A fé, a razão e os agnósticos

In god we do not trustTenho esta ideia que a grande mai­o­ria dos cren­tes, de qual­quer reli­gião, nunca se dedi­ca­ram seri­a­mente a pen­sar nas razões das suas cren­ças, da sua reli­gi­o­si­dade. Have­rão, obvi­a­mente, excep­ções, mas o grosso da coluna é, cer­ta­mente, com­posto por pes­soas que são — ou se dizem ser — de uma deter­mi­nada reli­gião devido ao pro­cesso de endo­cul­tu­ra­ção reli­gi­oso, isto é, seguem as tra­di­ções fami­li­a­res ou dos gru­pos soci­ais em que estão inse­ri­dos e que foram assi­mi­lando ao longo dos anos.
Os que se dedi­cam a pen­sar seri­a­mente sobre estes assun­tos podem seguir duas abor­da­gens: a fé ou a razão. E, note-se, estes cami­nhos pode­rão não ser auto exclu­si­vos (embora isso me custe muito a enten­der), podendo as res­pos­tas a todas as per­gun­tas serem pro­cu­ra­das atra­vés de ambos.

Os que pro­cu­ram as res­pos­tas ape­nas na fé transformam-se, nos casos mais extre­mos, em bea­tos ou em indi­ví­duos que encon­tram o sen­tido da vida numa qual­quer res­posta car­re­gada de ima­gens mito­ló­gi­cas, des­pre­zando a lógica e a ciên­cia. Os que seguem ambas as abor­da­gens, encon­tram na fé as res­pos­tas que a ciên­cia ainda não pode dar e algum con­forto espi­ri­tual de que pode­rão neces­si­tar. Por outro lado, encon­tram na ciên­cia a jus­ti­fi­ca­ção para poder igno­rar algu­mas regras incon­ve­ni­en­tes dos sis­te­mas orga­ni­za­dos da sua crença — reli­gião — e a ilu­são de que, ape­sar de tudo, con­se­guem ser raci­o­nais e admi­tir incon­gruên­cias nas mito­lo­gias modernas.

Final­mente, os que seguem a razão transformam-se em ateus ou, na pior das hipó­te­ses, em agnós­ti­cos. E digo na pior das hipó­te­ses por­que, ao con­trá­rio do que o lugar comum pre­tende fazer crer, os agnós­ti­cos estão equi­dis­tan­tes dos ateus e dos cren­tes. Não acre­di­tar que não se possa pro­var a exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de um ou mais deu­ses é uma pos­tura des­pro­vida de lógica. Os agnós­ti­cos, ao assu­mi­rem tal posi­ção, estão a dar cre­di­bi­li­dade aos cren­tes na ques­tão do ónus da prova quando esse é um prin­ci­pio per­fei­ta­mente absurdo. Jamais o conhe­ci­mento será obtido pela prova da nega­ção. Não com­pete a nin­guém pro­var a ine­xis­tên­cia seja do que for. É quem acre­dita na exis­tên­cia de algo que terá que o pro­var. Os agnós­ti­cos ao não segui­rem este cri­té­rio estão, tam­bém eles, a assu­mir uma posi­ção muito pouco racional.

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12. Dezembro 2006 by Helder Sanches
Categories: Religião | 79 comments

Comments (79)

  1. Olha lá, essa da prova da nega­ção deixou-me a pen­sar. Na soci­e­dade actual se fores acu­sado de algo tens de fazer prova da nega­ção, para que pos­sas ser absolvido(obter o conhe­ci­mento).
    Em rela­ção aos agnós­ti­cos, acho que são uns gajos por­rei­ros que já per­ce­be­ram que não che­gam a lado nenhum com a dis­cus­são da exis­tên­cia ou não de algo que não pode ser mate­ri­a­li­zado. Ao que sei o men­tor deste termo foi o Prof. Tho­mas Henry Hux­ley em 1876, nessa altura já havia bom vinho e ele de cer­teza que tinha sem­pre muita sede.
    Fica bem.

  2. vídeo inte­res­sante (em inglês) que explica cada con­ceito:
    http://www.youtube.com/watch?v=CBN2L5XScY4

  3. Exac­ta­mente. Só como refu­ta­ção a pro­vas fal­sas. Daí, a cha­mada pre­sun­ção de ino­cên­cia até prova em con­trá­rio. Se eu digo que tu rou­baste, tenho que apre­sen­tar pro­vas. Se eu digo que tu não rou­baste, não tenho que apre­sen­tar pro­vas nenhu­mas.
    O mesmo é válido na ques­tão da exis­tên­cia de deus ou deu­ses. Se eu digo que existe(m), é melhor que o prove. Obvi­a­mente, não pre­ciso de pro­var a não exis­tên­cia seja do que for até alguém ale­gar pro­vas evi­den­tes da sua exis­tên­cia.
    Caso con­trá­rio, anda­ría­mos todos ocu­pa­dos a demons­trar a ine­xis­tên­cia de uni­cór­nios, fadas, tar­tes de maçã em órbita entre Júpi­ter e Saturno ou, por­que não, do Pai Natal.
    Em rela­ção ao Tho­mas Hux­ley e à tua frase pre­ci­sava que me expli­cas­ses o que que­res exac­ta­mente dizer com “mate­ri­a­li­zado”. É que pode fazer toda a dife­rença. ;-)
    Um abraço.

  4. Caro Diogo Oliveira,

    Obri­gado pelo link. Eu já conhe­cia o Mr. Mor­ton e, com excep­ção do pró­prio nome, acho os seus videos bas­tante inte­res­san­tes.
    De qual­quer forma, a defi­ni­ção de agnos­ti­cismo dada por ele vai de encon­tro às minhas refe­rên­cias e cri­ti­cas no meu post.

  5. Um natu­ra­lista como o Tho­mas não podia acre­di­tar em mais nada do que aquilo que exis­tia à sua volta, ele era a voz do Darwin e prin­ci­pal defen­sor. Claro que naquele tempo assu­mir tal posi­ção era uma coisa imensa, daí eu dizer que o vinho tinha que ser bom para ao fim do dia ele con­se­guir dor­mir. Foi a ele que o Bispo de Oxford per­gun­tou se era da parte do avô ou da avó que ele des­cen­dia do macaco, perante isto que­rias que ele passa-se a ir à missa todos os dias. Em todo o caso a res­posta dele merece ser citada “Se a ques­tão é se eu pre­fe­ri­ria ter um macaco mise­rá­vel como avô ou um homem alta­mente favo­re­cido pela natu­reza que pos­sui grande capa­ci­dade de influên­cia mas mesmo assim emprega essa capa­ci­dade e influên­cia para o mero pro­pó­sito de intro­du­zir o ridí­culo em uma dis­cus­são cien­tí­fica séria, eu não hesi­ta­ria afir­mar a pre­fe­rên­cia pelo macaco”.
    Em rela­ção à mate­ri­a­li­za­ção, tem a ver com o facto de a exis­tên­cia de Deus não ser física.
    Já agora pensa nisto, se todas as acu­sa­ções fos­sem fei­tas com pro­vas reais e verí­di­cas, não havia absol­vi­men­tos. Eles exis­tem por­que mui­tas das vezes és acu­sado sem haver pro­vas, tendo tu que fazer prova da nega­ção. Olha o exem­plo das finan­ças, tens de pro­var que não existe dívida, senão pagas.
    Exis­tem coi­sas em que o Eins­tein acre­di­tou que só agora pude­ram ser pro­va­das e outras ainda não podem ser.
    Quem sabe se será tudo uma ques­tão de tempo.

