­dos”) tam­bém. Vão todas as reli­giões aos cemi­té­rios depo­si­tar as flo­res nos túmulos.

  26. Pingback: Helder Sanches » O Dia do Ateísmo

  27. Caro Hél­der, já que estes feri­a­dos reli­gi­o­sos lhe cau­sam tan­tas “cóce­gas” por causa da dita pro­du­ti­vi­dade no nosso país, posso e pode­mos todos os que par­ti­ci­pam aqui nesta con­versa dedu­zir que feri­a­dos é uma coisa que não cum­pre. Nos feri­a­dos vai tra­ba­lhar certo? Aumen­tar o índice de pro­du­ti­vi­dade, certo?
    É pena é per­der esse tempo em que devia estar a aumen­tar o índice de pro­du­ti­vi­dade a deba­ter este tipo de assunto. Afi­nal pelo que me parece e se perde tanto tempo a debate-lo é por­que tam­bém andou pre­o­cu­pado a saber quais os feri­a­dos Nacionais.

  28. Tita,

    Você pode dedu­zir aquilo que muito bem lhe ape­te­cer, como toda a gente que aqui vem! Como é óbvio, não posso inter­fe­rir nesse pro­cesso. A única dife­rença é o res­peito com que fica­rei pela capa­ci­dade dedu­tiva de cada um. Mas em rela­ção a isso, é você quem não pode inter­fe­rir, por isso, esta­mos quites!

  29. Já não é a pri­meira vez que que vou neste número… Levanto-me, pas­seios os bichos, tomo banho, chamo um taxi, que raio é que se passa hoje que estão as ruas tão cal­mi­nhas, chego ao tra­ba­lho e está fechado por­que é feri­ado… Pas­sem um feliz dia di Buda, que eu também…

  30. Não sei por quê, mas acho que tem tudo a ver con­tigo! :D

  31. Xiqui­nho, Hel­der,
    isso deve ser dos fumos, andam a atro­fiar as sinap­ses den­tro des­sas cabe­ças. He,he,he.

  32. E se fores tra­ba­lhar nos dias san­tos por seres obri­gado pelo patrão e não tive­res nada para fazer . Tam­bém aumen­tas a pro­du­ti­vi­dade? E se o tra­ba­lho dis­po­ní­vel não fôr apro­vei­tado? Como fica a pro­du­ti­vi­dade? Para esgo­tar todas as hipó­te­ses muito have­ria a fazer. Será que, tra­ba­lhando todas essas hipó­te­ses, a pro­du­ti­vi­dade aumentaria?

  33. É casado?? Tem filhos?? E famí­lia?? Como vive o Natal??

    É Ateu?? Se calhar não deve­ria fes­ta­jar o Natal??
    O quê?? Fes­teja?? Hum!! Então deixe a hipocrisia!

  34. É casado?? Tem filhos?? E famí­lia?? Como vive o Natal??

    É Ateu?? Se calhar não deve­ria fes­ta­jar o Natal??
    O quê?? Fes­teja?? Hum!! Então deixe a con­versa da hipo­cri­sia para outros!

  35. Caro Hél­der,
    com­pre­endo per­fei­ta­mente a ques­tão que colo­cas sobre se é coe­rente a cele­bra­ção de feri­a­dos reli­gi­o­sos num estado dito laico.
    Rela­ti­va­mente a isso gos­ta­ria de des­ta­car 3 pon­tos, em pri­meiro lugar extre­mar o lai­cismo naci­o­nal, dizendo que Por­tu­gal não tem reli­gião e sabendo que mais de metade do país se afirma cató­lico, seja “pra­ti­cante” ou não, não será de todo cor­recto.
    Em segundo lugar, e apro­fun­dando o con­ceito de feri­ado, este deve­ria ser­vir como forma de cele­brar a efe­me­ri­dade a que cor­res­ponde o feri­ado e, veja­mos, será que o número de pes­soas a cele­brar a Res­tau­ra­ção da Inde­pen­dên­cia é supe­rior ao número de pes­soas que cele­bra o Dia de Todos os San­tos? É um exem­plo, é nítido que Por­tu­gal tem feri­a­dos a mais no entanto, e ape­sar de ser um Estado laico, fará mais sen­tido cor­tar alguns feri­a­dos não reli­gi­o­sos do que reli­gi­o­sos, expe­ri­mente tirar o Natal da lista dos feri­a­dos por estar­mos num estado laico…
    Por último com­pre­endo o lai­cismo do estado não como uma forma de afir­mar que a par­tir de agora não há reli­gião para nin­guém mas sendo o reco­nhe­ci­mento da liber­dade reli­gi­osa dos cida­dãos. Neste sen­tido o cor­recto, e sal­va­guar­dando as mino­rias reli­gi­o­sas, seria dar a esco­lher a estes os seus pró­prios feri­a­dos. Isto é os Hin­dus resi­den­tes em Por­tu­gal pro­va­vel­mente pre­fe­rem um feri­ado no pri­meiro dia do ano no seu calen­dá­rio do que um Dia de Corpo de Deus que não lhes diz nada.

    O que pensa disto?

