Arquivo para Novembro, 2006

Dar Sangue

Pessoais, Sociedade 2 Comentários »

Dê SangueHoje fui dar sangue. Como sempre, saí do hospital com uma sensação de bem estar indescritível. Dar sangue é, obviamente, voluntário. No entanto, não me chocaria nada se todas as pessoas fossem obrigadas a dar sangue pelo menos uma vez na vida. Estou certo que muitas pessoas sairiam dos serviços de sangue onde fossem prestar a sua dádiva com a mesma sensação de bem estar de que eu gozo quando dou sangue.

Não consigo perceber por que é que não há mais dadores de sangue; será comodismo? Egoísmo? Não faço ideia!

Acredito que haja muita gente com medo de agulhas. De certo, essas pessoas não terão medo das agulhas se estas servirem para lhes salvar a vida. E, então, vão desejar que haja sangue disponível que lhes valha! Esperemos que não se esqueçam que alguém, altruísticamente, com ou sem medo de agulhas, abdicou do seu tempo livre para doar aquele sangue que é Vida.

O Instituto Português do Sangue disponibiliza online toda a informação necessária para quem ainda tiver dúvidas.

Não custa nada, não demora muito tempo e transmite-nos uma agradável sensação de dever cumprido. Ah, é verdade, também pode salvar vidas!

Beyond Belief, 2006

Ciência, Religião Sem Comentários »

Richard Dawkins e Ann Druyan, dois dos participantes nas conversas Realizaram-se no Salk Institute, La Jolla, Califórnia, entre 5 e 7 de Novembro as 1ª ConversasBeyond Belief, 2006“.

Promovidas pela The Science Network, as conversas contaram com a participação de alguns dos mais prestigiados pensadores da actualidade sobre o debate ciência/religião como Sam Harris, Richard Dawkins, Steven Weinberg, Ann Druyan, Lawrence Krauss, Neil deGrasse Tyson, entre outros.

Os videos das conversas já estão disponiveis online. Têm sido o meu passatempo dos últimos dias. Recomendo vivamente a sua visualização a todos os que se interessam por estes assuntos.

Numa altura em que, ao olhar à nossa volta, tudo parece dizer “fé” ou “religião”, é confortante aperceber-mo-nos que alguns dos maiores “crânios” da actualidade têm, sobre esta matéria, uma visão muito semelhante à nossa.

Aborto (III)

Portugal, Sociedade 3 Comentários »

Esta é a terceira parte de uma série de textos dedicados ao aborto . Ver: Aborto (I), Aborto (II)

Gosto do Que Treta!. Ludwig Krippahl, o seu autor, é, também, um ateu convicto e, curiosamente, também defende o “NÃO” na resposta ao referendo que se avizinha sobre a “Interrupção” Voluntária da Gravidez. Coloco “Interrupção” entre aspas porque me parece que começam logo aqui, na escolha do termo “Interrupção”, os problemas da questão colocada em referendo. Segundo o dicionário Priberam online, “Interrupção” significa:

do Lat. interruptione

s. f.,

suspensão;

acto ou efeito de interromper;

intermissão;

reticência.

Ora, isto significa, no meu entender, que a gravidez poderia ser retomada o que, obviamente, não é o caso!
Voltando ao Que Treta!, o Ludwig consultou os dados da O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) - ver post -e chegou às seguintes conclusões estatísticas:

Hoje tive tempo para consultar os dados da O.M.S. (aqui). Em 2003 morreram em Portugal 52992 mulheres. Dessas, por exemplo, 1556 de cancro da mama; 418 de acidentes automóveis; 411 de quedas; 267 de suicídio; 38 por homicídio e outros crimes violentos. O número total de mulheres que morreram em Portugal em 2003 por complicações relacionadas com gravidez, parto, ou pós-parto foi oito.

Reparem que oito é o numero total de todas as mortes relacionadas com gravidez e não exclusivamente relacionadas com o acto de abortar. É óbvio que enquanto este número for maior que zero ainda há muito por fazer. Uma morte são mortes a mais sob qualquer prisma. Mas, então, que dizer das 418 mulheres que são vitimas de acidentes de automóveis, das 267 que se suicidam e das 38 vitimas de homicídio? Não serão estas realidades bem mais urgentes de abordar?