    Cumpr.

  6. Mas será que os que seguem a razão são sem­pre ateus?

    Porquê esta ati­tude mani­queísta perante o binó­mio fé-razão?

    Não pode haver equi­lí­brio entre fé e razão? Não são compatíveis?

  7. Caro Marco Oliveira,

    1 — Em res­posta à sua pri­meira per­gunta a res­posta é não, embora para mim seja incompreensível.

    2 — Não se trata de nenhuma ati­tude mani­queísta. Ter fé implica acre­di­tar em algo à mar­gem da raci­o­na­li­dade. Mais, a fé reli­gi­osa é a única com carta branca da soci­e­dade para esca­par ao hos­pí­cio. Se eu tiver fé que enter­rado no jar­dim em frente a minha casa existe um dia­mante do tama­nho de um daque­les auto­car­ros anti­gos de 2 anda­res, sou con­si­de­rado para­nóico, luná­tico ou demente. Se acre­di­tar que uma ora­ção ou umas mezi­nhas resol­vem um pro­blema de saúde esta­rei ape­nas a exer­cer a minha fé religiosa!

    3 — Eu entendo que não. Pelo con­trá­rio, são incom­pa­tí­veis em imen­sos aspectos.

  8. E a fé é ape­nas um crença em coi­sas pate­tas? Isso tam­bém me parece uma visão muito redu­tora da questão.

    Eu ponho as coi­sas nes­tes ter­mos: fé sem razão é pura supers­ti­ção. Razão sem fé é ape­nas materialismo.

    É a minha maneira de ver as coi­sas.
    :-)

  9. Caro Marco,

    Tem que me expli­car melhor o con­ceito de fé com razão…

  10. Hel­der,
    Há algum tempo escrevi este post sobre Cien­cia e Reli­gião, que explica o meu enten­di­mento sobre a har­mo­nia entre Fé e Razão.

  11. Caro Kota;

    Não posso con­fir­mar se já entrou em vigor ou não mas uma das boas coi­sas deste nosso actual pri­meiro Minis­tro foi pre­ci­sa­mente alte­rar uma lei estú­pida do fisco. Dei­xar de ser obri­ga­tó­rio que seja o con­tri­buinte a apre­sen­tar a prova do paga­mento mas sim as finan­ças a pro­va­rem o não paga­mento.
    Isto só prova mais uma vez que quem acusa é obri­gado a fazer a prova.

  12. A posi­ção agnós­tica é a mais cética e cien­tí­fica que pode exis­tir. Nega-se a dis­cu­tir o con­ceito de Deus que é total­mente irre­le­vante para a exis­tên­cia humana.
    Se as obser­va­ções, os cál­cu­los e a lógica leva a mate­ri­a­li­za­ção de ações bené­fi­cas e equänimes, não há por­que se falar em deu­ses.
    Os ateus que se deba­tem com os cren­tes sobre o assunto Deus. Os agnós­ti­cos nada tem a ver com isso.
    Nem a reli­gião é fruto de todos as males, como o mate­ri­a­lismo é resul­tado de todas as bonan­ças, e vice e versa.
    O mani­queísmo é ati­tude natu­ral de quem optou por uma das teses, e ressentem-se que haja uma ter­ceira que negue as demais.
    Não espe­rava outra ati­tude de um ateu.

  13. oitavo,

    Não é verdade.

    A posi­ção agnós­tica não é a mais cép­tica por­que não recusa a pos­si­bi­li­dade da exis­tên­cia de deus. Os agnós­ti­cos recu­sam a pos­si­bi­li­dade de alguma vez se pro­var ou não a exis­tên­cia de deus, o que é total­mente diferente.

    Tam­bém não é a mais cien­ti­fica por­que, caso o fosse, pro­cu­ra­ria encon­trar uma res­posta e o agnos­ti­cismo assume, logo à par­tida, a impos­si­bi­li­dade de encon­trar qual­quer res­posta. Seria como qua­li­fi­car de mais cien­ti­fica uma posi­ção em se acre­di­tasse ser impos­sí­vel des­co­brir uma cura para a sida do que a posi­ção dos cien­tis­tas que ten­tam des­co­brir essa cura.

  14. Ape­nas recen­te­mente tomei conhe­ci­mento do seu blog e gos­tava em pri­meiro lugar de lhe dar os para­béns pela apre­sen­ta­ção e a riqueza de conteúdo.

    «Os agnós­ti­cos, ao assu­mi­rem tal posi­ção, estão a dar cre­di­bi­li­dade aos cren­tes na ques­tão do ónus da prova quando esse é um prin­ci­pio per­fei­ta­mente absurdo. Jamais o conhe­ci­mento será obtido pela prova da negação.»

    O ónus de prova de que falas, pode ser inver­tido em cer­tas situ­a­ções, como tal, não estou con­ven­cido que os agnós­ti­cos este­jam a dar alguma cre­di­bi­li­dade extra aos crentes.

    PS: à vários níveis dife­ren­tes de agnos­ti­cismo… e pelo que per­cebi, nem toda a gente está a falar exac­ta­mente do mesmo.

    «A posi­ção agnós­tica é a mais cética e cien­tí­fica que pode exis­tir. Nega-se a dis­cu­tir o con­ceito de Deus que é total­mente irre­le­vante para a exis­tên­cia humana.»

    oitavo: há agnos­ti­cis­mos teís­tas, essa tua ideia é a de um agnos­ti­cismo ateísta, talvez.

  15. Jam,

    Obri­gado pelo comen­tá­rio. Claro que exis­tem dife­ren­tes agnos­ti­cis­mos. Será uma dis­cus­são inte­res­sante saber se se pode ser um fun­da­men­ta­lista agnóstico!

    Um abraço.

  16. Pingback: Helder Sanches » Compreender e a Pura Indiferença

  17. Se eu digo que tu não rou­baste, não tenho que apre­sen­tar pro­vas nenhu­mas.” Isso não é bem assim, podes ter de arran­jar um alibi ou assim.

    Obvi­a­mente, não pre­ciso de pro­var a não exis­tên­cia seja do que for até alguém ale­gar pro­vas evi­den­tes da sua existência.”

    Se te arran­ja­rem pro­vas evi­den­tes da exis­tên­cia já não podes pro­var a ine­xis­tên­cia.… Para além disso a exis­tên­cia de um Uni­verso é uma razão mais que sufi­ci­ente para se pôr a hipó­tese da exis­tên­cia de um cri­a­dor do mesmo. E estando Deus no campo das hipó­te­ses, os dois lados devem ten­tar pro­var ou refu­tar essa hipó­tese. Este tipo de raci­o­cí­nio faz-se muito na matemática.

