Estreou ontem no novo canal +TVI (exclusivo ZON, posição 12), o programa de stand-up “VOX — Em Busca da Comédia”, inteiramente gravado às sextas feiras no Vox Café, na Voz do Operário, em Lisboa. Deixo-vos com dois dos teasers do programa. Espero que gostem.
Previsível? Inevitável? Lamentável?
Sobre a legalização do trabalho sexual
Não fora a crise instalada e os folhetins que a circundam, a legalização do trabalho sexual ou a sua simples regulamentação seriam alvo de maiores discussões nos media e na sociedade em geral. Contudo, esta discussão está remetida para segundo plano na sociedade que se dedica actualmente à discussão da situação económica do país e pouco mais.
Pessoalmente, tenho formada uma opinião favorável à legalização do trabalho sexual. Contudo, tenho muitas dúvidas sobre a forma dessa regulamentação ser implementada, nomeadamente no que diz respeito à implementação das baixas médicas e sobre o seu controlo. Não tenho dúvidas de que a legalização do trabalho sexual deverá ter como principal objectivo o reconhecimento do direito à dignidade pessoal e profissional de quem exerce este tipo de profissão, mas não podemos fazer tábua rasa do risco para a saúde pública que poderá representar uma má regulamentação e/ou implementação da lei que poderá vir a ser aprovada.
Algumas das questões que coloco são as seguintes:
- No caso de um(a) prostituto(a) contrair uma DST, como é feito o controlo de que o/a mesmo(a) suspende a actividade (temporariamente ou definitivamente)?
– Que direitos ficam assegurados pelo Estado nos casos em que seja contraída uma DST crónica?
– Que tipo de procedimentos são necessários para a emissão de uma carteira profissional?
– De que forma deverão estar previstos os direitos do consumidor no que toca a questões de saúde?
Enfim, algumas questões que não são brincadeira, embora possam parecer.
Quiçá ingénuo
Há mais de trinta anos que não ia a uma manifestação, o que significa que nunca tinha ido a uma enquanto adulto. À de ontem tinha que ir. Era obrigatório. Precisava de ir. E fui…
Ontem foi um dia que fará a diferença. Deixem-me ser optimista e, quiçá, ingénuo, mas espero que estejamos não só no início da queda deste governo, mas sim no início de um novo paradigma político em que o Estado sejamos todos e em que não seja passado um cheque em branco por quatro anos a qualquer governo, seja qual for a cor do mesmo.
Que este seja o início de uma época em que os governos sejam obrigados a cumprir as promessas eleitorais e que sejam constitucionalmente impedidos de agirem de outra forma;
Que este seja o início da democracia se tornar digna desse nome e as grandes decisões para o país sejam sempre tomadas em referendo pelo povo;
Que este seja o início de uma nova consciencialização política de um povo que tem optado pela abstenção, abdicando da força da sua união;
Que este seja o início da esperança e que a desculpa dos indicadores económicos não sirva para transformar os poderosos em carrascos de quem precisa de trabalhar arduamente para ter uma vida digna;
Que este seja o início da criação de um novo propósito nacional de dignificar o seu povo e não de o amordaçar no medo do descalabro dos banqueiros e das grandes empresas;
Que esteja seja o início de um processo incubador de novos políticos e dirigentes que respeitem os seus concidadãos e que actuem com espírito de missão, honestidade e sentido de Estado;
Que este seja o início de um novo “Nós”;
Que este seja o início de uma revolução de mentalidades, pois só essa é a verdadeira revolução;
Ingénuo, provavelmente, quiçá?
Email para a Junta de Freguesia da Penha de França
Exmos. Senhores,
Gostaria de vos alertar para a quantidade de lixo espalhado na Praça António Sardinha. Esta situação verifica-se há já vários dias e, para além do aspecto estético, representa um risco para a saúde pública dos habitantes desta praça, especialmente para o elevado número de crianças que utiliza o parque existente na mesma.