Ludwig vai mais longe e analisa, ainda, os dados da organização Women on Waves e de uma resolução do P.C.P. sobre aborto medicalizado.

O que me parece importante ler destas estatisticas é que, por muito grave que seja, o aborto está longe de ser uma das principais causas de morte em Portugal, por muito que os propagandistas do “SIM” se esforcem.

Quero, no entanto, deixar bem claro que acredito convictamente que ninguém é a favor do aborto, nem mesmo os defensores do “SIM”. As marcas que ficarão gravadas na maioria das mulheres pelo simples facto de terem que tomar uma decisão dessas, mesmo antes do acto, serão, sem dúvida, enormes. No entanto, não me parece que dar ao aborto um estatuto contraceptivo seja a solução. Afinal, independentemente do enquadramento jurídico em que se processar o aborto as marcas ficarão sempre lá, quer seja legal ou não.

Richard Dawkins, Ted Haggard e o fundamentalismo evangélico

Ciência, Religião Sem Comentários »

Ted Haggard era, à altura desta entrevista, presidente da National Association of Evangelicals dos Estados Unidos e pastor da Igreja New Life. Nesta peça, Richard Dawkins faz-nos uma apresentação da “nova Jerusálem” dos fundamentalistas evangélicos americanos e confronta o próprio Ted Haggard. É tudo em grande… até o verniz começar a estalar!

Ted Haggard in "Root of All Evil?"
09:34

Recentemente, a 3 de Novembro, Ted Haggard renunciou a todos os seus cargos devido a um escândalo de “conduta sexual imoral”. Parece que o Pastor trocou alguns favores sexuais com um massagista de nome Mike Jones. Enfim, nada de mais… se não existisse a palavra hipocrisia! Nem Deus, nem os amigos terrenos lhe valeram.

Deus, a quanto obrigas! (3)

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Auto flagelação

Beatles, Love (ou a arte de reinventar com amor)

Arte & Cultura 3 Comentários »

Beatles - LoveQuem me conhece melhor, sabe que desde os meus doze anos que sou vidrado em Beatles. Os Beatles, enquanto grupo, contribuíram para o meu desenvolvimento e para o moldar da minha personalidade de uma forma que, às vezes, até a mim me surpreende. Conheço, claro está, a sua discografia de trás para a frente e continuo, ainda hoje, a descobrir novos “prazeres” na audição da sua música.

Como se não bastasse, foi agora editada a banda sonora do espectáculo “Love - Cirque du Soleil” que decorreu há uns meses atrás em Las Vegas. È de ficar siderado. Basicamente, é um trabalho de remistura de pistas e não de temas, ou seja, pistas de gravação de um tema são misturados com pistas de gravação de outro tema, resultando num novo colorido musical de sonoridades que já são familiares, mas que sofrem um novo enquadramento e, logo, outra vida.

Giles Martin e George MartinDestaco a mescla entre “Within You, Without You” e “Tomorrow Never Knows”. A voz e a citara da primeira em cima dos efeitos sonoros e bateria da segunda! Espantoso! E este é apenas um dos muitos exemplos.

Ao excelente resultado final não será alheio o facto de todo este trabalho ter sido da responsabilidade de quem melhor conhece o catálogo dos Beatles e as suas características técnicas. George Martin, que produziu todos os álbuns originais dos Beatles com excepção de Let It Be, ajudado pelo seu filho Giles Martin, fizeram deste “Love” uma obra onde, a cada segundo, se sente que é, realmente, um trabalho de muito amor. Obrigatório.

O link para ouvir online e na integra está aqui.

John Safran e os Mormons

Humor, Religião 2 Comentários »

John Safran é uma espécie de versão australiana de Michael Moore mas, na minha opinião, melhor. Antes, muito melhor! Produz os seus vídeos sobre temas que o chateiam e não tem problemas em chamar os bois pelos nomes.

John Safran considera-se o Mahatma Gandhi da tolerância, mas que o chateiem ao Sábado antes da hora do almoço com propaganda religiosa, isso é que ele não admite, de maneira nenhuma.