    Mui­tos ateus, dizem que não é pos­sí­vel dis­pro­var um nega­tivo. Errado… os mate­má­ti­cos fazem isso a toda a hora. Por exem­plo se eu dis­ser que existe um número primo entre 20 e 22, pode ser pro­vado que estou errado.

  18. Caro João,

    Supo­nho, então, que pra­ti­cas o tal culto (já famoso) da tarte de maçã em órbita de Saturno. É que, de facto, ainda nin­guém pro­vou a sua ine­xis­tên­cia! Ou dos duen­des, ou da tooth-fairy ou de tan­tas outras fantasias…

  19. Hel­der, já o daw­kins tam­bém tem a mania de fazer essas com­pa­ra­ções, que des­culpa lá são com­ple­ta­mente infantis.

    A exis­tên­cia de Deus é das mai­o­res e mais sérias dis­cus­sões filo­só­fi­cas de sem­pre, se não a maior.

    Não há razão nenhuma para eu acre­di­tar ou pôr a hipó­tese que esses duen­des exis­tem, já a tarde de maçã se tiver boa posso pro­var :) .

    Como eu já disse, só a exis­tên­cia deste Uni­verso é uma razão para por a hipó­tese de um cri­a­dor do mesmo. Não sei como é que ele seria. Mui­tas vezes a crença em Deus, fica ridi­cu­la­ri­zada, quando se pensa em um homem de bar­bas, e afins. A minha noção de Deus é dife­rente, seria uma enti­dade física, cons­ci­ente e inte­li­gente. Numa cate­go­ria seme­lhante, mais muito mais com­plexa obvi­a­mente, à força da gra­vi­dade, ou ondas elec­tro­mag­né­ti­cas. No caso das segun­das se por exem­plo vol­tas­ses uns anos atrás no tempo, e fos­ses con­tar às pes­soas da altura, que exis­tiam ondas invi­sí­veis, que se des­lo­cam à velo­ci­dade da luz, mui­tos iam pen­sar que tavas maluco.

  20. Hel­der, já o daw­kins tam­bém tem a mania de fazer essas com­pa­ra­ções, que des­culpa lá são com­ple­ta­mente infantis.”

    É sem­pre inte­res­sante quando alguém con­si­dera infan­til um dos mai­o­res pen­sa­do­res do séc. XX. Refiro-me a Ber­trand Rus­sel, de quem Daw­kins “usur­pou” o refe­rido exem­plo. Passo a trans­cre­ver na ínte­gra o ori­gi­nal de Rus­sel (em inglês para ser mais fiel):

    If I were to sug­gest that between the Earth and Mars there is a china tea­pot revol­ving about the sun in an ellip­ti­cal orbit, nobody would be able to dis­prove my asser­tion pro­vi­ded I were care­ful to add that the tea­pot is too small to be reve­a­led even by our most power­ful teles­co­pes. But if I were to go on to say that, since my asser­tion can­not be dis­pro­ved, it is into­le­ra­ble pre­sump­tion on the part of human rea­son to doubt it, I should righ­tly be thought to be tal­king non­sense. If, howe­ver, the exis­tence of such a tea­pot were affir­med in anci­ent books, taught as the sacred truth every Sun­day, and ins­til­led into the minds of chil­dren at school, hesi­ta­tion to beli­eve in its exis­tence would become a mark of eccen­tri­city and enti­tle the doub­ter to the atten­ti­ons of the psy­chi­a­trist in an enligh­te­ned age or of the Inqui­si­tor in an ear­lier time.”

  21. O Rus­sel era um génio, não lhe cha­mei infan­til. Agora os argu­men­tos que são mui­tas vezes usa­dos com base no que ele disse são infantis.

    É óbvio que não se poder dis­pro­var Deus, não abona nada a seu favor, ou con­tra, é sim­ples­mente neu­tro.
    Nesse sen­tido de não se poder dis­pro­var Deus é seme­lhante a fadas, e o Pai Natal (se bem que estes são maus exem­plos, por­que foram inven­ta­dos de pro­pó­sito para as crianças).

    Mas isto não sig­ni­fica que as razões para se acre­di­tar em Deus este­jam ao mesmo nível das fadas e do pai natal.
    Por­tanto lá por­que eu acre­dito em Deus não tenho nada que acre­di­tar em fadas.

  22. O fato de não poder pro­var a exis­tên­cia ou a ine­xis­tern­cia de Deus ser um dos prin­ci­pios do agnos­tis­cismo não desa­bona a ideia agnós­tica de não ter­mos , os huma­nos, capa­ci­dade de alçar tal pro­fun­di­dade, mas pelo con­trá­rio nos dá força de argu­men­ta­ção de expor se existe algo ou alguem ou tam­bém algum, capaz de criar uma rea­li­dade tão ina­tin­gí­vel. Por­que esse ser seria de tão fácil acesso e enten­di­mento? por seres tão infe­ri­o­res em todos os aspec­tos, caso Ele exis­tisse, e se não exis­tir ‚não existe.

  23. estou tc do Bra­sil da cidade de Bra­sí­lia, que é nossa capi­tal , con­tra­ri­ando a idéia de ser o Rio de Janeiro, como todos pensam.

  24. Caro Mar­cio,

    Por aqui, que eu saiba, nin­guém quis ele­var o Rio a capi­tal do Bra­sil. O Bra­sil tem essa van­ta­gem: não tem a sua capi­tal per­ma­nen­te­mente obser­vada por uma figura mito­ló­gica de bra­ços aber­tos. Já Lis­boa, meu caro…

  25. indi­fe­rença cúm­plice dos agnós­ti­cos”? Essa agora! eu sou agnós­tico — não por qual­quer tipo de espí­rito de mili­tân­cia ou dile­tan­tismo inte­lec­tual mas sim­ples­mente por­que é essa, nesta altura da minha vida, a minha incon­tor­ná­vel con­di­ção exis­ten­cial e filo­só­fica — mas não me revejo mini­ma­mente na sua con­cep­ção do ser agnós­tico e muito menos me con­si­dero indi­fe­rente ou cúm­plice do que quer que seja. Isso é não só absurdo como ofen­sivo. Ape­sar de ter uma pers­pec­tiva natu­ra­lista e cép­tica (não vamos dis­cu­tir quem é mais ou menos cép­tico…) da exis­tên­cia, sim­ples­mente me man­te­nho aberto a todas as pos­si­bi­li­da­des e admito que há coi­sas que (ainda) estão além do nosso enten­di­mento e des­con­fio de todas as for­mas de con­vic­ção, incluindo a ina­ba­lá­vel con­vic­ção ateista na ine­xis­tên­cia de deus ou deu­ses, seja lá isso o que for. No meu enten­der, a pos­tura mais sen­sata é afir­mar “não sei”. Não é afir­mar peremp­to­ri­a­mente “não existe”. Se exis­tir logo se vê, se não exis­tir vê-se tam­bém ou não se vê nada e paci­ên­cia… E isto não quer dizer asso­biar para o ar, quer dizer ape­nas que logo se vê. Ou não. Agora, em rela­ção ao impacto das reli­giões e dos extre­mis­mos teo­ló­gi­cos na vida dos homens, preocupa-me tanto como a si, cer­ta­mente, não sou nem coni­vente nem cúm­plice. Tento com­pre­en­der, apren­der e fazer a minha minima quota-parte no com­bate de ideias.

