Noé, o Grand Canyon e um pouco de chinês

Grand Canyon

Ao longo da his­tó­ria, várias civi­li­za­ções con­tri­buí­ram para a evo­lu­ção do conhe­ci­mento e pro­gresso da ciên­cia. Dos Sumé­rios aos Árabes, pas­sando pelos Gre­gos, é cons­tante um para­le­lismo entre o inves­ti­mento feito na ciên­cia e a influên­cia civi­li­za­ci­o­nal de um deter­mi­nado povo. Já na his­tó­ria mais recente, con­forme a Europa medi­e­val se foi liber­tando das gui­lho­ti­nas da influên­cia do Clero, sucederam-se os êxitos de deter­mi­na­dos paí­ses nas mais diver­sas áreas: Por­tu­gal, Espa­nha, Itá­lia, França, Holanda ou Ingla­terra, entre outros, todos con­tri­buí­ram para o desen­vol­vi­mento nos últi­mos sécu­los do cha­mado Mundo Ocidental.

O século XX foi domi­nado pela influên­cia civi­li­za­ci­o­nal dos Esta­dos Uni­dos, influên­cia essa que che­gou a todos os can­tos do mundo nas mais diver­sas áreas. Tam­bém neste caso não será alheio o facto de os Esta­dos Uni­dos terem sido o país que mais inves­tiu em pes­quisa e desen­vol­vi­mento científico-tecnológico, pro­mo­ção das artes e, para­le­la­mente, pode­rio e domí­nio mili­tar. Sin­to­má­tico de todo esse pro­cesso foi a “impor­ta­ção” de cien­tis­tas das mais diver­sas áreas a par­tir da década de 30.

No entanto, os esta­dos Uni­dos nunca se liber­ta­ram do lema “One Nation Under God”! A cons­ti­tui­ção ame­ri­cana ofe­rece dema­si­ado o flanco ao mito cris­tão e, mais tarde ou mais cedo, have­ria de sur­gir uma opor­tu­ni­dade, quer sob um pre­texto eco­nó­mico, poli­tico ou mili­tar, de o mito se apo­de­rar das rédeas do progresso.

É nesse ponto que se encon­tra a soci­e­dade ame­ri­cana; sucedem-se os casos de cen­sura à infor­ma­ção cien­tí­fica, dá-se cré­dito aos desíg­nios cri­a­ci­o­nis­tas referendando-se o ensino do “Inte­li­gent Design” nas esco­las públi­cas de alguns Esta­dos (como se a ver­dade esti­vesse sujeita a refe­rendo), acaba-se com a liber­dade de expres­são de alguns cien­tis­tas das pró­prias agên­cias gover­na­men­tais que se dedi­cam ao estudo do aque­ci­mento glo­bal e, final­mente, no caso mais recente a che­gar a público, decide-se que, de modo a evi­tar ofen­der a opi­nião dos fun­da­men­ta­lis­tas reli­gi­o­sos, o Grand Canyon, afi­nal, tem ape­nas uns milha­res de anos e, de acordo com um livro à venda no pró­prio Par­que Natu­ral, terá sido cri­ado pelo dilú­vio bíblico de Noé!!!

Se a his­tó­ria nos ensina alguma coisa, então é hora de reco­men­dar as minhas filhas a estu­da­rem chinês.

Outras refe­rên­cias:

- Time, Faith-Based Parks?
PEER, PARK SERVICE STICKS WITH BIBLICAL EXPLANATION FOR GRAND CANYON

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10. Janeiro 2007 by Helder Sanches
Categories: Ciência, Mundo | 8 comments

Comments (8)

  1. Do lado de cá do atlân­tico exis­tem vários sítios de pere­gri­na­ção reli­gi­osa, por lá não há tan­tos, de maneira que eles estão a ver se con­se­guem arran­jar mais alguns.
    Eu pró­prio acho que na rua onde moro há uma covi­nha no chão que deve ter sido feita por uma mija­dela do Noé.
    Vê se não pois os olhos em bico ás miú­das faz favor, por­que tam­bém lá houve um maluco que quei­mou grande parte dos regis­tos da his­tó­ria antiga.
    Um abraço.