A propósito do parque infantil, recordo que a informação
disponibilizada no vosso site é falsa e as obras de melhoramento do mesmo não se encontram concluídas, uma vez que o lado norte do referido parque carece ainda de melhoramentos e, não estando devidamente isolado, apresenta sérios perigos para a integridade física das crianças utilizadoras deste parque.
Junto em anexo duas fotos demonstrativas destas minhas preocupações. Aguardando um esclarecimento de V. Exas., subscrevo-me,
Com os melhores cumprimentos,
Helder Sanches
O bispo, a esquerda e a falta de blue-jeans
Quando toca a “cascar” no governo encontram-se as alianças mais inesperadas. Assistir ao espectáculo de alguma esquerda a aplaudir a intervenção do bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, na passada terça-feira na TVI, parece demasiado deprimente para ser verdade. Para essa esquerda, é válido que qualquer cidadão se pronuncie sobre politica se for para “cascar” no governo. Contudo, chamo a atenção de dois pormenores:
- O entrevistado foi anunciado como bispo das Forças Armadas e com o seu título de membro da Igreja Católica, envergando o pomposo “Dom” antes do nome (ver aqui)
- O entrevistado não trajava à civil, envergando as tradicionais vestes do cargo que desempenha na hierarquia a que pertence
Pergunto-me se, em iguais circunstancias, essa mesma esquerda defenderia tão convictamente a liberdade de expressão do referido bispo em assuntos como o aborto ou o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ou se virão a defender o papel de agente social da Igreja quando acontecer um debate público e sério sobre a eutanásia. Não me parece.
Ao contrário do que muita gente pensa, a separação entre Estado e Igreja visa a protecção de ambos. Ao pronunciar-se sobre assuntos de Estado, o bispo abre um precedente muito perigoso, pois seria tão ou mais grave que, doravante, o Estado começasse a opinar sobre assuntos internos da Igreja.
Assim, mesmo que o cidadão Januário tenha todas as razões e mais alguma para dizer o que disse, não o pode fazer com o “Dom” antes do seu nome e tem que envergar uma t-shirt e blue-jeans quando o fizer, caso contrário comporta-se como mais um agente do tráfico de influências com que a imprensa e a Igreja Católica tantas vezes nos presenteiam. Que a esquerda oportunista não queira ver isto é que é de lamentar.
A morte de Jon Lord e um “a propósito” para os ateus
Faleceu hoje, em Londres, Jon Lord, fundador e teclista dos Deep Purple, responsável pela co-autoria de muitos dos hits da banda, nomeadamente “Smoke on the Water”.
Estava eu a ler uma das notícias sobre a sua morte num site inglês quando me cruzei com a previsível expressão R.I.P. (Rest in Peace) e me interroguei sobre a mais que provável origem da expressão. Numa pesquisa rápida, eis a resposta na Wikipedia:
The phrase or initialism is commonly found on the grave of Catholics,[1] as it is derived from the burial service of the Catholic Church, in which the following prayer is said at its commencement and conclusion:
“ Anima eius et animæ omnium fidelium defunctorum per Dei misericordiam requiescant in pace. ”
In English:[3]
“ May his soul and the souls of all the departed faithful by God’s mercy rest in peace. ”
Assim sendo, evitem lá de colocar o tão católico RIP quando pretendem homenagear distintos ateus. É deveras despropositado.
A indignação ilusória
Já não restam dúvidas que o acesso à internet e a consequente utilização de blogs, fóruns e outros sites sociais como o Facebook, democratizam a palavra e a opinião, permitindo virtualmente a qualquer cidadão expressar-se como muito bem entender. Claro que isso acarreta os malefícios inerentes a qualquer massificação, tornando-se mais frequente o desinteressante e o monótono do que o profundo e inovador.
Contudo, não me parece que seja esse o verdadeiro problema desta massificação. O verdadeiro problema reside na ilusão que se cria em quem expõe as suas opiniões de que elas contam. E não contam! Toda essa indignação exposta em entradas do Facebook, umas mais sérias, outras mais sarcásticas, pode contribuir para o retrato do “estado de alma” do país, mas em nada contribui para melhorar a fotografia.
