Curioso artigo no Máquina Zero. Segundo este, a taxa de analfabetismo nos países muçulmanos deve-se a isso mesmo, ao facto de serem muçulmanos! O artigo transcreve mesmo um texto do site Studying Islam onde são analisadas algumas estatísticas baseadas em estudos internacionais.
Sem querer contestar o facto, que, aliás, é bem evidente nas estatísticas apresentadas, penso que as razões não terão a ver directamente com a religião praticada maioritariamente nesses países mas sim no facto de que, regra geral, a separação entre os Estado e a religião é praticamente nula na maioria dos países muçulmanos, assim como o facto de esses mesmo países, também na sua grande maioria, não serem democracias exemplares. Basta recordar outros casos em que a proximidade entre o Estado e a Igreja dominante, que não a muçulmana, produziram os mesmos resultados. O nosso próprio exemplo é prova disso mesmo. Durante os anos de ditadura em Portugal, em que a ICAR dispunha de uma influência forte junto do Estado, os nossos níveis de analfabetismo eram drasticamente elevados. Este é um artigo interessante sobre esta matéria.
Parece-me, pois, minimalista a análise feita pelo Máquina Zero. Não deixa, no entanto, de ser interessante analisar as estatísticas apresentadas.
Aproveito esta oportunidade para me congratular com o facto de descobrir mais um blog português a utilizar o WordPress. WordPress rules…
Caro Helder Sanches:
Deixe-me apenas salientar qeu discordo da sua análise à minha análise – passe a redundância. Primeiro que tudo, o texto em questão não aborda apenas o problema da taxa de analfabetismo. Vai muito mais longe. E obrigado por me dar razão. O grande problema dos países muçulmanos é a inexistência de uma separação entre religião e Estado, diz você. Concordo totalmente. Acresce a isso o facto de não serem Democracias. Concordo com maior ênfase. E porquê? Porque o Islão não admite vida para além da religião, sobretudo vida política. O Islão não admite, por exemplo, igualdade de direitos entre homens e mulheres. É possível ter uma Democracia que não aplique este princípio?
O estado de Portugal quando a Igreja era a religião ‘oficial’ é elucidativo. Religião, só fora do Estado. Já agora, lembre-se lá de um país de maioria muçulmana onde haja separa essa separação entre religião e Estado e que seja uma Democracia.
Mas repare: o artigo não é meu. É de um académico e economista paquistanês e foi publicado em português num dos fóruns da Comunidade Islâmica da Web.
Melhores cumprimentos
Máquina Zero
Caro MZ,
Obrigado pelo seu comentário. Percebo o seu raciocínio. O que nos separa é que você parece apontar mais o dedo à religião muçulmana em particular, como se esse fosse só um problema dessa religião. Eu acho que o problema essencial reside na promiscuidade Estado/Religião, independentemente de ser muçulmana ou outra qualquer.
Um abraço.
Helder
Meu caro, a promiscuidade entre Estado/Religião é sempre sangrenta. Mas quando a religião é a muçulmana, o sangue escorre com maior abundância. Por uma simples razão: as características medievais dessa mesma religião.
cumprimentos
Máquina Zero