  26. Caro JPC,

    Não se ofenda com tanta faci­li­dade. Você diz ter uma pers­pec­tiva natu­ra­lista e cép­tica da exis­tên­cia mas essas ainda lhe dão lugar a dúvi­das (que tem todo o direito de ter). Mas, diga-me lá, então, pela sua lógica agnós­tica qual é o pro­blema em se ensi­nar o cri­a­ci­o­nismo nas nos­sas esco­las a par da teo­ria da evo­lu­ção? Se você acha real­mente que a pos­tura mais sen­sata é o “não sei”, o “logo se vê” e o “não se vê nada e paci­ên­cia” que argu­men­tos tem para afas­tar as dou­tri­nas e os dog­mas da edu­ca­ção em Por­tu­gal e a Igreja do Estado?

    Com o seu comen­tá­rio você espe­lhou bem os meus receios expos­tos no artigo. Não faça­mos nada por­que não temos 100% de cer­te­zas — tere­mos só 99,999% — e não vamos ser poli­ti­ca­mente incor­rec­tos. Des­culpe lá, mas essa con­versa é mesmo cúm­plice de carta branca dada às Igre­jas e cren­ças. E disso mesmo que elas gostam…

  27. O Hél­der coloca ques­tões per­ti­nen­tes e que tam­bém me pre­o­cu­pam. Mas cai num erro comum, no meu enten­der, de con­fun­dir a árvore com a flo­resta, ou vice-versa, metendo diver­sos con­cei­tos no mesmo “saco”. As minhas dúvi­das não são, diga­mos assim, abso­lu­tas, sou cép­tico mas nem tanto, não sou cép­tico, por exem­plo, em rela­ção às ver­da­des mate­má­ti­cas ou à minha experiência/existência pen­sante e sen­sí­vel. Dizem res­peito essen­ci­al­mente a ques­tões pro­fun­das que nem a ciên­cia con­se­guiu ainda escla­re­cer. O que não é o caso do cri­a­ci­o­nismo, que é uma imbe­ci­li­dade supers­ti­ci­osa facil­mente des­mon­tá­vel por qual­quer curi­oso da arque­o­lo­gia ou da pale­on­to­lo­gia.
    De resto, até a ciên­cia é uma ver­dade em per­ma­nente recons­tru­ção e refor­mu­la­ção, o campo cien­tí­fico é um campo de dúvida e ques­ti­o­na­mento per­ma­nente, não é um campo de con­vic­ção, como o é, por exem­plo, o ateismo.
    As minhas dúvi­das dizem res­peito, por exem­plo, à natu­reza da Cri­a­ção, aos porquês e aos comos do nas­ci­mento cos­mo­ló­gico, de que o Big Bang é “ape­nas” uma teo­ria incon­clu­siva. E a ter havido um Big Bang? O que é que lhe deu ori­gem? E antes do Big Bang? havia o nada e pas­sou a haver maté­ria? Como? E a morte? Será de facto um fim?
    É óbvio que pro­curo viver a minha vida valo­ri­zando essen­ci­al­mente o “sim­ples” facto de estar aqui, cen­tro a minha exis­tên­cia nesta extra­or­di­ná­ria expe­ri­ên­cia de estar vivo, aqui e agora, e ajo eti­ca­mente em con­for­mi­dade sem estar con­di­ci­o­nado pelo medo do que poderá estar “do outro lado”, se even­tu­al­mente o hou­ver, como fazem os cren­tes que assen­tam a sua moral numa lógica de retri­bui­ção ou con­de­na­ção divina. Mas a morte e a cri­a­ção, por exem­plo, são temas que me apai­xo­nam. Por­que, objec­ti­va­mente, são cam­pos de dúvida.
    São ques­tões como estas que me con­du­zem, em última aná­lise, ao agnos­ti­cismo, mas isso não sig­ni­fica que “não faça nada”. O que é “fazer alguma coisa”? É sair para a rua com car­ta­zes anti-papistas? Como já lhe disse, pro­curo, com os meios pací­fi­cos ao meu alcance, deba­ter ideias ou e sen­si­bi­li­zar para os male­fí­cios do dogma reli­gi­oso, do fana­tismo teo­ló­gico, da moral divina” e da supers­ti­ção em detri­mento de uma abor­da­gem mais raci­o­nal, aberta e livre.
    Por outro lado, penso haver outra coisa que nos separa. Eu não des­carto nem des­prezo tão asser­ti­va­mente (para não dizer radi­cal­mente) o fenó­meno reli­gi­oso. A expe­ri­ên­cia (his­tó­rica) espi­ri­tual do ser humano, nas suas inú­me­ras expres­sões, é um tema fas­ci­nante e até enri­que­ce­dor e não deve, em meu enten­der, ser tão limi­nar­mente des­car­tada. Mas isso não sig­ni­fica que não con­siga per­ce­ber os seus male­fí­cios na vida con­creta dos povos e dos indi­ví­duos. Nem as suas vir­tu­des, por­que há de facto tra­di­ções espi­ri­tu­ais, nome­a­da­mente ori­en­tais, muito inte­res­san­tes e benig­nas com as quais se pode apren­der, por exem­plo, a ter uma vida mais satis­fa­tó­ria — como apren­de­ram pen­sa­do­res insus­pei­tos como Sho­pe­nhauer ou Her­man Hesse. As reli­giões, tal como os pit­bulls ou as armas, não são más em si mes­mas, o que é mau é o uso que os homens mui­tas vezes lhe dão.
    Em suma, posso só ter 99,9% de cer­te­zas em rela­ção a ques­tões exis­ten­ci­ais, mas tenho por exem­plo 100% de cer­teza na minha defesa de valo­res como o secu­la­rismo, da liber­dade de pen­sa­mento e expres­são ou do con­fi­na­mento da reli­gião para um domí­nio estri­ta­mente pri­vado. Nisso, e cer­ta­mente nou­tras coi­sas, esta­mos na mesma trincheira.

    ps: Já agora, obri­gado pela forma sim­pá­tica e cons­tru­tiva, cada vez menos usual nes­tes fóruns, como aco­lheu os meus reparos…

  28. Por­que é que as pes­soas se sepa­ram em gru­pos quando basi­ca­mente uma pes­soa pode ser agnós­tica e tam­bém ateia?

    Parece que con­fun­dem agnos­ti­cismo com o que os ingle­ses cha­mam de “Fence-sitter”, ou “um que está sen­tado na vedação”.

    Ser Agnós­tico é um atri­buto de um ateu (ou de um teísta).

    Agnos­ti­cismo é a posi­ção de que não se pode saber se, neste caso, um deus existe ou não.
    Gnós­tico é a posi­ção de que se pode saber(por ex: teísta gnós­tico).
    Nin­guém, e repito nin­guém, pode ser gnós­tico sem fé.