Precisamos de uma maior consciência cívica e de nos mentalizarmos que existe uma alternativa ao “fado” de não conseguirmos um melhor Estado. Essa alternativa passa por conseguirmos menos Estado e isso só é possível com mais trabalho do que escrever uns textos ou partilhar umas imagens com frases feitas. É preciso por em prática o que se apregoa e não ficarmos apenas por palavras vãs. E faço já mea culpa.
Portal Ateu Off
Desde meados da semana que o Portal Ateu se encontra offline devido à conta onde este se encontrava alojado ter sido suspensa por excesso de consumo de recursos do servidor, ao que percebi. Não sei que tipo de conta estava contratada, mas é extremamente desagradável a atitude de alguns service providers chegarem ao ridículo de cortarem o serviço sem pré-aviso, não dando sequer tempo aos responsáveis dos sites para pensarem em alternativas. Já tinha acontecido anteriormente, voltou a acontecer agora…
Espero que a situação seja ultrapassada com a maior brevidade possível.
O macho-alfa e o cardume
No folhetim que se está a tornar a reacção do Ricardo Silvestre às minhas criticas (1, 2, 3, 4) à forma como é praticado o ateísmo nos sítios Portal Ateu e Diário Ateísta, temos mais um capítulo, com honras de editorial e tudo, que dá pelo dramático título de “Em defesa dos colaboradores do Portal Ateu”. Baseia-se a necessidade desta “defesa” no facto de eu apontar o dedo à maioria dos artigos do actual Portal Ateu. E, insisto, a critica é feita à maioria dos artigos do Portal Ateu, não à sua totalidade.
Vejamos, então, qual é a definição de maioria de acordo com o Dicionário Priberam:
maioria
(maior + –ia)
s. f.
1. Número excedente a metade do todo.
2. Grupo preponderante; a maior parte.
3. Partido ou aliança de partidos que compreende o maior número de votos no parlamento e geralmente apoia o governo.
Posto isto, vejamos como estão distribuídos os 1748 artigos do Portal Ateu de acordo com os seus autores actuais:
- Ricardo Silvestre — 1231
- Lúcio Mateus — 15
- Tito Casquinha — 68
- Rui Janeiro — 380
- Rui Silva — 9
- Catarina Pereira — 45
Se tivermos em consideração os artigos de todos os autores que já passaram pelo Portal Ateu, o site tem um total de 2290 artigos publicados. Portanto, não há volta a dar-lhe. Para onde quer que olhemos, o Ricardo Silvestre tem sempre a maioria dos artigos do Portal Ateu. E, se tivermos em consideração apenas os actuais colaboradores, a percentagem de artigos do Ricardo Silvestre é superior a 70 por cento. Obrigado, Priberam!
Portanto, não vale a pena o Ricardo Silvestre tentar sacudir a água do capote e tentar diluir a sua responsabilidade pelos restantes colaboradores do Portal Ateu. Fica-lhe mal, é uma solidariedade apenas aparente e oportunista. O Ricardo Silvestre tem sido sempre o macho-alfa do processo e agora, na altura das criticas, quer transformar o processo num cardume.
O resto do artigo perde-se em confusões falaciosas entre ateísmo e humanismo e entre voluntarismo e obra feita. Ser ateu não implica ser-se humanista. Muitos cristãos consideram o cristianismo uma religião humanista e são muitos os exemplos de que nem sempre é assim. O mesmo é válido para o ateísmo. De igual forma, ser-se voluntário, ter dedicação a uma causa, não implica ter sucesso ou ser eficaz na defesa ou promoção da mesma. Por muito que isso possa ser difícil de encarar.
Para mim este assunto está encerrado. Não tenho mais nada a acrescentar nem tenho mais tempo para perder com Ricardo Silvestre ou com o Portal Ateu. Acho até que já lhes dei importância a mais. Mas em relação à PAMAP ainda há muita coisa a dizer.

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