  2. Malu­cos já os houve em toda a parte. Lembras-te da Penha de França há 25 anos atrás? :-)

  3. Não me parece q tenhas de reco­men­dar às tuas filhas q estu­dem chi­nes, afi­nal de con­tas, uma das coi­sas q a evo­lu­ção civi­li­za­ci­o­nal tem de bom, é a capa­ci­dade para absor­ver as carac­te­ris­ti­cas favo­ra­veis de uma dada soci­e­dade.
    Quando os árabes inva­di­ram a europa, dei­xa­ram como marca mais firme o sis­tema de nume­ra­ção (que era lar­ga­mente supe­rior ao romano). Quando os chi­ne­ses esti­ve­rem a domi­nar o mundo, muito pro­va­vel­mente o ingles irá con­ti­nuar a ser lin­gua franca, uma vez que já tem uma grande imple­men­ta­ção a nivel mun­dial e sus­peito que será muito mais sim­ples que o chines.

  4. Caro MD,

    Con­cordo com o que dizes. Mas pareceu-me bem aca­bar o post com um pouco de iro­nia. ;-)

  5. mAS PQ É Q ƒO HÁ-DE SER VERDADE AQUILO SOBRE A ORIGEM DO ” Grand Canyon ?

    Que medo é q há em se estu­dar o cri­a­ci­o­nismo nas esco­las publi­cas ? ( eu digo que , desde q esteja de pé cien­ti­fi­ca­mente — tal comoo o evo­lu­ci­o­nismo nem sem­pre con­se­gue estar — é tão válido como o outro modelo das origens

    Aliás, eu não andei mas ami­gos meus que sem­pre andarm em esco­las públi­cas dizem que mui­tos pro­fes­so­res de cien­cias faziam ” pro­pa­ganda ” do ateismo nas aulas …E isto q tem a ver com a inde­pen­den­cia , com a men­ta­li­dade cientifica …

    Tb aqui a asso­ci­a­ção R e L devia levan­tar a voz !

    Pena q o Ricardo Alves não tenha abra­çado esta causa mas eu vou, pelo menos ten­tar , sensibiliza-lo para esta causa.

    Esata do lai­cismo fazer pro­pa­ganda do ateismo é q é de artolas

    Eu sinto-me tao eno­jado em ver uma foto do Sala­zar como em ver um pre­ser­va­tivo no nariz do papa

  6. Nas esco­las deve-se esti­mu­lar o raci­o­cí­nio. Que isso leve ao ateísmo deixa-me optimista.

    Meu caro, ficará tão cho­cado com pre­ser­va­ti­vos nos pénis dos padres durante as suas prá­ti­cas pedófilas?

    O humor sar­cás­tico é uma tra­di­ção que remonta aos gre­gos que, como sabe, são ante­ri­o­res a Jesus.

  7. Pois , olhe há mui­tas coi­sas ante­ri­o­res a JESUS ( e mm pos­te­ri­o­res ) q estão erradas

    Aliás o mono­teismo veio pri­meiro q o poli­teismo e o q eu vejo e q o teismo sure­gio mais como uma cri­ti­cas , uns gas­ti­gar os reli­gi­o­sos dizendo o con­tra­rio do q eles dizem , um ser do con­tra do q uma posi­ção inde­pen­dente aliás olhe q ate as mis­sas negras imi­tam a missa / litur­gia católica …

    Mas q fixa­ção q vcs tem com os católicos

    Depois essa das pra­ti­cas pedo­fi­las a mim nao se me enfia a cara­puça pq eu denun­ci­a­rei sem­pre e pug­na­rei para q se faça JUSTIÇA aoa pedó­fi­los, ateus agnos­ti­cos cato­li­cos evan­ge­li­cos , o q qui­ze­rem ser

    Por último é errado dizer q o ” dese­nho inte­li­gente ” não esti­mula tt ou mais o raci­o­ci­nio q o evolucionismo

    Aliás , pq esse medo de deba­ter cien­ti­fi­ca­mente esta ques­tao ? e de ” tapar a boca ” aos cien­tis­tas q são ” não evolucionistas ???

  8. O pior cego é aquele que não quer ver!Como é pos­sí­vel, veri­fi­cando, ana­li­ando, escal­pe­li­zando, con­ti­nuar a admi­tir, ou até a afir­mar, que aquela imensa obra da natureza,consequência da pode­rosa máquina do tempo, tem ape­nas uns escas­sos milha­res de anos e foi obra de um tal dilú­vio bíblico?!Já lá estive, e admito que fiquei redu­zido a nada quando à minha frente surge aquela imensa gran­deza, mas, em vez de pero­rar sobre even­tu­ais actos divinos,acho mais sen­sato ver e ima­gi­nar o actor invi­sí­vel, o tempo, tra­ba­lhando inces­san­te­mente ao longo de milhões e milhões de anos!!! E para isso não é neces­sá­rio ser ateu ou ser cri­a­ci­o­nista! è ape­nas impor­tante ter os olhos abertos!

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