    Todos temos que ser agnós­ti­cos em rela­ção a este assunto.
    Mas, depois temos fac­tos e evi­dên­cias e pro­vas que nos levam a con­cluir para um lado ou outro do espec­tro.
    Os que se man­têm no meio, ou não que­rem saber ou são igno­ran­tes de que exis­tem conhe­ci­men­tos que nos aju­dam a ter uma posição.

    Se seguir­mos a Razão e humil­dade inte­lec­tual, e olhar­mos para as infor­ma­ções que temos hoje em dia, o mais pro­vá­vel é que não haja deus.

    Se che­ga­mos a esta con­lu­são, chamamo-nos ateus agnós­ti­cos.
    Eu tec­ni­ca­mente tenho de ser agnós­tico, tal como todos os seres huma­nos. MAs vivo a minha vida sem estar a pen­sar em deus.
    Deus e reli­gião sim­ples­mente não é assunto, nem inte­lec­tual nem diário.

    Espero que o que escrevi ajude alguém de uma maneira ou de outra.

  29. Se seguir­mos a Razão e humil­dade inte­lec­tual, e olhar­mos para as infor­ma­ções que temos hoje em dia, o mais pro­vá­vel é que não haja deus”

    Olá João, tudo bem? Gos­ta­ria que me dis­sesse quais são essas informações.

  30. Não são infor­ma­ções exac­ta­mente. São pro­ces­sos men­tais.
    Qual­quer coisa que eu lhe diga você pode inter­pre­tar da maneira que lhe ape­te­cer.
    A maneira mais sim­ples leva a crer que não há deus. Tudo o que nos é reve­lado pela a ciên­cia, a maneira mais trans­pa­rente e directa de obser­var o uni­verso que nos rodeia, revela um uni­verso sem neces­si­dade de inter­ven­ção de um deus.
    Estar a dizer que foi um deus que criou o uni­verso e depois des­can­sou, é estar a man­dar uma res­posta para o ar, para ter uma res­posta.
    Além do mais, para um deus criar, tem que pri­meiro que­rer criar. Por­que é que que­re­ria um deus criar um uni­verso? Por­que criar um uni­verso naquele pre­ciso ins­tante? para quê fazê-lo tão grande? Se deus é infi­nito por­que é que criou um uni­verso depois de um tempo infi­nito no nada? Estava ocu­pado a fazer outras coi­sas?
    como é que um deus, não tendo um cére­bro fisico, é mai inte­li­gente que nós? Como é que um ser incor­pó­reo, é um ser? Como é que um ser des­tes CRIA?
    A única res­posta que se pode dar a isto é “Deus é mis­te­ri­oso”.
    É estar a res­pon­der um mis­té­rio com um mis­té­rio ainda maior.
    O mais sim­ples é ficarmo-nos pelo “Não sei.” A Ciên­cia revela um uni­verso sem a neces­si­ade da inter­ven­ção divina. Nem que tenha de mudar de regras fun­da­men­tais, o mais pro­vá­vel é que con­ti­nue a reve­lar um uni­verso sem deus, logo, o mais pro­vá­vel é que não haja deus.
    A nava­lha de Occam.

    Lá por­que Deus é maior e mais impor­tante que fadas, o que suporta a exis­tên­cia ou a pos­si­bi­li­dade, ou se é plau­sí­vel ou não, a exis­tên­cia de deus não se encon­tra acima das fadas ou dra­gões. Lá por dar uma expli­ca­ção, uma res­posta vapo­rosa e vaga à per­gunta humana “De onde veio isto tudo?”, lá por ser infi­nito, lá por ter atri­bu­tos sem limi­tes infi­ni­tos, não quer dizer nada. Lá por ser Zeus sem as rou­pas ou forma ou o nome, con­ti­nua ao mesmo nível que fadas.

    Parace não estar por­que é dada uma impor­tan­cia des­me­su­rada a este con­ceito no nosso mundo.
    Tal como era dada impor­tan­cia a Quet­za­co­atl pelos Aztecas.

    Tam­bém, acho que não vale a pena mostrar-lhe “infor­ma­ções”, por­que qual­quer coisa que eu diga, os atri­bu­tos dados a Deus per­mi­tem que ele se des­lo­que mais e mais para ‘trás’, evi­tando qual­quer maneira de ser tes­tado ou fal­si­fi­cado.
    Isto deveria-lhe dizer alguma coisa. Que não vale a pena estar a acre­di­tar em deus, se pri­meiro, ele não pres­tar aten­ção a nós, e segundo, qual­quer coisa que sou­bés­se­mos sobre esse deus, não teria qual­quer valor prá­tico.
    Um deus que se diga actuar atra­vés do uni­verso é uuma adi­ção fútil, quando as coi­sas que acon­te­cem no uni­verso, podem muito bem acon­te­cer sem deus.
    “Mas Deus podia actuar sobre o uni­verso, atra­vés dessa exacta maneira.“
    Pois podia. Outro ser não per­feito, hiper evo­lúido tam­bém pode­ria fazer tais coi­sas, e não ser um deus. Uma super fada tam­bém seria capaz de fazer isto.
    O Deus que agora a mai­o­ria das pes­soas acre­dita é tirado de quais­quer atri­bu­tos fisi­cos absur­dos e o que fica é o essen­cial para sobre­vi­ver a qual­quer crí­tica. Fica-se com um esque­leto abs­racto e con­cei­tual sem limi­tes.
    Estes atri­bu­tos ima­gi­na­dos pela mente humana são sim­ples­mente isso.
    Ima­gi­na­dos.
    A ima­gi­na­ção humana pode ir além do que é razoá­vel.
    é o que eu chamo de “estar a comer o prato quando a comida já lá não está. É estar a mexer a faca e o garfo,a ris­car o prato, a fazer um baru­lho estri­dente des­ne­ces­sá­rio.
    Deus está no topo de uma coluna que, sem­pre que o nível do mar de pro­vas e senso comum apoi­ado por pen­sa­mento honesto cien­ti­fico sobe, esta coluna sobe ainda mais. Perece que tem uma bóia.

    O que os ateus fazem é tirar as bóias a deus para ver se ele se aguenta. Geral­mente não se aguenta e afoga-se e morre num mar de lógica honesta.
    Agora fazer deus voar acima disso por­que um dos atri­bu­tos é ter asas no reino da iló­gica é que não.

  31. A Ciên­cia revela um uni­verso sem a neces­si­ade da inter­ven­ção divina”.

    Isso é uma frase muito arris­cada, que neste momento não podes decerto afir­mar. Até o Stephen Haw­kings, diz que se o Uni­verso teve um iní­cio, pode-se por a hipó­tese de um cri­a­dor. E se o Uni­verso teve um iní­cio, a hipó­tese de Deus está bem longe de ser ridícula.

    E já pen­saste que se o Uni­verso é eterno, é por­que tens infi­nito tempo atrás de ti, o que torna impos­sí­vel che­gar ao tempo pre­sente, uma vez que não podes per­cor­rer o infi­nito.
    E se o Uni­verso teve um iní­cio por­que é que espe­rou um infi­nito tempo para começar?

