Jan 31
Começou oficialmente a campanha para o referendo de dia 11 de Fevereiro. Custa-me a entender a repetição exaustiva das mesmas razões de sempre, quer do lado do “SIM”, quer do lado do “NÃO”. Sobretudo quando é evidente que, na maior parte dos casos, a argumentação em defesa de qualquer das posições é baseada em princípios hipócritas ao serviço de interesses políticos, religiosos e até económicos.
Não me parece que hajam muitos indecisos. A maior parte dos eleitores já terão acompanhado todo este processo em 1998. Tal como a maior parte, já estou saturado de tanta argumentação barata, ora recorrendo, por uns, a slogans à la PREC, ou, por outros, a valores Estado-Novo.
Parece-me ser mais importante a campanha pelo dever cívico. Explicar aos eleitores que não se devem abster e que dia 11 de Fevereiro a decisão, seja ela qual for, será, efectivamente, resultado da vontade dos portugueses e não apenas de alguns. Se a taxa de abstenção for novamente elevada terei de rever a minha convicção de que o futuro passará pelo modelo de democracia representativa.
Jan 25
A história fez com que o Reino Unido e os EUA ficassem com muitas características comuns; o idioma e os sistemas de medição ou, mais recentemente, o disparate da invasão do Iraque, por exemplo. Pois fiquem a saber que as semelhanças não se ficam por aqui.
Segundo a edição online do Guardian, os estudantes ingleses passarão a discutir, incluído no seu programa, o criacionismo e a já lendária teoria do Intelligent Design (recuso-me a traduzir a expressão para não contribuir para a proliferação da ideia nos países lusófonos).
Segundo a mesma notícia, esta nova lei tem como objectivo que os alunos debatam o relacionamento entre religião e ciência. Isto, à priori, pode parecer muito interessante. Mas, pergunta-se: porque não incluir, por exemplo, a astrologia? Ou a cartomancia? E, já agora - porque não - a religião Jedi?
Esta ânsia ocidental em colocar ciência e religião ao mesmo nível é um perfeito disparate! Torna-se ainda mais perigoso quando se confundem as coisas e se começa a disfarçar pregação com debate. Sim, porque ao nível do ensino secundário falar em criacionismo ao mesmo tempo que se fala da criação do universo ou das origens da Vida e do Homem não pode ter boas intenções.
Não há argumento, discussão, debate ou reflexão que o justifique.
Jan 20
Conforme tinha anunciado, decidi encerrar o John Lennon Forum, referência na web entre a comunidade beatlemaníaca como “o fórum” de John Lennon.
É verdade que já esperava algumas reacções dos membros mais activos da comunidade de utilizadores. Não esperava era que fossem assim! Não me restou outra hipótese… Tive que rever a minha decisão e apresentei esta proposta que está a ser bem aceite pelos membros.
Tenho estado a trabalhar no novo site, daí a minha ausência daqui. A coisa está bem encaminhada e clicando na foto podem ver melhor o aspecto que o novo site terá. Mais uns dias e voltará tudo ao normal.
Jan 17
Ainda me recordo dos prédios de Lisboa constantemente “forrados” pelos cartazes de partidos políticos, movimentos cívicos, sindicatos e anúncios de greve. Eram os anos do pós 25 de Abril. Aos cartazes juntavam-se as frases, ora revolucionárias, ora reaccionárias, pintadas nas mesmas fachadas. Houve, pelo início dos anos 80, uma campanha qualquer pela parte da CML que pretendia sensibilizar os propagandistas a utilizarem os locais apropriados para a colocação de cartazes. Deu trabalho mas conseguiu-se que a cidade ficasse mais bonita ou, se preferirem, com um aspecto mais lavadinho.
Passados alguns anos, deparamo-nos com uma cidade repleta de grafittis, de mensagens fazias, que funcionam, mais ou menos, como as mijinhas dos cães ao virar ao esquina. Veja-se o exemplo do Bairro Alto. Mesmo os prédios que são restaurados são rapidamente alvo do vandalismo dos gangs foleiros ainda antes de retirarem os andaimes.
Liberdade de expressão? Não. Falta de respeito pelo espaço público e pela propriedade privada, é o que é.
Jan 15
Fui ameaçado pela minha mulher de que este ano irá comprar-me uma máscara de Carnaval. Motivo da mascara: Vestes do Papa! ´Tou lixado!
Jan 14
Nunca tinha reparado! Qual não foi o meu espanto ao entrar hoje na estação da BP na Av. Índia para pagar o reabastecimento que acabara de fazer quando vi a excelente garrafeira exposta estrategicamente atrás do operador de caixa: whiskies, vodkas, licores, por aí fora… Ao olhar à volta, lá estavam, também, uma variedade considerável de cervejas!
Álcool? À venda numa estação de serviço? You gotta be kidding…
Jan 14
Compreendo por que é que algumas das campanhas que reflectem a posição da ICAR - e que por ela são influenciadas - em relação ao referendo do próximo dia 11 de Fevereiro parecem tão desesperadas.
Afinal, no único referendo registado há 2000 anos o vencedor foi Barrabás!
Jan 13
Há quem pense que as únicas coisas boas que Portugal ainda retém da sua influência cristã são os imensos feriados que consolam o apurado espírito calão da alma lusa.
Caso não tenham reparado, aqui fica a lista completa de feriados nacionais para 2007:
| Dia |
Mês |
Dia da semana |
Feriado |
| 1 |
Janeiro |
Segunda-feira |
Ano Novo |
| 20 |
Fevereiro |
Terça-feira |
Carnaval |
| 6 |
Abril |
Sexta-feira |
Sexta-feira Santa |
| 8 |
Abril |
Domingo |
Páscoa |
| 25 |
Abril |
Quarta-feira |
Dia da Liberdade |
| 1 |
Maio |
Terça-feira |
Dia do Trabalhador |
| 7 |
Junho |
Quinta-feira |
Corpo de Deus |
| 10 |
Junho |
Domingo |
Dia de Portugal |
| 15 |
Agosto |
Quarta-feira |
Assunção de Nossa Senhora |
| 5 |
Outubro |
Sexta-feira |
Implantação da República |
| 1 |
Novembro |
Quinta-feira |
Todos os Santos |
| 1 |
Dezembro |
Sábado |
Restauração da Independência |
| 8 |
Dezembro |
Sábado |
Imaculada Conceição |
| 25 |
Dezembro |
Terça-feira |
Natal |
A negrito estão os feriados religiosos. São 7! Se tivermos em conta que os feriados municipais estão, geralmente, associados ao um qualquer santo padroeiro, facilmente constatamos que qualquer português goza de 8 feriados por ano por motivos religiosos!
Isto diz muito sobre diversas matérias: a efectiva laicidade do Estado, o respeito por outras crenças, o respeito pela ausência de crenças, a hipocrisia quando se fala de produtividade e por aí fora.
Vamos fazer contas (para as nossas contas vamos menosprezar o facto de alguns feriados poderem calhar ao fim-de-semana; em compensação, vamos ignorar as pontes oferecidas pelo Estado):
Em números redondos, o ano tem 52 semanas. Cada semana tem 5 dias úteis. 5 vezes 52 são 260. Obtemos, portanto, 3.08% de dias em que não se faz nada por motivos religiosos! Está desvendada a origem do défice.