  36. Kar­los,

    A meu ver o Estado ou é laico ou não é. Não existe extre­mismo laico. A mai­o­ria da popu­la­ção pode per­ten­cer a uma deter­mi­nada reli­gião que isso não implica abso­lu­ta­mente nada em ter­mos da lai­ci­dade dos Estado.

    Faria sen­tido um Estado con­fes­si­o­nal não ter feri­a­dos reli­gi­o­sos? É só inver­ter os factores.

    Con­cordo que cada pes­soa tivesse a pos­si­bi­li­dade de esco­lher um deter­mi­nado número (razoá­vel) de feri­a­dos a cele­brar. Parece-me muito mais justo e equi­li­brado sem com­pro­me­ter o Estado na sua laicidade.

  37. Des­culpe intrometer-me nesta dis­cus­são de feri­a­dos reli­gi­o­sos, mas estou a rea­li­zar um tra­ba­lho para uma cadeira da facul­dade e após uma pes­quisa nop goo­gle encon­trei o seu site.
    Permita-me que lhe diga que não são 7 mas sim 8 os feri­a­dos de carác­ter reli­gi­oso, uma vez que o dia 1 de Janeiro não é só a come­mo­ra­ção do dia de ano novo mas, sim o dia de Santa Maria, Mãe de Deus.

    Gos­tei do seu trabalho

    Sau­da­çoes

  38. Olá Isa­bel,

    Bem vinda a este espaço da mais pura here­sia. Obri­gado pelo lem­brete em rela­ção ao pri­meiro de Janeiro. Já agora, conte lá que tra­ba­lho é esse que a trouxe até aqui.

    Volte sem­pre.

  39. Olá a todos.
    Como cató­lica, fico con­tente por ter encon­trado este sítio que defende aquilo que há muito é a minha opi­nião: o fim dos feri­a­dos reli­gi­o­sos.
    Citando o Hel­der:
    “Con­cordo que cada pes­soa tivesse a pos­si­bi­li­dade de esco­lher um deter­mi­nado número (razoá­vel) de feri­a­dos a cele­brar. Parece-me muito mais justo e equi­li­brado sem com­pro­me­ter o Estado na sua lai­ci­dade.“
    Ora bem…escolher dias em que não se trabalha.…não é a isto que se dá o nome de férias?
    E a ser pos­sí­vel e pro­vá­vel esta medida, essa esco­lha de feri­a­dos a cele­brar deve­ria ser vita­lí­cia? Ima­gine que um dia se con­verte e decide come­çar a cele­brar a Pás­coa, vai poder alte­rar a mar­ca­ção dos feri­a­dos?
    Não faria, então, mais sen­tido deter­mi­nar que o nº de dias de férias pas­sasse a ser de 30 (os 22 até agora em vigor + 8 feri­a­dos reli­gi­o­sos) ou então de 36 (22 + 14 feri­a­dos anu­ais naci­o­nais.. que é para garan­tir que os monár­qui­cos não se vejam obri­ga­dos a cele­brar o dia da Implan­ta­ção da República)?

  40. Amigo a terça feira de car­na­val, não é dia Feriado.

    PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
    Gabi­nete do Primeiro-Ministro
    Des­pa­cho n.º 2510/2008
    Embora a terça –feira de Car­na­val não conste da lista de feri­a­dos obri­ga­tó­rios
    esti­pu­la­dos por lei, existe em Por­tu­gal uma tra­di­ção con­so­li­dada
    de orga­ni­za­ção de fes­tas neste período.
    Ao abrigo da alí­nea d) do artigo 199.º da Cons­ti­tui­ção e no uso dos
    pode­res dele­ga­dos pelo n.º 4 do artigo 5.º da Lei Orgâ­nica do XVII
    Governo Cons­ti­tu­ci­o­nal, apro­vada pelo Decreto –Lei n.º 70/2005, de 15
    de Abril, alte­rada pelos Decre­tos –Leis n.os 11/2006, de 19 de Janeiro,
    16/2006, de 26 de Janeiro, 135/2006, de 26 de Julho, 201/2006, de 27
    de Outu­bro, e 240/2007, de 21 de Junho, deter­mino a con­ces­são de
    tole­rân­cia de ponto aos fun­ci­o­ná­rios e agen­tes do Estado, dos ins­ti­tu­tos
    públi­cos e dos ser­vi­ços des­con­cen­tra­dos da admi­nis­tra­ção cen­tral no
    pró­ximo dia 5 de Feve­reiro de 2008.
    28 de Janeiro de 2008. — O Pri­meiro –Minis­tro, José Sócra­tes Car­va­lho
    Pinto de Sousa.

  41. O Car­na­val ser feri­ado é com­ple­ta­mente irre­le­vante para a dis­cus­são em causa. A tabela no artigo não foi cri­ada por mim e tive o cui­dado de colo­car em des­ta­que a negrito os feri­a­dos reli­gi­o­sos alvos da minha critica.

    Já agora, se quer saber a minha opi­nião, o Car­na­val não ser feri­ado ofi­cial é uma per­feita hipo­cri­sia. Mais por­tu­gue­ses gozam o dia de Car­na­val que a mai­o­ria dos feri­a­dos reli­gi­o­sos, pode ter a certeza.

  42. Muito inte­res­sante

  43. Pingback: Os Feriados Religiosos » Portal Ateu

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