    Eu pode­ria escre­ver bem mais, mas estou em frequências…

  32. Stephen Haw­king já foi enter­vis­tado e foi-lhe per­gun­tado o que pen­sava acerca deste assunto de deus.
    Eis a entervista(espero que sai­bas inglês)
    http://br.youtube.com/watch?v=mUaiPw6xuPE

    Lá por ele estar a por a pala­vra Deus nos tex­tos que escreve não sig­ni­fica nada. Eins­tein fazia o mesmo.

    É claro que Haw­king diz que há pos­si­bi­li­dade de um cri­a­dor. Daw­kins tam­bém diz que há pos­si­bi­li­dade de haver um cri­a­dor. Os ateus todos reco­nhe­cem que há pos­si­bi­li­dade de haver um cri­a­dor.
    Haw­kings como cien­tista limita-se a dizer não sei.
    Mas é plau­sí­vel assu­mir tal coisa? É plau­sí­vel estar a dizer que se sabe a mente deste cri­a­dor? É plau­sí­vel estar a dizer que pre­ces che­gam ao ouvido de deus? É plau­sí­vel estar a dizer que vir­gens marias andam a ape­re­cer em tor­ra­das e à frente de pas­to­ri­nhos como se fos­sem holo­gra­mas? É plau­sí­vel estar a dizer que deus quer o teu dinhei­ri­nho para cons­tuir igre­jas?
    Parace estra­nho mas a mai­o­ria das pes­soas acre­dita que o terra tem 6.000 anos.

    Lá por­que as coi­sas têm iní­cio, incluindo o uni­verso, não sig­ni­fica que para além desse começo não haja maneira de uma coisa como um uni­verso vir a ser sem um deus. A teo­ria de evo­lu­ção mos­tra como coi­sas com­ple­xas podem vir a exis­tir sem inter­vem­ção divina.
    O que trás um uni­verso à exis­tên­cia pode ser um pro­cesso seme­lhante. Não tem que ser um deus, pode ser um pro­cesso.
    De acordo com o que vemos isso é o mais provável.

    É claro que se fosse infi­nito, um ponto A não che­ga­ria ao ponto B, nem no espaço nem no tempo.
    Pelo que vemos, não é infi­nito. Há um limite, pelo mais pequeno que seja, está lá pois a sua exis­tên­cia pro­vo­ca­ria um uni­verso como o nosso. A sua ine­xis­tên­cia cri­a­ria um uni­verso muito muito diferente.

    E se o Uni­verso teve um iní­cio por­que é que espe­rou um infi­nito tempo para come­çar?“
    Quem disse que teve um período eterno de tempo para ser cri­ado? Estás a ten­tar dizer que se tem que por um deus nesta eter­ni­dade para dar à luz o uni­verso?
    Por­que é que deus tem que ser eterno? Por­que é que deus tem que ser tão dra­má­tico?
    E se o uni­verso apa­re­ceu do nada?

    Podes dizer…“Isso não faz sen­tido.” mas depois quando puse­res deus tens que te per­gun­tar a ti mesmo de onde veio deus? Como veio uma coisa com­plexa e com inte­lecto, que é um atri­buto que não vem do nada,aparecer do nada?
    Lê o novo livro de Daw­kins quando pude­res, “A Desi­lu­são de Deus”.

    Se o teu deus pode vir do nada, por­que não o uni­verso?
    É mais pro­vá­vel que o uni­verso venha do nada atra­vés de um pro­cesso sim­ples que cria o mundo com­plexo que vemos hoje, do que um deus com­plexo que apa­rece do nada para criar um uni­verso com­plexo tma­bém do nada.

    É uma adi­ção fútil e é cla­ra­mente uma expli­ca­ção infan­til vinda da nossa infân­cia inte­lec­tual igno­rante.
    É menos lógica do que não haver deus.
    Não vale a pena tra­zer deus à super­fi­cie mais uma vez dizendo “Mas deus pode ainda lá estar”.
    Não faz sen­tido dizer isto depois desta linha de pen­sa­mento. E estar a dizer que deus é para além da lógica é estar a brin­car com coi­sas vagas. É estar a “mover a baliza”

  33. Caro João, já tinha visto essa entre­vista, e obri­gado eu tam­bém sei o que é o sen­tido de metá­fora . Quanto às apa­ri­ções de fátima tenho uma fami­liar que esteve pre­sente no 13 de Outu­bro de 1917, mas claro que nada adi­anta dizer-te o que ela viu.… Além de que isto é à parte, não é por causa de fátima que eu acre­dito em Deus. Quanto ao dinhei­ri­nho para as igre­jas já esta­mos a entrar na reli­gião… o que tam­bém diz pouco ou nada acerca da exis­tên­cia de Deus..

    Sim o que trás o Uni­verso à exis­tên­cia “pode ser um pro­cesso”… só aí já estás a pres­su­por a exis­tên­cia de um outro tipo de Uni­verso, ou uma máquina gera­dora de Universos…e não expli­cas esse uni­verso, ou a máquina.

    Quem disse que teve um período eterno de tempo para ser cri­ado? Estás a ten­tar dizer que se tem que por um deus nesta eter­ni­dade para dar à luz o universo?”

    Não, pri­meiro esta frase nem é minha é do Kant. Depois foi para tu per­ce­be­res que a ques­tão o que fazia Deus antes do Uni­verso ser cri­ado, não faz sen­tido, por­que não há espaço e não há tempo.

    Como veio uma coisa com­plexa e com inte­lecto, que é um atri­buto que não vem do nada,aparecer do nada?
    Lê o novo livro de Daw­kins quando pude­res, “A Desi­lu­são de Deus”.

    Eu não li o livro, mas já li várias entre­vis­tas do Daw­kins e par­ti­ci­pei em deba­tes no dawkins.net pelo que estou bem a par dos argu­men­tos dele… O que o Daw­kins faz é esco­lher a pala­vra “com­plexo” para defi­nir Deus sim­ples­mente por­que lhe é con­ve­ni­ente. Para dizer ” ah e tal vocês não acre­di­tam que o Uni­verso possa estar aqui por si só por­que é com­plexo, mas Deus é mais com­plexo ainda…”

    Se o teu deus pode vir do nada, por­que não o universo?

    Nin­guém disse que Deus vinha do nada, sim­ples­mente sem­pre exis­tiu… por­que é impos­sí­vel vir-se do nada.. Agora podes achar que O Uni­verso é eterno se qui­se­res, mas as evi­dên­cias mos­tram o contrário..

  34. Então achas que um ser infi­nito em todos os aspec­tos, é sim­ples?
    Des­culpa mas isso na minha cabeça não faz sen­tido nenhum.
    Explica-me como é que um deus é sim­ples? Sim­ples­mente por­que é? “O que é mais sim­ples que isso?“
    Isso obvi­a­mente sim­pli­fica as coi­sas, mas de uma maneira infan­til. E o uni­verso não é infan­til.
    Para mim não dá.
    Não tem lógica, é estar a brin­car com uns ter­mos com­ple­ta­mente absur­dos sem limi­tes.
    É como se Deus fosse neu­tro. Deus fica sem graus de com­ple­xi­dade, o infi­nito anula isso.
    Deus, se existe, é neu­tro, o que o faz com­ple­ta­mente inu­til, logo o mais pro­vá­vel é que nem exista em pri­meiro lugar.
    Só não é inu­til se criar. E se tiver moti­va­ção para fazer tal coisa.

