A Ineficácia Muçulmana

Curi­oso artigo no Máquina Zero. Segundo este, a taxa de anal­fa­be­tismo nos paí­ses muçul­ma­nos deve-se a isso mesmo, ao facto de serem muçul­ma­nos! O artigo trans­creve mesmo um texto do site Studying Islam onde são ana­li­sa­das algu­mas esta­tís­ti­cas base­a­das em estu­dos inter­na­ci­o­nais.

Sem que­rer con­tes­tar o facto, que, aliás, é bem evi­dente nas esta­tís­ti­cas apre­sen­ta­das, penso que as razões não terão a ver direc­ta­mente com a reli­gião pra­ti­cada mai­o­ri­ta­ri­a­mente nes­ses paí­ses mas sim no facto de que, regra geral, a sepa­ra­ção entre os Estado e a reli­gião é pra­ti­ca­mente nula na mai­o­ria dos paí­ses muçul­ma­nos, assim como o facto de esses mesmo paí­ses, tam­bém na sua grande mai­o­ria, não serem demo­cra­cias exem­pla­res. Basta recor­dar outros casos em que a pro­xi­mi­dade entre o Estado e a Igreja domi­nante, que não a muçul­mana, pro­du­zi­ram os mes­mos resul­ta­dos. O nosso pró­prio exem­plo é prova disso mesmo. Durante os anos de dita­dura em Por­tu­gal, em que a ICAR dis­pu­nha de uma influên­cia forte junto do Estado, os nos­sos níveis de anal­fa­be­tismo eram dras­ti­ca­mente ele­va­dos. Este é um artigo inte­res­sante sobre esta matéria.

Parece-me, pois, mini­ma­lista a aná­lise feita pelo Máquina Zero. Não deixa, no entanto, de ser inte­res­sante ana­li­sar as esta­tís­ti­cas apresentadas.

Apro­veito esta opor­tu­ni­dade para me con­gra­tu­lar com o facto de des­co­brir mais um blog por­tu­guês a uti­li­zar o Word­Press. Word­Press rules…

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02. Agosto 2006 by Helder Sanches
Categories: Ciência, Mundo, Religião, Sociedade | 3 comments

Comments (3)

  1. Caro Hel­der Sanches:

    Deixe-me ape­nas sali­en­tar qeu dis­cordo da sua aná­lise à minha aná­lise — passe a redun­dân­cia. Pri­meiro que tudo, o texto em ques­tão não aborda ape­nas o pro­blema da taxa de anal­fa­be­tismo. Vai muito mais longe. E obri­gado por me dar razão. O grande pro­blema dos paí­ses muçul­ma­nos é a ine­xis­tên­cia de uma sepa­ra­ção entre reli­gião e Estado, diz você. Con­cordo total­mente. Acresce a isso o facto de não serem Demo­cra­cias. Con­cordo com maior ênfase. E porquê? Por­que o Islão não admite vida para além da reli­gião, sobre­tudo vida polí­tica. O Islão não admite, por exem­plo, igual­dade de direi­tos entre homens e mulhe­res. É pos­sí­vel ter uma Demo­cra­cia que não apli­que este prin­cí­pio?
    O estado de Por­tu­gal quando a Igreja era a reli­gião ‘ofi­cial’ é elu­ci­da­tivo. Reli­gião, só fora do Estado. Já agora, lembre-se lá de um país de mai­o­ria muçul­mana onde haja separa essa sepa­ra­ção entre reli­gião e Estado e que seja uma Demo­cra­cia.
    Mas repare: o artigo não é meu. É de um aca­dé­mico e eco­no­mista paquis­ta­nês e foi publi­cado em por­tu­guês num dos fóruns da Comu­ni­dade Islâ­mica da Web.

    Melho­res cumprimentos

    Máquina Zero

  2. Caro MZ,

    Obri­gado pelo seu comen­tá­rio. Per­cebo o seu raci­o­cí­nio. O que nos separa é que você parece apon­tar mais o dedo à reli­gião muçul­mana em par­ti­cu­lar, como se esse fosse só um pro­blema dessa reli­gião. Eu acho que o pro­blema essen­cial reside na pro­mis­cui­dade Estado/Religião, inde­pen­den­te­mente de ser muçul­mana ou outra qualquer.

    Um abraço.

    Hel­der

  3. Meu caro, a pro­mis­cui­dade entre Estado/Religião é sem­pre san­grenta. Mas quando a reli­gião é a muçul­mana, o san­gue escorre com maior abun­dân­cia. Por uma sim­ples razão: as carac­te­rís­ti­cas medi­e­vais dessa mesma religião.

    cum­pri­men­tos

    Máquina Zero

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