Neste vídeo, vejam a vingança de John Safran, em Salt Lake City, divulgando a palavra de Darwin, acompanhado sempre por um exemplar de “A Origem das Espécies”. Fenomenal!

John Safran vs Mormons
05:05

Aborto (II)

Portugal, Sociedade 13 Comentários »

Esta é a segunda parte de uma série de textos dedicados ao aborto . Ver Aborto (I).

A Igreja e o abortoNaturalmente, conforme se aproxima a data em que o Presidente da Republica terá que indicar a data para realização do referendo sobre o aborto, começam a chegar às páginas dos jornais, às televisões e aos blogues um maior número de opiniões sobre o assunto.

Entendo a maior parte das razões dos apoiantes do “SIM” embora, de uma forma geral, não concorde com elas. Já não entendo, contudo, o péssimo serviço que uma parte considerável dos comentadores habituais dos nossos media prestam à sua causa ao concentrarem o seu esforço de raciocínio em combater a posição da Igreja. Concordo que a Igreja devia ter vergonha de se pronunciar sobre estas matérias. No entanto, tem todo o direito de o fazer, tal como eu, qualquer outro cidadão ou organização. O direito de opinião não é reservado a meia dúzia de iluminados da treta, muitos deles agentes de propaganda disfarçada de forças partidárias.

Por outro lado, essa ideia de que apenas a Igreja é defensora do “NÃO” soa demasiado repescada. O aborto é, sem dúvida, um assunto que divide a sociedade - não só a nossa, ocidental, mas a nível global. De facto, existem muitos cidadãos assumidamente católicos que irão votar “SIM”, assim como muitos cidadãos que se estão a borrifar para a Igreja que irão votar “NÃO”. As questões morais, legais e culturais são demasiado complexas para respostas simples.

Como escrevi na primeira parte desta série de textos sobre o aborto, as questões que ficam por responder, às quais a pergunta colocada a referendo não dá garantias, são demasiadas. Preocupa-me o tratamento que será dado às várias situações sociais envolventes de um episódio de aborto. Recentemente, numa sequência de comentários a um blog que visito regularmente e cujo autor é defensor do “SIM”, coloquei algumas questões que, curiosamente, não me foram respondidas. Passo a transcrever o meu comentário:

Caro Luis,

Vou dar-lhe alguns cenários:

1 - A Miquelina ganha 450€ por mês, tem o marido desempregado e 3 filhos em idade escolar. Engravida.

2 - A Sissi tem 17 anos, vai a uma festa de anos duma amiga numa discoteca da moda, bebe demais e dá uma queca com o irmão do DJ no WC dos funcionários. Engravida.

3 - A Anita, 21 anos, foi violada às 2 da manhã por um tarado quando vinha do call-center onde trabalhava em part-time, com recibos verdes, para conseguir acabar de pagar o curso. Engravida.

4 - A Dona Gertrudes, 35 anos, divorciada, foi a uma consulta de estética por causa de uma verruga na áxila, e acabou por se demorar mais 15 minutos na marquesa. Engravida.

Faço-lhe as seguintes perguntas:
- Você põe estes casos todos no mesmo saco?
- Você acha que a nova lei deve pôr estes casos todos no mesmo saco?
- Na pergunta que vai ser referendada você encontra algum sinal de que estes casos irão ou não ser postos todos no mesmo saco?

Só uma coisa mais: Você acha que eu devo votar segundo que princípios éticos que não os meus? Segundo os seus? Credo, homem, que atitude tão episcopal!!!

Ou seja, voto “NÃO” porque não concordo que o aborto seja tratado como mais um processo anti-concepcional. Voto “NÃO” porque não será através do aborto que iremos acabar com a desinformação quer ao nível da educação sexual, quer ao nível da desresponsabilização dos nossos actos enquanto cidadãos. Voto “NÃO” porque através da liberalização do aborto o próprio Estado se estaria a descartar da sua obrigação em matéria de formação e sensibilização. Voto “NÃO” porque, do ponto de vista médico, o nosso sistema nacional de saúde precisa de muitos mais investimento em recursos técnicos e humanos para tratar doentes de facto.