    Não, pri­meiro esta frase nem é minha é do Kant. Depois foi para tu per­ce­be­res que a ques­tão o que fazia Deus antes do Uni­verso ser cri­ado, não faz sen­tido, por­que não há espaço e não há tempo.“
    Eu não quero saber se a frase foi dita por Kant ou pelo homem da tasca.
    Depois de se pen­sar que não faz sen­tido, tem-se que con­cluir que deus é eterno?
    Por­que é que tem que ser um Ser em pri­meiro lugar?
    Porquê invo­car inte­lecto?
    Porquê invo­car essa von­tade de criar neste deus?
    Não se vê que isto é estar a huma­ni­zar o que não se com­pre­ende? A huma­ni­zar o eterno antes disto tudo? Para sim­pli­fi­car as coi­sas na mente humana?

    Nin­guém disse que Deus vinha do nada, sim­ples­mente sem­pre exis­tiu… por­que é impos­sí­vel vir-se do nada..“
    Diz quem?
    O nada é infi­ni­ta­mente inca­paz de criar algo?
    Ourta vez per­gunto. Se deus pode estar aqui infi­ni­ta­mente, por­que não um uni­verso? Por­que não um macro­verso que ori­gi­nou o uni­verso onde esta­mos?
    Por­que não aque­las duas mem­bra­nas que se tocam e criam espa­ços em dimen­sões inferiores(como o nosso uni­verso)? Por­que é que essas dimen­sões supe­ri­o­res não podem ser eternas?

    Pode­rás pen­sar: “Mas tem que ter um começo!“
    Não tem.
    Para quê invo­car uma coisa eterna, quando o que é pro­posto por lógica ateia, já o pode ser? Sem adi­ção de Seres, SERES!, que não fazem sen­tido nenhum. Só fazem sen­tido por­que os atri­bu­tos alber­gam tudo o que pode ser con­ce­bido pela ima­gi­na­ção humana.
    Mas isso é irracional.

    O uni­verso, ou que está para além disso, não tem que ter começo. Tal como um cír­culo não tem começo.
    Diz-se que se fos­se­mos numa direc­ção uni­forme atra­vés do uni­verso, aca­ba­ría­mos por che­gar à terra mais uma vez, tal como acon­tece numa esfera.…o que se faz é aumen­tar uma dimen­são. Eu nem quero ima­gi­nar como serão dimen­sões superiores.

    Eu não sei por­que é que estas coi­sas todas exis­tem. Eu não sei por­que é que a exis­tên­cia existe.…mas deus não faz sen­tido e não explica nada. a única coisa que faz é pren­cher espaço de igno­rân­cia. É estar a invo­car deus nos limi­tes do conhe­ci­mento, tal como o New­ton fez em “Prin­ci­pia” e o Huy­gens em “Cos­mothe­o­ros”.
    Achas impro­vá­vel que vamos per­ce­ber o que está para além do nosso uni­verso? O que o ori­gi­nou? Não te esque­ças que a huma­ni­dade já enfren­tou coi­sas seme­lhan­tes, por exem­plo a ten­tar expli­car o espaço, enquanto sen­ta­di­nhos na Terra.

    E se achas que Deus faz sen­tido, então explica-me lol por­que eu quero perceber.

  35. Eu disse que tinha sido o Kant por­que acho, que tenho o dever de dizer quando estou a usar argu­men­tos de outros.

    Eu não tenho pro­ble­mas que o Uni­verso seja infi­nito, mas segundo a teo­ria do Big Bang, e pelo ke eu já li do Haw­kings esse não parece ser o caso.

    Qual é o teu pro­blema com Deus ser sim­ples? Não vou dizer que pode ter carac­te­rís­ti­cas des­co­nhe­ci­das por nós por­que dizias que eu estava a fugir… Não são coi­sas sim­ples que podem gerar o complexo?

    Mas qual é o teu pro­blema com Deus, se achas plau­sí­vel outras dimen­sões que nunca viste? E para as quais não há prova? É por­que é um ser consciente?

  36. Pingback: Uma interessante troca de argumentos « Naturalmente, não sei…

  37. É estar a invo­car deus nos limi­tes do conhe­ci­mento, tal como o New­ton fez em “Prin­ci­pia” e o Huy­gens em “Cosmotheoros”.

    Ehe tam­bém viste esse vídeo no youtube.

  38. Só para fina­li­zar, basi­ca­mente segundo a teo­ria actual se o Uni­verso sur­giu do “nada” como diz o Stephen Haw­king, penso que o mais lógico de se acei­tar é mesmo Deus…

    A dife­rença entre nós não é assim tão grande, sim­ples­mente tu achas que a pri­meira causa é um pro­cesso sem mente, eu acho que é um pro­cesso com mente/inteligência por trás… Volto a escre­ver sábado, se qui­se­res continuar.

  39. Qual é o teu pro­blema com Deus ser sim­ples? Não vou dizer que pode ter carac­te­rís­ti­cas des­co­nhe­ci­das por nós por­que dizias que eu estava a fugir” Não são coi­sas sim­ples que podem gerar o complexo?”

    O meu pro­blema tal­vez seja não ter uma expli­ca­ção razoá­vel para afir­mar que deus seja sim­ples. Foi por isso que te pedi que me des­ses razões para con­si­de­rar tal hipotese.

    Não são coi­sas sim­ples que podem gerar o com­plexo?“
    Claro mas aí estás a por deus como uma des­sas coi­sas sim­ples, sem pro­vas nehu­mas, sim­ples­mente por­que tem que ser sim­ples… e logo podes apli­car esse raciocínio.

    Uma coisa sim­ples não é uma coisa infi­nita. Não é um ser omni­po­tente que está em todo o lado, no espaço e no tempo. Não é um ser com capa­ci­dade de criar coi­sas são com­pos­tas por tempo de Planck e quarks Como é que uma coisa des­sas apa­rece?
    Se é eterno, por­que não o uni­verso? Aqui uni­verso não estou a falar do nosso uni­verso, estou a falar de tudo que existe. Não per­cisa de ser um deus.

    Mas qual é o teu pro­blema com Deus, se achas plau­sí­vel outras dimen­sões que nunca viste? E para as quais não há prova? É por­que é um ser cons­ci­ente?“
    Não tem a a haver com os atri­bu­tos. Os atri­bu­tos fazem-me pen­sar na plau­si­bi­li­dade de tal exis­tir.
    Não há nada de implau­sí­vel acerca de outras dimen­sões.
    Dizer que é um ser cons­ci­ente tam­bém não sim­pli­fica as coi­sas.
    Nós sabe­mos, como seres huma­nos, que a con­ci­en­cia é um pro­duto de pro­ces­sos físi­cos no nosso cére­bro.
    Como é que uma cons­ci­ên­cia pode exis­tir fora de um corpo? Como é que uma cons­ci­ên­cia pode exis­tir fora do tempo e do espaço?

    Não podes estar a invo­car mis­té­rio quando qui­se­res estar a expli­car uma coisa.
    É por não ter res­posta, e não ser plau­sí­vel, e ser des­ne­ces­sá­rio que eu não acre­dito em deus.

    Ehe tam­bém viste esse vídeo no you­tube.“
    Por acaso foi no site offi­cial da con­fe­rê­cia.
    Lá tem os videos intei­ros. Foram mais de nove horas à frente do com­pu­ta­dor!! E vão come­çar uma nova con­fe­rê­cia no dia 31 Out. até dia 2 acho eu.
    Mas diz lá que não é inters­sante o ponto que Neil deGrasse Tyson levanta? Por­que é que New­ton invoca deus…e 100/200 anos depois chega Laplace e explica o que New­ton não con­si­guia e dizia que não per­ci­sava de deus para expli­car as coi­sas que des­co­briu.
    Todos os dis­cur­sos do Neil são bas­tante bons.

    Só para fina­li­zar, basi­ca­mente segundo a teo­ria actual se o Uni­verso sur­giu do “nada” como diz o Stephen Haw­king, penso que o mais lógico de se acei­tar é mesmo Deus…”

    Como é que podes acei­tar isso na tua cabeça se a cien­cia revela, sem­pre e sem­pre, coi­sas a acon­te­ce­rem sem neces­si­dade de inter­ven­ção divina?
    Não é o mais pro­vá­vel que con­ti­nue a fazer o mesmo?
    E se se che­gar à con­clu­são de que o uni­verso veio de um pro­cesso não divino? Vais con­ti­nuar a acre­di­tar em deus?
    como aque­les que dizem “Oh a Evo­lu­ção então foi feita por deus.”

    A dife­rença entre nós não é assim tão grande, sim­ples­mente tu achas que a pri­meira causa é um pro­cesso sem mente, eu acho que é um pro­cesso com mente/inteligência por trás”

    Eu não acho que haja pri­meira causa.
    “Então como é que…“
    Não sei. Mas já des­car­tei a outra possibilidade.

  40. Sorry a demora. Eu ao con­trá­rio das reli­giões não tento adi­vi­nhar como é Deus, se é homem ou mulher, mau ou bom etc… Eu não sei se Deus é com­plexo ou sim­ples, só disse que o Richard Daw­kins esco­lheu o com­plexo por­que lhe ape­te­ceu. Para além de que tu podes apli­car o argu­mento da com­ple­xi­dade a toda a exis­tên­cia em si. O Uni­verso e as suas leis são sim muito com­ple­xos, mesmo que não exista Deus, tens um Uni­verso sem causa, que é complexo.

    Eu não acre­dito em Deus por causa da com­ple­xi­dade do Uni­verso…
    Acre­dito em Deus por­que a ideia de um cri­a­dor para o Uni­verso, faz-me mais sen­tido do que um Uni­verso que existe por­que sim. Ima­gina dizer que uma pedra que está à frente de tua casa sem­pre exis­tiu, não faz muito sen­tido. Para mim um ser cons­ci­ente que tenha sem­pre exis­tido é menos difí­cil de acei­tar.
    Há argu­men­tos filo­só­fi­cos que eu con­si­dero razoá­veis. Como a impos­si­bi­li­dade de haver infi­ni­tos anos atrás de nós, e o facto de o Uni­verso estar em movi­mento o “first mover”, já deves ter ouvido falar concerteza.

    Ouve, o que a ciên­cia tem feito é expli­car como é que se com­por­tam os fenó­me­nos den­tro do Uni­verso, e para isso não é pre­ciso Deus para nada. Para expli­car por­que é que o Uni­verso existe, ou dizendo melhor, qual o sen­tido da exis­tên­cia do Uni­verso, nem é do campo da ciên­cia.. Mas volto a dizer, se a res­posta defi­ni­tiva dos cien­tis­tas é que o Big Bang sur­giu do nada, acho que Deus é o melhor a acei­tar…é mais plau­sí­vel haver um Deus des­co­nhe­cido a fazer um Big Bang, do que o Nada a fazer o big Bang.

  41. João Ribeiro,

    Posso infe­rir pelas tuas pala­vras que acei­tas, então, que deus existe por que sim mas o uni­verso já não pode exis­tir por que sim?

  42. É basi­ca­mente isso, tenho mais faci­li­dade em acei­tar um deus por­que sim.

  43. Mas, então, trata-se de uma ques­tão de fé, ou sus­ten­tas a tua des­cri­mi­na­ção nas pos­si­bi­li­da­des para os dois casos em alguma lógica?

  44. Pode-se dizer que é mais ou menos um “mix”. É impos­sí­vel ter uma posi­ção des­tas sem ter fé. Mas para além de eu “sen­tir” que não faz muito sen­tido um uni­verso por si só (fé), a evi­dên­cia cien­tí­fica parece mos­trar que a maté­ria não pode ser eterna.

  45. Caro João, tendo eu dado uma vista de olhos no último post do Hel­der e fazendo aqui a liga­ção, tenho uma per­gunta de um ateu: se o Uni­verso, na sua opi­nião, sur­giu de deus, e segundo a sua lógica, então per­gunto: e deus sur­giu de onde ou do quê?
    Será, cer­ta­mente, e numa lógica do “por­que sim”, atri­buir a cri­a­ção ou nas­ci­mento do Uni­verso a uma enti­dade, em minha opi­nião, ine­xis­tente. Mas,seguindo a mesma (i)lógica, e sendo assim, afi­nal de onde veio deus, onde teve ele a sua ori­gem?
    Aten­ção que eu não per­gun­tei porquê, per­gun­tei de onde ou do quê…
    A res­posta será “do que sim” ou “de onde sim”?

  46. Já agora, quero-me diri­gir ao Sr. João Ribeiro, claro. E abro mais um paren­te­sis: não quero, de forma alguma ofendê-lo com a minha ques­tão. É que o último comen­ta­dor a quem me dirigi pes­so­al­mente levou dema­si­ado a peito as minhas inqui­si­ções e afirmações.

  47. Não tenho nada que levar a mal eu estou aqui para dis­cu­tir ideias.

    Deus não sur­giu de lado nenhum é eterno. O uni­verso tam­bém pode­ria ser eterno, mas não é o que mos­tram os tra­ba­lhos de Eins­tein e de Haw­kings. O pro­blema do sur­gir é que obriga a uma causa…

  48. João, Admi­tindo que sim, que deus existe e é uma cri­a­tura extra-universo… onde é que foi bus­car a ideia que ele é eterno? Às escrituras?

  49. Xiqui­nho, é em parte por não acre­di­tar num Uni­verso eterno,e não achar lógico que este tenha vindo lite­ral­mente do nada, que acre­dito em Deus..portanto tem aí a res­posta… Eu nunca li a bíblia sequer…

  50. Mal por mal, caro João, pre­firo cons­ta­tar uma rea­li­dade que conheço (o Uni­verso) e atribuir-lhe a carac­te­rís­tica da eter­ni­dade, do que atri­buir a mesma carac­te­rís­tica a algo que não posso constatar…

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